57ª Recolha de Entrevista
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Fotografia: Hugo Valverde
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57ª Recolha de Entrevista
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Fotografia: Hugo Valverde
Em LARGO Residências
56ª recolha de entrevista BI: João Sousa nasceu no ano de 1974 em Lourenço Marques (actual Maputo), Moçambique. É um Oleiro português, que estudou em Coimbra alguma da arte da Cerâmica e Olaria e mais tarde com um 'mestre chinês' a confecção de ocarinas em barro. Dos primeiros objectos construídos com barro (com um fim decorativo e seguindo os métodos tradicionais) passou para a construção dos mais diversos instrumentos de percussão (como membranofones: adufes em barro por exemplo), cordas ou sopros e foi evoluindo na construção dos mesmos. No momento em que esta recolha é efectuada (em Março de 2013) João Sousa dedica-se exclusivamente ao desenvolvimento das práticas em prol da construção dos instrumentos explorando, com a ajuda de músicos e investigadores, as mais variadas técnicas para tirar diferentes sons e até melodias dos instrumentos que desenvolve. Nesta recolha é crítico em relação às dinâmicas em Portugal que incentivem a prática e difusão da Olaria nacional e sente-se como o único no presente com essa papel dentro de uma arte considerada 'saloia' e em que há pouco investimento ou disponibilidade por parte dos poderes locais, explica também as diferentes formas de produzir alguns dos instrumentos que constrói, como tem chegado ao público, nomeadamente autores/compositores/músicos (embora também o cinema e performance tenha já recorrido a este género de instrumentos musicais que elabora para introduzir nas suas criações/apresentações performativas e de espectáculo), etc. © 2013 João Sousa à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo Recolha Efectuada em Areeiro (Atelier 'Red Clay' de João Sousa) Fotos de Augusto Fernandes masterização de som de Pedro Magalhães
56ª Recolha de Entrevista
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Fotografias: Augusto Fernandes
15ª Recolha de Entrevista
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Som, Pesquisa, Texto: Soraia Simões
Fotografia: Hugo Valverde no âmbito do Ciclo «África Move» com direcção artística de Soraia Simões de Andrade a convite de Colecção B para o Festival Escrita na Paisagem em Évora no ano de 2012
Nota de autora:
O tema ‘Kodé’, do fonograma Karam de Kimi Djabaté (ouvir 14ª recolha), foi composto por Milton Gulli e gravado pelos Cacique´97, incluindo-se depois a kora do músico Brahima Galissa e a voz e balafon de Kimi Djabaté.
Além do disco Karam de Kimi Djabaté, o tema acabou por figurar no disco de Cacique´97.
Milton explica à parte desta recolha que: o tema foi composto por mim para o primeiro disco de Cacique´97. Na altura eu tinha escrito uma letra que pedi a um amigo guineense para traduzir. Mas, quando chamámos o Kimi para cantar, a letra não encaixava no tema. O Kimi acabou, então, por sugerir outra letra, que acabou por ficar.
Entretanto, eu peguei na letra do Kimi e traduzi algumas frases para 'chuabo' (língua da zona de Quelimane), com a preciosa ajuda da minha avó, e é essa parte que eu canto no tema.
15ª recolha de entrevista BI: Milton Gulli nasceu em Lisboa no ano de 1978. É um autor, músico, compositor e produtor português filho de moçambicanos, que reside actualmente em Moçambique (Maputo). Criou e integrou os Philharmonic Weed, foi vocalista convidado do grupo Cool Hipnoise, que diz ter sido a sua "universidade na música", trabalhou com vários rappers portugueses e é uma das forças motriz do grupo Cacique' 97. Criou, além disso, com um grupo de intervenientes na música, uma espécie de Colectivo Artístico/Associação Cultural ligado aos grupos musicais lisboetas, com o nome Grasspoppers. O Colectivo produziu, fez reportagens, pequenos filmes que acompanhavam os músicos com os quais trabalhavam e propôs-se a compor e gravar numa semana um álbum de 'dub' com algumas das músicas mais conhecidas, e conseguiu-o. Nesta recolha de entrevista reflexiona sobre a diferença entre o público moçambicano e o português - o apreço ou reconhecimento do público de Moçambique, contrariamente ao português, para com os músicos não lhes é incutido por mediações como a rádio ou os media - os interesses dos órgãos de comunicação e difusão, a recepção musical com os seus consumidores, a persistência do músico perante variáveis que nem sempre lhe são favoráveis, a tentativa de reencontrar as raízes e outros círculos de interacção com a sua música, etc. © Milton Gulli à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo Nota de autora: O tema ‘Kodé’, do fonograma Karam de Kimi Djabaté (ver 14ª recolha), foi composto por Milton Gulli e gravado pelos Cacique´97, incluindo-se depois a kora do músico Brahima Galissa e a voz e balafon de Kimi Djabaté. Além do disco Karam de Kimi Djabaté, o tema acabou por figurar no disco de Cacique´97. Milton explica à parte desta recolha que "o tema foi composto por mim para o primeiro disco de Cacique´97. Na altura eu tinha escrito uma letra que pedi a um amigo guineense para traduzir. Mas, quando chamámos o Kimi para cantar, a letra não encaixava no tema. O Kimi acabou, então, por sugerir outra letra, que acabou por ficar. Entretanto, eu peguei na letra do Kimi e traduzi algumas frases para 'chuabo' (língua da zona de Quelimane), com a preciosa ajuda da minha avó, e é essa parte que eu canto no tema". Direitos Reservados Mural Sonoro http://muralsonoro.com/ nota: recolha efectuada em Lisboa
32ª Recolha de Entrevista
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Fotografia de capa: Augusto Fernandes no âmbito do Ciclo de Debates e Colóquios Mural Sonoro organizado por Soraia Simões de Andrade no Museu da Música em 2013 com o tema: «Viver a Música a Partir da Periferia (?)» que contou com Marta Miranda, o rapper e sociólogo Chullage (Nuno Santos) e António Avelar Pinho (Banda do Casaco, Filarmónica Fraude)
32ª recolha de entrevista BI: Marta Miranda ou ‘Marta e Miranda’ como a conhecem no projecto musical que ajudou a formar (OqueStrada) nasceu em Lisboa no ano de 1972, mas cedo se habituou a ser uma migrante no seu país, devido à profissão liberal da sua mãe (professora) pelos vários espaços onde ia sendo destacada para trabalhar. ‘Como digo muitas vezes a Marta trabalha para a Miranda poder cantar’ refere aludindo também, durante a recolha, à forma como no grupo OqueStrada acaba por se fazer de tudo. Da montagem à produção, da distribuição dos pagamentos ao agenciamento, da música, composição e performance à construção de cenários e instrumentos particulares (como o caso da ‘contrabacia’ tocada por Pablo). No grupo de que faz parte a todos atribuiu um nome fictício (‘Lima o Arquitecto’, e a sua guitarra portuguesa, ‘Pablo, O Construtor’, e a sua contrabacia ‘Miranda, a Adorável’, e a sua voz) Nesta recolha Marta reflexiona, entre outros aspectos, sobre os primeiros anos de concepção do seu trabalho e do trabalho com oqueStrada, dos locais distintos (ruas, cafés, bares, jardins, lojas numa procura do património acústico dos espaços) onde tocaram das primeiras vezes e da importância do espaço público comum (a rua) e do contacto directo com o público, das migrações com que sempre se rodeou (no seio familiar, com o seu avô, oriundo de Angola, e social, com as comunidades e culturas a que se ligou tanto em Lisboa como no subúrbio onde se sediou), da dramaturgia acústica e das imagens sonoras que resgatou do teatro popular para a música que cria (m), do diálogo/ intercâmbio musical construído por cada músico em OqueStrada e desse com os ‘artistas esquecidos’ que convidam para os espectáculos que dão, da importância de pensar a cidade/o urbanismo através da periferia, do seu radicar em Almada e da ressonância do espaço com a criação artística e musical, da pesquisa relevante/ recolha de material e histórias acerca das colectividades para a concepção musical de OqueStrada (a Associação de Artes de Rua, a Piajio associação, possui um forte olhar e consciência sobre o espaço público e do que ele oferece de encontro e reflexão no âmbito artístico), da concentração da actividade da Piajio no espaço Incrível Club – antigo cinema da colectividade Incrível Almadense (um ‘espaço de artistas para artistas’ como define Marta em conversa. De acolhimento à arte e à promoção artística, onde a música, o ‘novo-circo’ ou o documentário sempre tiveram destaque) – e de a mudança na falta de apoio/financiamentos às diversas manifestações culturais e artísticas da actualidade poder ser, aos poucos, ultrapassada com uma filosofia próxima dos espaços geográficos pequenos onde se opera – de um modo autónomo, individual, atento e empreendedor. © ‘Marta e Miranda’ à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo recolha efectuada em Alfama foto Paulo (restaurante A Muralha)
66ª recolha de entrevista BI: Mário João Santos nasceu em Lisboa no ano de 1970. É um músico e formador português (especialmente baterista-percussionista). Neste registo de conversa fala do seu percurso, do despertar para as percussões, mas também das suas formações musicais, no Hot Clube de Portugal, Academia dos Amadores de Música de Lisboa e Drummers Collective em Nova Iorque, da importância que atribui aos tambores e de algumas das tarefas, que com este fascínio, tem executado, etc. Leccionou bateria na Escola de Música de Cascais. Como baterista e percussionista (com instrumentos de percussão vários) colaborou com diversos músicos e compositores portugueses, Quadrilha, Carlos Barretto, José Mário Branco, Fausto Bordalo Dias, Três Cantos, Rui Júnior e o Ó que som tem?, Boémia, Navegante entre outros, é co-fundador do projecto TOCÁ RUFAR, sobre o qual expressa nesta recolha as horas de dedicação que tem conferido ao projecto e a sua relevância no universo musical popular em Portugal e não só, e membro da direcção. Como músico, no seu legado fonográfico (discos em que foi convidado/parte integrante), até à data em que a recolha é feita constam: com Fausto Bordalo Dias - Atrás dos tempos vêm tempos (1996), Grande grande é a viagem (ao vivo) (1999), 18 canções de amor e mais uma de ressentido protesto (2007), Em Busca das Montanhas Azuis (2011), Três Cantos ao vivo (2009) -com José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto Bordalo Dias, com Rui Júnior e O ò que som tem?:O mundo não quer acabar (1998), com Carlos Barretto Suite da Terra (1998), com Navegante: Cantigas Partindo-se (1987), com Quadrilha Contos de Fragas e Pragas, 1992, Até o Diabo de Ria, Entre Luas, 1997, Madrigal, Ovação 1999, com Mário Mata: Sinais do tempo SPA 2012. © 2013 Mário João Santos à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo Recolha efectuada em casa de Mário joão Santos, em Lisboa Foto de Augusto Fernandes
66ª Recolha de Entrevista
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© 2013 Perspectivas e Reflexões no Campo
Fotografia: Augusto Fernandes
59ª Recolha de Entrevista
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Fotografia: António Freire
No Conservatório de Música de Coimbra
59ª recolha de entrevista BI: Manuel Rocha nasceu na cidade de Coimbra no ano de 1962, onde acabou por frequentar aulas de violino, instrumento cuja aprendizagem aprofundaria posteriormente - em 1982 - quando se fixa por seis anos em Moscovo para a sua formação em Professor de Violino e Músico de Orquestra. É integrante, e uma das forças motrizes, do grupo Brigada Victor Jara e do GEFAC e foi um participante activo no Movimento Alfa em torno das Campanhas de Alfabetização no ano de 1975. Quando regressou da URSS passou a dar aulas de violino no Conservatório de Música de Coimbra, no qual é hoje Director. Manuel Rocha trabalhou ainda como músico e compositor em bandas sonoras para teatro, cinema e televisão, foi Autor de um Documentário no âmbito etnográfico seriado para a RTP e colaborou em gravações com intérpretes como, entre outros, Adriano Correia de Oliveira, Mísia e Carlos do Carmo ou autores distintos como Fausto ou Manuel Freire. Nesta recolha de entrevista é crítico em relação ao modo como a música popular tem sido 'tratada' - no meio social, cultural, mas também académico - e elucida algumas das suas experiências e opiniões em torno de questões valorativas de algumas das práticas musicais (com os instrumentos e conhecimentos empíricos ou vivências que os acompanham) no âmbito da ''música tradicional'' mas igualmente excessivamente desenquadradas do seu habitat/meio em que crescem e se desenvolvem, bem como relativamente a uma ideia de um hipotético e irreal ''universo de autenticidade'' em que se baseia algum do estudo académico, mas reflecte, entre outras coisas ao longo da conversa, ainda sobre algumas assumpções inculcadas no meio intelectual que várias vezes impõe no seio ''da ruralidade'' metodologias ou formas de raciocínio e comunicação que não são as suas, nem tão pouco alvo das suas preocupações ou motivos de discussão. A proximidade entre o universo da música popular e a ''erudição'', os discursos que 'grosso modo' nelas se panteteiam e as separam, as tentativas de aproximação da academia e a legitimação fornecida pelo contacto e vivência, a música funcional (de trabalho, de embalar, religiosa, de festa) e o retirar de algumas das suas funções quando é levada para os palcos, etc. Manuel Rocha mantém o exercício crítico e atento sobre as questões que nortearam o registo desta conversa e assume, ao longo da mesma, a actividade cívico, sindical e política como uma parte imprescindível no seu percurso musical, quer como músico e autor, quer como formador. © 2013 Manuel Rocha à conversa com Soraia Simões, Reflexões e Perspectivas no campo Foto de António Freire Recolha efectuada em Conservatório de Música de Coimbra
54ª Recolha de Entrevista e de som de tigelafone
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© 2013 Perspectivas e Reflexões no Campo
Fotografia de Augusto Fernandes no âmbito do Ciclo de Debates e Colóquios Mural Sonoro no Museu da Música sob o tema «Música Popular, Ensino e Experimentação» com Maria João Magno e Victor Palma
53ª recolha de entrevista BI: José Mário Branco nasceu no Porto em 1942. É um autor (músico, compositor, arranjador) com uma vasta experiência no meio cultural, social no geral e musical em particular. Escreveu para teatro, cinema, televisão, autores diversos até hoje. Nesta recollha de entrevista, entre muitos outros aspectos, fala da sua primeira infância em Leça da Palmeira, no contacto que desde muito cedo teve com a música, que o moldaria para sempre (tocou flauta de bisel, piano, acordeão e chegou a ter aulas de violino, instrumento pelo qual tinha um fascínio, mas que depressa se desfez por as aulas não passarem, durante um ano, além do modo como deveria ser manuseado/relação entre o indivíduo e o instrumento, sem poder emitir qualquer som), da aproximação e paixão que Luís Monteiro lhe ia proporcionando com a etnomusicologia, do papel de Lopes-Graça nessa difusão (especialmente em algumas das recolhas de Giacometti, por ele seleccionadas e veiculadas, no grupo onde José Mário se inseria), no seu exílio em França em 1963 e no seu regresso a Portugal no ano de1974, na importância de alguns dos fonogramas que produziu (grande parte com o apoio/financiamento antecipado do público) em edições de autor, do interesse súbito por grande parte dos meios de comunicação social pelo 'FMI' (gravado ao vivo no Teatro Aberto a 1 de Maio 1981 e misturado por José Manuel Fortes em 1982), no seu afastamento dos palcos como resposta à crise (bem diferente da que motivou/ilustrou o PREC) actual, na diferença substancial no meio musical português que a música passou a assumir nas décadas de 80/inícios de 90 (e que se reflecte no seu trabalho/LP 'A Noite', de 1985), etc. No vasto legado fonográfico de José Mário Branco e de participações/colectivos que integrou, contam-se: Seis cantigas de Amigo (EP, este disco seria gravado em 1967, embora não constasse no mesmo referenciado o ano, e foi publicado pelos Arquivos Sonoros Portugueses com Giacometti por detrás da edição), Ronda do Soldadinho (Single, Ed. Autor, 1969) Single, Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades (LP, Guilda da Música, 1971), Margem de certa maneira (LP, Guilda da Música, 1972), A Mãe (LP, 1978), Marchas Populares (EP, Diapasão, 1978), Gente do Norte- Moncorvo Torre e Gente/Cantar de Viúva de Imigrante (Single, Diapasão, 1978), O Ladrão do Pão (EP, Diapasão, 1978), Ser solidário (2LP, Edisom, 1982), FMI (Maxi, Edisom, 1982), Qual é a tua ó meu / S. João do Porto (Single, Edisom, 1982), A Noite (LP, UPAV, 1985), Correspondências (LP, UPAV, 1990) LP/CD, José Mário Branco ao vivo em 1997 (CD, 1997), Canções escolhidas 71/97 (CD, 1999) CD (Colectânea), Resistir é vencer (CD, 2004) Colectivos: A Confederação (LP, Diapasão, 1978) LP banda Sonora - com Sérgio Godinho e Fausto, Maio Maduro Maio (2CD, Sony, 1995) - com Amélia Muge e João Afonso, Três Cantos Ao Vivo (CD, EMI, 2009) - com Sérgio Godinho e Fausto, com o GAC A cantiga é uma arma (1976) LP/CD (G.A.C.), Pois canté! (1977) LP/CD (G.A.C.) Colaborações: James Ollivier – James Ollivier (1968) LP, Boite à Musique, Jean Sommer – Beauté (1968) LP, Barclay, Jean Sommer – La fête est à nous (1971) Single, Unisson, José Afonso – Cantigas do Maio (1971) LP, Arnaldo Trindade, Orfeu, José Jorge Letria – Até ao pescoço (1972) LP, Sassetti, Guilda da Música, José Afonso – Venham mais cinco (1973) LP, Arnaldo Trindade, Orfeu, José Afonso – Fura Fura (1979) LP, Arnaldo Trindade, Orfeu Quarteto Música Em Si – Página em branco (1980) Single, Arnaldo Trindade, Orfeu, José Afonso – Como se fora seu filho (1983) LP, Sassetti, Triângulo (3 temas), Carlos do Carmo – Um homem no país (1983) LP, Polygram, Phiiips José Afonso – Galinhas do mato (1985) LP, Transmedia, Schiu!(Em colaboração com Júlio Pereira José Afonso), Janita Salomé – Olho de fogo (1987) LP, Transmedia, Schiu!, Carlos do Carmo – Que se fez homem de cantar (1990) LP, Polygram, Philips (2 temas), Amélia Muge – Todos os dias... (1994) CD, Sony Música, Columbia Gaiteiros de Lisboa – Invasões bárbaras (1995) CD, Farol, Camané – Uma noite de fados (1995) CD, EMI — Valentim de Carvalho, Camané – Bom dia, Benjamim (1995) CD, Movieplay, Amélia Muge – Taco a taco (1998) CD, Polygram, Mercury(6 temas), Camané – Na linha da vida (1998) CD, EMI – Valentim de Carvalho, Camané – Esta coisa da alma (2000) CD, EMI – Valentim de Carvalho, Camané – Pelo Dia Dentro (2001) CD, EMI, Canto Nono – O Porto a 8 vozes (2003) CD, EMI, Camané – Sempre de Mim (2008) CD, EMI, Sérgio Godinho e Fausto – Três Cantos (2009) 2 CD/DVD, EMI, Camané – Do amor e dos dias (2010) CD, EMI , Duetos de Lisboa (tema de Camané com Paulo de Carvalho) de 2012, Farol. © 2013 José Mário Branco à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo Recolha efectuada em casa do José Mário Branco
©®fotografias arquivos pessoais (JMB com a mãe antes da ida para Paris)
projectos da Mural Sonoro da qual José Mário Branco/JMB foi um dos primeiros sócios na fundação
Outras ligações:
Dossier 303: José Mário Branco, a voz da inquietação
Esquerda.Net
1 História oral Mural Sonoro, José Mário Branco: www.muralsonoro.com.
2 «Música e Sociedade», Museu Nacional da Música
©®fotografias arquivos familiares
3ª Recolha de Entrevista
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Em Maio de 2013 Sebastião Antunes seria com José Mário Branco interveniente nos Ciclos de Debates e Colóquios Mural Sonoro no Museu da Música sob o tema: «Música e Sociedade» organizados por Soraia Simões de Andrade
© 2013 Perspectivas e Reflexões no Campo
Fotografia: José Eduardo Real (no âmbito do Ciclo «África Move» em 2012 de Mural Sonoro no Festival Escrita na Paisagem em Évora curado por Soraia Simões de Andrade
Recolha efectuada em LARGO Residências; residência artística do Mural Sonoro
45ª Recolha de Entrevista e de instrumentos musicais
Quota MS_00012 Europeana Sounds
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2012 Perspectivas e Reflexões no Campo
Nota: No ano de 2013 João Pratas passou a ser parte integrante do grupo mirandês Galandum Galundaina.
Fotografia: Sandra Rodrigues
47ª recolha BI: Fortunato Silva, mais conhecido por Kula (nome que escolheu aos 18, após uma experiência comunitária, que implicava um repaptismo da identidade), nasceu em Cabo Verde, mas veio cedo para Portugal e nunca chegou a conhecer (voltar) efectivamente o país de onde é oriundo. É um músico, facilitador, formador e construtor de 43 anos. Viajou muito em busca da ‘sua paixão', de um caminho que lhe apontasse uma espécie de raíz ancestral e não tanto geográfica/'de onde veio’. Esteve na Alemanha, Holanda (Amesterdão) e viveu em Tábua (perto de Coimbra), mas foi em Amesterdão que se cruzou com ‘o instrumento que lhe mudou a vida’: o djembé. Nesta recolha diz, entre outras coisas, que é ‘em África que começa toda a experiência humana’, ao longo dos anos Kula foi fundador e integrante do primeiro ensemble de percussão tradicional africana em Portugal, viveu em várias comunidades que procuravam uma alternativa à vivência e caminhos que a sociedade vigente ia apontando e reflexiona sobre essas experiências ( 'a música foi roubada às pessoas pela indústria de consumo’ diz), mas questiona ainda alguns dos modos de abordagem social, humana, artística e pedagógica da actualidade, etc. Hoje constrói, na sua oficina-estúdio em Colares (Sintra) onde vive, muitos dos instrumentos que toca (korás, mbiras, dununs, djembés, etc), tocou ao longo dos últimos vinte e cinco anos com variadíssimos músicos de África Continental, etc. nota adicional: O trabalho actual de Kula pode ser visto e escutado em: www.ritmundo.com ou http://www.facebook.com/RitMundo © 2013 Kula à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo Recolha efectuada em Colares na casa de Kula Fotos de Mara Lisboa
47ª Recolha de Entrevista e de instrumentos musicais
Quota MS_00011 Europeana Sounds
© 2013 Perspectivas e Reflexões no Campo
Em Colares, Sintra
Fotos de Mara Lisboa
49ª recolha de entrevista BI: Lula's é um músico e compositor mindelense que vive actualmente na Amadora. Esteve durante algum tempo a viver nas Caldas da Rainha, onde estudou design multimédia, e foi aí que se cruzou com outros autores que o aproximariam ainda mais da música, que já compunha em Cabo Verde. Nesta recolha, entre outros pontos/abordagens, reflecte sobre a sociedade cabo-verdiana em que cresceu, do 'novo homem cabo-verdiano' (longe da sociedade machista, com problemas de alcoolismo, com que conviveu na infância), que procura tornar-se a cada dia que passa e que reproduz na música que vai criando, acerca das suas referências, sobre a relevância ou não de cantar na língua cabo-verdiana (o crioulo), nos grupos musicais onde transitou, etc. © 2013 Lula´s à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo Recolha efectuada em LARGO Residências fotos de Daniel Abrantes
49ª Recolha de Entrevista
Quota MS_0009 Europeana Sounds
© 2013 Perspectivas e Reflexões no Campo
Em LARGO Residências. Mural Sonoro na residência artística do Intendente, Lisboa
Fotografias: Daniel Abrantes
* Nota: Em 2014 o músico adoptou o nome de Cachupa Psicadélica
21ª Recolha de Entrevista
Quota MS_0008 Europeana Sounds
© 2012 Perspectivas e Reflexões no Campo
Realizada em Lisboa
21ª recolha de entrevista BI: Ruca Rebordão é um músico, produtor, formador nascido em Angola no ano de 1962. Emigrou para o Brasil em 1974, na década de 80 veio para Portugal, passou algum tempo por Austrália, e regressou a Portugal, onde actualmente vive (especificamente no Alentejo). O seu fascínio e contacto inicial com instrumentos de percussão (os tambores) acontecia em Angola e desenvolver-se-ia na sua ida para o Brasil, na escola de Samba Imperatriz Leopoldinense do Rio de Janeiro. Estudou na Academia Amadores de Música de Lisboa e Universidade de Sydney, no Departamento de Música do Mundo. No percurso musical - músicos com quem tem tocado, estabelecido parcerias, coabitado em projectos semelhantes - contam-se, entre outros, Rão Kyao,Teresa Salgueiro, Couple Coffee, Madredeus, Sadao Watanabe, Toquinho, Alejandro Sans, Paulo de Carvalho, Ivan Lins, Paulo Bragança, Rosana, Martinho da Vila, Fafá de Belém, J.P. Simões, Tommy Campbell, Steve Thornton, Mike Ryan, Jane Butler, Sérgio Godinho, Vitorino, Filipa Pais, Lúcia Moniz, Janita Salomé, George Witty, Moonspell ou Mafalda Sacchetti. O seu caminho conta ainda com mais de 90 discos em que participou e com uma quantidade de distintos espectáculos pelo mundo, como, em exemplo (e sem ordem cronológica): uma tour no Japão com Sadao Watanabe em 2003, o South Africa Tour, com Sadao Watanabe (incluindo a participação no North Sea Jazz, Festival na Cidade do Cabo no ano de 2004), uma tournée em várias cidades de Itália, também em 2004, durante 15 dias, a celebração do Buddhist Temple (em Outubro de 2002) em Nara num concerto com Sadao Watanabe, concertos na televisão japonesa (NHK) e Tokyo FM em Julho e Agosto de 2002, a abertura da World Soccer Championship no Japão em Maio de 2002, uma tour pela Europa em Novembro de 2001, uma tour pela Ásia, com Sadao Watanabe, passando no mês de Outubro de 2001 por Taiwan, Hong Kong, Singapura, Malásia, a participação no Jazz and World Music Festival, em Outubro de 2000, o Japan Summer Tour em Julho também do ano 2000, o Blue Note Tokyo (4 concertos em Junho de 2000), o Kirin the Club Festival emTokyo no mês de Junho do ano de 1999, o Concerto Especial de Natal com Sadao Watanabe na NHK TV em 1998 (Tokyo), etc. Sem esquecer que, em Portugal, Ruca conta com o seu trabalho/participação musical em ocasiões diversas como: Cerimónia de Abertura da RDP Africa, Cerimónia de Eunice Muñoz, Festival Direitos Humanos das Nações Unidas, Participação no CD Red Hot Lisboa, EXPO 98, Concerto com General D, concerto de A Fúria Açúcar (de 1992 a 2005 integrou o grupo) no Centro Cultural de Belém, Festival da cidade de Évora, etc. Percussionista de Madredeus e banda Cósmica – de 2008 a 2010 – (com 3 fonogramas gravados e um DVD no Teatro Ibérico), em "La Serena" com Teresa Salgueiro Lusitânia Ensemble, nos concertos em Portugal, de 2006, com Paulo de Carvalho e Ivan Lins, com Rão Kyao desde 2003 (que lhe permitiu a presença em concertos por diversos locais, até agora, como Itália, Brasil, Angola, Marrocos, França, Espanha, Portugal e Cabo Verde), integrante da banda de Paulo de Carvalho desde 2005, na tournée com Martinho da Vila no ano de 2000 (em São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro), convidado de Moonspell no Coliseu em Lisboa (2000) ou participação em Tocarufar de/com Rui Junior, é já um Mural considerável de espaços geográficos, esferas musicais e intervenientes no âmbito com que Ruca Rebordão se tem cruzado. Nesta recolha de entrevista fala de alguns deles, mas expressa também a escassez de apoios estatais ou comprometimento com a música popular (com ligação à diáspora e de um modo geral) no ensino e no espaço público, do seu crescente interesse pelas percussões (que podia estar uma vida inteira a descobrir e tocar como reforça nesta conversa), das referências que as passagens por vários locais - com várias gentes e especificidades musicais distintas - lhe trouxeram, do estar em Portugal com olhos no/para o mundo e, entre outras ideias patenteadas na recolha, da importância do atentar as raízes transmitindo-as aos mais (e menos) jovens através da sua recriação. © Ruca Rebordão à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo Direitos Reservados Mural Sonoro http://muralsonoro.com/
33ª recolha de entrevista BI: Marta Portugal Dias nasceu em 1981 em Lisboa. É uma bailarina, coreógrafa e pesquisadora de danças romenas ciganas. Licenciada em Dança (Criação e Interpretação) pela Escola Superior de Dança de Lisboa no ano de 2010, iniciou a os seus estudos como autodidata dez anos antes. Interessada pela dança do Médio Oriente, viajou por vários países, como a Turquia e Marrocos. Na Roménia, actuou no Festival Tábor Cygánifolklór. Aprendeu romeno e viajou várias vezes para a Roménia. Estudou Roman Havasi (dança cigana turca) em Istambul, com Reyhan Tuzus, e Dança Cigana russa, com Pétia Lourtchenko, em Lisboa e Paris. Nesta recolha fala do início da sua aprendizagem em dança cigana, em diversos festivais e junto de várias comunidades ciganas da Roménia, da experiência que foi viver na casa da família de um dos membros da famosa banda romena Taraf de Haidouks, das diferenças coreográficas, instrumentais e de repertórios nas variadas comunidades ciganas que conheceu e de qual dessas comunidades, com que conviveu na Roménia, está em maior número em Portugal (nomeadamente na cidade de Lisboa), da importância de uma maior abertura programática no Festival Todos (Caminhada de Culturas), que ocorre sobretudo em Lisboa (entre as zonas do Intendente e Poço dos Negros), na falta de incentivos para a difusão de práticas coreográficas e performativas regulares com este cariz em palcos, ou no Conservatório de Dança ou Escola Superior de Dança, fundamentalmente por ainda serem, por cá, uma novidade, de alguns dos workshops que dá e de algumas características comportamentais da comunidade cigana ligada à música e às artes performativas e de espectáculo, e da comunidade portuguesa no geral, etc. © Marta Portugal Dias à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo muralsonoro.com foto de Mónica Roncon (bailarina, coreógrafa, pesquisadora) recolha realizada em Residência Artística do Intendente
33ª Recolha de Entrevista
Fotografia: Mónica Roncon
44ª recolha BI: José Braima Galissá nasceu em 1964 em Gabú (Leste da Guiné-Bissau, capital do antigo império de Gabú de onde é oriundo o próprio nome). É músico e tocador de korá. Foi compositor do Ballet Nacional da Guiné-Bissau, responsável Instrumental do mini Ballet Nacional e professor de Korá na Escola Nacional de Música José Carlos Schwarz durante 11 anos. Já participou em actividades culturais em vários países. Fez três viagens a Portugal, mas fixou-se numa altura em que eclodia a Guerra Civil (1998), sobretudo pelos projectos culturais para os quais passou a ser solicitado. Filho de um músico de Kora nascido na Guiné-Bissau, no seio de uma família Mandinga (uma das etnias do país). O seu nome advém de uma família de "djidius" que tocam Kora (além dos Galissa há os Djabaté, Kouyaté, os Sissokhos e outros apelidos). Em 1999 trabalhou com o Teatro São João do Porto e no ano em que Coimbra foi a capital da cultura, foi contratado pela a companhia de teatro Tetrão. Realizou concertos com o músico português Gil Nave, participou em programas de rádio e televisão (Antena 2, RTP Internacional, Rádio Renascença, RTA - Rádio Televisão de Angola, no programa Kandando - e RDP África, entre outros), participou em concertos realizados por iniciativa da EXPO98, e Porto 2001, e em trabalhos discográficos de João Afonso, Amélia Muje, Herménio Meno, na colectânea "Mon na mon", Blasted Mechanism, Chac, Sara Tavares entre tantos outros. Galissá é integra também (e é mentor) do grupo Bela Nafa (que significa 'Benefício Comum'). Nesta recolha de entrevista, além da captação de voz e kora de Galissá, o músico alude à sua infância e ao facto de ter aprendido o instrumento Kora com 5 anos de idade pela mão do seu pai na sua região natal (Gabú), de ter, em meados de 1979, iniciado o seu percurso musical (primeiramente com os pioneiros "Abel Djassi"), de ter acesso à escola e com eles participar em acampamentos da juventude na Guiné e pelo mundo fora, dos eventos realizados em intercâmbios culturais com jovens de Cabo-Verde, Senegal, Guiné-Conacri, Portugal e outros países europeus, da sua ida para Bissau onde começou a estudar música, da sua participação no FITEI , e na antiga FIL (em 1998 e 1999 respectivamente), da relevância da cultura mandiga (e outras) pelo mundo e particularmente na Europa e em Portugal, dos projectos de teatro onde colaborou, de conferências que tem dado a alunos na área de especialização em Etnomusicologia, mas também, entre outras ideias patenteadas na conversa, de alguns dos concertos que tem todas feito, país. de cursos em que se envolveu com alunos da Escola Superior de Educação de Lisboa e da Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa sobre 'música e literatura africana' , 'cultura guineense', etc. © 2012 Braima Galissá à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo Captação de instrumentos (voz e korá) de Nuno Santos recolhas efectuadas em Residência Artística do Intendente e Sport Clube Intendente fotos de Augusto Fernandes
44ª Recolha de Entrevista e instrumentos: korá e voz
© 2012 Perspectivas e Reflexões no Campo
Captação de instrumentos (voz e korá): Nuno Santos (a.k.a Chullage)
Fotografias: Augusto Fernandes
Mural Sonoro na residência artística do Intendente (LARGO Residências)
27ª recolha de entrevista BI: Nataniel Melo nasceu no Porto no ano de 1976. É um músico e autor português filho de pai açoriano e mãe transmontana, que vive em Lisboa há 14 anos. Começou por tocar com apenas 14/15 anos teclas num grupo de rock, incentivado por um amigo, e ainda nesse início de percurso, através das referências musicais que gravitavam pelo grupo, se sentiu mais atraído, que os restantes músicos que o acompanhavam nesse seu início, pelos instrumentos de percussão e recorda Santana (atenta ao lembrar o despoletar do gosto por outro género de ritmos e instrumentos que os produziam). Começou a sua viagem física muito cedo - e com ela a pessoal/existencial que já o inquietava no Porto - quando foi três meses para Cuba, onde se rodeou de alguns elementos culturais, próximos de África, que lhe despertaram ainda mais a sua relação com as construções rítmicas que já o cativavam, com os tambores batá, a oralidade e música associada ao culto religioso, mas também géneros como a salsa, etc. Faz parte do grupo Terrakota (um grupo expressivo que reuniu não só músicos de outros países - como Angola, Itália, Portugal, etc - como um conjunto de manifestações culturais na sua música expressas pelas performances e instrumentos que acompanham a história do grupo, como: djambés, congas, darbuka, batà, repenique, didjeridoo, sabar, tama, balafon) e nos últimos 10 anos (naquele que designa como o 'período de Inverno' do grupo Terrakota e que vai de Dezembro a Março) viajou e fez recolhas de instrumentos, manifestações culturais e musicais em países como Senegal (onde já esteve cerca de 8 vezes), Guiné, Cuba, etc. Esteve para ingressar no curso de Antropologia Musical (ligada aos Estudos Africanos) em Inglaterra, mas coincidiu com o ano em que se cruzou com os restantes elementos do grupo Terrakota, onde optou por ficar. Nos últimos 14 anos, em que se radicou em Lisboa, mas com viagens anuais a outros pontos do mundo, como os já mencionados, não deixou de fazer trabalho de campo com ligação à diáspora e ao conhecimento que tem absorvido. Fez e faz Documentários baseados nas suas recolhas e utiliza-os no serviço comunitário na zona de Lisboa em que vive, sobretudo. Nesta recolha de entrevista fala da falta de capacidade local (na cidade de Lisboa) para sustentar obras de cariz comunitário, social e cultural apesar da aparente 'multiculturalidade' lisboeta que diz até 'traiçoeira', do seu operar ser feito, apesar das contrariedades e dificuldades que o meio em que vive lhe apresenta, de um modo individual activo (nas oficinas de instrumentos com materiais reciclados que já criou, nas aulas de sabar e percussão que agiliza apesar da falta de incentivos autárquicos, etc), acredita que a viagem fornece ao indivíduo actuante neste âmbito um enriquecimento que um mundo de acesso tecnológico, aparentemente mais facilitador a essa pesquisa, jamais trará e reflecte sobre a importância em o sítio migratório que é Lisboa, no qual desenvolve o seu trabalho, estar atento, receptivo e participativo ao enriquecimento que só um conhecimento mais próximo das várias culturas que o formam e nele permanecem há um tempo vital (com as suas músicas, 'tradições' e performances) poderá possibilitar que tal aconteça. © Nataniel Melo à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo Direitos Reservados Mural Sonoro http://muralsonoro.com/ recolha efectuada na Mouraria (em Lisboa) na casa de Nataniel
27ª recolha de entrevista
Quota MS_0004 Europeana Sounds
© 2012 Perspectivas e Reflexões no Campo
ver: 27ª recolha de entrevista Mural Sonoro Nataniel Melo Instrumentos utilizados: morchang e tabla (Índia) gaita e maraca (Colombia) tambores batá e teclas ('Afro-Cuba') © 2012 Direitos Reservados Mural Sonoro
14ª Recolha de Entrevista
Only with permission
Quota MS_0002 Europeana Sounds
Fotografia: Alexandre Simões (Flapi)
14ª recolha de entrevista BI: Kimi Djabaté nasceu na aldeia de Tabato, Guiné-Bissau, em 1975. É um músico que reside desde 1995 em Lisboa. Desde os 3 anos que toca, muitas vezes porque os pais o incitavam a isso, chegou a tocar para a Corte (um Rei) e em casamentos de ‘realeza’ e desde a adolescência que fez viagens, acompanhado sobretudo de músicos mais velhos, sempre a tocar. A sua primeira gravação musical aconteceu na Guiné em 1989, com ‘Balafon de Tabato’(em alusão à aldeia onde nasceu) e do qual também o seu pai fez parte. Toca e constrói os intrumentos vários que toca (balafons, koras, tamas, etc) desde que se conhece. “Um bom tocador tem de saber construir o seu instrumento”, reflecte. Oriundo de uma família ligada à música, onde teve a possibilidade de desde cedo receber formação na área da ‘música tradicional mandinga’, foi evoluindo como músico junto de outros com quem acabou por colaborar, caso de músicos como Mory Kanté, Waldemar Bastos, Netos de Gumbé, entre outros. Sempre cantou na sua língua originária e em conversa comigo diz: “a integração do migrante cabe ao próprio migrante”, sem se anular a si mesmo. Em 2005, lançou o seu primeiro álbum a solo, ‘Teriké’ e em 2009 ‘Karam’. Nesta recolha reflecte sobre a sua forte ligação com a herança da ‘música tradicional griot’, que teve o seu berço na região ocidental de África, a ‘música tradicional Mandinga’, com que cresceu, e potenciou o seu interesse por outras práticas coreográficas (como a dança local 'gumbé') e musicais (como o 'afrobeat', a 'morna' ou os 'jazz' e 'blues'), os instrumentos, os músicos com que se tem rodeado, as dificuldades de aceitação do seu primeiro fonograma em Portugal, o circuito musical em que opera em Portugal e os países onde já tocou - Senegal, Mali, Costa do Marfim, França, etc - o aspecto biográfico de um disco como ‘Karam’, as vantagens e dificuldades em chegar a um público cantando no seu dialecto e, entre outros assuntos, a vontade de regressar à Guiné-Bissau podendo ajudar na evolução cultural e económica do país (e aldeia) que o viu nascer. © Kimi Djabaté à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo nota: paisagem sonora incluída curiosidade: O tema ‘Kodé’, do fonograma Karam, foi composto por Milton Gulli e gravado pelos Cacique´97, depois incluiu-se a kora do Brahima Galissa e a voz e balafon do Kimi Djabaté. Além do disco Karam de Kimi Djabaté, o tema acabou por figurar no disco de Cacique´97. Direitos Reservados - Mural Sonoro http://muralsonoro.com/ nota: recolha efectuada na zona do Chiado (em Lisboa)