Até sempre José Pracana (S. Miguel, Açores, 18 de Março de 1946, 26 de Dezembro de 2016)

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Até sempre José Pracana (S. Miguel, Açores, 18 de Março de 1946, 26 de Dezembro de 2016)

Meu querido e grandioso José Pracana:

É a primeira vez que finalmente, depois de tanto teres pedido, te consigo tratar por tu. Tantas horas de conversa, tanto que contigo aprendi sobre Fado e até sobre mim. Dizias quando me vias ‘’lá vem a minha Coimbrinha favorita com o punho fechado’’. Nunca gostei da expressão ‘’Coimbrinha’’, ela fazia parte das nossas saudáveis picardias. Tínhamos posições ideológicas muito distintas, mas (sem me lembrar de tal antes me ter acontecido em contraposições semelhantes) acabávamos quase sempre a concordar em alguma coisa. Sempre que vinhas a Lisboa queria saber, sabia também que perguntavas por mim ao Paulinho d' A Muralha Tasca Típica. E encontrávamo-nos lá. Eram tardes deliciosas de aprendizagem, à boa maneira da tradição oral.

No último ano não consegui andar tanto por Alfama, fruto de outros trabalhos de pesquisa que apontaram para diferentes rotas geográficas e culturais. Durante dois anos passámos muitas tardes e noites n' A Muralha Tasca Típica e na Cafetaria do Museu do Fado a discorrer sobre o estado de muitas ‘’coisas’’. Essa palavra indefinida que não gostavas que usasse e da qual, sempre que a usámos em contextos diversos, tantas vezes rimos em conjunto. Foste talvez a pessoa com quem mais aprendi sobre Fado e acerca das poesias que há no Fado. A pessoa com quem conheci tantas outras gentes do Fado. Muitas noites e tardes de guitarradas. Onde aprendi as diferenças entre o ‘’Fado Mouraria’’, o ‘’Menor’’ ou o ‘’Corrido’’.

Fui no Verão aos Açores, a tua terra, e não consegui já visitar a tua ‘’Casa Museu’’, para a qual tantas vezes me convidaste, já estavas doente e os telefonemas no último ano eram muito escassos. Soube hoje pelo Mural do Jose Manuel Neto que tinhas partido. E, ironicamente, recebo esta notícia em Coimbra, cidade de que tanto gostavas e de que tanto falaste, quer nos programas passados que tiveste na RTP exercendo um serviço público de altíssima qualidade, como nas palestras e sessões que davas, a convite, nos últimos anos. Apesar da tua extensa bibliografia e conhecimento sobre Fado e Canção de Coimbra e do teu amor pela guitarra, o teu entusiasmo, quando te falei na existência de um dos construtores de Artur Paredes - Raul Simões-, foi tal que o passaste a divulgar em todos os teus encontros e sessões muitas para as quais eras convidado, inclusive na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - FCSH NOVA
Foste um companheiro grande e uma bússola fantástica no meu trabalho de campo neste domínio e um ser humano formidável que estará sempre no meu coração.

Fiz uma selecção de alguns dos nossos momentos e de sessões que organizei e moderei no âmbito do Ciclo ‘’Conversas à volta da guitarra portuguesa’’ inserido no meu trabalho no Mural Sonoro e onde te encontrava, sempre com muito agrado, orgulho e entusiasmo, na assistência.

A bem ver, experienciar a partida física inesperada de alguém próximo não é nada mais, tenho aprendido, que experimentar a importância oferecida pela sua presença nas nossas vidas. É aí que a morte habita. Ou não. Dentro de nós.

Da ‘’Coimbrinha favorita com o punho fechado’’ um Beijo do tamanho do teu coração. Até sempre.

Soraia Simões

 

Fonte Arquivo RTP aqui >>>

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Música no meio ou meio com música?, por Soraia Simões

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Música no meio ou meio com música?, por Soraia Simões

por Soraia Simões [1]

opinião

As razões que contribuíram para os meios fonográficos se tornarem reprodutores de música confundem-se com as razões subjacentes ao uso e comercialização de uma ‘música erudita’ e de uma ‘música popular’. Seja os discos e as plataformas online, mais tarde, como meios de reprodução seja os instrumentos e a maquinaria adaptados ao mercado musical.

As razões pelas quais, não obstante da sua capacidade material representar uma experiência estética (e/ou técnica) distinta, os discos foram entendidos como formatos de um “som original” tornou-os essenciais para uma configuração social que se adaptou ao contexto social durante a segunda metade do século XX e que fez com que despontassem no meio musical opinadores sobre o formato final e não sobre a música em si mesma, mesmo nos meios de uma ‘música erudita’ em que o debruçar sobre a partitura se trocou pela opinião sobre o disco que fixou essa música, e a opinião transmitida em círculos sem ligação anterior a uma teoria ou leitura musical formal.

Para se entender o papel dos veículos de comunicação na cultura contemporânea tornou-se imprescindível abordar o seu cariz histórico-social.

No cariz social do meio sonoro-musical existe uma tendência para eleger a tecnologia como factor desencadeador de processos sociais.

Todo o meio se passou a assumir como uma entidade autónoma dos seus contextos sociais e históricos, no qual o efeito sensorial da tecnologia sobre o indivíduo e suas consequências na sociedade o foi transformando num motor da evolução social, uma extensão do humano e, até, incorpóreo, na medida em que a visão de uma nova sociedade – de uma ‘aldeia global’ – vira costas aos tradicionais valores que governavam as relações entre as pessoas e passa a ser o objecto final, e não a ligação directa e sequencial ao meio musical desde o momento em que a ideia surge até à sua organização (pauta, junção de harmonia/melodia/ritmo/dispositivos e materiais diversos), a causa. O meio existente passou a ser a causa e tudo o resto os efeitos sobre a mesma.

Para mim, uma das consequências mais negativas deste formalismo é fazer refém de uma perspectiva limitada uma série de factos complexos, que não passam pela materialidade do meio. O terem-se preterido aspectos fundamentais, como os significados da técnica num determinado tempo na sociedade e os seus efeitos sociais. Problemáticas sobre as quais as determinações político-económicas e científicas contribuíram para que alguma tecnologia fosse implementada e se tornassem, para muitos, despropositadas, ainda que se saiba, na prática, que são fundamentais.

A organização social dos meios fonográficos em bens culturais (desde os esforços científicos, para a reprodução sonora, que levaram à criação do telégrafo, ao veicular de impulsos eléctricos como informações por redes de receptores com e sem fio, ou necessidade de registar esse fluxo de informação) faz parte de um contexto historicista em toda a música, que a transformou em si mesma num produto de entretenimento assente numa indústria de comunicação muito desatenta ou que delega para segundo plano o envolvimento com os processos de criação.

 Fotografia da minha autoria tirada durante entrevista realizada na ''Casa Museu'' de Nuno Siqueira, disponível em:  Nuno Siqueira, História Oral Mural Sonoro

Fotografia da minha autoria tirada durante entrevista realizada na ''Casa Museu'' de Nuno Siqueira, disponível em: Nuno Siqueira, História Oral Mural Sonoro

[1] para citar esta opinião: Simões, Soraia «Música no Meio ou Meio com Música?», plataforma Mural Sonoro em 19 de Dezembro de 2019, https://www.muralsonoro.com/recepcao.

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6 anos de MURAL SONORO!

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6 anos de MURAL SONORO!

Faz hoje seis anos que resolvi criar um trabalho inteiramente on-line.

Ligação umbilical ao meu trabalho: ponto de convergência de vozes, culturas e músicas distintas, resultado de tempos e espaços diferentes que, por várias razões justificáveis num portal com lente própria, assinala hoje 6 anos de existência. Pintado ficou numa das paredes para onde olho todos os dias para não esquecer nunca os propósitos pelos quais trabalho que são os mesmos pelos quais me afasto daqueles com os quais não quero trabalhar.

Obrigada aos companheiros que fazem parte do meu quotidiano e com os quais tem sido um gosto grande crescer e trabalhar.

Ao João Fontes da Costa em particular que me incentivou em 2014 a criar, partindo de todo o trabalho e projectos realizados no âmbito, uma organização com o mesmo nome.

Saudações sonoras, culturais e académicas.

Avante!

  © 2016  José Fernandes (Associação Mural Sonoro)

© 2016 José Fernandes (Associação Mural Sonoro)

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ROTEIRO CULTURAL POR UM JARDIM (29 de Outubro) - Vencedor Orçamento participativo de Lisboa (28 de Novembro)

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ROTEIRO CULTURAL POR UM JARDIM (29 de Outubro) - Vencedor Orçamento participativo de Lisboa (28 de Novembro)

Já conhecem o Jardim do Caracol da Penha?

Se não sigam a sua página aqui no Facebook para ficarem a conhecer.

O Caracol da Penha é ''o último vestígio de uma vivência rural que outrora existiu nesta zona hoje densamente urbanizada de Lisboa. Esta memória rural está patente nas múltiplas árvores de fruto que ocupam os socalcos desta antiga quinta de 8.000 m2 – um espaço que nós queremos que seja de todas as pessoas''.

O projecto para a construção de um parque de estacionamento é pela primeira vez apresentado em público, confirmando a exiguidade das zonas disponibilizadas para usufruto da população.


A Associação Mural Sonoro e outras organizações locais estão com o movimento pela criação de um Jardim e preservação deste espaço verde. E vocês habitantes e visitantes de Lisboa? Vão deixar que isto aconteça? 

 

Hoje o meu/nosso bairro sai à rua reivindicando um jardim em detrimento de mais um parque de estacionamento - Jardim do Caracol da Penha. A Associação Mural Sonoro juntou-se ao repto com a vizinhança. Na Padaria Saudade encontrarão uma exposição em vídeo durante o dia de conversas que mantive com pessoas que aqui vivem ou trabalham desde 1926 intitulada ''Memórias do Bairro'', encontrarão nela um pequeno texto que escrevi acerca da importância da memória e da sua relação com o espaço físico de vivência e encontro.
O Movimento pelo Jardim do Caracol da Penha reúne todos e todas num roteiro cultural que pode ser aqui consultado: http://www.caracoldapenha.info/copy-of-quem-somos
A iniciativa surge depois de, em Setembro, a maioria dos moradores de Arroios e Penha de França ter rejeitado a intenção da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) de construir, na encosta da Penha de França, um parque de estacionamento. Pede-se a requalificação do local para a criação de um jardim público.
Juntem-se, assistam e participem.
(Soraia Simões, Assoc.Mural Sonoro)

O programa , aqui >>>>>

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Workshops Projecto RAPortugal

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Workshops Projecto RAPortugal

O projecto RAPortugal 1986 - 1999 contou, além do Ciclo de Conferências e Debates com início a 7 de Setembro de 2016 e termino a 22 de Janeiro de 2017, com um Ciclo de workshops que tiveram como principal objectivo aproximar outros lados do RAP e da 'cultura hip-hop' do mundo escolar, especialmente do ensino secundário.

Da parceria estabelecida entre a Associação Mural Sonoro e a Associação Cultural Moinho da Juventude no âmbito do projecto RAPortugal 1986 - 1999 resultaram um conjunto de acções/workshops em escolas e espaços culturais situados na Reboleira, Amadora, Cova da Moura.

REALIZAÇÃO DOS WORKSHOPS

Flávio Almada, Jakilson Pereira

Produção: Associação Mural Sonoro, co-produção: Associação Cultural Moinho Da JuventudeCâmara Municipal de Almada, Escola Intercultural das Profissões e do Desporto da Reboleira, FIAR.

(Re) educar através do RAP: Reacção Através da Poesia

Objectivo

Despertar o interesse para a escrita, utilizar o RAP como uma expressão da realidade quotidiana vivida por este grupo de adolescentes, que grande parte das vezes não é discutida na sala de aula.

Meta

Articular o ensino formal com o informal.

Método

Trabalhar os conceitos através de jogos de palavras

 

PROGRAMA

Tema: Descrição da realidade através da palavra

Formadores: Flávio Almada, Jakilson Pereira

Público-alvo: 12 - 15 anos

Espaço: Associação Cultural Moinho da Juventude

8 de Outubro

a partir das 15:00

 

Bravo a estes meninos e a estas meninas com tanta perspicácia e criatividade que conseguiram fazer a minha tarde com a sua destreza no improviso e no retratar das suas realidades em modo de "poesia rap" (em crioulo). 1º Workshop integrado no projecto RAPortugal 1986 - 1999
Tema: Descrição da realidade através da palavra

 Soraia Simões (Direcção Associação Mural Sonoro a respeito do primeiro workshop realizado na Associação Cultural Moinho da Juventude)

Formadores: Flávio AlmadaJakilson Pereira 

  Jakilson Pereira fotografia

Jakilson Pereira fotografia

 

3 de Novembro

a partir das 15:00

Tema: Poesia de periferia?

Formador: Flávio Almada

Público-alvo: 12 - 15 anos

Espaço: Escola Intercultural das Profissões e do Desporto (Reboleira)

 

Excedemos as nossas expectativas!

60 jovens agora no auditório da Venda Nova, Escola Intercultural das Profissões e do Desporto, para receber o 2º workshop integrado no projecto RAPortugal 1986 - 1999
Tema: Poesia de periferia?
Formadores: 
Flávio Almada e Jakilson Pereira

Uma feliz parceria, neste eixo do projecto, da Associação Mural Sonoro com a Associação Cultural Moinho Da Juventude e a Escola Intercultural das Profissões e do Desporto (Direcção Associação Mural Sonoro a respeito do segundo workshop realizado com o apoio da Associação Cultural Moinho da Juventude e da Escola Intercultural das Profissões e do Desporto (Reboleira)

História Oral com LBC Soldjah (2012)

Flávio Almada

Flávio Almada, nasceu em São Domingos, Santiago, Cabo Verde, em 1982. É licenciado em Tradução e Escrita Criativa pela Escola de Comunicação, Arquitectura, Artes e Tecnologias da Informação (Lisboa) em 2013 e mestrando em Estudos Urbanos na FCSH/ISCTE. Há catorze anos que reside em Portugal e durante esses anos trabalhou em projetos ligados ao Desenvolvimento artístico e cultural, Cidadania e Educação Cultural, Economia solidária, Inclusão Digital, Coesão e Inclusão através da Arte, Desenvolvimento Comunitário em várias localidades da Área Metropolitana de Lisboa. É Mc’s (Rapper), ativista político e Membro da Direção  e colaborador da Associação Cultural Moinho da Juventude. 

História Oral com Hezbó MC (2012)

Jakilson Pereira

Licenciado em Educação Social pela Escola Superior de Santarém/Instituto Politécnico de Santarém e mestrando em Educação e Sociedade no ISCTE, possui formação complementar diversa, nas áreas da cidadania e intervenção juvenil. É técnico superior de educação social na ACMJ, onde desempenhou diversas funções desde 2011.

Desde 2011, é responsável pela Biblioteca António Ramos Rosa e administrador do Balcão do Cidadão de Cabo Verde na Associação Cultural Moinho da Juventude, emite: registo criminal, certidão de nascimento, certidão de casamento, certidão de óbito, certidão de perfilhação, sendo este um dos serviços que integra o núcleo de apoio à documentação e apoio jurídico da associação. O desempenho destas funções tem-lhe dado, entre outros aspectos, grande prática e proximidade com o Serviço de Estrangeiro E Fronteiras e Conservatória do Registo Civil para pedido de nacionalidade Portuguesa.

Colabora com Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra no Projecto “Alice” - Colóquio Internacional Epistemologias do Sul, desde 2014. 

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Miratejo Represent: territórios e identidade, 15 de Novembro de 2016 – terça-feira pelas 16.00 na Casa Amarela, Laranjeiro, Almada

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Miratejo Represent: territórios e identidade, 15 de Novembro de 2016 – terça-feira pelas 16.00 na Casa Amarela, Laranjeiro, Almada

A quinta sessão do Ciclo de Conferências e Debates do projecto RAPortugal 1986 - 1999  coordenado por Soraia Simões aconteceu  no dia 15 de Novembro de 2016 – terça-feira pelas 16.00 na Casa Amarela, Laranjeiro, Almada.

A sessão incidiu nos discursos acerca de identidades e territórios e o modo como a prática do RAP no período histórico traçado neste projecto e na actualidade se desenvolveram.  A sessão contou com intervenções de António Brito GuterresSan Ryse,G Pump PumpstaEdson KeithAna EstevesBiggyBrain K BeatzDani G Mira Squad, Soraia Simões.


evento aqui: evento criado por IHC, FCSH NOVA

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O impacto do RAP no cinema - Visualização 'Cine - Dários' de Edgar Pêra - conversa

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O impacto do RAP no cinema - Visualização 'Cine - Dários' de Edgar Pêra - conversa

A quarta sessão do Ciclo de Conferências e Debates do projecto RAPortugal 1986 - 1999 aconteceu no dia 28 de Outubro 2016 – sexta-feira pelas 18.00 na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa na sala multiusos 2.

A sessão teve como mote o impacto do  RAP no cinema de autor e contou com a visualização de vários pequenos filmes realizados por Edgar Pêra aqui mostrados de um modo público pela primeira vez. São registos que fazem também parte da minha bibliografia de enquadramento no trabalho escrito.  Com Edgar Pêra esteve também X-Sista, uma das integrantes do primeiro grupo RAP feminino a gravar em Portugal, Djamal, que foi filmado por Edgar Pêra durante década de 90.

A reportagem fotográfica é de Pedro Gomes de Almeida.

Soraia Simões

 

 

mais de duas dezenas de fontes orais realizadas durante trabalho de pesquisa usadas, com fontes documentais de época, no livro ''RAPublicar. A micro-história que fez história numa Lisboa adiada: 1986 - 1996'' (no prelo)

 espólio de Djamal (c) direitos reservados cedidos para trabalho de investigação, créditos: Djamal

espólio de Djamal (c) direitos reservados cedidos para trabalho de investigação, créditos: Djamal

Reportagem fotográfica

 

 

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RAPromoção e publicações de conteúdos nos anos 1990

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RAPromoção e publicações de conteúdos nos anos 1990

A terceira sessão do Ciclo de Conferências e Debates no âmbito do projecto RAPortugal 1986 - 1999 aconteceu no dia 11 de Outubro no LARGO Café Estúdio. A sessão teve como título ''RAPromoção e publicações de conteúdos nos anos 1990''. À conversa com Soraia Simões estiveram  José Mariño (autor durante este período dos programas Novo RAP Jovem e ReptoDjoek Varela (rapper que inicia o seu percurso durante este período cantando maioritariamente em crioulo de Cabo Verde) e António Pires (chefe de redacção do então jornal Blitz onde se iniciou em 1986 e permaneceu durante vinte anos).

Ciclo de Conferências e Debates no âmbito do projecto RAPortugal 1986 - 1999 financiado pela Direcção-Geral das Artes
Reportagem fotográfica de Pedro Gomes Almeida 

Nesta sessão falou-se da relação entre a promoção e divulgação de conteúdos no domínio da rádio e da imprensa nacional e o RAP e ''cultura hip-hop'', de relações de proximidade e resistência.

 

As sessões anteriores, temas e convidados, podem ser consultados aqui: http://www.muralsonoro.com/qd-intro

 

 

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RAProduzir: da QY10 ao estúdio de gravação

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RAProduzir: da QY10 ao estúdio de gravação

A segunda sessão do ciclo de Conferências e debates do projecto RAPortugal 1986 - 1999 decorreu no Centro Cultural Juvenil de Santo Amaro - Casa Amarela, no Laranjeiro, dia 28 de Setembro pelas 18.00. Acarinhado e apropriado pela comunidade juvenil, o Centro Cultural Juvenil de Sto. Amaro é também conhecido por Casa Amarela, nome adoptado pelo público em geral. A sessão teve como tema "RAProduzir. Da QY10 ao estúdio de gravação".  Participaram na sessão, a convite de Soraia SimõesFrancisco Rebelo (Cool Hipnoise) e Virgilio Varela (Double V/Grupo Family, Colectânea RAPública, 1994). Além  do enquadramento histórico inicial a cargo de Soraia Simões, houve demonstrações e partilha de algumas das possibilidades, limitações e histórias que a máquina "rainha" para um grupo de jovens rappers no início da década de 90 ofereceu.

Evento aqui

A sessão de abertura deste ciclo decorreu no pátio da FCSH no passado dia 7 e teve como convidados Lince (grupo New Tribe, na colectânea RAPública de 1994), Fernando Rosas (IHC/FCSH NOVA), José Falcão e a moderação de Soraia Simões (IHC/FCSH NOVA, Associação Mural Sonoro). 

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CONFERÊNCIA, Biblioteca Municipal de Penacova - Novos Processos de Preservação e Divulgação do Património Imaterial, 1 de Outubro, 11.45, Soraia Simões

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CONFERÊNCIA, Biblioteca Municipal de Penacova - Novos Processos de Preservação e Divulgação do Património Imaterial, 1 de Outubro, 11.45, Soraia Simões

1 de Outubro - 11.45, Biblioteca Municipal de Penacova - Novos Processos de Preservação e Divulgação do Património Imaterial, Comunicação de Soraia Simões "Mural Sonoro: Memórias e sons locais sem paredes"

Info:

A Câmara Municipal de Penacova tem a decorrer desde 1 de Julho o ciclo de Conferências sobre o Património Imaterial de Penacova. A 1 de Julho a conferência versou sobre literatura oral, no dia 5 de Setembro sobre Museus e Património Cultural Imaterial.

Soraia Simões (Instituto de História Contemporânea - FCSH NOVA, Associação Mural Sonoro) é uma das conferencistas convidadas pela Vereação da Cultura da Câmara Municipal de Penacova para a Conferência de dia 1 de Outubro sobre música, arquivos e memória.

Apresentará uma comunicação de cerca de 40 minutos com o título ''Mural Sonoro: Memórias e sons locais sem paredes''.

Convidamos quem andar por perto este sábado a assistir. A entrada é livre. Mais informações: Largo Alberto Leitão, 5 | 3360-191 Penacova www.cm-penacova.pt | geral@cm-penacova.pt

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RAPoder no Portugal urbano pós 25 de Abril, FCSH NOVA

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RAPoder no Portugal urbano pós 25 de Abril, FCSH NOVA

A Associação Mural Sonoro partilha neste vídeo uma amostra das principais questões que abrem o primeiro capítulo deste trabalho, com o título '' RAPoder no Portugal urbano pós 25 de Abril''. 

Esta foi a primeira sessão do Ciclo de Conferências e de Debates do projecto RAPortugal 1986 - 1999. Decorreu no pátio da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da FCSH NOVA, Lisboa, no passado dia 7 de Setembro.

RESUMO

Nesta sessão de abertura com duração de duas horas falou-se de uma parte da história da cidade de Lisboa da segunda metade da década de 80 e primeira da década de 90, de política e economia, de discursos e políticas discriminatórias, de racismo e exclusão social, de como a prática do RAP se inscreveu e/ou posicionou neste quadro de transformação económica, política e cultural ora de um modo auto-biográfico (escrita criativa na primeira pessoa) ora na forma de raportagem (escrita criativa sobre modos de observar a realidade na terceira pessoa).

PAINEL

Apresentação/recepção Instituto de História Contemporânea: Paulo Jorge Fernandes (Direcção IHC, Docente FCSH NOVA).

Participantes: Fernando Rosas (Investigador IHC/FCSH NOVA, Docente FCSH NOVA) José Falcão (SOS Racismo), Lince (Grupo: New Tribe, Colectânea RAPública, 1994, BIG BIT). Coordenação do ciclo e moderação: Soraia Simões (Investigadora IHC/FCSH NOVA, Direcção Associação Mural Sonoro).

Tema usado no vídeo: ''Palavras'', grupo: New Tribe, colectânea RAPública, 1994 (Sony Music).


 

Comunicação de abertura do Ciclo de Soraia Simões

 

Boa tarde. Agradeço a presença de todos e de todas.

Agradeço aos que comigo partilharam memórias e arquivos pessoais e ajudaram com isso a que me sentisse próxima do (in) visível e com vontade de realizar este trabalho.
O RAP como qualquer domínio da música popular é um produto da vida quotidiana, como tal é inevitável que haja uma confluência ou uma contrariedade dos acontecimentos, dos factos e dos elementos no seio dos quais ele decorre.

Foi curioso este caminho de encontrar respostas para algumas das minhas questões e perceber em alguns momentos que elas também se tornaram perguntas para as quais alguns dos meus interlocutores passaram a querer arranjar resposta. Recebi dezenas de emails, imagens de arquivo, fotografias pessoais, videos em VHS e outros já transcritos digitalmente.

Foi curioso o modo como entre a segunda metade da década de 80 e meados da de 90 a cidade de Lisboa reagiu a uma série de confrontos sociais e culturais vindos de áreas geográficas ora circundantes ora distantes do centro. Ora se distanciou ora se representou por via daquilo que eram as preocupações, expressas nos discursos e práticas culturais, sonoras e musicais, de gentes vindas dessas áreas.

Senti que há aqui também (pegando numa expressão de Fernando Rosas) uma «organização da ausência de memória», isto é houve e há uma tentativa de limitar as memórias que fazem parte do caderno de afectos daqueles que foram os sujeitos de uma história. Foi ainda ao circunscrevê-la, em fontes, para a maioria da sociedade ao cariz hegemónico da imprensa e do audiovisual uma tentativa de não permanência da leitura dos actores dessa história no panorama nacional da sociedade e da cultura.
Ora é aqui que julgo que a história oral pode ter, e teve, um papel fundamental. A construção de um imaginário político e social ancorado em definições cuja matriz foi parte da discussão interna de um grupo de pessoas que cresceram num espaço social distante do dominante, num domínio onde, sob o ponto de vista musical, sonoro e literário, estava ainda tudo para fazer em Portugal (o do «rap») foi também uma clara apropriação daquilo que eram as ânsias e angústias desses sujeitos e as suas vontades de emancipação no imaginário cultural nacional.

Agradeço, então, as horas de conversa, partilhas de documentos inéditos, de imagens, VHS, poemas que nunca chegaram a ser musicados ou gravações que nunca foram editadas. Em especial: General D, Makkas e Bambino (Black Company), Xana, Tânia, Ângela (Djamal), Tiago Faden e Hernani Miguel (Produtores da colectânea RAPública), Lince e M (New Tribe), Cris, MC Nilton (Lideres da Nova Mensagem), Jorge Furtado (Zona Dread), NBC (Filhos de 1 Deus Menor), João Gomes, irmãos Tozé/Tutin e Djone Santos e às cantoras Maimuma Jalles, Marta Dias (do grupo Karapinhas que acompanhou General D em estúdio e em espectáculos ao vivo), Virgilo Varela (Family), Francisco Rebelo, João Vaz (autor do programa Mercado Negro, de 1986 aos microfones do CM Rádio), José Mariño (autor dos programas Novo RAP Jovem e Repto), Ace (Mind da Gap), Nomen (writter) Janelo Costa (Kussondulola), Edgar Pêra (realizador e autor dos primeiros videoclips de Black Company e Djamal), Ithaka, António Contador e Emanuel Lemos Ferreira (autores do primeiro documento videográfico no âmbito de nome Geraçon Rap de 1995 que será visualizado nestas sessões) e do livro “Ritmo & Poesia : Os Caminhos do Rap” (Assírio & Alvim; 1997), António Pires (chefe de redacção do então jornal Blitz de 1986 até ao fim da década de 90), José Falcão (SOS Racismo), Chullage.

Agradeço também ao meu colega e amigo Ricardo Castro pelo apoio na logística de todo este projecto desde que ele iniciou, à Luísa Sales pelo grafismo dos cartazes deste ciclo, à Diana Barbosa pela comunicação e divulgação, à Mariana Castro pelas transcrições de umas boas dezenas de horas de conversa, ao João Megre pela edição do som e sonoplastia das recolhas de entrevistas que realizei e ficarão disponíveis no final deste mês no portal da Associação Mural Sonoro acompanhadas de partes de textos meus que serão publicados na integra num CD Livro, ao Hugo Silva da Associação de Estudantes da FCSH e à malta do Departamento de Comunicação pelo apoio com o material de som para a sessão de hoje, à Cláudia Montenegro, ao Luís Reis de igual modo pela divulgação. 

Podemos situar as primeiras manifestações de recepção do 'hip-hop' em Portugal entre os de 1984 e 1986. Para isso contribuiu em primeiro lugar o fenómeno passageiro de popularidade do 'break dance' desencadeado pela distribuição europeia de dois filmes produzidos nos EUA que focavam a cultura 'hip-hop' Breakin e Beatstreet de 1984 e em segundo lugar o primeiro programa de radio dedicado a este domínio de nome Mercado Negro, do radialista João Vaz aos microfones do CM Rádio.
No entanto apenas a partir do início da década de 90 é que as expressões do 'hip-hop', em particular do 'rap', começaram a formar um universo juvenil orientado para a sua recepção e para a sua produção.

Um pouco por toda a área metropolitana de Lisboa, com particular interesse em bairros circundantes da cintura de Lisboa, grupos de jovens, na sua maioria descendentes de imigrantes africanos em Portugal, tornaram o rap num objecto central das suas sociabilidades. Juntavam-se para vocalizar poemas da sua autoria, com acompanhamento de gravadores portáteis ou do 'beatboxing', uma reprodução oral de ritmos percussivos, para trocar cassetes e discos de vinil ou para partilhar ideias e experiências de vida comuns.

As primeiras manifestações com dimensões de grupo mais alargadas frequentemente localizadas entre o bairro do Miratejo e da cidade de Almada onde apareceram (as ‘’cliques’’ ou ‘’posses’’) os pioneiros B.Boys Boxer. De onde sairiam alguns dos que mais tarde compõem a primeira gravação neste domínio.
Estes encontros, marcados por momentos de sociabilidade onde era frequente acontecerem actuações de grupos ou sessões de freestyle (improvisação poética), contribuíram para a estruturação de um universo social em contexto urbano designado pelos seus actores como ‘’movimento hip-hop’’.

Ao mesmo tempo, com traços semelhantes, estruturou-se na área metropolitana do Porto um mesmo ‘’movimento’’.

Empenharam-se na organização de concertos, em escolas, associações recreativas e culturais, bares, discotecas, festivais e festas, ou nos bairros onde a popularidade do hip-hop aumentava. Viriam a tornar o rap e o hip-hop um elemento central de sociabilidade de outros que lhes seguiram.

 

Reportagem fotográfica: Hélder Lagrosse  Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - FCSH NOVA 

Filme da Sessão: José Fernandes

nota: clickar/ passar com cursor nas fotografias abaixo para visualizar álbum completo

 

Próxima Sessão:

PAINEL
Francisco Rebelo (Cool Hipnoise, Black Company)
Virgílio Varela/Double V (Grupo Family, Rapública)
Apresentação do tema em contexto, coorden. Soraia Simões (investigadora do IHC-FCSH/NOVA, Presidente da Mural Sonoro e coordenadora deste ciclo).

Mais informações: http://goo.gl/Sa3xpb

 

 

 

 

 

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BONS SONS'16, Viver a Aldeia!

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BONS SONS'16, Viver a Aldeia!

BONS SONS'16

Os parceiros da Associação Mural Sonoro já aí com um belo cartaz. De 12 a 15 de Agosto. 10 anos dando espaço à música e aos autores que produzem em Portugal. Incentivando outros a mudar o foco das suas programações.

 

BONS SONS'16 12 - 15 de Agosto

Sugestão para gente que gosta de ouvir o que é produzido por cá em ambiente bucólico e interessante.

Relembramos nesta imagem a passagem da Associação Mural Sonoro pelo auditório do BONS SONS'15 com o ciclo ''Conversa ao Correr das Músicas''. Aqui Manel Cruz numa conversa interessante com Soraia Simões, coordenadora do ciclo (http://www.bonssons.com/bs2015/).

 

Este ano, dado o volume de trabalho a decorrer no projecto ''RAPortugal 1986 - 1999'' (Fevereiro 2016 - Março 2017), não nos é possível estar presente com o mesmo ciclo. Porém, estamos na mesma com os nossos parceiros naquele que é dos ajuntamentos (nem eles nem nós usamos o termo ''festival'' quando nos queremos referir ao trabalho desenvolvido pela Associação de Cem Soldos - Tomar) que melhor interiorizam a relação entre a produção cultural relevante, a musical em concreto, ''o local sem paredes'' como dizia Miguel Torga. Naquele que foi o primeiro, há uma década, a juntar em 4 dias o mais interessante do que é produzido cá em domínios musicais, culturais e sonoros diversos, procurando não se repetir nas escolhas no ano seguinte de modo a poder trazer o que de melhor se faz até à aldeia, e servindo de inspiração a outros que depois deles, um pouco por todo o país, começaram a surgir dando espaço nos seus cartazes exclusivamente à música e aos autores que realizam e produzem os seus trabalhos cá dentro.

Força ao BONS SONS'16 e à persistência do Luis Sousa Ferreira e dos seus companheiros (equipa) nesta iniciativa que já conta com 10 anos de actividade, contribuindo para o desenvolvimento local e da aproximação entre os vários espaços físicos, culturais e musicais que formam a Música que tem sido feita neste país.

 

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DIPANDA'75, Documentário

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DIPANDA'75, Documentário

Dipanda'75 é um projecto documental (1) que pretende retratar um período musical muito particular na história da música que foi feita em Angola.

 

Documentário de Alexandre Nobre, fotógrafo e documentarista angolano, em homenagem ao pai, militante de um dos movimentos independentistas africanos, com consultoria e ajuda no argumento da investigadora do Instituto de História Contemporânea da FCSH NOVA Soraia Simões, em curso (2017).

Iniciado há quase 10 anos por Alexandre Nobre o trabalho de campo para este projecto em Angola. Título Dipanda'75.

«Dipanda'75» é um projecto documental que pretende retratar um período musical muito particular na história da música que foi feita em Angola. 

No ano de 2007, na cidade de Luanda, recolheram-se dezenas de depoimentos (de músicos e compositores a historiadores e diplomatas angolanos que marcaram de modo explícito este período), registos de imagens de arquivo, de arquivos pessoais e estatais fonográficos (Rádio Nacional de Angola), dos lugares que marcaram esta história (Muxima, musseques, entre outros). 

Este Filme abrange o período que antecede a data da independência de Angola. Foca a música popular de carácter intervencionista. Num período que vai da década de quarenta até à independência de Angola.

A Música Popular, no domínio da «canção de protesto», enquadrada na luta de libertação de Angola, teve um papel de afirmação, mobilização e confrontação com o antigo regime.

A música desenvolvida nesta altura, ao utilizar línguas autóctones, o quimbundo, umbundo, quicongo, bem como os papéis fundamentais da língua oficial e de Liceu Vieira Dias ou N´Gola Ritmos, a evolução técnica e musical a partir das músicas tradicionais, são algumas das características afloradas ao longo deste projecto documental.

Pretende-se que seja a música, as letras das músicas, a contarem a história. Em conjunto com o testemunho de alguns músicos intervenientes neste processo, procuramos construir uma narrativa documento sobre este momento de importância vital para o povo angolano.

Não sendo um documentário político, a temática do documentário envolve um período de grande actividade política e partidária, a qual não se pode alhear de toda a movimentação partidária que se gerou. Não tomando partido, cinge-se a actividade partidária a factos. Cabe a cada um interpretar como entender.

(1) Blogue do Projecto: http://dipanda75.blogspot.pt/ e  Página do Projecto no Facebook: https://www.facebook.com/DIPANDA75
Equipa
Equipa
Autoria, Fotografia, Realização: Alexandre Nobre
Argumento: Soraia Simões
Montagem; Maria Joana
Recolhas fase 1 e 2 em Luanda: Alexandre Nobre (fase 1 e 2), Luís Moreira (fase 2), Arlete Leandro (fase 1 e 2), Transcrição de entrevistas e de formato analógico para digital: António Ferreira
Produção: Associação Mural Sonoro

Contextualização histórica, Narração, Textos  Blogue, Textos no Facebook: Soraia Simões

Registo IGAC, Junho de 2015

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Maoísmos e cultura popular, experiência portuguesa, repertórios e discursos  (1972 - 1975), breves considerações, por Soraia Simões

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Maoísmos e cultura popular, experiência portuguesa, repertórios e discursos (1972 - 1975), breves considerações, por Soraia Simões

 

 Soraia Simões [*]



Intro

A partir das leituras existentes no plano historiográfico quer relativas ao primeiro rompimento pela esquerda do Partido Comunista Português (PCP), por via da divisão de linha maoísta que teve em Francisco Martins Rodrigues o principal protagonista, quer no que diz respeito à profusão de teses sustentadas por testemunhos de líderes dessas correntes neste contexto e das reconstituições deste passado histórico procurou-se, com este artigo, reflectir sobre a importância dessas leituras na cultura popular e na música, que se foram combinando com a necessidade que a sociedade contemporânea teve de se ir redefinindo em função das marcas desse passado revolucionário cujas raízes ainda marcam a actualidade.

Recorrendo a bibliografia de enquadramento no âmbito historiográfico e história oral, resultado de conversas mantidas entre o ano de 2012 e 2015 com um conjunto de actores da música e da cultura populares, tomando como estudo de caso a obra cultural produzida neste período e as conversas mantidas com José Mário Branco, procurou-se aflorar uma parte deste extenso processo - que iniciou com a sua ligação à cultura, à política e à sociedade no período colonial, no contexto do seu exílio político em Paris, a partir de 30 de Abril de 1974 (data que marca a sua chegada do exílio a Portugal) e durante todo o  Processo Revolucionário em Curso (PREC, 1975) -,  de que modo as letras das suas canções no geral se foram inscrevendo nesse quadro de transformação e ritualizando num conjunto de determinações comportamentais de massas do campo ideológico.

Numa tentativa de compreensão desta micro-história (E.P.Thompson; 1981 - 1987) [1], ou micro análise histórica do campo social, que passou a ser não só a história de um conjunto generoso de organizações que nos anos seguintes à ditadura começaram, dentro da sua diversidade, a construir os seus imaginários de luta, como de um grupo de activistas e protagonistas da cultura popular que nesse cenário acenderiam perspectivas e expectativas quanto às lutas políticas inserindo-se em grupos políticos onde questões como o conflito da União Soviética, a tomada de partido pela China ou  pela União Soviética,  o problema dos resultados práticos da ditadura portuguesa e da guerra colonial pela Europa foram divulgados e denunciados quer sob a forma de textos musicados quer em manifestos.

Foram vários os opositores ao regime do Estado Novo que na esteira do seu período de maior contestação, com forte expressão no movimento estudantil académico (1961 – 1962), começaram a afastar-se da orientação do Partido Comunista Português e a aproximar-se das teses resultantes da Revolução Chinesa, aproximação essa para a qual muito contribuiu o conflito sino - soviético e, por conseguinte, o surgimento da Frente de Acção Popular (FAP/CMLP), primeira organização de base maoísta em Portugal.

O historiador Miguel Cardina, desligando-se da representação social grotesca [2] dominante a respeito dos grupos que mais influência exerceram nos anos de 1974 e de 1975 entre estas organizações, reflectiu no seu trabalho [3] em que medida o complexo maoísta ou marxista-leninista (m-l) operou e se representou no imaginário social português no recorte temporal que apontou para a sua investigação. Ao longo da sua narrativa histórica, Cardina procurou distanciar-se das limitações conservadas na memória social para a qual, ressalve-se, muito contribuiu a profusão de «teorias» e de caricaturas determinadas por uma composição discursiva e figurativa desadequada e tendenciosa no domínio interno, mas também circundante [4], destas correntes no período imediato ao 25 de Abril de 1974.

Este artigo, num universo de acção – e de reflexão crítica -, diferente do de Cardina, na medida em que incidiu num conjunto de ideias em torno da visibilidade que uma destas correntes assumiu  na cultura popular, nos discursos e na prática da música de José Mário Branco em concreto, não deixou de principiar  com um ponto de partida e/ou propósito coincidente com o estabelecido pelo historiador. Isto é, questionando o modo como quer a discussão política e social como as convicções de natureza ideológica inflectiram na obra discográfica do intérprete e compositor bem como em agrupamentos culturais, como o GAC [5] e o Teatro  A Comuna, que integrou pretendeu reflectir sobre um período de lutas e de mudanças relevantes contribuindo de igual modo para a diluição de ‘lugares comuns’ criados no âmbito da criação e fruição musicais  neste momento de transformação. Delimitou-se assim o plano de investigação tendo como sujeito principal José Mário Branco, o papel assumido pela sua obra discográfica em particular e os discursos daí resultantes, num quadro de pré queda do regime do Estado Novo.

Ao usar como ferramenta principal no trabalho de campo a história oral, num modelo indutivo e explanatório de entrevistas e numa recolha de dados biográficos exaustiva realizados ao longo de dois anos, que por sua vez dariam origem a um conjunto de debates [6] com enfoque na música no modelo histórico-social (perspectivada como encomenda social [7]), situou esta reflexão na atmosfera das discussões e dos debates que norteavam  no geral as esquerdas em vários países do mundo e os encontros de discussão cultural e política que se realizavam em Portugal, primeiramente, e em França, na fase do exílio, entre um conjunto de participantes da cultura popular, onde José Mário Branco também esteve, e em particular nas circunstâncias em que se vivia no país.

A Revolução Cultural na China da década de 60 e o seu impacto entre a emigração portuguesa politizada em França

As críticas  ao modelo soviético começaram na década de 1950 e intensificar-se-iam na década de 1960. Ainda na década de 1950 quando o Secretário Geral do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), Nikita Khrushchov (1953 – 1964),  se começou a desligar da evocação à personalidade e ideais defendidos por Estaline (Era de Khurshchov, também chamada de Era de Desestalinização imposta após a morte de Stálin a 5 de Março de 1953 e marcada pela Guerra Fria) passando a ser um dos principais mentores da adopção do princípio da coexistência pacífica entre a URSS e os EUA, destacando-se ainda das suas acções políticas, entre outras, a criação do Pacto de Varsóvia em 1955, o afastamento da China liderada por Mao Tsé Tung  das relações com a URSS (tendo como motivo a manutenção da sua convivência com os EUA) rejeitando a ajuda ao programa nuclear chinês ou a aprovação da construção do Muro de Berlim a 13 de Agosto do ano 1961 durante a sua administração, depois da rejeição do Oeste em aceitar o seu ultimatum para que Berlim Ocidental fizesse parte da restante cidade. Para o novo dirigente da URSS a via eleitoral passaria a substituir a via revolucionária. Apesar de tudo, a clivagem que se assinalou entre os dois blocos só aconteceria na década seguinte devendo-se tal facto, entre outros, sobretudo à censura que existia na imprensa.

No ano 1961 os partidos chinês e albanês seriam publicamente atacados e a separação entre ambos começou então a ser notada na opinião pública.

Os russos acusados de protagonizarem o «novo revisionismo» enalteceriam essa cisão que se alastraria a vários partidos comunistas a uma escala mundial. As mesmas separações expandiriam-se também ao Ocidente, especificamente a Portugal embora assumindo dimensões mais limitadas, na medida em que a tradição seguidista em relação ao Partido Comunista da URSS dominava ainda entre os grupos culturais de esquerda cá.

As organizações de esquerda que estavam já em gestação deveram grande parte da sua radicalização à campanha eleitoral realizada no ano 1958, quando Humberto Delgado concorria com Américo Tomaz à Presidência da República. Ao corporizar o principal movimento de tentativa de derrube do regime salazarista por via de eleições, num processo classificado de «fraudulento», no contexto do qual entre o movimento popular lhe atribuiriam o ‘cognome’ «General sem Medo», acender-se-ia a revolta e a frustração na sociedade portuguesa que entrava na década de 60. Década marcada pelo início da Guerra Colonial e pelo surgimento dos movimentos maoístas um pouco por todo o mundo.

O Partido Comunista Português confrontava-se, nessa altura, com várias acusações de revisionismo e com o controlo mais apertado por parte da PIDE. Ao mesmo tempo avançava-se na China para uma tentativa de teorização da análise social do processo de construção do socialismo, constatando-se que a luta de classes permanecera durante o período da construção do socialismo nesse longo processo histórico, o que motivou a exibição dessa luta entre as várias posições, exposição essa que veio a acordar a Revolução Cultural neste país.

Os interesses de classes diferentes que existiam no interior dos partidos comunistas e que estiveram na génese da Revolução Cultural foram resultado de uma luta pelo poder de Mao Tsé Tung (ou Mao Zedong), levada a cabo dentro do Partido Comunista Chinês, mobilizando para o efeito as massas camponesas e operárias para integrar esse movimento revolucionário.

A existência de uma burguesia dentro do partido, que não se dissiparia com a Revolução Chinesa, acabaria por ajudar à construção de uma teoria segundo a qual coexistiram duas linhas dentro do mesmo: uma de índole revolucionária e outra de índole contra-revolucionária, onde se situava uma franja dessa burguesia. A idolatria a Mao Tsé Tung e o enorme movimento de massas que teve em Mao Tsé Tung figura tutelar expandir-se-ia internacionalmente e o seu impacto entre um conjunto de protagonistas da música e da cultura populares atentos à discussão política, até aí afectos ao Partido Comunista Português, começou a sentir-se.

Com a experiência trazida por José Mário Branco do seu primeiro fonograma, de expressão declaradamente anti-colonialista, produzido durante o seu exílio de 13 anos em Paris, «A Ronda do Soldadinho», e a radicalidade que enformara mais tarde a própria existência do GAC (Grupo de Acção Cultural) e que consolidaria na chegada a Portugal, a 30 de Abril de 1974,  começava a assumir-se entre ele e um grupo de jovens, que faziam parte das suas relações e eram figuras habituais das suas actuações em fábricas ocupadas e associações em Paris, uma vontade de romper com o modelo de discussão política anterior, «(...) estavam uma série de pessoas que em Paris assumiam uma atitude mais ou menos parecida com a minha, que era de ruptura com o sistema. E portanto quando se chega a Portugal e o GAC depois ganha a configuração que ganha, primeiro foi uma grande misturada, nem se chamava Vozes na Luta era só Grupo de Acção Cultural, e depois esse grupo mais ou menos amorfo dividiu-se em vários, mais ou menos em função das diferenças políticas que havia na esquerda portuguesa. Há uns que foram para o PC e fizeram um grupinho ligado ao PC, outros que eram da LUAR e fizeram um grupinho ligado à LUAR, para onde foi o Zeca Afonso e o Sérgio (Godinho), etc. Nesse primeiro GAC digamos que claramente maoísta, e definido como de extrema-esquerda maoísta estava eu (...). O GAC não nasce digamos por uma iluminação repentina no 25 de Abril, em Paris no ano anterior ao 25 de Abril já estava em gestação um grupo cuja ideia era precisamente isso: fazer música, e não só. Fazer música proibida, música ilegal, música de resistência, música subterrânea. Eu tinha tido uma cooperativa em que participei com amigos franceses chamada Organum já mais experiências de auto-edição de coisas marginais, completamente marginais, e que eram financiadas fora do sistema (...)» referia o músico numa das várias conversas que mantivemos e registei.

Uma parte deste extenso processo, que iniciava com a sua ligação à cultura, à política e à sociedade no período colonial, no contexto do seu exílio político, no PREC e no pós PREC já em Portugal foi relatada no corpo das suas canções, reflectiu-se de um modo directo na sua obra discográfica entre os anos assinalados, assumindo-se a canção muitas das vezes como um modelo de discussão de fácil apreensão e circulação entre as camadas populares politizadas  que surgiram neste período e pré-financiaram as suas obras.

«É em França que, por um lado num primeiro período a minha única actividade para além da sobrevivência é participar em lutas políticas, em grupos políticos, cujo objectivo era ao mesmo tempo a discussão sobre o que fazer em relação a Portugal: luta armada ou não luta armada contra a ditadura portuguesa, conflito da União Soviética, tomar partido pela China ou partido pela União Soviética, e a questão da divulgação e da denúncia da ditadura portuguesa e da guerra colonial pela Europa fora. No princípio dos anos 70, cerca de dez anos depois, Paris era a segunda cidade de Portugal, só em França éramos oitenta mil desertores e refratários para um país de nove/dez milhões de habitantes (...)».

As mudanças operadas no comportamento geral da emigração portuguesa durante o período da Guerra Colonial contribuiriam  para a introdução de alternativas de luta, algumas já atentas ao modelo de discussão que aqui emergia e se ia materializando em organizações, outras de curta existência como foi o caso do Movimento de Acção Revolucionária (MAR) criado na sequência da crise académica de 1962 e apontado como uma das referências da esquerda socialista radical [8].  

A emigração portuguesa em França, à semelhança da emigração no Benelux, em Inglaterra, na Alemanha, na Suíça ou nos países escandinavos, que até aí fora uma emigração quase exclusivamente da pobreza, uma emigração económica (emigração que no cinema seria também retratada pelo realizador Christian de Chalonge no filme de ficção O Salto, de 1967, filme que contaria com a música de outro exilado em França nesse período: Luís Cilia) passou neste período histórico (1961 – 1974) a ser, com a ida de dezenas de milhares de jovens universitários contra a guerra, uma emigração política e sobretudo cultural e intelectual. O facto de muitos destes jovens se começarem a integrar nas associações que até aí serviam grosso modo os agrupamentos folclóricos e as festas religiosas da emigração, fez com que se desse uma politização não de todas mas de grande parte dessas associações de emigrantes portugueses que começavam, por isso, a abandonar o modelo tradicionalista associativo durante a sua estadia em Paris.

«Aqueles que como nós a partir de certa altura, este plural é eu, o Luís Cilia que também vivia em Paris, o Tino Flores que também vivia em Paris, o Sérgio (Godinho) que começou a viver em Paris a partir de 1967 que cantávamos canções ou que denunciavam ou que abriam novas fronteiras, digamos assim, para a comunidade não tínhamos descanso. Andávamos sempre a cantar pela Europa toda, a Europa do norte sobretudo, sempre a cantar para associações. O disco A Ronda do Soldadinho é resultado disso, foi um disco feito propositadamente na ilegalidade, aproveitou da experiência que eu tinha ganho já a produzir discos, a arranjar, a fazer colaborações, e foi financiado com pré-compras do movimento associativo» relembrou José Mário Branco numa das conversas gravadas, permitindo através da partilha da  sua memória reforçar a relevância que o exílio tivera na perspectiva crítica que muitos, oriundos do Partido Comunista Português (PCP), passaram a assumir dentro do partido, que Cardina assinalaria numa passagem do seu trabalho através do relato gravado de Rui D’Espiney (pp 41 – 43), «Em Paris, as pessoas que para lá tinham fugido reentram no PC, mas com uma perspectiva crítica. Aí, numa reunião, encontram um funcionário a quem voltam a fazer críticas. O funcionário assume as dores do partido, o Manuel Claro ficou desanimado, mas nessa noite batem-lhe à porta e é esse funcionário que lhe vem dizer: ‘o que vocês dizem está certo mas há muito mais para dizer’. Era o Francisco Martins Rodrigues» [9].

Vou andando por terras de França

pela viela da esperança

sempre de mudança

tirando o meu salário

Enquanto o fidalgo enche a pança

o Zé Povinho não descansa

Há sempre uma França

Brasil do operário

Não foi por vontade nem por gosto

que deixei a minha terra

Entre a uva e o mosto

fica sempre tudo neste pé

Vamos indo por terras de França

nossa miragem de abastança

sempre de mudança

roendo a nossa grade (...)

Vamos indo por terras de França

trocando a sorte pela chança

sempre de mudança

suando o pé de meia

Com a alocação e a segurança

com sindicato e com vacança

Há sempre uma França

Numa folha de peia

Não foi por vontade nem por gosto (...) [10]

O facto de em Portugal, antes do exílio em Paris, a influência musical mais importante da emigração politizada, cultural e estudantil ser a francesa fez não só com que a apropriação de algumas palavras fosse uma constante neste período marcado pela sua chegada a Paris, repare-se no caso da palavra engagé, que começaria a ser usada para exprimir o corpo de algumas canções de José Mário Branco, Luís Cilia, Sérgio Godinho ou Tino Flores categorizando-as de «canção engajada», tal como havia já sido aplicada à maior parte das canções poéticas francesas do pós-guerra, na década de 50, como permitiu que a consolidação efectiva de uma  mudança de ideias, já germinantes em Portugal antes do seu exílio forçado, acerca das linhas de orientação política que eram perfiladas nesse grupo se afirmassem concretamente a partir daí. «Os meus pais, éramos pequeninos, davam-nos a ouvir George Brassens (...) era uma das minhas influências» relembrou José Mário Branco durante a recolha das suas memórias. Influência também referida, no âmbito do levantamento de testemunhos [11] sobre o mesmo contexto histórico, por Luís Cilia e Sérgio Godinho.

A PIDE terá apurado que Rui D’Espiney [12] escrevera a Manuel Claro solicitando dados acerca do grupo que estava em construção e que ele respondera tratar-se de um colectivo dirigido por Francisco Martins Rodrigues que começara à altura a militar nele. João Pulido Valente que terá sido abordado por Rui D’Espiney com as mesmas questões referira que além de ter conhecimento da organização em causa era seu militante. Rui D’Espiney passaria a receber imprensa editada com a chancela da nova organização e em finais de 1964 abandonou Argel, onde estava anteriormente exilado fazendo parte com João Pulido Valente, dezasseis anos mais velho, da Junta de Acção Patriótica dos Portugueses na Argélia (JAPPA), criada no ano de 1963  mas deixando de funcionar pouco tempo depois da saída de Rui D’Espiney e João Pulido Valente para França, e partiu para o exílio em Paris (CARDINA, pp 41 – 42) onde foi funcionário da nova organização (FAP) e onde permaneceu até regressar a Portugal com Francisco Martins Rodrigues e João Pulido Valente (que pertencera também ao MUD – Juvenil tendo posteriormente integrado o PCP) em Junho de 1965.

Rui D’Espiney (1942 – 2016) ao destacar-se logo como um dos protagonistas da luta anti-fascista em Paris introduziria aquilo que seria para muitos os primeiros discursos numa primeira frente de linha maoísta criada por portugueses, o Comité Marxista-Leninista Português/Frente de Acção Popular (CMLP/FAP), fundado em 1964.

Micro – histórias e alternativas maoístas: FAP e CMLP

Rui D’Espiney nasceu em Moçambique e foi militante do PCP até 1962. Na primeira cisão maoísta no partido resolveu, com Francisco Martins Rodrigues, abandonar a organização política onde se iniciara. Uma das particularidades do CMLP/FAP, que ajudou a fundar nos primeiros meses de 1964, era a da defesa da luta armada. Após o documento inicial de apresentação do Comité - «O Caminho da Insurreição Anti-Fascista» -, assinado pela Frente de Acção Popular Anti-Fascista que nos primeiros meses do ano da sua criação procurava persuadir os militantes do PCP a integrar a FAP, muito embora o descontentamento dos militantes do PCP com a orientação seguida pelo partido começasse já a formar-se desencadeando protestos violentos a 1 de Maio de 1962, o que ajudou a que quando a FAP é criada muitos estivessem atentos a alternativas mais radicais de luta, o que talvez tenha facilitado as suas ligações quer à FAP como às movimentações e organizações de «extrema esquerda» que se lhe seguiram no decorrer deste processo histórico em mudança.

A FAP começou por rejeitar ser mais uma frente anti-salazarista comum congregando trabalhadores e burguesia republicana, crítica que era aliás emitida à Frente Popular de Libertação Nacional (FPLN) e à Frente Portuguesa reunida no ano de 1964 em volta de Humberto Delgado.

As iniciativas de fundar organizações não-PC seriam a partir daqui uma constante. A Liga do Ensino e da Cultura Popular, onde José Mário Branco também se encontrava, exercia alguma força no campo da cultura, pelo que a tentativa de criarem uma organização não-PC ligada a esta liga com maoístas e gente que não fosse militante do PCP começou a ganhar forma, tendo algumas das reuniões  sido realizadas em casa do músico com António José Saraiva entre os presentes.

Um primeiro grupo de teatro aparecera conectado com a Liga, na qual fariam um primeiro espectáculo sobre Gil Vicente. Foi nesse movimento ao qual começariam a juntar-se mais pessoas, como Hélder Costa (que no terceiro espectáculo já estava ligado ao O Comunista, outro grupo) ou Manuel Areias, que José Mário Branco começa por aprender a tocar viola, depois da experiência em criança com as aulas de violino que abandonara, e da sua experiência apenas de tocar de ouvido, aprendendo sozinho.

Música, Teatro Operário e revolução no exílio

Na emigração francesa o teatro foi, com a música, dos campos culturais com uma produção e resultados mais visíveis. Hélder Costa, em exemplo, concebia-o como um meio de combate ao regime.

O encenador sairia de Coimbra a 13 de Maio de 1962 onde estudava e pouco tempo depois integra a Companhia Disciplinar de Penamacor. Foi aí que ensinou aos presos o que eram sindicatos e apesar de nunca se ter envolvido na luta armada, de modo a evitar a clandestinidade, foi também aí que se dedicou à produção de algumas falsificações de documentos ajudando elementos da FAP a desertarem. Acabaria por se livrar do serviço militar por causa de um problema de saúde que aí contraiu.

O grupo criado em 1970 por Hélder Costa no Teatro Operário serviria como espaço de consciencialização não só cultural como política, tendo a primeira peça encenada sido Histórias para Serem Contadas, de Osvaldo Dragún, levada a palco pelo encenador Fernando Gusmão no Cénico de Direito cerca de 5 anos antes. Peça realizada com três actores e uma actriz.

O Teatro Operário assumia-se como um instrumento de educação político-cultural, no qual os recursos começaram por ser limitados e onde mais do que a «qualidade» da performance se procurava clarificar mensagens discutidas depois com os espectadores (2011; pp 242 – 244), mas onde segundo Hélder Costa ao fim de seis meses a estrutura crescera criando-se dois grupos nos arredores de Paris e tendo sido produzidos cerca de 40 espectáculos.

O trabalho levado a cabo pelo Teatro Operário optou desde o início pela criação colectiva. Uma das razões prendia-se com os objectivos que estavam na sua génese, uma tentativa de criar novos militantes anti-fascistas.

Por um lado, a população emigrante não alfabetizada tinha um contacto maior com as práticas artísticas e os assuntos políticos sendo incentivada a juntar-se ao grupo e a formar os seus grupos ou associações, por outro lado para uma população emigrante mais atenta as associações foram nesses anos assumindo um papel determinante ajudando na procura de trabalho e legalização, entre outros.

Um grupo de jovens que fugia da Guerra Colonial deu corpo, por via do Teatro Operário, a um conjunto de aproximações da prática artística com os universos politizados que se juntavam entre si em volta de estruturas que eram dinamizadas pelo O Comunista na Europa. Exemplo disso, é a digressão realizada na Dinamarca e Suécia em conjunto com o grupo musical Os Camaradas, do intérprete e compositor Tino Flores, onde actuaram para a comunidade portuguesa emigrada e exilada em ambos os países.

Grande parte dos integrantes do Teatro Operário deslocavam-se pela Europa com passaportes falsificados. Indo ao consulado e pedindo um passaporte de regresso a Portugal, que lhes era facultado com a declaração de que seria válido para o regresso a Portugal, mas que era depois falsificado. Os passaportes falsificados para circulação da emigração cultural politizada exilada em Paris passariam a ser mais frequentes, Luís Cilia contava numa das recolhas neste âmbito [13] que «em 67 fui até com o passaporte falsificado a Cuba. A um encontro que se chamava Encontro da Canção Protesta em que havia oitenta cantores de todo o mundo, estivemos lá um mês, foi uma coisa absolutamente maravilhosa. Estava lá o Daniel Viglietti do Uruguai, a Isabel e o Angel Parra, os filhos da Violeta Parra, do Chile. Quer dizer, havia cantores de todo o mundo. Aí me tornei amigo do Silvio Rodriguez». Em Maio de 1967, durante o Encontro da Canção Protesta em Varadero ouviu-se pela primeira vez a célebre canção «Hasta Siempre» do compositor Carlos Puebla numa homenagem a Che Guevara, que tinha como missão, através dos versos, exprimir o sentimento dos cubanos para com o comandante e guerrilheiro. A canção seria usada como resposta à carta de despedida de Ernesto à sua resistência ao conforto do governo já estabelecido em Cuba, optando pela incerteza da luta revolucionária internacional.

a cantiga é uma arma

eu não sabia

tudo depende da bala

e da pontaria (...) [14]

José Mário Branco popularizaria por via da canção uma das expressões mais usadas como referência a este período. A canção tornar-se-ia uma espécie de hino destas correntes e organizações a partir de 1973.

O Movimento dos Trabalhadores Portugueses Emigrados e o jornal O Salto organizariam em Vincennes uma edição de Jogos Florais da Emigração Portuguesa entre 9 e 11 de Junho de 1973, evento realizado em salas diversas onde ocorreram espectáculos de música, recitais de leitura e teatro, nos quais vários grupos e organizações de emigrantes participavam, José Mário Branco que concorrera com «A Cantiga é uma Arma», composição que a revista Seara Vermelha de linha PCP (m-l) considerara, entre outros aspectos, «(...) sem vigor nem riqueza musical», reforçando que «esta canção não ultrapassava  no seu conteúdo a problemática pequeno-burguesa», tendo-lhe afirmado Heduíno Gomes, líder do PCP (m-l), entre risos que «(...) é uma cantiga pequeno-burguesa. Um verdadeiro revolucionário não pode dizer ‘eu não sabia’».

José Mário Branco contou na sua Biografia assinada por Octávio Fonseca Silva que a música da canção havia sido composta na véspera e distribuiria pelas pessoas o primeiro verso, ‘’brincadeira’’ que repetira mais à frente, já em Portugal, durante o PREC. Em ambos os momentos as pessoas cantaram com ele a canção toda a partir de uma certa altura.

«A Cantiga é uma Arma» e José Mário Branco sabia-o muito possivelmente, embora afirmasse a medo que não, antes de ser confrontado com a clara visão de que as pessoas enchiam as fábricas e associações numa primeira fase para as escutar e passaram a pré-financiar-lhe os primeiros discos feitos durante o seu exílio, por sentirem as suas vivências tratadas e validadas nelas.

 

Ao contacto de José Mário Branco, ainda na cidade do Porto, com as músicas contemporâneas, a música dodecafónica, a música concreta, a música electrónica, somam-se, a partir de 1958, altura das eleições presidenciais de Humberto Delgado (1906 – 1965), a entrada em grupos que exerciam uma considerada politização no movimento liceal, através do exemplo de amigos mais velhos que já andavam na universidade e estavam ligados ao movimento estudantil universitário, o músico acabaria por pertencer ao primeiro grupo que no Porto tenta formar associações de estudantes nos liceus, conhecendo-se pelo nome de Pró Associação.

José Mário Branco fazia parte de um grupo de jovens misto, por um lado muito sensibilizados para os problemas relacionados com a resistência à ditadura, resistência à censura, e por outro lado uma ligação desse grupo à poesia e à música no estilo da tertúlia, no contacto com poetas mais velhos, como poetas neo-realistas da sua cidade natal, casos de Brigitte Gonçalves, António Rebordão Navarro ou Eugénio de Andrade. Participavam no suplemento juvenil do Diário de Lisboa, o  suplemento foi proibido pela censura e passou a ser publicado no jornal República.

Temas como o Concílio Vaticano II, a Revolução Cubana, a Guerra na Argélia, faziam parte das discussões deste grupo. Em 1961 José Mário Branco tinha 19 anos. A questão da guerra colonial e o facto de muitos de  estar, como muitos dos seus companheiros, ligados ao Partido Comunista, «era a única organização onde a gente podia fazer qualquer coisa a sério correndo todos os riscos inerentes, que no meu caso por exemplo levou à prisão pela PIDE em 1962, não é?» [15].

Seria já em França que José Mário Branco teria contacto com a música encarando-a nesta fase como, aquilo que apelidou de, «encomenda social», muito ajudaria nessa visão as lutas a que assistira dos vários movimentos políticos que se formavam em dissidência com o Partido Comunista Português.

A reclamação de identidades e revivalismos nas práticas culturais passou a ser uma presença constante neste momento, sendo a revisitação de repertórios e a introdução de novos significados nos mesmos o processo que mais visibilidade alcançou entre as camadas populares. Em exemplo, o tema «Canta Camarada Canta», canção conhecida da resistência anti-fascista em Portugal, foi antes um tema de contrabandistas que neste período se voltou a recuperar pelo coro da Academia e posteriormente pelo movimento estudantil universitário.

A divisão de várias destas estruturas políticas de «extrema-esquerda» a partir de 1965 e o facto de um primo se esquecer de uma viola no apartamento por onde passou em Paris levou José Mário Branco a ter contacto com esse instrumento que nem conhecia até à altura (tocava piano, percussões, acordeão de botões e flauta de bísel) e a começar a fazer as suas canções reflectindo nelas o que se estava a passar.

De forma autodidacta o músico aprenderia a acompanhar-se a cantar canções e foi aí que colocou pela primeira vez a hipótese de se exprimir através desse meio.

«Nós éramos aqueles a quem a esquerda chamou ‘os nossos’ e depois da derrota da esquerda a direita chamou ‘os deles’. Por isso a partir do refluxo da revolução em 76, 77, 78, nós fomos totalmente cortados dos meios de comunicação, abolidos, não havia rádio nem televisão para nenhum de nós. A única maneira era ir ter com as pessoas e fazer concertos» [16]

Foram várias as vezes em que, com Luís Cilia, Tino Flores e Sérgio Godinho cantou no ambiente rural ao redor de Paris. As Associações, como a Associação dos Originários de Portugal, onde tocou algumas vezes eram espaços onde os portugueses emigrados praticamente viviam. Porém, grande parte dos seus públicos era público francês.

As canções, com temáticas que inclusive contrariavam as doutrinas do PCP, foram aproveitadas para tais propósitos de luta. Temas com a emigração, a Guerra Colonial ou o tratamento dado às mulheres por homens de esquerda foram sendo reflectidos na obra discográfica de José Mário Branco.

Mariazinha, deita os olhos pro mar
Pela tardinha, quando a noite espreitar
E no verde das águas sem fundo
Já se perde da esperança do mundo, a afundar, a afundar

Mariazinha, deita os olhos pro mar
Tão pequenina, sem saber que pensar
Vê a roda do mundo girando
E os navios ao longe passando, sem parar, sem parar (...) [17]

José Mário Branco tornou-se um dos actores da canção neste quadro, provocando as suas canções rituais de massas entre a camada estudantil e a «esquerda radical», que enformava as várias correntes, que compareciam e começaram a partilhar entre as suas organizações aquelas canções. Um entre vários exemplos da importância que a sua música teve neste cenário ficou patente na recolha de memórias dolorosas realizada por Ana Aranha a homens e mulheres, ex-presos e ex-presas políticos (as), torturados (as) pela PIDE e submetidos (as) a todo o tipo de torturas: espancamentos violentos, privação do sono, isolamento, chantagem emocional. São pessoas de diferentes formações políticas: do PCP à FAP, passando pelo MRPP e pelos Católicos Progressistas. Mulheres que foram presas políticas no Couço (1933 – 1974) [18]. Algumas que nunca prestaram declarações à polícia política, outras que acabaram por falar quer em nomes de outros companheiros, quer sobre a organização a que pertenciam.

Nessas memórias em que um conjunto de mulheres expressava as fortes experiências vivenciadas, os medos, a coragem e o modo como têm vivido e convivido com esta parte do seu passado, a música seria também lembrada nesse exercício de memória, canções que se cantavam em momentos em que a tortura insensibilizava e no Reduto Sul, Caxias, uma das prisioneiras: «não podia chorar, a única maneira que eu tinha de me aguentar era organizar-me de modo a sobreviver (...) sem dizer nada, sem falar de ninguém, sem falar das minhas actividades e sobretudo sem falar de nomes e de nenhuma organização, a única escolha era não falar (...) abria a boca para falar comigo própria, para cantar, que eu não me punha a falar sozinha (...) quando abria a boca cantava a 'Ronda do Soldadinho'», primeira música, de carácter anti-colonialista, feita durante o seu exílio em Paris.

Conclusão

Este artigo, centrando-se numa micro análise histórica do campo social, tendo a cultura popular - nomeadamente a obra discográfica de José Mário Branco, além do papel do Teatro Operário e das ideias expostas sobre um período histórico pouco discutido -, como foco, pretendeu demonstrar que os primeiros movimentos de linha maoísta dissidentes do PCP, que surgiriam com uma vontade expressa de trazer a «ciência» para o interior do movimento operário em Portugal (FAP e CMLP), tiveram uma repercussão forte na cultura e na sociedade poruguesas, embora de curta durabilidade (de 1964 a 1974 sobretudo) e ainda hoje se reservam no corpo de algumas canções mais conhecidas realizadas durante este período e nos discursos e manifestos que se seguiram à realização e difusão das mesmas no campo da cultura popular.

A denúncia que o PCP faria em Dezembro de 1964 da FAP em Portugal, através do Avante!, causaria um grande impacte. Com o título «Cuidado com eles!» numa parte do artigo lia-se «Manuel Claro e João Pulido Valente, dois renegados pertencentes ao grupelho de Francisco Martins Rodrigues, todos eles expulsos há tempos do Partido Comunista Português por actividades cisionistas e aventuristas, dedicaram-se ultimamente a acções provocatórias contra o Partido (..)», mas não deixaria de inscrever o primeiro partido de Rui D’Espiney e seus camaradas afecto às teorias herdadas pela China de Mao Tsé Tung na história da extrema-esquerda em Portugal e do papel que assumira entre a emigração, as camadas populares, mas também nos sectores estudantis e da cultura.

Segundo a historiadora Irene F.Pimentel a polícia política conseguira prender «no início de 1966, a 30 de Janeiro e a 14 de Fevereiro respectivamente, Francisco Martins Rodrigues e Rui D’Espiney, dirigentes da FAP/CMLP».

A prisão deste núcleo sindical prejudicaria as possibilidades de desenvolvimento da corrente, mas não deixaria de a fixar nas transformações que se seguiram.

A confissão acerca da tortura experienciada na prisão por Francisco Martins Rodrigues e Rui D’Espiney ao mesmo tempo retirava para alguns dos seus seguidores a credibilidade moral revolucionária ao maior teórico à esquerda de Alvaro Cunhal. Uma questão que se terá tornado numa frequente fonte de polémicas entre os futuros grupos maoístas que chegariam a sentir a obrigatoriedade de reclamar o legado de teorização de ideias políticas de alguém que acabaria por, ao contrário de Cunhal, ceder nos interrogatórios.

 

 * para citar este artigo: Simões, Soraia «Maoísmos e Cultura Popular, Experiência Portuguesa, Repertórios e Discursos (1972 - 1975), breves considerações», Plataforma Mural Sonoro https://www.muralsonoro.com/recepcao, 17 de Julho de 2016.

[1] MICROSTORIE, EDWARD PALMER THOMPSON , SOCIEDADE PATRÍCIA, A CULTURA PLEBÉIA: OITO ENSAIOS SOBRE A INGLATERRA NO SÉCULO XVIII DE ANTROPOLOGIA HISTÓRICA (1981, 1987).

[2] «MENINOS RABINOS QUE PINTAM PAREDES» FOI UMA EXPRESSÃO AMPLAMENTE USADA PARA CATEGORIZAR OS QUE MILITAVAM NO MOVIMENTO REORGANIZATIVO DO PARTIDO DO PROLETARIADO (MRPP).

[3] CARDINA, MIGUEL, MARGEM DE CERTA MANEIRA, O MAOÍSMO EM PORTUGAL 1964 – 1974, LISBOA,TINTA-DA- CHINA, OUTUBRO, 2011.

[4] NO INTERIOR DESSAS ORGANIZAÇÕES E NO CAMPO DA COMUNICAÇÃO DESSES INTERESSES ENTRE AS MASSAS: IMPRENSA. OS SANEAMENTOS POLÍTICOS NO DIÁRIO DE NOTÍCIAS NO VERÃO QUENTE DE 1975, PEDRO MARQUES GOMES, ALÊTHEIA EDITORES, LISBOA, (322 PÁGINAS), ISBN 978-989- 622- 592-6.

[5] GRUPO DE ACÇÃO CULTURAL - VOZES NA LUTA (GAC), COLECTIVO DE DEZENAS DE INTÉRPRETES, LETRISTAS E COMPOSITORES EMPENHADOS POLITICAMENTE EM GESTAÇÃO ANTES DO 25 DE ABRIL DE 1974, MAS QUE ECLODIRIA DURANTE O PERÍODO REVOLUCIONÁRIO EM PORTUGAL.

[6] DEBATE «MÚSICA E SOCIEDADE», MUSEU NACIONAL DA MÚSICA, COORDEN., CONVIDADO: JOSÉ MÁRIO BRANCO, DISPONÍVEL «INICIATIVAS MURAL SONORO» PORAL MURAL SONORO, MAIO, 2014.

[7] EXPRESSÃO USADA POR JOSÉ MÁRIO BRANCO EM CONVERSA. RECOLHA DE ENTREVISTA A JOSÉ MÁRIO BRANCO COM A QUOTA MS_00029 EUROPEANA SOUNDS, DO MINUTO 7 AO MINUTO 40 DO ÁUDIO DISPONIBILIZADO NO PORTAL MURAL SONORO, ÁREA «HISTÓRIA ORAL - ARQUIVO E DOCUMENTAÇÃO MURAL SONORO», ABRIL, 2013.

[8] ASSINALARAM-SE NO MAR DOIS MOMENTOS DISTINTOS: A CONGREGAÇÃO NUMA FASE INICIAL DE EXILADO NO INTERIOR DO MOVIMENTO, COMO JOSÉ HIPÓLITO SANTOS E FERNANDO PITEIRA SANTOS, LOPES CARDOSO, RUI CABEÇADAS, SACUNTALA DE MIRANDA, NUMA FASE POSTERIOR CONTARIA COM AS COLABORAÇÕES DE TRIGO DE ABREU, JORGE SAMPAIO, NUNO BRAGANÇA, MANUEL LUCENA, MEDEIROS FERREIRA E VITOR WENGOROVIUS.

[9] CARDINA, MIGUEL, MARGEM DE CERTA MANEIRA, OUTUBRO DE 2011, TINTA-DA- CHINA, «A GÉNESE DO MAOÍSMO PORTUGUÊS», RUI D’ESPINEY, ENTREVISTA, 01/07/2008.

[10] MARGEM DE CERTA MANEIRA (ALBUM), CANÇÃO: «POR TERRAS DE FRANÇA», MÊS E ANO DE EDIÇÃO: DEZEMBRO DE 1972, EDIÇÃO DE AUTOR (PRÉ-FINANCIADO), JOSÉ MÁRIO BRANCO.

[11] HISTÓRIA ORAL, PORTAL MURAL SONORO, ARQUIVO E DOCUMENTAÇÃO.

[12] FUNDADOR COM FRANCISCO MARTINS RODRIGUES, JOÃO PULIDO VALENTE DA FRENTE DE ACÇÃO POPULAR (FAP).

[13] HISTÓRIA ORAL, ARQUIVO E DOCUMENTAÇÃO MURAL SONORO, LUÍS CILIA, 64ª RECOLHA DE ENTREVISTA QUOTA MS_00041 EUROPEANA SOUNDS.

[14] «A CANTIGA É UMA ARMA», CANÇÃO DE JOSÉ MÁRIO BRANCO FEITA EM 1973 E GRAVADA NA COMPILAÇÃO COM OS 4 PRIMEIROS SINGLES DO GRUPO/COLECTIVO, QUE AJUDOU A FUNDAR, GAC – VOZES NA LUTA, COM O NOME A CANTIGA É UMA ARMA, ANO 1975.

[15] + [16] RECOLHA JOSÉ MÁRIO BRANCO COM A QUOTA MS_00029 EUROPEANA SOUNDS, DO MINUTO 7 AO MINUTO 40 DO ÁUDIO DISPONIBILIZADO NO PORTAL MURAL SONORO, «HISTÓRIA ORAL», ABRIL, 2013.

[17] CANÇÃO QUE FAZ PARTE DO ÁLBUM MUDAM-SE OS TEMPOS, MUDAM-SE AS VONTADES, PRIMEIRO ÁLBUM A SOLO DE JOSÉ MÁRIO BRANCO, GRAVADO EM 1971 EM PARIS, ONDE O CANTOR ESTAVA EXILADO. ENTRE OS MÚSICOS PORTUGUESES QUE COLABORARAM NO DISCO, ENCONTRA-SE SÉRGIO GODINHO, AUTOR NESSE ANO TAMBÉM DO SEU PRIMEIRO DISCO, OS SOBREVIVENTES.

[18] NO LIMITE DA DOR, DE ANA ARANHA, COM CONSULTORIA HISTÓRIA DE IRENE FLUNSER PIMENTEL.

 

BIBLIOGRAFIA

SILVA, RUI FERREIRA DA (1996). “MAOISMO”, IN DICIONÁRIO DE HISTÓRIA DO ESTADO NOVO (DIR. FERNANDO ROSAS E JOSÉ MARIA BRANDÃO DE BRITO). LISBOA: BERTRAND EDITORES, PAG 546.

CARDINA, MIGUEL, MARGEM DE CERTA MANEIRA, TINTA-DA-CHINA, 1ª EDIÇÃO: OUTUBRO DE 2011.

COMUNISMO E NACIONALISMO EM PORTUGAL - POLÍTICA, CULTURA E HISTÓRIA NO SÉCULO XX, LISBOA, TINTA-DA-CHINA, 2008.

GOMES, PEDRO MARQUES, OS SANEAMENTOS POLÍTICOS NO DIÁRIO DE NOTÍCIAS NO VERÃO QUENTE DE 1975, ALÊTHEIA EDITORES, LISBOA, 2014.

ZARROW, PETER GUE, CHINA IN WAR AND REVOLUTION, 1895-1949, LONDON, ROUTLEDGE, 2005.

MARTINS, FERNANDO E OLIVEIRA, PEDRO AIRES (ED.), AS REVOLUÇÕES CONTEMPORÂNEAS, LISBOA, EDIÇÕES COLIBRI, 2005.

FONTES ORAIS

RUI D’ESPINEY, ENTREVISTA CEDIDA A ROSÁRIO LIRA E RICARDO ANDRADE NO ÂMBITO DE PROJECTO ON-LINE EXTREMA – ESQUERDA: PORQUE NÃO FIZEMOS A REVOLUÇÃO?, AUTORES: LUÍS MARINHO E ROSÁRIO LIRA, RTP, 25 DE NOVEMBRO DE 2015.

FRANCISCO MARTINS RODRIGUES, ENTREVISTA CEDIDA A ROSÁRIO LIRA E RICARDO ANDRADE NO ÂMBITO DE PROJECTO ON-LINE EXTREMA – ESQUERDA: PORQUE NÃO FIZEMOS A REVOLUÇÃO?, AUTORES: LUÍS MARINHO E ROSÁRIO LIRA, RTP, 25 DE NOVEMBRO DE 2015.

ENTREVISTA COM JOSÉ MÁRIO BRANCO, MURAL SONORO HISTÓRIA ORAL, 53ª RECOLHA DE ENTREVISTA REALIZADA POR SORAIA SIMÕES, 4 DE ABRIL DE 2013, QUOTA MS_00029, EUROPEANA SOUNDS, FEVEREIRO DE 2015.

SESSÃO DE DEBATE, TEMA «MÚSICA E SOCIEDADE», COM JOSÉ MÁRIO BRANCO MUSEU NACIONAL DA MÚSICA, COORDEN. SORAIA SIMÕES, PLATAFORMA ASSOCIAÇÃO MURAL SONORO, 28 DE ABRIL DE 2013.

 

20] (OUTROS) GRUPOS MAOÍSTAS, SEU TEOR E REPRESENTAÇÕES

CMLP – COMITÉ MARXISTA LENINISTA PORTUGUÊS, CRIADO PELOS MILITANTES DA FAP DE ORIENTAÇÃO (PRÓ) CHINESA E GÉNESE DE UM FUTURO PARTIDO COMUNISTA EM RECONSTRUÇÃO EM ABRIL DE 1964. DIRIGIDO POR FRANCISCO MARTINS RODRIGUES, JOÃO PULIDO VALENTE E RUI D’ESPINEY. CONTARÁ COM O REVOLUÇÃO POPULAR (ORGÃO TEÓRICO).

GPRL – GRUPO REVOLUCIONÁRIO PORTUGUÊS DE LIBERTAÇÃO, FUNDADO EM ARGEL NO ANO DE 1964 POR CARLOS LANÇA E PATRÍCIA MACGOWAN PINHEIRO POSICIONANDO-SE POLITICAMENTE NA LINHA CUBANA E CHINESA E APOIANDO TEMPORARIAMENTE A FAP.

URML – UNIDADE REVOLUCIONÁRIA MARXISTA LENINISTA (URML) CRIADA EM 1971, TENDO NASCIDO DE UMA PEQUENA CISÃO COM A CDE – COMISSÃO DEMOCRÁTICA ELEITORAL, OPOSIÇÃO DEMOCRÁTICA AO ESTADO NOVO, CONCORRENTE ÀS ‘’ELEIÇÕES’’ DE 1969.

MRPP – MOVIMENTO REORGANIZATIVO DO PARTIDO DO PROLETARIADO CRIADO EM DISTINGUINDO-SE DAS OUTRAS ORGANIZAÇÕES M-L POR NÃO TER-SE CONSEGUIDO IMPLANTAR NA EMIGRAÇÃO E POR CONSIDERAR QUE PORTUGAL NUNCA DEVERIA TER TIDO UM PARTIDO COMUNISTA. TEVE E, ARNALDO MATOS, CO-FUNDADOR E SECRETÁRIO GERAL DO MESMO, UMA FIGURA TUTELAR. FOI FUNDADO A 18 DE SETEMBRO DE 1970. CONTOU NAS SUAS FILEIRAS COM DOIS ‘’MÁRTIRES DA REVOLUÇÃO’’ – RIBEIRO SANTOS, ASSASSINADO EM 1972 PELA PIDE E ALEXANDRINO DE SOUSA, ASSASSINADO TRÊS ANOS DEPOIS, A 9 DE OUTUBRO, POR ELEMENTOS AFECTOS À UDP.

 

  

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