93ª Recolha de Entrevista
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93ª Recolha de Entrevista BI: António Parreira nasceu no ano de 1944 em Monte das Taipas, concelho de Grândola. É um dos guitarristas mais consolidados no Fado e professor no Museu do Fado. Pai de dois guitarristas, a quem passou, cumprindo os desígnios de transmissão oral a que estão associadas as práticas musicais no domínio da cultura tradicional, o gosto pelo instrumento e pelo Fado: Paulo Parreira e Ricardo Parreira. Ambos guitarristas profissionais. Conta nesta recolha como desperta o interesse pela prática deste instrumento musical. Primeiramente influenciado pelo tio, tinha apenas 11 anos de idade, através do único tema que o mesmo tocava com regularidade,"Fado Corrido no 5º ponto", que António consegue identificar mais tarde como o do tom 'Sol Maior', a partir do qual aprende as outras tonalidades, explica ainda o modo como a rádio, sobretudo os programas da Emissora Nacional e a forma de tocar de José Nunes, o influenciaram igualmente e como se inicia muito jovem, ainda no Alentejo e de modo amadorístico, tocando nas chamadas “tascas” situadas nas várias aldeias vizinhas. Reflecte ainda sobre outras referências, como o guitarrista Alcino Frazão e o fadista Manuel de Almeida. Cedo começa a receber convites para tocar. Primeiro acompanhado por violistas da região, dos quais destaca Luís Duarte, Joaquim do Moinho da Cruz e Carlos Carvalho, depois, aos 14/15 anos, na Tasca do Faúlha de que era proprietário Jorge Chaínho, pai de António Chaínho, ambos guitarristas. Inicia-se na viola, acompanhando o guitarrista em pequenas actuações por mais de 3 anos, especialmente pelo facto de António Chaínho não ter à altura, para António Parreira, um violista para o acompanhar e verem em António Parreira «uma pessoa com jeito para tocar a viola de fado». No ano de 1965, já recuperado de uma doença renal que o obrigou a distanciar-se da prática regular ao vivo deste instrumento entre os 17 e os 19 anos, António Parreira ingressa no serviço militar e posteriormente segue-se uma permanência em Moçambique. É neste período que reacende o seu gosto, estudo e dedicação exclusivos à guitarra portuguesa. Actuou em diversos espectáculos, com destaque para os que tiveram lugar no Malawi, ex Rodésia, África do Sul, Angola e Moçambique, sempre acompanhado pelo violista Francisco Gonçalves, seu camarada da tropa e parceiro de música, desde essa fase, ao longo de cerca de 33 anos (1965-1998) como reforça na conversa. A profissionalização efectiva como guitarrista dar-se-ia no momento em que Augusto Damásio, um amante da guitarra portuguesa, apresenta António Parreira ao proprietário da casa de fado Guitarra da Madragoa. Estreou-se como guitarrista profissional em 9 de Maio de 1969. Nos anos de 1970 o guitarrista integraria o elenco do restaurante típico Guitarra de Alfama, ao que se seguem a Taverna d´ El Rei, Fragata Real, Abril em Portugal, Parreirinha de Alfama, Luso, Arreda e Forte Dom Rodrigo, estes últimos situados na zona de Cascais, e na época propriedade do fadista Rodrigo. É a acompanhar Rodrigo à guitarra que António Parreira se desloca quer em espectáculos nacionais como internacionais, com destaque para as apresentações na Rádio Televisão Espanhola, no programa "Festival" da TV Globo, “Festival das Nações” em Joanesburgo e em actuação durante três semanas no Casino de Monte Carlo. Em 1973 edita o seu primeiro fonograma a solo, "Guitarras de Portugal", acompanhado à viola pelo companheiro de longa data Francisco Gonçalves. Deste registo destaca-se o arranjo musical de temas como “Milho Verde” e “Variações sobre o Fado Lopes”. Entre 1976-1980 António Parreira complementa a sua aprendizagem e frequenta aulas particulares com o Prof. alemão Zieg Fried Zugg, aprendendo a ler e a escrever música. António Parreira acompanharia, além de Alfredo Marceneiro, o fadista António Mourão em espectáculos no Japão, Austrália, Macau, Nova Zelândia, toda a Europa ocidental, Estados Unidos da América, Canadá, Venezuela, Colômbia, Brasil, Argentina, Uruguai, países de África, nomeadamente a África do Sul entre outros países (...) Som, Texto (completo em «Arquivo e Documentação Mural Sonoro» no Portal: www.muralsonoro.com), Pesquisa: Soraia Simões Fotografias: Helena Silva Recolha efectuada em: Museu do Fado