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Lançamento de Peregrinação CRIOULA de Paulo Branco Lima  em Lisboa

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Lançamento de Peregrinação CRIOULA de Paulo Branco Lima em Lisboa

Temos o prazer de convidar Vª para o lançamento de Peregrinação CRIOULA, romance de Paulo Branco Lima editado com a chancela da editora Aquarela Brasileira, a ter lugar no dia 11 de Junho pelas 18:00 na Livraria Ler Devagar (LX Factoy).


Fotografia do autor por Miguel Von Driburg


Paulo Branco Lima [1] reinterpreta Peregrinação, obra seminal de Fernão Mendes Pinto.


O narrador recorre à ironia e ao sarcasmo nesta viagem recente (anos noventa do século XX) a Cabo Verde em busca das suas raízes. Marca-o indelevelmente uma dinâmica de autodescoberta e um confronto de identidades.

Mário Gomes, especialista em Teoria da Literatura (Univ. Bona/Univ. Florença), afirma que «estamos perante um autor que na gíria literária se apelidaria de náutico: um autor de navios-escola e marinharia, mas sobretudo um artista da submersão literária. Sei de poucas pessoas – assim de repente lembro-me de um ou dois casos – que vivam tão submersas na literatura como o Lima».

José Luís Pires Laranjeira (docente de Literaturas e Culturas Africanas de língua portuguesa da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra), diz tratar-se «um livro de escrita comedida, metódica, visual, que descreve com minúcia e empolga pela força da palavra diretamente testemunhal, mas cruzada com a matriz renascentista: marinheiros-aprendizes, rotinas apertadas, trabalhos e dias duros, espaços e sujeitos enclausurados num oceano de espantos e águas abertas, à descoberta de si».

Para Soraia Simões (Mural Sonoro/ Instituto de História Contemporânea/FCSH NOVA) «à primeira vista, desde logo pela capa, parece que estamos perante mais uma obra de glorificação do passado quinhentista nacional, mas não. O autor, centrando-se numa rota marítima por latitudes africanas, desenvolve descrições pormenorizadas de marinharia e do funcionamento interno do veleiro que, à medida que os episódios avançam, vão ganhando contornos inesperadamente críticos do período colonial português» (Simões, Esquerda.Net).

O romance será apresentado pelo escritor e tradutor Mário Gomes, cujo recente trabalho de transcrição para língua portuguesa do autor germânico Arno Schmidt (Leviatã ou O Melhor dos Mundos seguido de Espelhos Negros), tem recebido rasgados elogios da crítica literária. Os actores Miguel Sopas e Ricardo Vaz Trindade lerão partes do romance.

DADOS DO LIVRO
Título: Peregrinação Crioula
Autor: Paulo Branco Lima
Editora: Aquarela Brasileira Livros
Género: Romance
Formato: 14 x 21 cm
Número de páginas: 172
ISBN: 978-85-92552-12-1
Depósito legal: 455407/19
Web: www.aquarelabrasileira.com.br/peregrinacao-crioula
Encomendas: faleaquarela@gmail.com

[1] Paulo Branco Lima é escritor, actor, performer, investigador literário e produtor cultural. Licenciado em Jornalismo e Mestre em Literatura de Língua Portuguesa pela Universidade de Coimbra, em 2013 publicou o romance Origem e Ruína com a chancela da Chiado Editora. Enquanto autor, fomenta alicerces nas obras de William Faulkner, Camilo Castelo Branco, Pepetela, Vitorino Nemésio e Guimarães Rosa. Membro do Centro de Literatura Portuguesa da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, é colaborador regular da Revista de Estudos Literários e das publicações angolanas O Chá e Jornal Cultura

Associação Mural Sonoro

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Podcast Mural Sonoro, Episódios de Outubro e Novembro

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Podcast Mural Sonoro, Episódios de Outubro e Novembro

Xana (Rádio Macau. Intérprete, autora, investigadora)     Este podcast despede-se por agora e  regressa em Janeiro de 2019.    Nos meses de Novembro e Dezembro estarei ocupada nas gravações do documentário     A Guitarra de Coimbra     (RTP2, 2019), com José Ricardo Pinto, duas comunicações e na revisão de um novo livro da minha autoria, que chegará às livrarias também na primeira metade do ano 2019. Sobre isto saberão mais detalhes no próximo ano.    Podem reouvir aqui [1] os episódios do mês de Outubro e Novembro e/ou os que ficaram para (re)ouvir.     Até Janeiro.      [1]  basta picar nas fotografias para (re) ouvir o episódio correspondente.

Xana (Rádio Macau. Intérprete, autora, investigadora)

Este podcast despede-se por agora e regressa em Janeiro de 2019.

Nos meses de Novembro e Dezembro estarei ocupada nas gravações do documentário A Guitarra de Coimbra (RTP2, 2019), com José Ricardo Pinto, duas comunicações e na revisão de um novo livro da minha autoria, que chegará às livrarias também na primeira metade do ano 2019. Sobre isto saberão mais detalhes no próximo ano.

Podem reouvir aqui [1] os episódios do mês de Outubro e Novembro e/ou os que ficaram para (re)ouvir.

Até Janeiro.

[1] basta picar nas fotografias para (re) ouvir o episódio correspondente.

Mitó (A Naifa, Señoritas. Intérprete, Compositora)

Mitó (A Naifa, Señoritas. Intérprete, Compositora)

Maria João (pioneira no jazz em Portugal, intérprete, autora)

Maria João (pioneira no jazz em Portugal, intérprete, autora)

Eugénia Melo e Castro (intérprete, autora)

Eugénia Melo e Castro (intérprete, autora)

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Até Sempre Celeste Rodrigues!

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Até Sempre Celeste Rodrigues!

Uma nota pessoal

Celeste Rodrigues podcast Mural Sonoro.jpg

Celeste Rodrigues ensinou a muita gente predicados em desuso, que os/as que pertencem a um universo intenso e elevado quase sempre preservam como o ser tolerante, sem pretensões e vedetismo, apesar de todas as razões que pudessem imaginar existirem para o ter. É parte indissociável da História do Fado, da gravação sonora em Portugal, além da mulher com mais tempo de actividade na indústria da música.

Só alguém com uma luz muito especial, para quem entrevistas e testemunhos não são novidade, poderia afirmar, depois de lhe dizer que estava um pouco nervosa, por ir gravar a entrevista para este podcast temático, «nervosa estou eu» ou «esse seu trabalho é bonito, deve ser difícil». Reouvir pedaços da conversa que registámos na casa do neto Diogo, e que não figuram no podcast, é um bálsamo de percepção subliminal. Da sua inteligência, emocionalidade, bom gosto. Bom gosto esse que foi da escolha dos seus repertórios às sociabilidades, com gerações distintas e com músicos de diversos universos da música popular.

Mesmo que afirmasse «não sei para ensinar, nem sei se o que canto é Fado», como o fez, e até várias vezes na conversa que gravámos, acredito que nem ela saberia que todos/as aquelas/as que tiveram a sorte de se cruzar ou de privar com ela aprenderam decerto algo tão descuidado mas tão indispensável, a olhar a vida, a sua e a dos/as que a rodeavam, com a lente do absurdo da existência da condição humana (quase parafraseando Albert Camus).

Foi um privilégio tê-la conhecido Celeste (sem o Dona, que fez questão de dizer: detestava).

Quando a manhã me desperta
Da janela entreaberta
Deixa-me ver a cidade
E p'ra não sofrer à toa
Não dou um nome a Lisboa
E só lhe chamo saudade

Há tanta gente a passar
Que às vezes chego a escutar
O pregão duma varina
Sei que a vida continua
Mas vejo passar na rua
Os meus tempos de menina

Olho outra vez a cidade
Mas quando o vento me invade
E a solidão me agarra
Fecho de vez a janela
Peço à saudade cautela
E abraço uma guitarra

Fotografia do neto Diogo Varela Silva no dia da última entrevista cedida por Celeste (para este podcast)

Tiago Torres da Silva / Pedro Pinhal, criadora: Celeste Rodrigues

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A vida por um fio, de José Ricardo Pinto, estreia a 6 de Junho na RTP2

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A vida por um fio, de José Ricardo Pinto, estreia a 6 de Junho na RTP2

Reflexão audiovisual sobre o teatro de Marionetas, realizada por José Ricardo Pinto [1] com a colaboração da companhia alcobacense S.A. Marionetas

a vida por um fio.jpg

Documentário de José Ricardo Pinto sobre o teatro de marionetas português, que nos conta a História de homens e mulheres que passavam tradições através de fantoches. Um teatro que, prescindindo de actores de carne e osso, animava serões - de norte a sul do país - e cruzava a oralidade com o engenho da imaginação. 

Actualmente, a manipulação das marionetas é uma arte cuidadosamente preservada. Diversas são as companhias que se dedicam a esta arte, investigando, construindo e divulgando o Teatro de Marionetas. 
O documentário vai ao encontro desses homens e mulheres que, puxando os fios, dão vida a bonecos inanimados. O dia-a-dia, as técnicas, o engenho, a criatividade e a capacidade de fazer rir, chorar e sonhar.
«Talvez a vida não seja uma coisa poética. Mas tento encontrar poesia na vida», Henrique Delgado (1938-1971), importante historiador da marioneta em Portugal.

[1] José Ricardo Pinto, é realizador e documentarista, integra a Associação Mural Sonoro.

[2] Estreia dia 6 de Junho pelas 23.10. Mais em RTPlay Programação.

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(Des) normatizar

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(Des) normatizar

Dossier proposto por André Samora Pita em Janeiro de 2018 à Associação Mural Sonoro para publicação, realizado pelo próprio, e publicado no portal Mural Sonoro. Conta com duas entrevistas exploratórias em Junho do mesmo ano. Tem  Afonso Miguel Guerreiro (actor, encenador e ex bailarino) e Emerson Pessoa (investigador) como interlocutores.

 

 

O presente dossier tinha como tópico base retratar percursos de atores, atrizes e outros géneros que a língua portuguesa não permite assim expor. Pessoas cujos únicos traços unificadores são a sexualidade e identidade de género não normativas.

“Tinha” porque, por motivos pessoais, não o poderei retomar. Do modo como termina conta com duas entrevistas: a Afonso Guerreiro e a Emerson Pessoa.

Afonso Guerreiro deteve um itinerário emblemático na vida cultural portuguesa, nomeadamente nos palcos, primeiro como bailarino e, depois, como ator. Contudo, nesta primeira entrevista, para além da sua vida profissional também revelou uma perspetiva daquilo que era a vida de um homossexual nos primeiros tempos da democracia portuguesa e os contrastes e continuidades com o tempo presente. A audição desta entrevista irá, sem dúvida, contribuir para quem querer compreender um pouco mais do que era esta realidade, especialmente em Lisboa.

Contrastando com a experiência artística de Afonso Guerreiro, surge a análise académica de Emerson Pessoa. Este explora as realidades de mulheres transsexuais brasileiras e as suas dificuldades na transição para o “velho continente” em busca de melhores condições, mas também de ascensão social. O seu contributo neste dossier revela igualmente como perceções sociais e culturais diferentes moldam o percurso de pessoas não normativas, sendo reforçados vários pontos que podem não ser logo aparentes. Sendo este áudio uma “convalescença” do seu trabalho, recomendamos a leitura daquilo que tem vindo a produzir em torno destas temáticas.

Com isto encerramos este dossier. Um projeto sincero que termina antes de explorar outras realidades (como as trans, as femininas e tantas outras que desafiam rótulos), mas mesmo assim uma tentativa de trazer outras questões para discussão. Agradeço aos dois entrevistados pela colaboração e aos que foram apoiando este trabalho quer com o seu interesse, quer com as suas críticas.

Obrigado.

André Samora Pita

 

Afonso Guerreiro iniciou o seu percurso em 1987 na Companhia Dança do Tejo, nele além da transmissão da sua vasta experiência, está, com certeza, uma parte da História da Cultura Popular de Lisboa e Almada dos anos 80 e 90 e é também disto que fala esta primeira entrevista.

Da chegada dos fundos europeus ao cavaquismo, dos primeiros anos no Conservatório de Dança e de Teatro ao Teatro de Revista, do 'boom' dos espectáculos de transformismo no Bairro Alto à importância de um conjunto de casas nocturnas, de que é exemplo o Frágil. De Passa por Mim no RossioMaldita Cocaína ou What Happened to Madalena Iglésias [1] (como escolas de crescimento artístico e pessoal) às experiências como bailarino, intérprete, actor, coreógrafo. Do teatro dito «erudito» e «sério» ao denominado «popular e de massas», onde o jocoso e político tiveram palco, marcando uma viragem para um conjunto numeroso de bailarinos, intérpretes e actores em Portugal, de áreas distintas, que confluíram nesses anos.

Também as questões relativas à sua vivência enquanto homossexual não são ignoradas. Tanto nas transformações sofridas na cidade de Lisboa, e a forma como as comunidades LGBTQ+ são agora interpretadas pela sociedade portuguesa, como ainda o impacto dos movimentos sociais na dinamização da mudança.

Créditos
Indicativo/música de Nuno Pereira; 
Captação musical de Soraia Simões para Mural Sonoro (arquivo);
Fotografia de Alicia Gomes;
Entrevista conduzida por André Samora Pita.

Notas

[1] peças de teatro

 

 

Emerson Pessoa é um Antropólogo e Investigador brasileiro, nacido em Paulicéia-SP. Mestre em Ciências Sociais e professor na Universidade Federal de Rondônia. Neste momento encontra-se a fazer o seu doutoramento no ICS - ULisboa.

Nesta recolha de entrevista fala do que tem sido a sua pesquisa no seio das questões de identidade de género, direitos, capitais culturais, simbólicos e sociais no mercado de trabalho (como o da prostituição) no contexto de migração das mulheres trans, violência transfóbica e inclusivé policial, mas também no universo da construção de visibilidades da comunidade LGBTQ+ e invisibilidades.


Créditos

Fotografia de António Pedro

Entrevista conduzida por André Samora Pita;
Indicativo/música do dossier de Nuno Pereira; 
Captação musical para o indicativo de Soraia Simões para Mural Sonoro (arquivo).

(c) 2018 Direitos Reservados Associação Mural Sonoro, dossier (Des) normatizar

 

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Podcast Mural Sonoro de Soraia Simões

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Podcast Mural Sonoro de Soraia Simões

                      Um  podcast  sobre mulheres na música, papéis, reportórios de luta e resistências   Interessei-me, começando a publicar acerca  do tema no ano 2017 [2]  e numa perspectiva comparada (entre o período histórico no qual incide a minha pesquisa e a actualidade), durante a investigação que realizei sobre o início do  RAP  em Portugal pelo modo como as mulheres foram apresentadas, representadas, se apresentaram e se representaram no universo musical e cultural português pautado por uma masculinização dos sectores de produção e recepção, nos quais os homens continuam a ser maioritários.    
  
  
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
  
  
  
  
  
    Tinha uma grande vontade de estender esse debate acerca dos papéis e reportórios de luta, lugares de fala e de resistência das mulheres a vários universos da música  (popular  e  clássica ) e com vários sujeitos.  Este  podcast , que pode ser subscrito por via do    ITunes    e/ou do    soundcloud  ,  tem estreia marcada para o dia 12 Julho de 2018.  São entrevistas ao correr de ideias sobre música com sociedade, história contemporânea e das ideias políticas dentro. Passam por estas conversas cerca de 50 intervenientes: directoras musicais, intérpretes, compositoras, investigadoras, museólogas, entre outras, cujos percursos e desempenhos se têm destacado neste campo diverso e com características próprias e outras que são transversais.  São cerca de 50 conversas que nos permitem perceber como se liga o sistema das relações de género às atribuições sociais de papéis, de poder e de prestígio, o qual tem sido ao longo dos anos sustentado por uma ampla rede de metáforas associadas ao masculino ou ao feminino. O poder exercido pela música e as elaborações em termos de metáforas de género na mesma mudam em função dos contextos históricos e universos musicais?  Revela-se ou não a dimensão das relações de género no cenário português em estruturas institucionais e culturais, e no que concerne à relação entre as emoções e a composição,  performance  e discurso sobre cada campo da música?  Falar-se-á de percursos, histórias de vida com música, traçar-se-ão reflexões, partilhar-se-ão memórias e, especialmente, trajectórias de vida de mulheres no cenário musical.  Há uma carência de pesquisas no campo da música produzida em Portugal que problematizem pontos como: a faixa etária das mulheres que actuam em universos musicais como o  pop-rock , em agrupamentos de  cariz tradicional  e na  música erudita  ou, do mesmo modo, na execução de instrumentos musicais e no tipo de instrumentos mais procurados, do mesmo modo há uma necessidade de questionamento no campo das autorias: as produções individuais e as colectivas; ou ainda dados que nos revelem as formas de organização dos grupos nas práticas musicais, a visão dos meios de comunicação sobre as mulheres na música, as visões das próprias mulheres na música.  Ao incidir nas trajectórias de vida de mulheres na música ou na pesquisa e questionamento das musicalidades em Portugal revistas sob essa perspectiva, e privilegiando o discurso oral, poderá revelar como o “feminino” e o “masculino” se projectam e se constroem através do discurso musical, tanto ao nível das estruturas composicionais, dos arranjos instrumentais e vocais, bem como no plano das letras das canções ou das suas  performances .  Estou bastante contente com todas as conversas que tenho gravado nestes últimos meses.  Enfim, espero que o escutem com tanto entusiasmo como tem sido fazê-lo.      Soraia Simões , Maio de 2018  Ilustração de  João Pratas   Música de  Amélia Muge  [1]                                                [1]  «Uma Ilha, Utopia», «An Island, Utopia» in  Archipelagos  (Amélia Muge e Michales Loukovikas).   [2]   https://journals.openedition.org/cadernosaa/1397 ;  http://www.muralsonoro.com/qd-intro/    

                      Um podcast sobre mulheres na música, papéis, reportórios de luta e resistências

Interessei-me, começando a publicar acerca  do tema no ano 2017[2] e numa perspectiva comparada (entre o período histórico no qual incide a minha pesquisa e a actualidade), durante a investigação que realizei sobre o início do RAP em Portugal pelo modo como as mulheres foram apresentadas, representadas, se apresentaram e se representaram no universo musical e cultural português pautado por uma masculinização dos sectores de produção e recepção, nos quais os homens continuam a ser maioritários.

Tinha uma grande vontade de estender esse debate acerca dos papéis e reportórios de luta, lugares de fala e de resistência das mulheres a vários universos da música (popular e clássica) e com vários sujeitos.

Este podcast, que pode ser subscrito por via do ITunes e/ou do  soundcloud,  tem estreia marcada para o dia 12 Julho de 2018.

São entrevistas ao correr de ideias sobre música com sociedade, história contemporânea e das ideias políticas dentro. Passam por estas conversas cerca de 50 intervenientes: directoras musicais, intérpretes, compositoras, investigadoras, museólogas, entre outras, cujos percursos e desempenhos se têm destacado neste campo diverso e com características próprias e outras que são transversais.

São cerca de 50 conversas que nos permitem perceber como se liga o sistema das relações de género às atribuições sociais de papéis, de poder e de prestígio, o qual tem sido ao longo dos anos sustentado por uma ampla rede de metáforas associadas ao masculino ou ao feminino. O poder exercido pela música e as elaborações em termos de metáforas de género na mesma mudam em função dos contextos históricos e universos musicais?

Revela-se ou não a dimensão das relações de género no cenário português em estruturas institucionais e culturais, e no que concerne à relação entre as emoções e a composição, performance e discurso sobre cada campo da música?

Falar-se-á de percursos, histórias de vida com música, traçar-se-ão reflexões, partilhar-se-ão memórias e, especialmente, trajectórias de vida de mulheres no cenário musical.

Há uma carência de pesquisas no campo da música produzida em Portugal que problematizem pontos como: a faixa etária das mulheres que actuam em universos musicais como o pop-rock, em agrupamentos de cariz tradicional e na música erudita ou, do mesmo modo, na execução de instrumentos musicais e no tipo de instrumentos mais procurados, do mesmo modo há uma necessidade de questionamento no campo das autorias: as produções individuais e as colectivas; ou ainda dados que nos revelem as formas de organização dos grupos nas práticas musicais, a visão dos meios de comunicação sobre as mulheres na música, as visões das próprias mulheres na música.

Ao incidir nas trajectórias de vida de mulheres na música ou na pesquisa e questionamento das musicalidades em Portugal revistas sob essa perspectiva, e privilegiando o discurso oral, poderá revelar como o “feminino” e o “masculino” se projectam e se constroem através do discurso musical, tanto ao nível das estruturas composicionais, dos arranjos instrumentais e vocais, bem como no plano das letras das canções ou das suas performances.

Estou bastante contente com todas as conversas que tenho gravado nestes últimos meses.

Enfim, espero que o escutem com tanto entusiasmo como tem sido fazê-lo.

 

Soraia Simões, Maio de 2018

Ilustração de João Pratas

Música de Amélia Muge[1]     

 

                                

[1] «Uma Ilha, Utopia», «An Island, Utopia» in Archipelagos (Amélia Muge e Michales Loukovikas).

[2] https://journals.openedition.org/cadernosaa/1397; http://www.muralsonoro.com/qd-intro/

 

 

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Projecto Vidas&Obras. Entrevista a Soraia Simões

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Projecto Vidas&Obras. Entrevista a Soraia Simões

Entrevista a Soraia Simões

December 5, 2017, publicado aqui

Pedro Marques

1) Colaboraste no projecto Memórias da Revolução através dos “Sons da Revolução” e canções. Como foi teres trabalhado neste projecto do Instituto de História Contemporânea (IHC) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UNL em parceria e com a colaboração de diversas instituições? De que forma foi fundamental para ti teres colaborado no desenvolvimento do “Sons da Revolução”, um dos pilares da Revolução e do PREC?


1) Trabalhei tanto com o Memórias da Revolução como com o Extrema-Esquerda porque não fizémos a Revolução? ambos projectos que contaram com a colaboração do IHC e Mural Sonoro, o segundo da RTP com colaboração do IHC e do Mural Sonoro. O primeiro do IHC tendo como parceiro a RTP. O primeiro a convite da professora Fernanda Rollo (actual Secretária de Estado da Ciência e Ensino Superior) e o segundo a convite dos jornalistas Luís Marinho e Rosário Lira (RTP). O primeiro centrava-se especialmente nas transformações ocorridas no pós 25 de Abril de 1974, especialmente durante o Processo Revolucionário em Curso (PREC), nesse universo procurei desenhar o modo como as ideias de cultura politizada se materializaram nomeadamente através da música junto a um público urbano, mas também rural, em contexto pós-revolucionário, no segundo partindo da forma como alguns dos sujeitos da canção que entrevistei no âmbito das minhas investigações (algumas dessas entrevistas estão disponíveis em áudio na História Oral do portal Mural Sonoro) associados a uma cultura de resistência das décadas anteriores ao PREC, que se haviam posicionado quer contra o fascismo, a resistência à censura, à ditadura, à Guerra de Libertação ou Colonial, como preferirem, e até em críticas duras às indústrias de espectáculos e culturais acederam quer a um campo discursivo acerca de um Portugal rural no palco de transição democrática como a um conjunto de actividades culturais e criação de repertórios musicais que reflectiram essa mesma conjuntura, na qual o povo, enquanto sinónimo de trabalhador, rural ou operário é frequentemente convocado na transformação política e consolidação da democracia. Foi muito estimulante participar em ambos, especialmente porque os estudos sobre música e cultura são quase sempre o parente pobre das ciências sociais. É uma missão subjacente às investigações que tenho realizado também: procurar demonstrar que por via das canções e dos discursos desses actores da música em campanhas de dinamização cultural, no decorrer dos espectáculos ou nas suas criações musicais conseguiram-se inscrever vários desses assuntos da nossa história recente em vários campos sociais, atingir no fundo uma comunidade muito maior, que tendo como canal o conteúdo literário dessas músicas a eles se conectou.


2) Desenvolveste estes dois trabalhos sobre duas vertentes diferentes mas igualmente importantes do processo da música portuguesa «Geração Rock Rendez Vous», As Beiras, 1995. «'Punked'! Do 'Novo Rock' à Quimera 'Punk' em Portugal», Rua de Baixo, Edic. Agosto de 2009. Antes de teres criado o Mural Sonoro já trabalhavas com memórias musicais e culturais. Estes trabalhos sobre fases importantes da música e cultura foram o que impulsionou o seguimento ou o processo de criação do Mural Sonoro?

 

2) Estás bem informado! Esse pequeno artigo acerca do RRV esteve relacionado com um trabalho de área escola realizado durante a juventude liceal em Coimbra e que foi posteriormente publicado e adaptado num diário local para o qual escrevi em part-time (As Beiras) entre os 17 e os 20 anos, até crónicas de desporto local (risos) na verdade. Como vivi os anos 90 em Coimbra e acompanhei no terreno a emergência de grande parte das bandas «punk» e «rock» da minha cidade quis cruzar a experiência do RRV que começara uns anos antes na capital, a qual me era relatada pelo meu tio João que no fundo era quem conhecia esses grupos de Lisboa (pausa). Era uma adolescente, ouvi o Rolls Rock do António Sérgio mais tarde, no final dos anos 90, porque ele, e muitas das pessoas que fizeram parte de alguns desses grupos musicais, alguns de quem fiquei amiga, gravavam-no tal como o meu tio. Aí entendi que aquilo que o Sérgio passava nessa altura na rádio era o que nós em Coimbra andavamos a ouvir e a procurar recriar, as bandas especificamente, em espectáculos ao vivo. Essa génese musical e «subcultura» digamos assim. Digamos que o meu primeiro disco em português, herdado no fundo, foi o Sémen dos Xutos. Não era um disco. Era uma k7 gravada da rádio. Tempos existencialistas mas com alguma magia para uma miúda na adolescência numa cidade pequena.

Quando fiz essa reportagem alargada para o RDB (publicada em 2009) onde juntei o Zé Pedro (Xutos), o Pedro Coelho (Mata Ratos), o Almendra (Peste e Sida), o Jorge Bruto e Pinela (Capitão Fantasma), a Vanda Gonçalves, entre outros, o objectivo foi traçar por vida de história oral, das suas memórias, aquilo que foi o que muitos apelidaram de «movimento punk» cá e aí designei de «quimera punk». É um trabalho num registo culturalista, que era o que se pretendia dada a natureza da revista. Um dia publico, depois de ver como está o som, no portal Mural Sonoro essas conversas na íntegra com um enquadramento diferente. Foi uma tarde bem passada para esse trabalho, no largo do Carmo todos, à excepção do Zé Pedro com o qual combinei em Paredes de Coura o registo, pois iriamos lá estar os dois, no mesmo recinto de convidados.

A segunda metade dos anos 70, quando surgem os Xutos, e os anos 80, quando a maioria destes grupos começa a gravar são marcados por vários factores de ordem política, cultural e económica, desde logo: a entrada na CEE, o crescimento de publicações culturais, de editoras, algumas multinacionais, etc. É um período bastante interessante para este campo, que a indústria alcunhou de «boom do rock nacional». É um período de afirmação das próprias indústrias discográficas e de publicação de conteúdos junto do grande público. Não é à toa que surgem nos últimos anos tantas investigações científicas dedicadas a este período.

Respondendo concretamente à questão sobre o seguimento, a relação dos primeiros trabalhos com o Mural Sonoro (pausa)... Na prática trabalho sobre música há muitos mais anos que a minha vida académica acerca dela, se isto responde. Acho que sim (risos).


3) Publicaste em Junho a tua segunda obra, desta vez com a chancela da Editora Caleidoscópio, o audiolivro RAPublicar. A micro-história que fez história numa Lisboa adiada: 1986-1996 sobre os primeiros 10 anos do «rap português». Como foi esse processo de conversas e entrevistas? Referiste ao DN que querias demonstrar a dimensão desta prática na e para a sociedade e cultura popular com aquilo que foram alguns dos seus primeiros agentes e impulsionadores. Consideras um dever cumprido?

 

Considero que as vozes mais invisibilizadas ou os assuntos menos visíveis de alguns e de algumas desses e dessas protagonistas tiveram aí palco e ficam, desse modo, registados na primeira pessoa. Concorde ou discorde com algumas das suas perspectivas acerca dos assuntos que levanto, que são os assuntos da minha investigação neste campo. Considero esse objectivo cumprido. Custar-me-ia, reparando durante o meu trabalho de campo em alguns omissos e invisibilidades que não se podiam expor, deste modo, numa tese de natureza científica, que o meu contributo fosse apenas um conjunto de debates e uma tese académica, achei que isto era o melhor modo de devolver a disponibilidade destas pessoas comigo, e a importância dos assuntos que elas levantaram na cultura popular e por terem sido as primeiras a fazê-lo, à sociedade fixando para isso as suas memórias, isto é as entrevistas que realizei e algumas das conversas que mantive durante o trabalho de pesquisa.

Acho que um investigador deve fazer investigação, no seu sentido mais nobre, qualquer pessoa que vá para o campo à procura de se compreender então esqueça. Vá fazer uma auto-biografia. Isso não é investigação. Criar convivialidade com aquilo que não foi o nosso meio directo de crescimento ou de actuação, reforçar interesses, contactos, pontes, fontes e diálogos e contribuir para a inscrição de leituras renovadas no seguimento disso é o que se pretende a montante e a jusante de um investigador. Não numa perspectiva de reciclar e devolver à comunidade, mas de conseguir tirar da invisibilidade a importância, trazendo para o corpo de texto a nota de rodapé e permitindo que ela interaja, sendo parte desse processo. É o que acho.

 

3) Participaste numa oficina com o rapper Cadi a convite do Bloco de Esquerda intitulada “O Rap É Uma Arma”. Que conclusões desse trabalho se devem tirar e de que forma se deve ver o Rap? O que aprendeste com estas oficinas, discussões, palestras, entrevistas e toda a análise e investigação, todo o trabalho desenvolvido?

 

Digamos que reforcei o que tem sido a linha de orientação principal do meu trabalho com o Mural Sonoro, que é a da noção clara de que é na intersecção de domínios de conhecimento e de experiências que reside a riqueza deste tipo de encontros e projectos. Quanto às conclusões ao modo como se «deve ver o RAP» não tenho nenhuma conclusão, como podes imaginar, sobre aquilo que considero que deve ter uma natureza crítica, performática, cultural e musical plural, heterogénea, inortodoxa. Ou seja, não considero que deva haver um manual de «como se deve ver» seja o que for. Cada qual vê consoante as suas lentes e visões do mundo cultural, e assim é desejável que seja, numa sociedade democrática.

O projecto de tese que apresentei tem o título RAProduçõe emória, firmação, esistências:os primeiro passo AP feit ortugal (198 - 998) e propõe aprofundar a reflexão crítica sobre questões como a experiência transatlântica, as temáticas das esferas das desigualdades sociais, identitárias, económicas e de novos modelos de educação junto da comunidade jovem das décadas de 80 e 90 tendo como vector principal o papel pioneiro assumido por esta prática durante a sua emergência no nosso país e consequente afirmação na cultura popular no geral, ou seja noutros domínios como: o cinema de autor, a televisão, a dança, as artes plásticas e de rua: breakdance, flygirls, graffitti, muralismo, e da música popular no século XX através da introdução de uma narrativa crítica nova na música popular produzida em Portugal e de modelos de representação sonoros, performáticos e discursivos igualmente principiantes em contexto português, como os beat box, Mcing, rapping, djing, spoken work.

A tese pretende mostrar que os assuntos do universo histórico, mas também social e político, como esses de que dei exemplo, marcaram a existência diária destas comunidades nas primeiras décadas da sua afirmação no cenário cultural nacional e que, com a sua chegada aos mass media no início da década de 90, tendo como canal a expressão do seu corpo, da sua música e das suas «identidades culturais» inferiram, em discurso directo, um protagonismo aos antagonismos, ou seja: a um modo cru de «cantar» essas experiências até aí presentes exclusivamente na rua e invisibilizadas do contexto de difusão mediática, do mesmo modo que auferem para uma franja da sociedade com pouca participação crítica ou política activa (a comunidade jovem nascida na década de 70 no geral, a comunidade africana e a descendente de vários tipos de imigração no contexto pós guerra em especial) um lugar de fala junto da indústria cultural — universos discográfico e de espectáculos —, da cidade de Lisboa e da sociedade contemporânea pós revolução.

Talvez mais tarde origine outra publicação, com a mesma Editora. Logo se vê.


 

4) Estiveste na 1ª Sessão do Ciclo de conferências e debates do projecto RAPortugal 1986 – 1999 - RAPoder no Portugal urbano pós 25 de Abril. Também estiveste na Associação José Afonso em Julho , em Grândola para o colóquio - concerto «Como se Fora seu Filho» e sei que apresentaste uma comunicação nesse dia intitulada «MusicAtenta e RAP. - ´Tudo depende da bala e da pontaria´: do exílio às ruas (1961 - 1994)». Fizeste outras sessões a partir do audiolivro. Para ti como tem sido discutires este estudo e partir do Rap , a partir das palavras que se cantam, explicar a história contemporânea do país? De que forma este estudo e estas vertentes são fulcrais para a reflexão e análise ou podem ser fundamentais ? Partindo do tema do colóquio, como é que o Rap se pode cruzar com a obrigação do exílio e a luta das ruas?

 

É como a canção do Zé Mário (José Mário Branco) no GAC dizia. No fundo qualquer cantiga, aliás isto é extensível a qualquer prática no universo das artes performativas não tem de ser a canção, é uma arma, tudo depende da bala e da pontaria. Depende do que diz cantando, da eficácia com que diz, e do meio, contexto, grupo social ou pessoa à qual se dirige. O RAP tem uma particularidade, começa por ser um conjunto de palavras digamos que cuspidas ou cantadas, se preferires, com ritmo mas sem melodia, foi esse o lado da abrangente «cultura hip-hop», como a definem com os vários pilares, os seus primeiros protagonistas, que me interessou e especificamente nesses anos. E esses anos são marcados por lutas mas também pela mercadorização destas e de outras práticas culturais e pelo modo como estes sujeitos actuam nos seus quotidianos e nas suas práticas artísticas face a isso. Há 3 trabalhos académicos sobre esta prática, todos no meu estado da arte naturalmente, o do António Contador, o da Teresa Fradique e um de fim de licenciatura do Rui Cidra, mas talvez por terem sido realizados numa fase em que as perspectivas eram de uma sociedade e tempo comuns todos colocam a sua lente na «mercadorização» dos produtos culturais e na sua legitimação por políticas socioculturais numa sociedade pós-colonial. Termo aliás que eu evito, uso com aspas e algum custo. Políticas essas, através das quais, parafraseando Teresa Fradique do seu livro editado em 2003 pela Dom Quixote, se «vendem» não só o «outro» como a experiência de sê-lo, que no caso desta prática artística se enforma na categorização: «afrocêntrica» e«americocêntrica» de geração e etnicidades, luso-africanismo e modelos culturais juvenis maioritariamente negros, como demonstra o trabalho do António Contador.

Ambas as investigações partem de uma análise sobre o «lugar do outro» e a partir de uma perspectiva comparativa com o modelo internacional, especialmente anglo-americano que lhes serviu de primeira referência, por outro lado descuram a inscrição dos assuntos narrados pelas primeiras mulheres a fazer RAP em Portugal, também elas descendentes na sua larga maioria de africanos a viver em Portugal. A não inscrição dos assuntos que elas levantam no decorrer destas investigações: o sexismo, o machismo e a violência doméstica em simultâneo com o racismo, invisibiliza uma das lutas travadas no seio da mesma prática cultural.

Mas, repara, a existência de subalternização de género dentro de grupos culturais subalternizados é invisível na bibliografia sobre este primeiro período. Apesar dela estar patente, quer no discurso destas protagonistas como nos repertórios e cassetes caseiras. O papel político, de uma política nem sempre visível, «infra-política» roubando aqui esta expressão a outro autor, e várias vezes incompreendida e, portanto invisível, da maioria dos rappers neste período é inexpressivo nas investigações sobre este período. Estando o foco mais na dependência e inevitabilidade do «epifenómeno» a partir de uma acção exterior. O que se pode também dever ao facto de serem ambos trabalhos de investigação que resultam de trabalhos de campo pioneiros, no momento em que a prática ainda dava os primeiros passos em território nacional, não existindo tempo suficiente para «mudar de lentes». Uma das coisas que aprendi numa sessão de Antropologia e Movimentos Sociais que a Paula Godinho dá é que às vezes a mudança de tempo também nos permite mudar de lentes. A discussão sobre género no campo do RAP não foi efectivamente feita neste período, como outras. O investigador deixa sempre uma ponta para o que vem a seguir. Somos assim. Passamos a vida a deixar uma conclusão e uma questão subentendida, tantas vezes, para o que vem a seguir procurar quiçá responder (risos).


 

5) Para ti, que tens dirigido o Mural Sonoro desde o seu início, como é que tem sido abordar, discutir, e mostrar o trabalho sobre música popular da última metade do século XX até meados dos anos 90, abordando vários estilos musicais através de tantos músicos, compositores e construtores de instrumentos - todo este trabalho musical popular, destes músicos, sobre a forma como todos se relacionaram com estes assuntos da sociedade portuguesa?

 

Em poucas palavras: o melhor que levo deste trabalho. Aquele ideia, que não é minha, mas que descaradamente reformulo e repito para mim: a de que a riqueza do nosso pensamento tido como «inovador» é não mais do que fruto da soma de muitas mentes.


 

6) Quais são os teus sonhos para Portugal?

 

Talvez por completar 41 anos de vida dia 7 de Dezembro tenho aberto um bocadito mais a pestana sobre as vidas nas cidades maiores, como Lisboa (pausa), então digamos que não são bem sonhos, talvez sejam desejos. Os de um país menos preconceituoso e mais receptivo a quem pense diferente, esteja ou não próximo das nossas crenças culturais, grupos ou colectivos de pertença, um país de menos amiguismos ou interesses que vão para além do bem comum, que premeie o outro pela verticalidade e espírito de trabalho ou competências e ajuíze apenas quem conhece e não pelo que aparentemente vê. O que vemos e reproduzimos de quem nem conhecemos pessoalmente é quase sempre um reflexo do modo como nos vemos no mundo.


 

Obrigado pelo seu tempo, votos de bom trabalho.


Projecto Vidas e Obras
Entrevista: Pedro Marques
Correcção: Jú Matias

Fotografia: José Fernandes

4 de Dezembro de 2017

 

 

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Até sempre Zé Pedro!

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Até sempre Zé Pedro!

Entrevistei o Zé Pedro apenas uma vez (Punked: 2009, RDB), falei muitas mais. Sempre muito simpático, cordial e com muitas memórias e histórias (não só do rock) para partilhar. Deve haver muito pouca gente com memórias menos boas para lembrar dos tempos que com ele privou nas suas vidas profissionais e/ou pessoais. A última vez que o encontrei, ao lado da fadista Celeste Rodrigues, no Cinema São Jorge (ambos convidados para assistir ao filme do neto, o realizador Diogo Varela Silva, nosso amigo comum, dedicado à avó). O mesmo sorriso e a mesma interacção.

O legado que deixas no universo cultural nacional, não só no domínio musical, ou do rock'n'roll em particular, que iniciou com o célebre anúncio que colocaste pós interrail de 1977 num jornal português, à procura de «baterista e vocalista» para «formar uma banda punk», esse primeiro passo para a concretização de algo semelhante ao que tinhas visto nessa viagem, acendeu e materializou o sonho, o que manteve a longa afirmação e resistência de Xutos&Pontapés na indústria cultural e junto de públicos de vários estratos sociais e gerações, e acerca disso que é tanto em 38 anos re/escrever-se-ão muitas páginas na história contemporânea portuguesa dos séculos XX e XXI. Porque o grupo que fundaste é uma das partes mais importantes da história da cultura popular e da sociedade portuguesa do pós revolução. Deixo deste modo que também é afectivo o meu testemunho, com a alusão ao artigo referenciado, que pode ser aqui recordado e à tua extrema disponibilidade e interesse com aquilo que te envolveu: o meio musical e cultural e as suas gentes.

Até sempre ZP!

Soraia

 

fotografia de Alexandre Nobre

fotografia de Alexandre Nobre

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COLÓQUIO INTERNACIONAL, MAPUTO (7-9-12 de Novembro)

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COLÓQUIO INTERNACIONAL, MAPUTO (7-9-12 de Novembro)

Parte da comunicação de Soraia Simões em áudio no âmbito do Colóquio Reinventar o discurso e o palco: o RAP entre saberes locais e olhares globais organizado pela Bloco4 Foundation na cidade de Maputo no passado dia 9 de Novembro. Inclui algumas fotografias do trabalho de campo entre 2012 e 2016 e temas de alguns dos grupos referenciados, creditados no vídeo:

temas-chave: a emergência do RAP em Portugal, 1986 - 1998, as mulheres no RAP, relações de poder, identidades, teor social e performático dos repertórios

O Colóquio contou com as parcerias da Universidade Eduardo Mondlane, do Centro Cultural Brasil-Moçambique (onde decorreram as apresentações deste painel), o Mural Sonoro, a Rede Brasil Cultural, a Queen’s University Belfast e a Rádio Clássico HipHop Time.

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Bandas e música para sopros: (Re)pensar histórias locais e casos de sucesso - Colóquio, 10 e 11 de Outubro

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Bandas e música para sopros: (Re)pensar histórias locais e casos de sucesso - Colóquio, 10 e 11 de Outubro

Colóquio: Bandas e Música para Sopros: (Re)Pensar Histórias Locais e Casos de Sucesso

IHC | FCSH-NOVA | 10 de Outubro (Auditório 1, torre B, piso 1, FCSH),
11 de Outubro (Sala Multiusos , edifício ID)

Colóquio Bandas e Música para Sopros (Re)Pensar Histórias Locais e Casos de Sucesso.jpg

Colóquio: Bandas e Música para Sopros: (Re)Pensar Histórias Locais e Casos de Sucesso

 



O colóquio Bandas e música para sopros: (Re)pensar histórias locais e casos de sucesso teve como propósito reunir investigadores/as de distintas áreas do saber, criar sinergias, cruzar ideias, reflectir e estimular o debate sobre este campo académico, particularmente relevante da cultura portuguesa, que tem vindo a ganhar visibilidade na última década. Pretende-se fomentar e divulgar a prática musical para sopros (as bandas em particular), partilhar informação e disseminar resultados de investigação, promover a inclusão desta temática no âmbito das investigações académicas e discutir questões e desafios para o futuro desenvolvimento das bandas de música. Além de serem o motivo da fundação de inúmeras colectividades locais ‒ muitas delas constituídas no século XIX ‒ uma parte significativa dos instrumentistas de sopro mais conceituados iniciou a carreira musical precisamente em bandas de música, alguns dos quais continuam a dar o seu contributo, sobretudo como maestros.

Apoio Antena 2

As comunicações apresentadas nestes dois dias (10 e 11 de Outubro) serão publicadas num livro em 2018/9. Agradecemos a tod@s que participaram nestes dois dias bastante enriquecedores.
Comissão organizadora:
Bruno Madureira
Diogo Vivas
Soraia Simões
Instituto de História ContemporâneaMural SonoroCEIS20

fotografias de Carlos Moreira

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"História e Memória: cultura hip-hop na cidade de Maputo", 14 de Setembro, Fortaleza de Maputo

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"História e Memória: cultura hip-hop na cidade de Maputo", 14 de Setembro, Fortaleza de Maputo

A Associação Mural Sonoro associa-se ao seminário História e Memória: cultura hip-hop na cidade de Maputo, a realizar-se no dia 14 de Setembro (próxima quinta-feira), das 15h às 17h, na Fortaleza de Maputo.  

O  principal objectivo deste seminário consiste em reunir académicos, artistas e profissionais de meios de comunicação  a debater e reflectir sobre história e memória no universo do «hip hop» produzido nos últimos anos na cidade de Maputo, por via de uma abordagem  transdiciplinar sobre a temática nos diferentes campos do saber.

A Bloco 4 Foundation, conta com a parceria da Associação Mural Sonoro, na promoção deste seminário.

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 Seminário público da BLOCO 4 FOUDANTION,  intitulado “OS MUROS ESTÃO MUDOS? (RE) PENSANDO O DIREITO À CIDADE NA LENTE DO ARTIVISMO”, com parceria do MURAL SONORO

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Seminário público da BLOCO 4 FOUDANTION,  intitulado “OS MUROS ESTÃO MUDOS? (RE) PENSANDO O DIREITO À CIDADE NA LENTE DO ARTIVISMO”, com parceria do MURAL SONORO

 

Acontecerá na cidade de Maputo, Moçambique, na U.E.M (Campus Universitário Principal Av. Julius Nyerere, nr. 3453 Maputo, Moçambique) no próximo dia 30 de Agosto, pelas 14.30, o Seminário público da Bloco 4 Foundation, intitulado “OS MUROS ESTÃO MUDOS? (RE) PENSANDO O DIREITO À CIDADE NA LENTE DO ARTIVISMO”. O Seminário conta com parceria do Mural Sonoro e da Rádio AfroLis e terá como oradores Shot B ( Rapper e Grafiteiro) e Tirso Sitoe (Director executivo da BLOCO 4 FOUNDATION e investigador).
A moderação será feita por Baltazar Muianga ( Departamento de Sociologia da UEM).

Resumo
Nos últimos anos, na cidade de Maputo, encontramos grupos que atuam em diferentes frentes ou formas de artivismo que se pautam pela ideia de ocupação temporária dos muros ou paredes no espaço público urbano. Suas atividades, algumas vezes, centram-se na necessidade de dar valor de uso a estes espaços, mesmo quando deparados com fricções institucionais ou de indivíduos que operam na centralidade do poder político e concebem o “grafitte” como sendo cultura “marginal”, pelo facto de estar voltada à denúncia de vulnerabilidade social e que atenta contra a ordem ideológico-político instituída. Dentro deste contexto, pretende-se, com o presente seminário, tomar um ponto de partida para (re) pensarmos o direito à cidade através do grafitte. Este exercício implica na verdade, compreender o modo como a trajetória artística, a temática dos murais, os lugares onde são projetados, e o tipo de técnica usada, constroem no imaginário urbano e social dos indivíduos, formas de existenciais da própria cidade.
Tirso Sitoe

 

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RAPublicar de Soraia Simoes, lançamento em Lisboa e no Porto

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RAPublicar de Soraia Simoes, lançamento em Lisboa e no Porto

O audiolivro RAPublicar. A micro-história que fez história numa Lisboa adiada: 1986 - 1996 de Soraia Simões, editado sob a chancela da Editora Caleidoscópio, teve lançamento no passado dia 6 de Junho em Lisboa pelas 21.00, na Livraria Ler Devagar. Com a autora, Otávio Raposo (Investigador, ISCTE), Djone Santos (músico integrante do grupo Karapinhas que acompanhou o rapper General D ao vivo e em estúdio, autor), Jorge Ferreira (Editora Caleidoscópio). No Porto, a apresentação da obra está marcada para dia 16 de Junho, 21.30, na Gato Vadio. Com a autora, Ace (Mind da Gap) e Jorge Ferreira (Editora Caleidoscópio).

 

audiolivro RAPublicar de Soraia Simoes

Lançamento em Lisboa - Livraria Ler Devagar

 

 

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CINEMA É LIBERDADE (3 filmes de Rui Simões em destaque) MULTIUSOS 3 - 6 e 22 de Abril, 4 de Maio, 17.00 - Entrada Livre

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CINEMA É LIBERDADE (3 filmes de Rui Simões em destaque) MULTIUSOS 3 - 6 e 22 de Abril, 4 de Maio, 17.00 - Entrada Livre

Mais detalhes acerca das sessões:

6 de Abril de 2017 - Deus, Pátria, Autoridade, aqui »»»

20 de Abril de 2017 - Bom Povo Português, aqui »»»

4 de Maio de 2017 - Guerra ou Paz, aqui »»»

 

Cinema é Liberdade, 1ª Sessão »»» áudio aqui 

Apresentação do filme de Alice Samara (IHC - FCSH NOVA)
Organização do Ciclo: Soraia Simões (IHC - FCSH NOVA, Mural Sonoro)
Autor/Realizador: Rui Simões...
Ano: 1975
Local da projecção: Sala multiusos 3, Edifício ID, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - FCSH NOVA
Horário: 17.00 - 20:00
Data: 6 de Abril de 2017

Síntese: Neste excerto de conversa gravado a seguir à projecção do filme, Rui Simões fala com os presentes sobre o momento em que o filme é realizado, como foi chegar à conversa com alguns dos protagonistas do filme, os desejos, as esperanças que se viveram e a sua lente e leitura sobre este documento histórico. O autor fala do seu percurso inicial como realizador e deste que foi o seu primeiro filme realizado (tinha então 30 anos). Houve uma apresentação e enquadramento iniciais de cerca de 15 minutos por Alice Samara, investigadora do Instituto de História Contemporânea e Docente.
Neste excerto com Rui Simões, ouvem-se, além da sua exposição, intervenções e questões a Rui Simões efectuadas, pela ordem da intervenção, por Alice Samara, João V. Sousa, Soraia Simões, Pedro Santa Rita, José Zaluar e Pedro Serra.
Gravação (sem edição de som) e síntese: Soraia Simões
Nota: ouvir com auscultadores.

cinema é liberdade

 

Acerca da iniciativa:

Ciclo de três sessões que coloca em destaque 3 dos filmes do cineasta Rui Simões (REAL FICÇÃO – RF) e o traz até à FCSH NOVA para nos falar um pouco mais destas obras fundamentais da história contemporânea, que contam com protagonistas mais e menos conhecidos, da sociedade, da cultura, do combate e resistência às censura e ditadura durante o período colonial, que narram memórias de desertores, de faltosos, de aspirações, colectivismos e rupturas nos campos culturais: musicais, literários, em gestação antes do 25 de Abril e vividos com (mais e menos) fulgor durante o PREC, entre outros.

PROGRAMA:

 

Entrada livre

6 de Abril

Deus, Pátria Autoridade (1975)

apresentação de Alice Samara  (IHC, FCSH NOVA) + conversa com o realizador

Multiusos 3, 17.00, lotação: 50 pessoas

Sinopse RF: A partir do célebre discurso de Salazar feito em 1936, o filme procura de forma didática mostrar os alicerces do regime fascista durante os 48 anos da sua existência até ao 25 de Abril de 1974.

20 de Abril

Bom Povo Português (1980)

apresentação de Tiago Baptista (IHC, FCSH NOVA, Cinemateca) + conversa com o realizador

Multiusos 3, 17.00, lotação: 50 pessoas

Sinopse RF: O filme procura traçar a História entre o 25 de Abril de 1974 e 25 de Novembro de 1975, tal como ela foi sentida pela equipa que, ao longo deste processo, foi ao mesmo tempo espectador, actor, participante, mas que, sobretudo, se encontrava totalmente comprometida com o processo revolucionário em curso.

4 de Maio

Guerra ou Paz (2012)

apresentação minha + conversa com o realizador

Multiusos 3, 17.00, lotação: 50 pessoas

Sinopse RF: Entre 1961 e 1974, 100.000 jovens portugueses partiram para a guerra nas ex-colónias. No mesmo período, outros 100.000, saíram de Portugal para não fazer essa mesma guerra. Em relação aos que fizeram a guerra já muito foi dito, escrito, filmado. Em relação aos outros, não existe nada, é uma espécie de assunto tabu na nossa sociedade. Que papel tiveram esses homens que “fugiram à guerra” na construção do país que somos hoje? Que percursos fizeram? De que forma resistiram?

Neste filme de Rui Simões excertos do filme O Salto e o testemunho do músico e compositor Luís Cilia, autor da banda sonora, entre outros: emigrantes, desertores e refratários, marcam presença. Recupero aqui, com esta (espero) boa nova, as temáticas do filme O Salto (1) que relembro neste pequeno trecho relativo ao projecto da RTP, da autoria de Luís Marinho e Rosário Lira, “Extrema-Esquerda porque não fizemos a revolução?” assim como a conversa que mantive com Luís Cilia em 2013 na sua casa, para o acervo do Mural Sonoro, que cruza e fixa memória e história oral (2), recolha de entrevista marcada especialmente pela vida cultural e discográfica que assinalou o seu período de exílio em Paris (Soraia Simões)


 

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