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Historia Oral

RAProduções de Memória, Cultura Popular e Sociedade: Makkas (Black Company)

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RAProduções de Memória, Cultura Popular e Sociedade: Makkas (Black Company)

 

Notas

1) RAP (Rithm And Poetry) é a prática sonora e/ou musical, um dos eixos da «cultura hip hop», assim entendida pelos precursores. Esta cultura integra ainda a vertente visual intitulada graffiti ou  muralismo (ouvir Nomen neste dossier) e a vertente coreográfica denominada breakdance.
Ao hip hop, que se formou nos bairros do Bronx ou Nova Iorque, e se tornou pouco tempo depois numa cultura urbana e de consumo entre as comunidades juvenis passou a atribuir-se o nome de «movimento» ou «cultura», tendo posteriormente quer o RAP como o hip-hop (enquanto cultura agregadora das várias vertentes ‘’artísticas de rua’’) assumido outras denominações locais, como aconteceu  no contexto português onde há uma corrente dominante que o apelida de hip hop tuga ou rap tuga, à qual se tem oposto uma outra corrente que questiona o significado dessas categorizações afirmando, antes, que se trata de um RAP feito em Portugal e não só em português. Crítica encontrada, por exemplo, no rapper Chullage, que usa ora o português ora o crioulo de Cabo Verde nas suas criações. 

2) Simões, Soraia 2017 RAPublicar. A micro-história que fez história numa Lisboa adiada (1986 - 1996). Editora Caleidoscópio. Lisboa.

3) Simões, Soraia 2016 RAPortugal 1986 - 1999. Ciclo de Conferências e Debates no âmbito de projecto parcialmente financiado. Direcção Geral das Artes.

4) Simões de Andrade, Soraia 2019 Fixar o Invisível. Os primeiros Passos do RAP em Portugal. Editora Caleidoscópio. Lisboa.

5) Colóquio Reinventar o discurso e o palco: o RAP entre saberes locais e olhares globais, Maputo.

6) Fotografia de capa: Helena Silva, Outubro de 2014, LARGO Residências.

 

89ª Recolha de Entrevista ​ BI: Paulo Jorge Morais, conhecido por Makkas nome pelo qual se faz representar na cultura hip-hop [1] há cerca de vinte anos, nasceu no ano de 1976 em Angola, mas foi em Miratejo que cresceu como autor e um dos protagonistas da Música Popular no domínio do rap. Nesta recolha de entrevista, realizada em Setembro de 2014, da qual se disponibiliza no acervo online uma parte, servindo as restantes horas como material de trabalho de um próximo livro[2], expressa algumas das aspirações que estavam no início da prática em Portugal, das diferenças entre grupos que emergiram no cenário da cultura popular dos anos de 1990, no Porto e em Lisboa sobretudo, e do modo como se relacionavam e defendiam as suas idiossincrasias, nas questões territoriais e sociais que acompanhavam as suas vivências e histórias, do papel dos meios de difusão no processo de apreensão da música e do discurso que envolvia o hip-hop no início da sua recepção em Portugal, destacando na conversa, entre outros, o programa Mercado Negro na Rádio Comercial da autoria do radialista João Vaz, etc. Makkas já estava ligado, a partir da Moita, ao universo hip-hop, mas foi quando integrou o grupo Black Company que a visibilidade como autor e compositor neste universo se efectiva de modo apreensível. O grupo, criado na década de 1980, seria composto pelos rappers Bantú (agora Gutto), Bambino e Makkas (que o integraria no ano de 1988) e incluía anteriormente os Dj´s KJB e Soon. Vários rappers residentes nas áreas periféricas da cidade de Lisboa, como General D e Ivan Cristiano ( Beat boxer, que curiosamente integraria mais tarde o grupo de Almada UHF, com a função de baterista) passaram por Black Company. Na colectânea Rapública, editada em 1994, seria integrado o tema ''Nadar'', um tema que surgira espontaneamente e que seria o primeiro tema em português do grupo, marcando também a opção do grupo passar a escrever e compor em português. De ressalvar que nesta colectânea também participariam Boss AC, LNM (Líderes da Nova Mensagem) entre outros. O grupo teria um impacto importante também no movimento estudantil dos anos de 1990, da frase ''Geração Rasca'', que originaria um fonograma, ao ''Filhos da Rua'' (título de outro fonograma. Este para muitos amantes do género tido como um marco na história deste domínio em Portugal) servindo de referência em alguns processos de legitimação, tanto do ponto de vista político como social. O álbum "Geração Rasca", de 1995, bem como "Filhos da Rua", de 1998, potenciaram o reconhecimento do grupo no panorama nacional, tornando os seus integrantes objectos de impacto e interesse sociológico para autores e investigadores, bem como numa espécie de ''porta vozes'' das várias comunidades em que se inseriam. A participação em "Racismo Não", editado pela AMI (Assistência Médica Internacional), é disso exemplo. Actuaram em Cannes, no festival MIDEM, na noite Atlântica, no Brasil, entre outros. A 8 de Setembro de 2008 seria lançado Fora de Série, um fonograma com dezasseis temas, do qual faz parte o single "Só Malucos", um tema que reafirma o cariz intervencionista do grupo junto dos menos atentos. Cariz esse durante muito tempo invisível, devido à forte difusão e aceitação de ''Não Sabe Nadar'' que tornaria, para a maioria da recepção e dos mais críticos relativamente ao seu papel de comprometimento com as realidades circundantes, no domínio do hip-hop pouco claro. À data em que esta recolha foi efectuada Makkas encontrava-se em estúdio na finalização do seu mais recente fonograma, de nome ''Rotina'', pertencente ao seu actual grupo The Raw Sample Project. © 2014 Makkas (Paulo Jorge Morais) à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo Som, Pesquisa, Texto: Soraia Simões Fotografias: Helena Silva Recolha para Mural Sonoro efectuada em LARGO Residências Recolha e pesquisa para livro efectuada em Miratejo [1] A designação cultura hip hop é aqui usada no sentido antropológico de cultura. Como prática cultural sonora e musical de matriz urbana, com características próprias, os seus processos de produção e recepção, os seus agentes. [2] No prelo Da Referência ao Rap como Forma Musical que Se Impôs. Co-autoria: Soraia Simões e General D. Previsão de publicação: Setembro de 2015.

Paulo Jorge Morais, conhecido por Makkas, nome a partir do qual integrou a  cultura hip-hop há cerca de vinte anos, nasceu no ano de 1976 em Angola, mas foi em Miratejo que cresceu.

Makkas já estava ligado, a partir da Moita, ao universo hip-hop, mas foi quando integrou o grupo Black Company que saiu da invisibilidade. Do grupo, criado na década de 1980, composto pelos rappers Bantú (agora Gutto), Bambino e Makkas (que o integraria no ano de 1988) seria anteriormente formado, ainda, pelos Dj´s KJB e Soon.

Vários rappers da área metropolitana de Lisboa, como General D e Ivan Cristiano (Beat boxer, que curiosamente integraria mais tarde o grupo de Almada UHF, com a função de baterista) passaram por Black Company.

Na colectânea Rapública, editada em 1994,  ''Nadar'', um tema que surgira espontaneamente e que seria o primeiro tema em português do grupo, integrou o disco.
 

O álbum  Geração Rasca,  de 1995, bem como Filhos da Rua,  de 1998, tornaram o grupo reconhecido no panorama nacional, o sucesso alcançado pelos seus integrantes tornaram o grupo uma referência para outros rappers, bem como um estímulo para várias comunidades, especialmente de jovens, oriundas dos mesmos espaços e/ou com experiências sociais e culturais semelhantes. A participação em Racismo Não, editado pela AMI (Assistência Médica Internacional), foi disso exemplo. 

Actuaram em Cannes, no festival MIDEM, na noite Atlântica, no Brasil, entre outros.

A 8 de Setembro de 2008 seria lançado Fora de Série, com dezasseis temas, do qual fez parte o  single  "Só Malucos", um tema que reafirma o cariz intervencionista do grupo junto dos seus pimeiros seguidores. Cariz esse durante muito tempo invisível, devido à forte difusão e aceitação de ''Não Sabe Nadar'' que tornaria, para a maioria da recepção, sinónimo de uma descontinuidade dos seus papéis de denúncia das realidades circundantes.

À data em que esta entrevista aconteceu (Outubro de 2014),  Makkas encontrava-se em estúdio na finalização do seu mais recente fonograma, de nome Rotina já com o seu novo grupo: The Raw Sample Project.

 

makkas soraia general d.jpg

Miratejo, Agosto de 2014, com Makkas (Black Company) e General D

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Se a Memória Não me Falha - História Oral, Metodologias e Boas Práticas, Festival FOrA, Org. CHAM (FCSH NOVA)

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Se a Memória Não me Falha - História Oral, Metodologias e Boas Práticas, Festival FOrA, Org. CHAM (FCSH NOVA)

Com a presença de Soraia Simoes. O encontro Se a memória não me falha... é organizado em parceria pelo CHAM, Faculdade de Ciencias Sociais e Humanas NOVA Lisboa, Universidade dos Açores, e pela Associação Teia D'Impulsos. Encontra-se enquadrado na terceira edição do FOrA – Festival da Oralidade do Algarve, mostra de património cultural imaterial do Algarve que decorrerá em Portimão e Alvor, Lagos entre os dias 10 a 14 de Maio.

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