Viewing entries in
Arquivo Mural Sonoro 3

Camané (intérprete de Fado)

Comment

Camané (intérprete de Fado)

86ª Recolha de Entrevista

Quota MS_00069 Europeana Sounds

 

BI: Carlos Manuel Moutinho Paiva dos Santos, conhecido por Camané, nasceu em Oeiras no ano de 1967. É um reconhecido fadista, oriundo de uma família de outros fadistas, a mãe ainda canta e os irmãos mais novos fizeram igualmente carreira no fado: Hélder Moutinho e Pedro Moutinho.

Nesta conversa maior, da qual se disponibiliza uma parte no formato online deste Arquivo, explica que começou a cantar muito cedo, incentivado pelos pais, da sua primeira relação com as casas de fado e posteriormente com os palcos, os teatros musicais e o estúdio de gravação, reflecte sobre algumas características deste domínio musical e acerca das diferenças de relacionamento entre espaços sonoros distintos como o estúdio, o palco, a casa de fados, explicando também que a sua evolução como fadista, quer na escolha de repertórios como na perda paulatina da sua timidez em palco se deveu em grande parte à sua ligação ao Teatro da Comuna num período específico e ao conhecimento travado, que dura até hoje, com a actriz e letrista Manuela de Freitas e o músico, compositor José Mário Branco entre outros. Entre outros assuntos abordados nesta recolha aflora a importância dos contactos que foi mantendo com a engenharia de som, através de um dos mais reconhecidos engenheiros de som, Tó Pinheiro da Silva (que também fez parte de uma das Sessões de Conferência Mural Sonoro no Museu da Música ao lado de Fernando Abrantes para falar de ''Tecnologias da Produção Sonora e Musical em Portugal" e que se encontra registada neste arquivo) e expressa a sua ligação não linear com a gravação discográfica ao longo do seu caminho no Fado e de que modo isso o influencia.

Camané actuou em diversas casas de fado, além de fazer parte do elenco de diversas produções dirigidas por Filipe La Féria como a "Grande Noite", "Maldita Cocaína" e "Cabaret".


Realizou  inúmeras apresentações em Portugal e no estrangeiro, actuando em França, Holanda, Itália e Espanha.
Durante o ano de 1998 Camané realizou inúmeros espectáculos em Portugal - destacando-se as apresentações na Expo 98 - participou no espectáculo "De Sol a Lua - Flamenco e Fado", e ainda em alguns festivais de música na Europa, como o Festival "Tombées de La Nuit", em Rennes e o Festival "Les Méditerranées à l'Européen" em Paris. Em Outubro, aquando da edição de "Na Linha da Vida" pela EMI holandesa e belga, realizou uma digressão por algumas localidades desses países.
 
No final do ano, depois da realização de apresentações em Espanha, Camané participou no concerto comemorativo de 35 anos de carreira de Carlos do Carmo, realizado no Centro Cultural de Belém. 

Recebeu o disco de prata pelos 10 mil exemplares vendidos no final do ano 2000.
 
Já em 2001, entre Fevereiro e Março, realizou diversos espectáculos em Portugal e França (Festival Chorus). Em Novembro deste ano foi lançado o seu 4º CD "Pelo Dia Dentro" que alcançou apenas três semanas depois do seu lançamento o disco de prata.
 
Em Abril de 2002, Camané participou num espectáculo concebido em conjunto com Manuela de Freitas em torno da obra de Fernando Pessoa e apresentado no Palais des Beauxs Arts, em Bruxelas.
 

No seu legado fonográfico contam-se, até à data em que este registo é feito, por ordem decrescente os seguintes discos:

CAMANÉ, O MELHOR, EMI, 2013 - EDIÇÃO SIMPLES
CAMANÉ, O MELHOR, EMI, 2013 - EDIÇÃO DUPLA
DO AMOR E DOS DIAS, EMI, 2010
CAMANÉ AO VIVO NO COLISEU (CD + DVD), EMI, 2009
SEMPRE DE MIM, EMI, 2008
AO VIVO NO S. LUIZ (DVD), EMI, 2006
THE ART OF CAMANÉ - THE PRINCE OF FADO, HEMISPHERE, 2004
COMO SEMPRE...COMO DANTES (CD 1), EMI, 2003 
COMO SEMPRE...COMO DANTES (CD2), EMI, 2003
PELO DIA DENTRO, EMI, 2001
ESTA COISA DA ALMA, EMI, 2000
NA LINHA DA VIDA, EMI, 1998
UMA NOITE DE FADOS, EMI, 1995

© 2014 Camané à conversa com Soraia Simões de Andrade, Perspectivas e Reflexões no Campo
Som, Pesquisa, Texto: Soraia Simões de Andrade
Fotografias: Helena Silva
Recolha efectuada no LARGO Residências, Lisboa

 

 

Comment

André Mehmari (músico, compositor brasileiro)

Comment

André Mehmari (músico, compositor brasileiro)

83ª Recolha de Entrevista

Quota MS_00052 Europeana Sounds

 

BI: André Mehmari nasceu em Niterói no ano de 1977 é um músico, compositor, instrumentista e arranjador fluminense cujo instrumento primeiro é o piano, onde habitualmente compõe.

As suas obras foram executadas por vários agrupamentos e Orquestras Sinfónicas como, em exemplo, as Orquestra Sinfónica do Estado de São Paulo (OSESP), Orquestra Petrobras Sinfónica ou Orquestra Amazonas Filarmónica, entre outras.

A sua paixão e desenvolvimento no universo da «música clássica» não o fizeram distanciar-se da música e cultura popular brasileira, gravou discos com o bandolinista Hamilton de Holanda, a cantora Ná Ozzetti, compôs, produziu e escreveu para vários músicos, alguns próximo da sua geração, como Leandro Maia e Adriana Calcanhoto e colaborou com muitos mais como, entre outros, Ivan Lins ou Mário Laginha.

No dia 12 de Abril de 2014 André Mehmari daria um concerto em Lisboa para o qual convidou o músico Leandro Maia, do qual é produtor, para um público que encheu o auditório do Museu da Música, esta recolha de entrevista foi realizada um dia depois do concerto do músico em Lisboa antes do seu regresso ao Brasil. Na parte da recolha que disponibilizamos no arquivo online, expressa algumas das relações que sente existirem na actualidade entre os músicos e compositores brasileiros e a indústria cultural, algumas das dinâmicas do seu trabalho quer no estúdio como em palco, o apreço que nutre e desenvolveu na sua pesquisa pela engenharia de som, o registo sonoro e a gravação, bem como algumas considerações acerca da relação nem sempre pacífica, tanto de poder como de resistência, entre música e política local e cultural.

Em 2010, André Mehmari assinou contrato com uma das mais prestigiadas etiquetas italianas EGEA, que viria a representar o músico na Europa e para a qual lançaria cinco discos solo 4 . O primeiro deles ("Miramari") foi gravado no Oratorio Santa Cecilia, no centro histórico de Umbra (Itália) e lançado nesse país.

Foram também alguns já os reconhecimentos públicos do músico: Prémio Nascente (USP-Editora Abril) - categoria Música Popular-Composição (1995) e categoria Música Erudita-Composição (1997). 1° Prémio Visa de MPB Instrumental (1998) são disso exemplo.

Do seu legado fonográfico fazem parte (1998) Odisséia (com Célio Barros e Sérgio Reze) • PMC records; (2002) Improvisos (com Célio Barros e Sérgio Reze); (2002) Canto • Núcleo Contemporâneo; (2003) Lachrimae • CAVI Records; (2005) MPBaby Internacional: Beatles - Vol. 10; (2005) Piano e Voz (com Ná Ozzetti); (2007) Continua Amizade (com Hamilton de Holanda); (2008) Nonada (quinteto com Proveta, Teco Cardoso, Tutty Moreno e Rodolfo Stroeter); (2008) MPBaby Clube da Esquina; (2008) de árvores e valsas; (2008) Miramari (com Gabriele Mirabassi); (2011) gismontipascoal (com Hamilton de Holanda); (2011) Afetuoso • Selo Celeste (Japão).

© 2014 André Mehmari à conversa com Soraia Simões de Andrade
Som, Pesquisa, Texto: Soraia Simões de Andrade
Fotografias: Ana Carolina. Fotografia de capa, concerto com Leandro Maia no Museu da Música
Recolha de entrevista efectuada no Chiado, Lisboa, ao ar livre

Comment

Filipe Raposo (músico: pianista, compositor)

Comment

Filipe Raposo (músico: pianista, compositor)

82ª Recolha de Entrevista

Quota MS_00051 Europeana Sounds

 

BI: Filipe Raposo é um pianista e compositor português que nasceu há 35 anos na cidade de Lisboa. Actualmente vive em Estocolmo onde cursa o mestrado e faz investigação na área musical e artística.

Nesta recolha de conversa, de que se disponibiliza apenas umas parte online, fala dos seus primeiros contactos com a música. Recorda o piano vertical que tinha em casa e de tocar no piano da igreja todos os domingos, memórias de momentos determinantes proporcionados especialmente pela avó, das primeiras audições de prelúdios de Bach e do sentido que para um miúdo de 11/12 anos «aquilo» fez para si, até à ida para o Conservatório onde começa a ter contacto com a obra de Fernando Lopes-Graça, a ligação às melodias de cariz tradicional por ele escritas baseadas em repertórios e recolhas de transmissão oral, e com um professor que o marcaria de forma estruturante para o percurso que daí em diante acabou por traçar: o compositor Eurico Carrapatoso.

Os percursos quer académico como artístico/profissional de Filipe Raposo foram coexistindo, tal como os domínios musicais que abraçou (a 'música erudita', ' a improvisada' e 'contemporânea' ou a música popular  de influência tradicional) e que o levaram a colaborar com autores como  Amélia Muge, Janita Salomé,  Fausto Bordalo Dias, José Mário Branco ou Sérgio Godinho ao mesmo tempo que tocava, em exemplo, com músicos comoCarlos Bica (contrabaixo), Vicki (bateria), Hugo Fernandes (violoncelo), Yuri Daniel (baixo) e Carlos Miguel (bateria), entre outros.  

Filipe Raposo dedicou-se ainda, entre outros aspectos, à composição de filmes mudos como de Murnau, Griffith, Vertov, ou a banda sonora da peça 'Quem Tem Medo de Virgina Woolf?'. Tanto no teatro como no cinema tem aplicado parte daquilo que tem sido o seu trabalho.

À data em que esta conversa é registada Filipe Raposo conta com dois registos fonográficos a solo, estando o terceiro pensado para o final/apresentação da sua tese de mestrado, que contará com um espectáculo ao vivo, além das várias colaborações ou participações em discos e espectáculos de outros autores e intérpretes como os atrás referenciados. A sua relação com o estúdio de gravação, os outros intérpretes e autores, a academia e os processos de produção e aceitação/divulgação da música que faz  são aspectos também aflorados nesta  conversa. 

2014 Filipe Raposo à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo
Fotografias de Helena Silva
Som, Pesquisa, Texto, Edição de Soraia Simões

Recolha efectuada em LARGO Residências

Comment

Pedro Mestre (músico, tocador viola campaniça)

Comment

Pedro Mestre (músico, tocador viola campaniça)

81ª Recolha de Entrevista

Quota MS_00050 Europeana Sounds

 

BI: Pedro Mestre é um músico de 30 anos nascido na aldeia Sete e residente em Castro Verde, que tem o seu percurso precocemente ligado ao instrumento através do qual, desde os 12 anos, se tornou um dos principais divulgadores de alguns dos cantos e cancioneiros do Alentejo no geral e do Baixo-Alentejo em particular: a viola campaniça.

Começou a tocar mais regularmente a partir dos 12 anos de idade, mas foi, como conta nesta recolha de conversa da qual disponibilizo uma parte online, através de um programa de rádio local da autoria de José Francisco Colaço Guerreiro (interveniente, com Janita Salomé, na Sessão-Colóquio do Mural Sonoro que aconteceu no mês de Março no Museu da Música, em Lisboa, com o tema: «Cante Alentejano: a adapatação na Música Popular, o discurso sobre as identidades e o território») o qual escutava, com a sua família, com a frequência com que era emitido que despertou para o património cultural e musical da sua região e, posteriormente, pediu à mãe para aprender a tocar. Francisco António e Manuel Bento foram os seus mestres.

Na conversa fala, entre outros aspectos, da evolução do seu percurso localmente e fora do local em que se começou a desenvolver como músico, da riqueza abrangente de algumas expressões culturais e musicais do Alentejo e de algumas das suas características sociais e culturais (os despiques, o cantar nas rodas, nos balhos, as modas, os coros polifónicos masculinos e os, menos frequentes, mistos, o cante alentejano e o uso da viola campaniça a acompanhar alguns corais, etc), dos repertórios diferenciados, da utilização do instrumento noutros domínios musicais e do acompanhar do seu ressurgimento, a partir dos 8 anos idade, e de todo o novo interesse que ele passou a assumir para um maior leque de jovens tocadores em Castro Verde, onde a presença de uma comunidade de prática deste instrumento é já constante, e para a sociedade portuguesa de um modo geral.

Algumas das técnicas de execução da viola campaniça também as refere em conversa, no texto acerca da viola campaniça na área «Organologia» do Portal Mural Sonoro poderá conhecer melhor as características anatómicas, históricas, musicais deste instrumento, saliento contudo também aqui o facto deste cordofone possuir uma cintura muito pronunciada, ser composto por cinco ordens de cordas e de para alguns indivíduos a sua designação ser « viola de Beja» ou « viola típica do Alentejo» e ser tocado apenas com o polegar em movimento de vaivém («dedilhado»).

© 2014 Pedro Mestre à conversa com Soraia Simões de Andrade, Perspectivas e Reflexões no Campo

Som, Pesquisa, Texto: Soraia Simões de Andrade
Recolha efectuada em Renovar a Mouraria
Fotografia de entrevista: Joana Rocha
Fotografias de viola e Pedro Mestre: Soraia Simões

all rights reserved
all rights reserved

Comment

Manuel Paulo (compositor, autor, pianista)

Comment

Manuel Paulo (compositor, autor, pianista)

80ª Recolha de Entrevista

Quota MS_00049 Europeana Sounds

 

BI: Manuel Paulo Manso Felgueiras e Sousa. É um músico, produtor, autor e compositor português, nascido na cidade de Lisboa, que conta, à data que esta recolha é feita, já com cerca de três décadas de percurso na música.

Colaborou como pianista com  músicos, outros autores e compositores, como com Jorge Palma (no disco Manuel Paulo toca todos os temas ao piano, à excepção de um, na medida em que Jorge Palma tocava guitarra aqui) e integrou a formação musical que acompanhou Rui Veloso a partir do ano de 1983, altura em que António Pinho Vargas saía da formação, até ao ano de 1994 ano em que se junta, por convite, a João Gil e João Monge para formar o grupo Ala dos Namorados.

Mas do percurso de Manuel Paulo fizeram ainda parte os projectos Rio Grande com quem tocou ao vivo, a Direcção musical de peças musicais como 'Cabeças no Ar' e o fonograma/banda sonora primeiro de originais fora do grupo Ala dos Namorados 'Assobio da Cobra' no qual se ouvem as vozes de Camané, Sérgio Godinho, Manuela Azevedo ou Filipa Pais, bem como a composição para bandas sonoras: dos filmes Serenidade em 1987 e Ilhéu de Contenda no ano de 1996  ou para séries de televisão: como Claxon em 1991 da qual saiu um fonograma, A Mulher do Senhor Ministro de 1994 e, entre outras, Bocage de 2006.  As suas colaborações com músicos de Cabo Verde também têm ocupado parte do seu caminho na música. Entre outros, primeiro com Dany Silva e depois com Nancy Vieira. 

Na parte disponível no Arquivo online desta conversa maior fala das suas referências musicais iniciais, da influência da música clássica que o pai escutava e do contacto desde muito cedo com o piano, instrumento que aperfeiçoaria e passaria a ser até hoje o seu principal instrumento musical de trabalho, das particularidades dos vários papéis assumidos na Música Popular: como compositor, director musical, produtor e executante, da necessidade de abraçar outros desafios que permitam não estar confinado a um só projecto musical, mas também de aspectos mais concretos, como: a sua ligação ao estúdio de gravação (o primeiro fonograma de Rui Veloso do qual faz parte, ''Guardador de Margens'', conta com a produção/mistura de António Pinheiro da Silva, assim como de José Carrapa e do próprio Rui Veloso. Disco aliás sobre o qual o engenheiro de som falaria na primeira Sessão do ano 2014 do Mural Sonoro no Museu da Música) das diferenças, especificidades e evoluções da voz do cantor Nuno Guerreiro, dos fados que a convite produziu para Mísia ou Ana Sofia Varela e onde dirigiu as gravações (a minha cultura não é de fado, mas se não houvesse fado eu não era o compositor que soudiz Manuel Paulo) ou, entre outros assuntos levantados, do projecto em que é só um executante  que toca repertório de um dos seus grupos de eleição: os Led Zeppelin (de nome Led On) e no qual tocam também Paulo Ramos, Mário Delgado , Zé Nabo e Alexandre Frazão. 

 

© 2014 Manuel Paulo à conversa com Soraia Simões de Andrade, Perspectivas e Reflexões no Campo

Recolha efectuada em Lisboa. Jardim do Centro Cultural de Belém

Fotografias de Helena Silva

Som, Pesquisa, Texto: Soraia Simões de Andrade

Comment

Ruben de Carvalho (Programador Cultural, Jornalista, Historiador)

Comment

Ruben de Carvalho (Programador Cultural, Jornalista, Historiador)

78ª Recolha de Entrevista

 

                                                                                                                       

Quota MS_00047 Europeana Sounds

BI: Ruben Luís Tristão de Carvalho e Silva  nasceu em Lisboa no ano de 1943.

 

É Jornalista desde 1963. Autor de diversas publicações no domínio do fado, bem como noutros universos da Música Popular, de programas de rádio (‘Crónicas da Idade Mídia, em exemplo, continua a fazer parte, à data em que esta recolha é feita, da grelha de programação da Antena 1 da RTP) e diversos artigos neste âmbito em Jornais e Revistas.

Foi chefe de redacção de ‘’Vida Mundial’’, redactor coordenador no ‘’O Século’’ e chefe de redacção do semanário ‘’Avante!’’ a partir do primeiro número da série legal, director da rádio local ‘’Telefonia de Lisboa’’, membro do Conselho de Opinião da RTP em 2002, responsável pelo ‘’Avante!’’ (órgão central do PCP) de Abril de 1974 a Junho de 1995.

A sua actividade política encontra-se em várias etapas do seu percurso profissional com a cultural, tal como se pode apreender na discussão de alguns dos assuntos levantados nesta conversa para o Arquivo Mural Sonoro de que se disponibiliza, mais uma vez, apenas uma parte, sendo a restante transcrita para trabalho escrito.

Foi membro do executivo da CDE de Lisboa, membro executivo da Comissão Executiva das Festas de Lisboa e da Comissão Municipal de Preparação de LISBOA 94 – Capital Europeia da Cultura (ano em que Amália Rodrigues dá o seu último espectáculo, no Coliseu em Lisboa, sob a programação de Ruben de Carvalho. Tal como refere Joel Pina), deputado à Assembleia da República eleito pelo distrito de Setúbal, Vereador da Câmara Municipal de Lisboa desde as autárquicas de 2005, membro do Executivo da Comissão Organizadora da Festa do «Avante!» desde 1976 e, entre um numeroso conjunto de dinamizações na música e cultura populares, um dos principais responsáveis pela actuação no ano de 1983 do músico, activista e compositor americano Pete Seeger no Pavilhão dos Desportos em Lisboa, que ficaria registado em fonograma acompanhado de um livro e folheto de fotografias.

Além de membro do Comité Central do Partido Comunista Português, foi também Vereador da Câmara Municipal de Lisboa desde as autárquicas de 2005 e responsável na Câmara Municipal de Lisboa  pelo Roteiro do Anti-fascismo.

Na parte disponível online desta conversa fala da sua ligação às várias linguagens disponíveis na comunicação (a crónica, a rádio, a televisão, o livro) e das suas limitações e contrariedades, do papel assumido pelos discursos utilizados em vários domínios musicais, de alguma da bibliografia do fado e do foco e presença no universo do fado de alguns dos autores/escritores com as suas convicções estéticas, políticas e ideológicas, da relevância da gravação sonora para a compreensão de determinados processos nas práticas da música e da cultura popular em sociedade, do contacto com a música por via indirecta (publicidade, cinema, arquitectura), etc.

 

Entre a variada bibliografia do fado contam-se trabalhos da autoria de Ruben de Carvalho, como são os casos de “As Músicas  do Fado” (Campo das Letras, 1994), “Histórias do Fado” (Ediclube, 1999) ou “Um Século de Fado” do mesmo ano e editora.

2014 Ruben de Carvalho à conversa com Soraia Simões de Andrade, Perspectivas e Reflexões no Campo

Som e Edição: Soraia Simões de Andrade

Pesquisa e texto: Soraia Simões de Andrade

Recolha efectuada em casa de Ruben de Carvalho

Fotografias: Madalena Santos

 

 

Comment

Nuno Siqueira (Coleccionista de Fado, Canção de Coimbra)

Comment

Nuno Siqueira (Coleccionista de Fado, Canção de Coimbra)

77ª Recolha de Entrevista

Only with permission

Rights reserved - Free access

Quota MS_00046

Europeana Sounds

BI: Nuno Siqueira nasceu em Lisboa, freguesia de Santa Isabel, no ano de 1943. 

É coleccionista e um apaixonado pela guitarra portuguesa (instrumento que toca de forma amadorística em tertúlias semanais no bairro de Alfama) e pelo fado.

É advogado de profissão, mas a paixão pelo fado tem-no levado a coleccionar uma série de objectos sobretudo neste âmbito. Nesta recolha explica de que modo tal começou a partir dos anos de 1980, tendo-se intensificado na década seguinte.

Entre iconografia musical de fado, arte plástica e serigrafias de guitarras e figuras do fado, iconografia relacionada a conjuntos de Bandas Filarmónicas com guitarras, rolos de papel perfurado com Fados e Canções de Coimbra para pianola, partituras de Canção de Coimbra de António Menano e outros, Cartazes, uma pianola, fonogramas de 45rpm e 78 rpm de fado, entre outros, um gramofone portátil (França, 1925), uma Guitarra de José António de Sabrosa (1920/30), partituras de António Menano para piano, um fonógrafo, uma Grafonola His Master's Voice de 1920, Caixas de música, "literaturas de cordel" e, entre muitos outros objectos, "Folhas volantes" e literatura no âmbito, arrisco a afirmar: Nuno Siqueira tem por catalogar das mais vastas e interessantes colecções de fado que encontrei, talvez até superior na precisão em determinados temas que a comportam, até à data em que esta recolha é feita, que a colecção patente no Museu do Fado, com o qual pontualmente colabora cedendo peças da sua colecção: como aconteceu com bibliografia cedida para a exposição ''O Fado e o Teatro''.

Nesta recolha explica também onde adquire as peças e o valor pessoal e histórias que algumas delas contêm.

Reúne a sua colecção num outrora escritório de advogados onde também exerceu a sua actividade jurídica. Foi tomando conta do espaço, como alude na conversa, à medida que os seus colegas de profissão iam saindo para outro local. Neste momento, aquele que foi um escritório de advogados preserva uma inestimável colecção musical com enfoque no fado.

As valorações, as vontades e os objectivos de um coleccionista, intérprete de fado (guitarra e voz) e escritor de letras nas horas vagas, que mantém uma tertúlia a par de outros amigos, igualmente de outras profissões, com a mesma paixão por este universo musical semanalmente.

© 2014 Nuno Siqueira à conversa com Soraia Simões de Andrade, Perspectivas e Reflexões no Campo

Recolha efectuada na ''Casa Museu'' de Nuno Siqueira no Chiado (Lisboa)

 

 

Som: Paulo Lourenço
Edição, Pesquisa, Texto: Soraia Simões de Andrade

Comment

Joel Pina (violista de fado, instrumento: viola baixo)

1 Comment

Joel Pina (violista de fado, instrumento: viola baixo)

76ª Recolha de Entrevista

Quota MS_00045 Europeana Sounds

BI: Joel Pina nasceu há 94 anos numa aldeia de nome Rosmaninhal (Idanha-a-Nova). É  um dos nomes há mais tempo ligados à história do fado, especialmente pela integração da viola baixo no conjunto de instrumentos de acompanhamento do fado, e pelo seu talento interpretativo como executante do instrumento viola baixo. Profissionalizou-se no ano de 1949 e ainda hoje toca e actua.

Nesta recolha de entrevista maior de que se disponibiliza online uma parte recua até ao Rosmaninhal onde o seu interesse por instrumentos de cordas começou, expressa os primeiros contactos com o fado, e o primeiro instrumento que com 8 anos começou a tocar, comprado pelo pai numa viagem a Lisboa: um bandolim, tocou ainda viola e guitarra mas foi na viola baixo que detectou o talento que tinha como executante e acompanhante de fado, diz na recolha que apesar de saber música, ''o fado tem uma música própria'', reflecte ainda sob as condicionantes da sua aprendizagem autodidacta feita através da observação dos outros que tocavam.


No ano de 1938 mudou-se para Lisboa e, como apreciador de fado, passou a ser presença assídua no Café Luso. Casa de Fados onde conheceu Martinho de Assunção que, em 1949, o convidou para integrar o Quarteto Típico de Guitarras de Martinho de Assunção, que intitula de ''um conjunto de exibição'', devido especialmente ao repertório clássico que tocavam.  É precisamente neste conjunto que Joel Pina se começa a dedicar à viola baixo e, tal como anteriormente referido, se profissionaliza como músico.

Em 1950 integrou o elenco da Adega Machado, com Francisco Carvalhinho, na guitarra, e Armando Machado, na viola. A presença da viola baixo no acompanhamento instrumental do fado, que até essa altura não era habitual, através de Joel Pina manteve-se no elenco desta casa durante 10 anos.


Foi, com Fontes Rocha e Júlio Gomes um dos integrantes e fundadores do Conjunto de Guitarras com Raul Nery. Nesta recolha fala do alcance granjeado pelo Conjunto que chegou, por iniciativa de Eduardo Loureiro - chefe então do departamento de música da Emissora Nacional, a convite de Raul Nery para formar um conjunto, a apresentar-se na rádio, quinzenalmente, num programa de guitarradas. Em 1959 iniciaram-se as emissões regulares e o programa prolongou-se por cerca, segundo Joel Pina, de 10 anos.

A partir do ano de 1966 Joel Pina começou a acompanhar regularmente Amália Rodrigues, actividade que manteve ao longo de três décadas até ao final do percurso musical da fadista. Com ela tocou em palcos de todo o mundo, em inúmeros espectáculos e digressões que passaram, em exemplo, pelo Canadá, Estados Unidos e Brasil (diversas vezes), Chile, Argentina, México, Inglaterra, França, Itália (diversas vezes), Rússia, Japão (onde estiveram cinco vezes), Austrália, África do Sul, Angola, Moçambique, Macau, Coreia do Sul. Além de reflectir sobre esta experiência, fala da sua ligação de amizade e profissional com o compositor e guitarrista Jaime Santos.

O seu longo e reconhecido percurso fê-lo também, entre outros, tocar com Maria Teresa de Noronha, marcar presença na gravação de discos e espectáculos de fadistas como Carlos do Carmo, Carlos Zel, João Braga, Fernando Farinha, Nuno da Câmara Pereira, João Ferreira-Rosa, Teresa Silva Carvalho, Fernanda Maria, Celeste Rodrigues, Carlos Ramos, Lenita Gentil, Rodrigo e, mais recentemente, Cristina Branco, Joana Amendoeira ou Ricardo Ribeiro.
Foi condecorado com vários prémios, mas assume nesta conversa que o mais importante reconhecimento foi-lhe dado pela comunidade do fado da qual faz parte há um tempo vital.

Joel Pina é chamado no meio de ''O Professor'' pelo seu conhecimento, experiência e dedicação ao universo do fado.

© 2014 Joel Pina à conversa com Soraia Simões de Andrade, Perspectivas e Reflexões no Campo

 

Curiosidades:

A primeira audição no universo do fado de Joel Pina foi numa Grafonola de um vizinho na aldeia do Rosmaninhal quando tinha 8 anos de idade: ''Fado Proença'' cantado por Maria Alice.

O último espectáculo dado por Amália Rodrigues, no Coliseu, foi organizado por Ruben de Carvalho (do Partido Comunista Português)

 

 

Recolha efectuada no Museu do Fado
Som de Paulo Lourenço
Edição, Pesquisa, Texto de Soraia Simões de Andrade
Fotografias de Marta Gonçalves

 

1 Comment

Luís Louzã Henriques (grau mestre em Museologia. Objecto: a Colecção de instrumentos musicais do pai)

Comment

Luís Louzã Henriques (grau mestre em Museologia. Objecto: a Colecção de instrumentos musicais do pai)

75ª Recolha de Entrevista

 

Quota MS_00044 Europeana Sounds

 

BI: Luíz Louzã Henriques é sociólogo e mestre em Museologia. Filho do conhecidoMédico Psiquiatra e Coleccionador de instrumentos musicais (além de bibliografia, iconografia no âmbito da cultura popular local e transatlântica) Louzã Henriques, viu no espólio adquirido pelo pai o ”objecto ideal” para o seu trabalho na Tese de Mestrado epor esse motivo foi gravado para o arquivo Mural Sonoro, falando sobre o seu trabalho neste campona recolha.

© 2014 Luís Louzã Henriques à conversa com Soraia Simões

Recolha efectuada em Coimbra em casa do pai de Luís Louzã Henriques (o coleccionador em questão)

Fotografias de António Freire

Som, Edição, Pesquisa, Texto de Soraia Simões de Andrade

 

Comment

Jaime Santos (violista de fado)

Comment

Jaime Santos (violista de fado)

73ª Recolha de Entrevista

 

Quota MS_00043 Europeana Sounds

BI: Jaime Santos é um violista de fado, considerado por muitos dos músicos do universo do fado, que gravei em entrevista para o Mural Sonoro, um dos mais talentosos violistas contemporâneos.

Nascido na cidade de Lisboa começou cedo, como explica na recolha, a tocar viola sobretudo por influência do pai: o reconhecido Guitarrista Jaime Santos, que acompanhou Amália Rodrigues no início do seu percurso no fado, participou no filme «Fado – História de uma Cantadeira» (1948), de Perdigão Queiroga, para além de acompanhar a fadista nas curtas-metragens de Augusto Fraga sobre temas de fados filmadas no mesmo ano e no filme «Les Amants du Tage» (1955) de Henri Verneuil, entre muitos outros aspectos de salientar no seu percurso de onde se destaca ainda o convite que lhe foi feito, pelo cubano Xavier Cugat, para integrar a orquestra deste, e que acabou por suscitar rasgadas considerações de apreço do trompetista Louis Armstrong “pela forma como conseguia, com apenas seis cordas duplas da guitarra, uma expressão tão rica de sons”. (op.cit:102).

Nascido numa família com esta herança do fado, Jaime Santos Jr (como também é chamado) reflecte ao longo desta conversa a importância que teve para o percurso que traçou na Música Popular esta convivência desde criança, mas expressa também alguns, na sua opinião, prós e contras do reconhecimento da candidatura do fado a Património Imaterial da Humanidade na Unesco, da evolução e desvios em torno da ‘preservação’ de uma determinada ‘identidade cultural’, das adaptações aos repertórios que vão mudando, da relação nem sempre pacífica com a imposição ou permeabilidade às influências musicais externas, etc.

Desta recolha, tal como as restantes, disponibiliza-se no espaço do Mural Sonoro online uma parte. A integral é transcrita para figurar em livro e em Arquivo físico como documentação que poderá ser consultada igualmente à posteriori.

© 2014 Jaime Santos à conversa com Soraia Simões de Andrade, Perspectivas e Reflexões no Campo
Recolha efectuada em A Muralha-Tasca Típica, Alfama

Som, Texto, Pesquisa, Fotografia: Soraia Simões de Andrade

Comment

Janita Salomé (músico, intérprete)

Comment

Janita Salomé (músico, intérprete)

67ª Recolha de Entrevista

 

Quota MS_00042 Europeana Sounds


BI: João Eduardo Salomé Vieira, ou Janita Salomé - como ficou conhecido no meio musical - nasceu na vila do Redondo no ano de 1947.

É um intérprete reconhecido pertencente a uma família de outros músicos reconhecidos na Música Popular que foi feita em Portugal nos últimos 40 anos. Começou a cantar com 9 anos, incentivado pela família - especialmente pelo pai, também cantor (tarefa que acumulava com a actividade de ourives) tendo depois dos 16 anos integrado algumas orquestras (assim se chamavam ao conjunto de músicos - com instrumentos diversos, como em exemplo: contrabaixo ou piano que o formavam, todos da família de Janita: tios maternos e os irmãos mais velhos), mas foi aos 18 anos que Janita salomé saiu do Alentejo para Lisboa (onde trabalhou primeiramente como funcionário judicial).

Nesta recolha de entrevista explica alguns dos motivos/motivações que fizeram, até hoje, parte do seu percurso na música, do que mudou, de algumas considerações que dizem respeito ao fado, à 'Canção de Coimbra', às 'músicas tradicionais' e às manifestações de tradição oral, mas também das principais diferenças de comportamento dos músicos que já contam com alguns anos de caminhada, das fragilidades patentes nos círculos de difusão, indústria fonográfica e de promoção (O disco do projecto Vozes do Sul, dirigido por Janita Salomé, com a intenção de celebrar o 'cante alentejano', foi editado em 2000. No disco participaram: Os Ceifeiros de Pias, As Camponesas de Castro Verde, Grupo da Casa do Povo de Serpa, Cantadores do Redondo, Filipa Pais, Bárbara Lagido e Catarina, Marta, Patrícia, Janita e Vitorino por parte da família Salomé. O disco estava pronto desde 1998 mas só saiu em 2000 porque não foi fácil arranjar editora. A edição foi da Capella, uma etiqueta ligada à empresa Audiopro. O disco Vozes do Sul foi distinguido com o Prémio José Afonso) para a música em Portugal, etc.
Nos discos que marcam o seu percurso estão entre outros:

Melro (1980); LP; Orfeu

Lavrar em teu peito (1985); LP; EMI

Lua Extravagante (1991); LP; EMI

Raiano (1994); CD; Farol Música

Tão pouco e Tanto (2003); CD; Capella
Cantar ao sol (1983); LP; EMI

Olho de fogo (1987); LP;Transmédia

A cantar à Lua (1991); LP; Edisom

Vozes do sul (2001); CD; Capella

Utopia ( 2004); CD; EMI

Janita tem também colaborado com uma quantidade considerável de outros autores e intérpretes. Dessas colaborações, destacam-se: a sua participação no disco Canções de Embalar organizado por Nuno Rodrigues, onde interpreta o tema "Matita" de parceria com Sara Tavares.

O disco Tão Pouco e Tanto, com cinco temas inéditos e seis regravações, foi editado em Maio de 2003. Nele participaram José Peixoto, Mário Delgado, Pedro Jóia e Dulce Pontes, no tema "Senhora do Almortão" (apesar do feito, só em Março de 2004 surgiu a apresentação de Tão Pouco e Tanto no Grande Auditório do CCB), nos 30 anos da Revolução dos Cravos, surge "Utopia", registo dos dois concertos de Vitorino e Janita Salomé, realizados no CCB, em 1998, onde em homenagem a Zeca Afonso, interpretaram canções do compositor. O álbum A Cantar à Lua, que implicou uma recolha de Canções de Coimbra dos anos 20 e 30, foi editado em 1991, tendo nele participado António Brojo e António Portugal e de que fala com apreço nesta recolha, foi também um dos participantes no disco Canções proibidas: o Cancioneiro do Niassa, com as canções de campo da guerra colonial, onde pontificaram também outros interpretes como Rui Veloso, Paulo de Carvalho e Carlos do Carmo, entre outros.

© 2013 Janita Salomé à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Edição, Pesquisa, Som, Texto: Soraia Simões

Fotografia de recolha de entrevista: Augusto Fernandes

Fotografia de capa: Helena Silva no âmbito das Sessões de debate do Mural Sonoro no Museu da Música com o título: «Cante alentejano: o discurso sobre o território e as identidades».


 

 

Comment

Luís Cilia (músico, ex intérprete, autor, compositor)

Comment

Luís Cilia (músico, ex intérprete, autor, compositor)

64ª Recolha de Entrevista

 

Quota MS_00041 Europeana Sounds

BI: Luís Cília nasceu no Huambo (Angola) no ano 1943.
Veio para Portugal em 1959, onde deu continuidade à sua formação académica.

Em 1962 conheceu o poeta Daniel Filipe que o incentivou a musicar poesia. É nesse ano que tem as suas primeiras experiências nesse âmbito (“Meu país”, ”O menino negro não entrou na roda”, que viriam a ser incluídos no seu primeiro registo fonográfico gravado em França, para a editora Chant du Monde). Em Abril de 1964 partiu para Paris, onde viveu até 1974.

Em França estudou guitarra clássica com António Membrado e composição com Michel Puig.

Entre 1964 e 1974 realizou recitais em quase todos os países da Europa.
Depois do seu regresso a Portugal continuou a gravar discos, como compositor e intérprete e a realizar recitais. Como intérprete gravou dezoito discos, alguns dos quais dedicados exclusivamente a poetas tais como Eugénio de Andrade (“O Peso da Sombra”), Jorge de Sena (“Sinais de Sena”) ou David Mourão Ferreira (“Penumbra”).

Nos últimos anos tem-se dedicado apenas à composição, nomeadamente para Teatro, Bailado e Cinema.

Nesta recolha de entrevista Luís Cilia recorda as motivações que estiveram na origem do seu percurso como músico, intérprete e sobretudo compositor e produtor, as suas referências culturais e musicais, alguns sectarismos que o fizeram gerar polémica nos universos por onde à data gravitava (como, em exemplo, conta a respeito de uma célebre entrevista que deu, logo no dia 25 de Abril de 1974 a Mário Contumélias, em que afirmava que o fadista Alfredo Marceneiro era um cantor revolucionário, dizendo isto para contrariar a envolvência sectária de alguns ‘militantes da época’ a respeito do universo do fado), de algumas das histórias e ideias que vivem em alguma da sua obra discográfica, etc.

Luís Cilia foi o primeiro cantor que no exílio denunciou a guerra colonial e a falta de liberdade em Portugal. A sua actividade constante, a partir de 1964, tanto discográfica como no que diz respeito à realização de recitais, fê-lo profissionalizar-se em 1967. Durante vários anos dedicou-se ao estudo de harmonia e composição. Formação musical e experiências que o tornaram num dos mais respeitados compositores do século XX e da actualidade, procurado pelas mais distintas instituições, nomeadamente desde que, nos anos 80, optou exclusivamente pela composição devido às muitas solicitações, e elogiado por outros autores de modo frequente como o caso do músico José Mário Branco, do poeta e letrista Manuel Alegre, do escritor Urbano Tavares Rodrigues ou dos músicos Pedro Caldeira Cabral e Sérgio Godinho, entre tantos outros.

Em Maio de 2013 a Sociedade Portuguesa de Autores atribuía-lhe a Medalha de Honra pelo trabalho desenvolvido nos últimos anos.

© 2013 Luís Cilia à conversa com Soraia Simões de Andrade, Perspectivas e Reflexões no Campo

Som, Pesquisa, Texto: Soraia Simões de Andrade

Fotografias: Augusto Fernandes

Recolha efectuada em Casa de Luís Cilia

Nota: Projecto da RTP on-line Extrema-Esquerda: porque não fizemos a revolução?, temáticas do filme O Salto, por Soraia Simões, aqui »»»

Nota importante: Em Março de 2017 relembrava a Luís Cilia o concerto “La Chanson de Combat Portugaise”, do qual a RTP, cumprindo a sua missão de serviço público, disponibiliza agora uma boa parte no seu arquivo on-line* (1), hoje recebo uma mensagem do Luís «Soraia, tem o (ignóbil) panfleto que esse grupo distribuiu à entrada da Mutualité? Se não tem posso enviar-lhe (...)». «Envie-me Luís. Adorava ver isso». E aqui está ele, servindo-me no trabalho e cumprindo (me) também na minha missão.

O panfleto é assinado pelo Comité «Viva a Revolução, mas Proletária». (1)*RTP Arquivos** aqui »»»

para mais detalhes acerca deste documento, contacte-me

Comment

Óscar Cardoso (Construtor de guitarra portuguesa)

Comment

Óscar Cardoso (Construtor de guitarra portuguesa)

69ª Recolha de Entrevista

 

Quota MS_00040 Europeana Sounds

BI: Óscar Manuel Barbedo Cardoso nasceu no ano de 1960 em Oliveira do Douro (Distrito de Viseu) . É um Guitarreiro reconhecido especialmente no meio musical lisboeta e no universo do fado, embora construa para músicos de outros universos.

O construtor tem trabalhado no restauro e construção de instrumentos de corda desde há mais de 34 anos. É “Guitarreiro”. Chegou a esta actividade por influência do pai, o construtor Manuel Cardoso, cuja oficina, no Casal do Privilégio em Odivelas (Lisboa), hoje ocupa.

Nesta recolha de conversa que com ele fiz para o Arquivo explica-me entre outros aspectos que com cerca de oito anos começou a procurar na oficina do pai ferramentas diversas com que se ia entretendo, que durante muitos anos se limitou a aprender com o pai e a serrar, aplainar, afinar ferramentas. Depois passou a fazer reparações e reconstruções de todo o tipo de instrumentos, de violinos a guitarras portuguesas passando por alaúdes, mas fala também de como vê o cenário da construção nomeadamente de guitarras portuguesas, das suas referências, dos seus anseios, das suas convicções no que concerne à feitura de instrumentos, etc.

As suas guitarras e violas são hoje tocadas por, entre outros, José Manuel Neto, Carlos Manuel Proença, Custódio Castelo, Mário Pacheco, Filipe Lucas, Edgar Nogueira, João Alvarez, Pedro Jóia, José Peixoto, Arménio de Melo, Ângelo Freire, Diogo Clemente, Jaime Santos Júnior, César Silva, Bernardo Couto, numa lista de solicitações ao seu trabalho que tem crescido nos últimos anos.

© 2013 Óscar Cardoso à conversa com Soraia Simões de Andrade, Perspectivas e Reflexões no Campo

Som, Pesquisa, Texto: Soraia Simões de Andrade

Fotografias: André Cardoso

Recolha efectuada em Odivelas na sua oficina
 

Comment

Pedro Moutinho (intérprete, fado)

Comment

Pedro Moutinho (intérprete, fado)

70ª Recolha de Entrevista

 

Quota MS_00039 Europeana Sounds

BI: Pedro Moutinho nasceu em Oeiras no ano de 1976. Antes de se profissionalizar no fado, em meados da década e 90, já se tinha iniciado a cantar aos 8 anos. Passou pelo Coro de Santo Amaro de Oeiras e pelo grupo Ministars durante a adolescência. Nesta recolha, da qual se disponibiliza uma parte online, explica como iniciou o seu percurso no fado: em simultâneo com um trabalho como lojista num Pronto a Vestir e aos fins-de-semana, nos “Clube de Fado Amália” e “Forte D. Rodrigo”. Até chegar o convite para integrar o elenco do “Café Luso”. Onde passou a actuar, em 1999, como profissional, fala ainda de como vê as mudanças de processos no universo musical do qual faz parte, da relevância que assumiu para si a participação na criação do 'Quinteto Fados de Lisboa' (no ano 2000) e que era composto por instrumentos como: guitarra portuguesa, viola, viola-baixo, saxofone e soprano, do convite de Carlos Zel para cantar no 'Quartas de Fado' no Casino Estoril, das diferenças que na sua opinião considera mais significativas entre o circuito de fado nas Casas de Fado e o dos Palcos fora desse âmbito, do seu primeiro registo fonográfico editado pela Som Livre no ano de 2003, do filme com cariz documental composto por vários episódios (um deles confinado ao fado) no qual entrou e que foi realizado por Carlos Saura em 2007, entre outros assuntos. No seu legado fonográfico contam-se, a solo, os seguintes trabalhos até à data em que esta recolha foi efectuada: Primeiro Fado (Som Livre, 2003) Encontro (Som Livre, 2006) Um Copo de Sol (Iplay, 2009) Lisboa Mora Aqui - O Melhor de Pedro Moutinho (Iplay, 2010) O Amor Não Pode Esperar (2013)

© 2013 Pedro Moutinho à conversa com Soraia Simões de Andrade, Perspectivas e Reflexões no Campo

Som, Pesquisa, Texto: Soraia Simões de Andrade

Fotografias: Augusto Fernandes

Recolha efectuada no espaço Casa da Severa, na Mouraria 

Comment

João Braga (intérprete de fado)

Comment

João Braga (intérprete de fado)

68ª Recolha de Entrevista

 

BI: João de Oliveira e Costa Braga nasceu no ano de 1945 em Lisboa.

Nesta recolha fala da sua estreia a cantar aos nove anos, como solista do coro do Colégio de São João de Brito, de quando começou a cantar em casas de fado amador, do seu lançamento como intérprete profissional, com o primeiro disco, É Tão Bom Cantar o Fado, a que se juntam, no mesmo ano três EP (Tive um Barco, Sete Esperanças, Sete Dias e Jardim Abandonado), e um LP (A Minha Cor), da parceria e amizade com Luís Villas-Boas, que viria a tornar-se seu produtor e parceiro na organização do I Festival Internacional de Jazz de Cascais, realizado em 1971, da revista Musicalíssimo, de que foi editor até 1974, do exílio em Madrid aquando da emissão de um mandato de captura no seu nome, do Restaurante com Fados O Montinho, em Montechoro, mas também de algumas expressões características do universo do fado - de como vê os processos pelos quais passou e presenciou nele, etc.

João Braga viu lançado no ano de 1990 o seu primeiro CD, Terra de Fados, êxito de mais de trinta mil cópias, incluiu poemas inéditos de Manuel Alegre, que marcou a primeira vez que escreveu por sua vontade/com esse fim para um cantor. Seguiram-se Cantigas de Mar e Mágoa (1991), Em Nome do Fado (1994), Fado Fado (1997), Dez Anos Depois (2001), Fados Capitais (2002), Cem Anos de Fado - vol. 1 (1999) e vol. 2 (2001), e Cantar ao Fado (2000), onde reúne poemas de Fernando Pessoa, Alexandre O'Neill, Miguel Torga, David Mourão-Ferreira, Manuel Alegre, entre outros.

Musicalíssimo, em que foi fundador, e & Elas e Sucesso, O Independente, Diário de Notícias, Euronotícias e A Capital, O Século Ilustrado e d' O Volante, foram publicações de que fez parte ora como redactor ora como cronista. 
Em 2006 publicou o livro «Ai Este Meu Coração». Foi distinguido, entre outros, com a Medalha de Mérito Cultural do Município de Lisboa (1990), Prémio Neves de Sousa da Casa da Imprensa (1995), Medalha de Mérito da Cruz Vermelha Portuguesa (1996), Prémio de Carreira da Casa da Imprensa (1999) e com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique (30 de Janeiro de 2006).

João Braga não interpretou só repertório de fado, ao longo destes anos, mas um repertório diversificado, que inclui música francesa, brasileira e anglo-saxónica.

© 2013 João Braga à conversa com Soraia Simões de Andrade, Perspectivas e Reflexões no Campo

Recolha efectuada em casa de João Braga

Som, Pesquisa, Texto: Soraia Simões de Andrade

Fotografia de aúdio: Ana Braga

Fotografia de capa: Patrícia Machado no âmbito do Ciclo «Conversas
à volta da Guitarra Portuguesa» sob o tema 'O Fado e as Outras Músicas Populares, Relações de Proximidade e Distância' com Rão Kyao e João Braga.
 

Comment