Luanda Cozetti (intérprete, autora)

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Luanda Cozetti (intérprete, autora)

72ª Recolha de Entrevista

 

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BI: Luanda Cozetti de Freitas, conhecida por Luanda Cozetti, é uma intérprete brasileira residente em Portugal.
Filha de Wanda Cozetti Marinho e de Alípio de Freitas, começa por reflectir nesta recolha, de que se disponibiliza online uma parte, em que medida a vivência dos pais (exilados políticos. O pai especialmente: preso politico no Brasil e que inspirou uma canção de José Afonso) influenciaram o seu percurso como indivíduo e intérprete, expressa ainda o significado da sua estadia em África, acompanhando a mãe no exílio no período entre os 9 e os 15 anos, e o papel estruturante assumido no periodo em que viveu em Brasília especialmente pelos corais onde cantou, os Bares onde actuou ou as participações com outras vozes e outros músicos com que se envolveu, atenta ainda sobre o seu apreço pelas palavras nas canções e na importância primeira que lhes atribui durante a escolha do seu repertório, mas também acerca do gosto que nutre pelo baixo acústico e da relação cumplice deste instrumento com a voz e sobre a importância de algumas das bandas/trilhas sonoras em que colaborou (a intérprete gravou, entre outros, músicas para a banda sonora da versão SBT da novela “Escrava Isaura” e para a série “Jamais te Esquecerei”).

Desde 1986, altura em que começou a cantar em casas nocturnas de Brasília, até à data em que esta recolha é efectuada Luanda esteve envolvida em diversas colaborações com músicos e compositores distintos e nesta conversa destaca projectos como o grupo vocal ‘Bico de Veludo’, ‘Projeto Sarau’, ‘Projeto Exião do Lazer’, entre outros.
Participou no CD “Sol” de Flávio Fonseca, no fonograma “Esperanto Internacional”, no CD “3ª ASA” de Manduka, na colectânea “Prá pirá Brasília” e no CD “Diversos” de Carlos Zimbher, mas só em 2001 gravou o seu primeiro fonograma a solo, e fala dele igualmente.
Formou o grupo Couple Coffee com o baixista Norton Daiello e é na sua chegada a Portugal que gravam o fonograma “Puro”, datado de 2005. Segue-se, com este grupo e em 2007, a publicação do fonograma “Tamanquinhas do Zeca”, dedicado a José Afonso e no ano 2008 “Young And Lovely”, uma homenagem aos 50 anos da ‘bossa nova’.

Em 2007 participou no fonograma “1970″, de JP Simões, e em 2009 com Sir Scratch no tema “Quanto Menos Esperas” da banda sonora do filme “Esperança está onde menos se espera” de Joaquim Leitão. Integrou também o projecto “Rua da Saudade”, uma homenagem ao poeta José Carlos Ary dos Santos, com as cantoras Viviane, Mafalda Arnauth e Susana Félix e que era, como conta na recolha, ‘um sonho antigo de Renato Junior’ (produtor do projecto).

Das, já mencionadas, múltiplas colaborações que atravessam o seu percurso na música são ainda de realçar até ao momento em que esta conversa aconteceu: a sua interpretação vocal no fonograma “Batacotô 3″ no ano de 2002 e colaborações nos “Projeto Prêt-a-porter – Coleção Outono inverno da MPB”, do poeta Sergio Natureza e Dakar Produções, e no CD relativo ao “Projeto Novo Canto”.

© 2013 Luanda Cozetti à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo
Recolha efectuada em Lisboa, na casa de Luanda

Som, Pesquisa, Texto, Fotografia: Soraia Simões

Conversa ao Correr das Músicas (ciclo Museu Nacional da Música), aqui

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Fado (s): Escritas e Autorias

Fado (s): Escritas e Autorias

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* As Sessões do Ciclo: Conversas à volta da Guitarra Portuguesa, a análise por temas e a sua contextualização, serão publicadas em livro e DVD apenas no próximo ano (2015). Quem quiser acompanhar cada tema e/ou sessão pode assistir às gravações das mesmas e mantendo-se informado dos temas e intervenientes das próximas sessões através desta área neste Portal.

José Luís Tinoco (músico: autor, pianista, compositor)

José Luís Tinoco (músico: autor, pianista, compositor)

71ª Recolha de Entrevista

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BI: José Luís Tinoco nasceu em Leiria no ano de 1932. É um músico, autor, compositor, ilustrador e cartoonista.

Neste excerto disponibilizado online, de uma recolha de conversa maior para o Arquivo, fala da importância da sua mãe (pianista, ex-discípula de Vianna da Motta, tocava regularmente com a Orquestra da Emissora Nacional a solo) e do seu pai (animador e organizador cultural) para o caminho que como autor, músico e compositor acabou por traçar, mas também da forte influência das bandas sonoras de filmes americanos das décadas de 30 e 40, dos tempos em Leiria, no Porto e posteriormente em Lisboa (nomeadamente no Hot Clube e Festivais RTP da Canção) e de como a ligação à música se ia mantendo, mudando e evoluindo, entre outros aspectos.

Autor de “Um Homem na Cidade” (música) em parceria com José Carlos Ary dos Santos (letra). 
Escreveu também a música e letra de “No Teu Poema” e muitas mais canções interpretadas por Carlos do Carmo e outros. Como, em exemplo, “Madrugada” (música e letra), que venceria o prémio RTP da Canção em 1975; “Os Lobos e Ninguém” ou “O Amarelo da Carris”, entre outras.

No final dos anos de 1990 foi autor de um fonograma cantado por Carlos o Carmo de nome “Margens”, para o qual compôs, arranjou todas as canções (há uma co-autoria apenas num tema desse disco, com Ivan Lins) e escreveu vários dos poemas dessas canções.

Muitas das canções que fez/musicou/escreveu foram feitas em parceria com poetas como José Carlos Ary dos Santos, António Lobo Antunes, Dinis Machado, Yvette Centeno, Pedro Tamen, Vasco Graça Moura, etc.

A sua formação académica : Arquitectura, não o impediu de se dedicar à música, como também à pintura e artes gráficas, ilustração, etc.

Fez parte do movimento que na década de 50 introduziu o jazz em Portugal, integrando regularmente os primeiros agrupamentos residentes do Hot Clube.

Nos anos 70 gravou um LP (para o qual escreveu a música, textos e arranjos) no universo do rock mas também do jazz de nome: “Homo Sapiens”.

Compôs igualmente música para peças de teatro, cinema e televisão.
O seu último CD, intitulado “Arquipélago”, é dedicado à sua vertente de compositor jazz. O CD inclui, entre outros, a participação dos músicos-pianistas Bernardo Sassetti, Mário Laginha e João Paulo Esteves da Silva.

A sua vertente de compositor de canções e ‘fado-canção’ é, no entanto, aquela que é mais conhecida por grande parte do público português. À data em que esta recolha é feita tem nas mãos um projecto que gravou com Cristina Nóbrega, o qual inclui ‘canções / fados’ e alguns músicos de jazz.

Esta variedade de influências musicais e visuais deveu-se, como explica na conversa, em grande parte ao facto de José Luís Tinoco ter familiares muito chegados na área das música, arquitectura, pintura e cenografia.

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ilustração de José Luís Tinoco no ano de 1954, feita na Cave do Hot Clube, Lisboa

© 2013 José Luís Tinoco à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Pesquisa, Som sem edição, texto: Soraia Simões

Recolha efectuada em Lisboa na casa de José Luís Tinoco

Música Popular, Ensino e Experimentação

Música Popular, Ensino e Experimentação

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Estação do Metropolitano Alto dos Moinhos – Rua João de Freitas Branco, 1500-359 Lisboa

*Tema “Música Popular, Ensino e Experimentação”
Intervenientes:
Maria João Magno (Projecto Tigelafone, formada em Ciências Musicais);
Victor Palma (Coordenador dos Serviços Educativos do Museu da Música, músico).
Moderadora: Soraia Simões


 

 

*As Sessões do Mural Sonoro que acontecem desde Janeiro de 2013 no Museu da Música passam a estar disponíveis a partir de Setembro de 2014 na Fonoteca do Museu. Excertos de algumas Sessões e pequenos textos serão publicados nesta área deste Portal.


Mantenham-se a par dos temas e intervenientes de cada uma destas Sessões durante o presente ano não só na área Iniciativas Mural Sonoro como no Portal do Museu da Música e apareçam para assistir que a entrada é gratuita.

 

Guitarras de Coimbra e Guitarras de Lisboa: sua construção, técnicas e difusão

Guitarras de Coimbra e Guitarras de Lisboa: sua construção, técnicas e difusão

   

A Terceira *Sessão do Ciclo: Conversas em Volta da Guitarra Portuguesa resultante da parceria estabelecida para o ano 2013-2014 com o Projecto de Arquivo e Documentação Mural Sonoro, dinamizado pela Autora e investigadora Soraia Simões, terá como tema: ‘Guitarras de Coimbra e Guitarras de Lisboa: sua construção, técnicas e difusão”.Os Intervenientes, de que se podem escutar entrevistas individuais aqui e aqui serão os reconhecidos construtores de cordofones Fernando Meireles (de Coimbra) e Óscar Cardoso (construtor de Lisboa). A Moderação estará como habitualmente a cargo de Soraia Simões.A entrada é livre, mas poderá garantir o seu lugar sentado marcando durante a semana para o número de telefone do A Muralha.Ilustração e Grafismo do Cartaz/Poster de Fernando Faria

Dia 3 de Novembro, Entrada Livre, 17h, Rua Jardim do Tabaco nr 112 — com A Muralha Tasca Tipica.

* As Sessões do Ciclo: Conversas à volta da Guitarra Portuguesa, a análise por temas e a sua contextualização, serão publicadas em livro e DVD apenas no próximo ano (2015). Quem quiser acompanhar cada tema e/ou sessão pode assistir às gravações das mesmas e mantendo-se informado dos temas e intervenientes das próximas sessões através desta área neste Portal.

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Amélia Muge (autora, intérprete, compositora)

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Amélia Muge (autora, intérprete, compositora)

55ª Recolha de Entrevista

 

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BI: Maria Amélia Salazar Muge, conhecida por Amélia Muge nasceu em Moçambique em 1952.
É uma autora (música, instrumentista, compositora) com já longa experiência.

Além do trabalho a solo tem colaborado, ao longo do seu percurso, com diversos autores nacionais e internacionais e musicado tanto poemas da sua autoria, poemas de vários poetas da língua portuguesa como, entre outros, poemas tradicionais ou de poetas/escritores como Fernando Pessoa ou Grabato Dias.

Nesta recolha de entrevista reflexiona, entre outros assuntos, sobre as suas primeiras motivações e experiências musicais ainda em Moçambique (do grupo com a sua irmã Teresa Irmãs Muge às influências moçambicanas das amas que tomavam conta de si e irmãos, ou as trazidas pelo pai para casa de repertórios tradicionais portugueses), das primeiras colaborações em Portugal com músicos como Julio Pereira ou José Mário Branco, Gaiteiros de Lisboa, João Afonso entre tantos mais, dos primeiros fonogramas que gravou a solo ( como "Múgica", lançado em 1992 ou "Todos os Dias" em 1994) e do que estes representaram no seu percurso de autora, da sua estreia na dramaturgia com "O Dono do Nada", e da importância da peça (pensada para crianças e adultos) especialmente no instigar a capacidade de concentração das crianças, da importância do som, da palavra, dos poetas e de noções de 'identidade' e 'espaço sonoro' na comunicação e criação musical e artística, nas políticas de desenvolvimento social e cultural, no preconceito em algum desses domínios com os autores nacionais, na riqueza proporcionada pelo encontro com Michales Loukovikas entre duas culturas (grega e portuguesa) que se traduziria, entre coisas mais, no fonograma ''Periplus'' editado em 2012.

Do extenso percurso de Amélia Muge destacam-se ainda as canções várias escritas para fadistas como Ana Moura, Mafalda Arnauth ou Mísia e temas com letras suas para  Gaiteiros de Lisboa,  Pedro Moutinho, Rui Júnior, Cristina Branco, entre outros. O trabalho com autores internacionais como Amancio Prada, Pirin Folk Ensemble, Camerata Meiga, Elena Ledda e Lucilla Galiazzi no colectivo "Terras do Canto", Carlo Rizzo e Ricardo Tesi, entre outros e os fonogramas (alguns já referenciados): Múgica (UPAV, 1992), Todos os Dias (Sony, 1994), Maio Maduro Maio - com João Afonso e José Mário Branco (Sony, 1995) que ganharia o Prémio José Afonso, Taco a taco (Polygram, 1998) em que ganharia o mesmo Prémio pela segunda vez, Novas vos Trago (1998), A Monte (Vachier, 2002), Não Sou Daqui (Vachier, 2007), Uma Autora, 202 Canções (Caracter Ediora, 2009) e Periplus, com Michales Loukovikas em 2012.

© 2013 Amélia Muge à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Edição, Som, Pesquisa, Texto: Soraia Simões

Fotografias: Augusto Fernandes
Recolha efectuada em LARGO Residências

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O Fado e as Outras Músicas Populares. Relações de Proximidade e Distância

O Fado e as Outras Músicas Populares. Relações de Proximidade e Distância

Info Retirada do Cartaz e Apresentação da Sessão nos habituais orgãos de difusão

O Espaço A Muralha – Tasca Típica em Alfama, estabeleceu a partir de Agosto uma parceria com o projecto Mural Sonoro. Trabalho acerca das músicas populares que se fazem em Portugal e nas diásporas e que tem na base do trabalho o registo de conversas para constituição de um Arquivo Sonoro com músicos, compositores, construtores de instrumentos, directores musicais que fazem parte deste contexto e da história da música popular em Portugal dos últimos 50 anos. O projecto Mural Sonoro é dinamizado pela investigadora Soraia Simões.

*A segunda Sessão ocorreu no dia 6 de Outubro (domingo) pelas 17h e os intervenientes foram o músico, compositor e autor Rão Kyao e o Fadista, Programador e ex Director de Semanários na área da música popular (destaque para o Musicalíssimo e para os Primeiro Festivais de Jazz em Cascais a par de Villas-Boas) João Braga, a apresentação e moderação estará a cargo de Soraia Simões.

A Entrada foi Livre. Falou-se nesta Segunda Sessão das relações de proximidade e distância entre o fado e outras músicas populares. O papel conferido à guitarra portuguesa no domínio do fado e de outros instrumentos que o visitam ou permanecem nele há um tempo vital, como o caso do saxofone e mais tarde as flautas usadas por Rão Kyao neste universo musical. A Guitarra, nestas sessões, estará sempre presente. Fisicamente e nas conversas.
Também a guitarra de Coimbra, na voz dos seus mais reconhecidos construtores, tocadores e estudiosos marcará presença nestas sessões em Lisboa.

Autora, Moderadora: Soraia Simões

[Poster de Julita Zoe a partir de uma ilustração de Stuart Carvalhais]
 

Das duas horas da sessão que ficarão integralmente em Arquivo físico para memória futura a partir do ano de 2014, estão disponíveis, sem cortes pelo meio, como nas anteriores estes cerca de 40minutos:

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O Fado e as Outras Músicas Populares 2.jpg


O Fado e as Outras Músicas Populares 3.jpg

Kabeção (músico professor, ''handpan'': construtor, tocador)

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Kabeção (músico professor, ''handpan'': construtor, tocador)

57ª Recolha de Entrevista

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BI: Carlos Rodrigues, ou Kabeção como é conhecido no meio musical, nasceu em Lisboa no ano de 1989.

É um músico e formador com experiência com os mais diversos tipos de instrumentos de percussão, como darbuca, cuica ou hang (handpan). Em 2006 fundou o seu primeiro projecto com o nome de "Tribolados", juntamente com Joana Gomes e Hugo Franganito. Em 2010 estudou na Escola de Música JB jazz em Lisboa, onde aprendeu e desenvolveu a cultura e a teoria musical.

Nesta recolha de entrevista o músico entre outros assuntos fala da descoberta do 'handpan' em 2008 e de algumas das características do mesmo, da introdução e aceitação do mesmo no ensino (através das aulas que dá), da experiência e gosto em tocar na rua que sempre teve e permanece, da importância da acústica e espaço sonoro para o seu desempenho com este instrumento em particular, da importância do registo fonográfico com este instrumento no seu percurso musical, ou do papel do público e dos Festivais para a difusão, aproximação e aceitação do mesmo.

Desde de 2006 que Carlos Rodrigues já partilhou palco com músicos e grupos musicais de diversos universos dentro da música popular, como: Kumpania Algazarra, Roncos Do Diabo, Katharsis, Farra Fanfarra, Winga (Blasted Mechanism), Puntzkapuntz, Sebastião Antunes, Didge n'Bass, Rizumik, Terra Livre, No Joke Soundsystem, El Gadzé, Richie Campbell, Green Echo e artistas internacionais mundialmente conhecidos como Wild Marmalade , Drubravko Lapaine, Iban Nikolai e Sidy Sissokho.

Desde que conheceu o instrumento que dá pelo nome Hang, em 2008, pelas mãos de Ortal Pelleg que tocava nas ruas de Lisboa, tem explorado os mais variados registos rítmicos e melódicos deste instrumento.

Até à aquisição do primeiro Handpan (também chamado 'Disco Armónico' vindo de Itália feito por Marco Della Ratt) e apreensão dos métodos para o construir e afinar gravou o seu primeiro EP a solo"High Awakening Natural Gain'' em Inglaterra no estúdio de Mário Figueiredo.

Carlos está ligado à execução e evolução de uma série de instrumentos, alguns já referidos outros evocados durante o registo desta conversa para o Arquivo Mural Sonoro, como Bateria, Tablas, Hang, Didgeridoo, Darbuca, Cuica, Daf, Cajon, Bansuri, Sansula, Metalofone, Taças Tibetanas, tem também sido construtor de Handpans ("GuruzPan") e de Didgeridoos (utilizando na construção os mesmos materiais, como Piteira/Avenca).

© 2013 Carlos Rodrigues (Kabeção) à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Edição, Pesquisa, Som, Texto: Soraia Simões

Recolha de Entrevista e Musical em LARGO Residências

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Janita Salomé (músico, intérprete)

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Janita Salomé (músico, intérprete)

67ª Recolha de Entrevista

 

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BI: João Eduardo Salomé Vieira, ou Janita Salomé - como ficou conhecido no meio musical - nasceu na vila do Redondo no ano de 1947.

É um intérprete reconhecido pertencente a uma família de outros músicos reconhecidos na Música Popular que foi feita em Portugal nos últimos 40 anos. Começou a cantar com 9 anos, incentivado pela família - especialmente pelo pai, também cantor (tarefa que acumulava com a actividade de ourives) tendo depois dos 16 anos integrado algumas orquestras (assim se chamavam ao conjunto de músicos - com instrumentos diversos, como em exemplo: contrabaixo ou piano que o formavam, todos da família de Janita: tios maternos e os irmãos mais velhos), mas foi aos 18 anos que Janita salomé saiu do Alentejo para Lisboa (onde trabalhou primeiramente como funcionário judicial).

Nesta recolha de entrevista explica alguns dos motivos/motivações que fizeram, até hoje, parte do seu percurso na música, do que mudou, de algumas considerações que dizem respeito ao fado, à 'Canção de Coimbra', às 'músicas tradicionais' e às manifestações de tradição oral, mas também das principais diferenças de comportamento dos músicos que já contam com alguns anos de caminhada, das fragilidades patentes nos círculos de difusão, indústria fonográfica e de promoção (O disco do projecto Vozes do Sul, dirigido por Janita Salomé, com a intenção de celebrar o 'cante alentejano', foi editado em 2000. No disco participaram: Os Ceifeiros de Pias, As Camponesas de Castro Verde, Grupo da Casa do Povo de Serpa, Cantadores do Redondo, Filipa Pais, Bárbara Lagido e Catarina, Marta, Patrícia, Janita e Vitorino por parte da família Salomé. O disco estava pronto desde 1998 mas só saiu em 2000 porque não foi fácil arranjar editora. A edição foi da Capella, uma etiqueta ligada à empresa Audiopro. O disco Vozes do Sul foi distinguido com o Prémio José Afonso) para a música em Portugal, etc.
Nos discos que marcam o seu percurso estão entre outros:

Melro (1980); LP; Orfeu

Lavrar em teu peito (1985); LP; EMI

Lua Extravagante (1991); LP; EMI

Raiano (1994); CD; Farol Música

Tão pouco e Tanto (2003); CD; Capella
Cantar ao sol (1983); LP; EMI

Olho de fogo (1987); LP;Transmédia

A cantar à Lua (1991); LP; Edisom

Vozes do sul (2001); CD; Capella

Utopia ( 2004); CD; EMI

Janita tem também colaborado com uma quantidade considerável de outros autores e intérpretes. Dessas colaborações, destacam-se: a sua participação no disco Canções de Embalar organizado por Nuno Rodrigues, onde interpreta o tema "Matita" de parceria com Sara Tavares.

O disco Tão Pouco e Tanto, com cinco temas inéditos e seis regravações, foi editado em Maio de 2003. Nele participaram José Peixoto, Mário Delgado, Pedro Jóia e Dulce Pontes, no tema "Senhora do Almortão" (apesar do feito, só em Março de 2004 surgiu a apresentação de Tão Pouco e Tanto no Grande Auditório do CCB), nos 30 anos da Revolução dos Cravos, surge "Utopia", registo dos dois concertos de Vitorino e Janita Salomé, realizados no CCB, em 1998, onde em homenagem a Zeca Afonso, interpretaram canções do compositor. O álbum A Cantar à Lua, que implicou uma recolha de Canções de Coimbra dos anos 20 e 30, foi editado em 1991, tendo nele participado António Brojo e António Portugal e de que fala com apreço nesta recolha, foi também um dos participantes no disco Canções proibidas: o Cancioneiro do Niassa, com as canções de campo da guerra colonial, onde pontificaram também outros interpretes como Rui Veloso, Paulo de Carvalho e Carlos do Carmo, entre outros.

© 2013 Janita Salomé à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Edição, Pesquisa, Som, Texto: Soraia Simões

Fotografia de recolha de entrevista: Augusto Fernandes

Fotografia de capa: Helena Silva no âmbito das Sessões de debate do Mural Sonoro no Museu da Música com o título: «Cante alentejano: o discurso sobre o território e as identidades», que pode ouvir aqui


 

 

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João Sousa (Oleiro/Construtor de Instrumentos em Barro)

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João Sousa (Oleiro/Construtor de Instrumentos em Barro)

56ª Recolha de Entrevista

                                                                                                                                    Only with permission

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Quota MS_00019 Europeana Sounds

BI: João Sousa nasceu no ano de 1974 em Lourenço Marques (actual Maputo), Moçambique.

É um Oleiro português, que estudou em Coimbra alguma da arte da Cerâmica e Olaria e mais tarde com um 'mestre chinês' a confecção de ocarinas em barro.

Dos primeiros objectos construídos com barro (com um fim decorativo e seguindo os métodos tradicionais) passou para a construção dos mais diversos instrumentos de percussão (como membranofones: adufes em barro por exemplo), cordas ou sopros e foi evoluindo na construção dos mesmos.

No momento em que esta recolha é efectuada (em Março de 2013) João Sousa dedica-se exclusivamente ao desenvolvimento das práticas em prol da construção dos instrumentos explorando, com a ajuda de músicos e investigadores, as mais variadas técnicas para tirar diferentes sons e até melodias dos instrumentos que desenvolve.

Nesta recolha é crítico em relação às dinâmicas em Portugal que incentivem a prática e difusão da Olaria nacional e sente-se como o único no presente com essa papel dentro de uma arte considerada 'saloia' e em que há pouco investimento ou disponibilidade por parte dos poderes locais, explica também as diferentes formas de produzir alguns dos instrumentos que constrói, como tem chegado ao público, nomeadamente autores/compositores/músicos (embora também o cinema e performance tenha já recorrido a este género de instrumentos musicais que elabora para introduzir nas suas criações/apresentações performativas e de espectáculo), etc.

© 2013 João Sousa à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Edição, Pesquisa, Som, Texto: Soraia Simões
Recolha Efectuada em Areeiro (Atelier 'Red Clay' de João Sousa

Fotografias: Augusto Fernandes

 

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Luís Cilia (músico, ex intérprete, autor, compositor)

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Luís Cilia (músico, ex intérprete, autor, compositor)

64ª Recolha de Entrevista

 

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BI: Luís Cília nasceu no Huambo (Angola) no ano 1943.
Veio para Portugal em 1959, onde deu continuidade à sua formação académica.

Em 1962 conheceu o poeta Daniel Filipe que o incentivou a musicar poesia. É nesse ano que tem as suas primeiras experiências nesse âmbito (“Meu país”, ”O menino negro não entrou na roda”, que viriam a ser incluídos no seu primeiro registo fonográfico gravado em França, para a editora Chant du Monde). Em Abril de 1964 partiu para Paris, onde viveu até 1974.

Em França estudou guitarra clássica com António Membrado e composição com Michel Puig.

Entre 1964 e 1974 realizou recitais em quase todos os países da Europa.
Depois do seu regresso a Portugal continuou a gravar discos, como compositor e intérprete e a realizar recitais. Como intérprete gravou dezoito discos, alguns dos quais dedicados exclusivamente a poetas tais como Eugénio de Andrade (“O Peso da Sombra”), Jorge de Sena (“Sinais de Sena”) ou David Mourão Ferreira (“Penumbra”).

Nos últimos anos tem-se dedicado apenas à composição, nomeadamente para Teatro, Bailado e Cinema.

Nesta recolha de entrevista Luís Cilia recorda as motivações que estiveram na origem do seu percurso como músico, intérprete e sobretudo compositor e produtor, as suas referências culturais e musicais, alguns sectarismos que o fizeram gerar polémica nos universos por onde à data gravitava (como, em exemplo, conta a respeito de uma célebre entrevista que deu, logo no dia 25 de Abril de 1974 a Mário Contumélias, em que afirmava que o fadista Alfredo Marceneiro era um cantor revolucionário, dizendo isto para contrariar a envolvência sectária de alguns ‘militantes da época’ a respeito do universo do fado), de algumas das histórias e ideias que vivem em alguma da sua obra discográfica, etc.

Luís Cilia foi o primeiro cantor que no exílio denunciou a guerra colonial e a falta de liberdade em Portugal. A sua actividade constante, a partir de 1964, tanto discográfica como no que diz respeito à realização de recitais, fê-lo profissionalizar-se em 1967. Durante vários anos dedicou-se ao estudo de harmonia e composição. Formação musical e experiências que o tornaram num dos mais respeitados compositores do século XX e da actualidade, procurado pelas mais distintas instituições, nomeadamente desde que, nos anos 80, optou exclusivamente pela composição devido às muitas solicitações, e elogiado por outros autores de modo frequente como o caso do músico José Mário Branco, do poeta e letrista Manuel Alegre, do escritor Urbano Tavares Rodrigues ou dos músicos Pedro Caldeira Cabral e Sérgio Godinho, entre tantos outros.

Em Maio de 2013 a Sociedade Portuguesa de Autores atribuía-lhe a Medalha de Honra pelo trabalho desenvolvido nos últimos anos.

© 2013 Luís Cilia à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Som, Pesquisa, Texto: Soraia Simões

Fotografias: Augusto Fernandes

Recolha efectuada em Casa de Luís Cilia

Nota: Projecto da RTP on-line Extrema-Esquerda: porque não fizemos a revolução?, temáticas do filme O Salto, por Soraia Simões, aqui »»»

Nota importante: Em Março de 2017 relembrava a Luís Cilia o concerto “La Chanson de Combat Portugaise”, do qual a RTP, cumprindo a sua missão de serviço público, disponibiliza agora uma boa parte no seu arquivo on-line* (1), hoje recebo uma mensagem do Luís «Soraia, tem o (ignóbil) panfleto que esse grupo distribuiu à entrada da Mutualité? Se não tem posso enviar-lhe (...)». «Envie-me Luís. Adorava ver isso». E aqui está ele, servindo-me no trabalho e cumprindo (me) também na minha missão.

O panfleto é assinado pelo Comité «Viva a Revolução, mas Proletária». (1)*RTP Arquivos** aqui »»»

para mais detalhes acerca deste documento, contacte-me

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Óscar Cardoso (Construtor de guitarra portuguesa)

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Óscar Cardoso (Construtor de guitarra portuguesa)

69ª Recolha de Entrevista

 

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BI: Óscar Manuel Barbedo Cardoso nasceu no ano de 1960 em Oliveira do Douro (Distrito de Viseu) . É um Guitarreiro reconhecido especialmente no meio musical lisboeta e no universo do fado, embora construa para músicos de outros universos.

O construtor tem trabalhado no restauro e construção de instrumentos de corda desde há mais de 34 anos. É “Guitarreiro”. Chegou a esta actividade por influência do pai, o construtor Manuel Cardoso, cuja oficina, no Casal do Privilégio em Odivelas (Lisboa), hoje ocupa.

Nesta recolha de conversa que com ele fiz para o Arquivo explica-me entre outros aspectos que com cerca de oito anos começou a procurar na oficina do pai ferramentas diversas com que se ia entretendo, que durante muitos anos se limitou a aprender com o pai e a serrar, aplainar, afinar ferramentas. Depois passou a fazer reparações e reconstruções de todo o tipo de instrumentos, de violinos a guitarras portuguesas passando por alaúdes, mas fala também de como vê o cenário da construção nomeadamente de guitarras portuguesas, das suas referências, dos seus anseios, das suas convicções no que concerne à feitura de instrumentos, etc.

As suas guitarras e violas são hoje tocadas por, entre outros, José Manuel Neto, Carlos Manuel Proença, Custódio Castelo, Mário Pacheco, Filipe Lucas, Edgar Nogueira, João Alvarez, Pedro Jóia, José Peixoto, Arménio de Melo, Ângelo Freire, Diogo Clemente, Jaime Santos Júnior, César Silva, Bernardo Couto, numa lista de solicitações ao seu trabalho que tem crescido nos últimos anos.

© 2013 Óscar Cardoso à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Som, Pesquisa, Texto: Soraia Simões

Fotografias: André Cardoso

Recolha efectuada em Odivelas na sua oficina
 

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Carlos Guerreiro (músico, construtor de instrumentos, Gaiteiros de Lisboa)

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Carlos Guerreiro (músico, construtor de instrumentos, Gaiteiros de Lisboa)

61ª Recolha de Entrevista

 

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BI: Carlos Guerreiro nasceu em Lisboa no ano de 1954. É um músico, construtor de instrumentos, marceneiro-entalhador, escultor e professor, que começou por aprender guitarra. No ano em que acabou o liceu (ano em que se dá a Revolução de Abril) Carlos Guerreiro foi para o Conservatório para o curso de Educação pela Arte e no fim dos estudos iniciou um percurso de professor a dar aulas a alunos invisuais no Centro Helen Keller. Estudou mais tarde, a Arte de Trabalhar a Madeira, na Fundação Ricardo Espírito Santo, e esteve 20 anos a ensinar música a doentes com paralisia cerebral. Em 1991 fundou o Grupo Gaiteiros de Lisboa.

Nesta recolha de entrevista Carlos fala do seu percurso, da associação ao universo de onde os Gaiteiros surgiram (de uma 'música tradicional') e daquele a que poderão ter sido associados (a 'um universo musical e cultural político'), dos vários fonogramas editados e das suas actuações em toda a Península Ibérica, da relação entre música e educação, das evoluções e retrocessos na indústria cultural no geral e fonográfica em particular desde a sua estreia (com o colectivo que ajudou a criar - Gaiteiros de Lisboa) ao vivo a 21 de Março de 1994, do que representam para si conceitos como ''música portuguesa'' ou ''identidade'', etc.

No legado fonográfico do grupo Gaiteiros de Lisboa contam-se até à data em que a recolha é efectuada os seguintes álbuns: Invasões Bárbaras (de 1995), Bocas do Inferno (de 1997), Dança Chamas (de 2000), Macaréu (de 2002), Sátiro (de 2006) e Avis Rara (editado no ano de 2012).

© 2013 Carlos Guerreiro à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Som, Pesquisa, Texto: Soraia Simões

Fotografias: Augusto Fernandes

Recolha efectuada em casa de Carlos Guerreiro

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Vitorino (músico, intérprete)

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Vitorino (músico, intérprete)

39ª Recolha de Entrevista

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BI: Vitorino Salomé Vieira nasceu em 1942 no Redondo (Alentejo).

É um cantor e compositor de 'música popular portuguesa' de longo percurso, com uma forte tradição familiar na música.

Cursou Belas Artes, mas cedo enveredou por circuitos musicais associados a alguma boémia.
Emigrou para França (Paris) onde se reuniu com outros autores como José Mário Branco ou Sérgio Godinho, passou por Cuba, Rio de Janeiro, Israel e aos 20 anos veio para Lisboa.

Amigo de Zeca Afonso colaborou em alguns dos seus fonogramas (Coro dos Tribunais), bem como nos de Fausto Bordalo Dias, entre outros.
O seu primeiro single foi lançado em 1974 (‘Morra Quem Não Tem Amores’), o mesmo ano em que participa no célebre concerto de Março de 1974 (no Coliseu) ‘Encontro da Canção Portuguesa’.

Desde o ano de 1975 (em que apresenta o seu primeiro longa duração: Semear Salsa ao Reguinho – e onde se encontram canções populares como ‘Menina Estás à Janela’ ou “Cantiga d'um Marginal do séc. XIX”, entre outras) até 2012 (em que lança ‘Moda Impura’, com textos maioritariamente de António Lobo Antunes) vai um longo caminho que o estruturaram enquanto homem e músico, e onde ficaram outros fonogramas da sua autoria (além das participações várias noutros grupos e com outros músicos de panoramas musicais diversos*) como: Os Malteses (de 1977) , O Cante da Terra (de 1979), Romances (de 1980), Flor de la Mar (de 1983), Leitaria Garrett (lançado em 1984), Sul (de 1985), o maxi-single “Joana Rosa” (de 1986), Negro Fado (de 1988), co-produzido por António Emiliano e José Manuel Marreiros, e que venceria o Prémio José Afonso, Lua Extravagante (um Quarteto composto por Filipa Pais e os seus irmãos Janita e Carlos Salomé e que originaria o álbum, com o mesmo nome do Quarteto, editado no ano de1991, Eu Que Me Comovo Por Tudo E Por Nada (de 1992, com textos de António Lobo Antunes, que venceria pela segunda vez, no ano a seguir ao seu lançamento, o Prémio José Afonso, assim como, no mesmo ano, o Se7e de Ouro para Música Popular), a compilação As Mais Bonitas de 1993 (com regravações de “Laurinda” e de “Menina Estás à Janela” e a gravação de Vitorino para “Ó Rama Ó Que Linda Rama”), A Canção do Bandido (de 1995).

*Não esquecendo, como referido, as suas colaborações ou projectos de que foi fundador, como entre outros, Rio Grande (com Rui Veloso, Tim, João Gil e Jorge Palma), os dois espectáculos (de um repertório menos conhecido de Zeca Afonso) ‘A Utopia e a Música’ no âmbito do Festival 100 dias da Expo 98 apresentado no Centro Cultural de Belém, o disco gravado, no ano de 1999, em Cuba com o Septeto Habanero, a solidariedade, através da música, com Pedro Barroso e Isabel Silvestre, com a campanha da Fenprof para recolocar o sistema educativo timorense (fonograma Uma Escola Para Timor, de 2000), o álbum Os Amigos - Coimbra nos arranjos de António Brojo e António Portugal ( com a sua participação e as de Luís Góis, Janita Salomé, Almeida Santos ou Manuel Alegre),Tango, El Perro Negro Canta (gravado em Buenos Aires , mas com três temas gravados em Lisboa, o qual dedicou à memória do pintor João Vieira), as colaborações com Brigada Vitor Jara, José Cid, Couple Coffee, entre alguns mais.

Nesta recolha Vitorino atenta um pouco o seu percurso na música e do qual não se dissociam as questões de uma ‘identidade cultural’, do surto de manifestações socio-culturais e musicais que não lhe são indiferentes, repassando simultaneamente para as ‘culturas e práticas musicais locais’, sobre a conjectura socio-política de um tempo e dos seus avanços e recuos, da sua evolução no meio musical, do seu afastamento e aproximação tardia a uma indústria cultural implementada e irregular, de uma possível ‘esquerda militante’ fomentada especialmante no seio académico associada à canção e numa outra protegida por uma política de Estado Novo, sobre uma noção de cosmpolitismo e do pensar as músicas através de uma periferia e de outras ideias como ‘tradição’, ‘invasão anglo-saxónica’ ou práticas musicais como o ‘cante alentejano’ ou ‘as modas’, o ‘fado’, mas também coreográficas como ‘o tango’e ‘o flamenco’, entre outras perspectivas suas que poderá escutar nesta gravação.

© 2013 Vitorino à conversa com Soraia Simões Perspectivas e Reflexões no Campo

Som, Pesquisa, Texto: Soraia Simões

Fotografia: Inês Teles

Recolha efectuada em LARGO Residências, Lisboa

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Ivan Lins (músico: autor, compositor, pianista, intérprete)

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Ivan Lins (músico: autor, compositor, pianista, intérprete)

65ª Recolha de Entrevista

 

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BI: Ivan Guimarães Lins, conhecido por Ivan Lins, é um músico e compositor reconhecido pelos mais diversos compositores do mundo. Nasceu no ano de 1945 no Rio de Janeiro.

Nesta recolha de entrevista expressa algumas interpretações que faz dentro do percurso musical que já traçou: dos Grammys que recebeu (fruto das inúmeras gravações da sua obra pelo mundo) da importância e facilidade que observou desde criança em si com o ritmo e dos arranjos mais sofisticados que com a evolução e profissionalização na música foi atingindo, da influência e importância dos quadrantes sociais e políticos na música que produziu e gravou e da mesma influência/importância para a geração de músicos dos anos 70, do seu apreço pelas músicas tradicionais em Portugal e da ligação (sobretudo no contexto melódico e harmónico) com as executadas no Brasil, do papel das gravadoras (editoras discográficas) no período de maior censura da música popular no Brasil e de algumas da sua autoria que não passaram nesse censor, etc

Ivan Lins editou inúmeros fonogramas, muitos deles de grande repercussão. Procurou ligar-se às questões contemporâneas de cada época, e foi expandindo a sua forte linguagem de compositor.
A partir da segunda metade dos anos de 1980, principalmente nos EUA, onde foi gravando com intérpretes ou produtores relevantes no panorama mundial, como Sarah Vaughan, Quincy Jones, Ella Fitzgerald, Carmen McRae ou Barbara Streisand entre outros, tornou-se no músico brasileiro com mais gravações feitas, até hoje, internacionalmente. No Brasil gravou com nomes como Elis Regina, Simone, Quarteto em Cy, Gal Costa, Emílio Santiago, Djavan, Gonzaguinha entre tantos mais.

Em 1991 fundou a editora discográfica Velas, de que também fala na recolha, em conjunto com o seu parceiro de longa data: Vitor Martins. uma editora independente e nacional que editou fonogramas e lançou, na altura, estreantes como Guinga, Chico Cesar ou Lenine e apoiou nomes já reconhecidos como Edu Lobo, Fatima Guedes, Zizi Possi, etc.

Ivan Lins também compôs música para cinema (destaque para os filmes “Dois Córregos” e “Bens Confiscados” de Carlos Reichenbach, tendo ganho o prémio de “Melhor Trilha Sonora” no III Festival Luso-Brasileiro Santa Maria da Feira). Além das suas composições para diversas trilhas e temas para Séries e Novelas.

No seu legado fonográfico, até à data em que este registo (disponibilizado apenas parte, já que constará de um livro com as várias recolhas de entrevistas transcritas) é feito, destacam-se: 
Agora (1970)
Deixa O Trem Seguir (1971)
Quem Sou Eu (1972)
Modo Livre (1974)
Chama Acesa (1975)
Somos Todos Iguais Nesta Noite (1977)
Começar de novo (1977)
Nos Dias de Hoje (1978)
A Noite (1979)
Novo Tempo (1980)
Daquilo Que Eu Sei (1981)
Depois dos Temporais (1983)
Juntos (1984)
Ivan Lins (1986)
Mãos (1987)
Love Dance (1988)
Amar Assim (1989)
Awa Yiô (1993)
A Doce Presença de Ivan Lins (1994)
Anjo de Mim (1995)
I'm Not Alone (1996)
Acervo Especial, Vol. 2 (1997)
Ivan Lins/Chucho Valdés/Irakere/Ao Vivo (1996)
Viva Noel: Tributo a Noel Rosa Vols. 1, 2 (1997)
Live at MCG (1999)
Dois Córregos (1999)
Um Novo Tempo (1998)
A Cor Do Pôr-Do-Sol (2000)
Jobiniando (2001)
Love Songs - A Quem Me Faz Feliz (2002)
I Love Mpb - Amor (2004)
Cantando Histórias (2004)
Acariocando (2006)
Saudades de Casa (2007)
Regência: Vince Mendoza (2009)
Abre Alas (2009)
Ivan Lins & Metropóle Orchestra (2009)
Perfil (2010)
Íntimo (2010)
Amorágio (2012)

© 2013 Ivan Lins à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Som, Pesquisa, Texto: Soraia Simões

Fotografias: Augusto Fernandes

Recolha efectuada em LARGO Residências (Lisboa)

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Pedro Moutinho (intérprete, fado)

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Pedro Moutinho (intérprete, fado)

70ª Recolha de Entrevista

 

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BI: Pedro Moutinho nasceu em Oeiras no ano de 1976. Antes de se profissionalizar no fado, em meados da década e 90, já se tinha iniciado a cantar aos 8 anos. Passou pelo Coro de Santo Amaro de Oeiras e pelo grupo Ministars durante a adolescência. Nesta recolha, da qual se disponibiliza uma parte online, explica como iniciou o seu percurso no fado: em simultâneo com um trabalho como lojista num Pronto a Vestir e aos fins-de-semana, nos “Clube de Fado Amália” e “Forte D. Rodrigo”. Até chegar o convite para integrar o elenco do “Café Luso”. Onde passou a actuar, em 1999, como profissional, fala ainda de como vê as mudanças de processos no universo musical do qual faz parte, da relevância que assumiu para si a participação na criação do 'Quinteto Fados de Lisboa' (no ano 2000) e que era composto por instrumentos como: guitarra portuguesa, viola, viola-baixo, saxofone e soprano, do convite de Carlos Zel para cantar no 'Quartas de Fado' no Casino Estoril, das diferenças que na sua opinião considera mais significativas entre o circuito de fado nas Casas de Fado e o dos Palcos fora desse âmbito, do seu primeiro registo fonográfico editado pela Som Livre no ano de 2003, do filme com cariz documental composto por vários episódios (um deles confinado ao fado) no qual entrou e que foi realizado por Carlos Saura em 2007, entre outros assuntos. No seu legado fonográfico contam-se, a solo, os seguintes trabalhos até à data em que esta recolha foi efectuada: Primeiro Fado (Som Livre, 2003) Encontro (Som Livre, 2006) Um Copo de Sol (Iplay, 2009) Lisboa Mora Aqui - O Melhor de Pedro Moutinho (Iplay, 2010) O Amor Não Pode Esperar (2013)

© 2013 Pedro Moutinho à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Som, Pesquisa, Texto: Soraia Simões

Fotografias: Augusto Fernandes

Recolha efectuada no espaço Casa da Severa, na Mouraria 

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Quiné Teles (músico: percussionista)

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Quiné Teles (músico: percussionista)

30ª Recolha de Entrevista

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BI: Joaquim Manuel Ferreira Teles, conhecido por Quiné, nasceu no distrito de Aveiro (Ílhavo) no ano de 1963 e vive no mesmo distrito actualmente.

Percussionista/Baterista, mas também produtor, autor e formador, com cerca de 30 anos de actividade, com um percurso transversal, desde o jazz à Música Tradicional Portuguesa.

Actualmente, para além das mais diversas participações como freelancer, desenvolve o seu trabalho a solo DaCorDaMadeira e faz oficinas de Percussão, Lengalengas e Movimento, como alternativa pedagógica à aprendizagem rítmica convencional.

Nesta recolha reflecte, entre outros aspectos, sobre o ser músico, e nomeadamente percussionista em Portugal, em algumas das características técnicas e artísticas intrínsecas à prática musical que desempenha, no significado de tocar/apresentar-se além-fronteiras para alguns dos músicos e autores portugueses, na escassa solidariedade por parte dos músicos no seu país, na pouca eficácia dos organismos locais ou autónomos no que concerne à divulgação e apoio da cultura musical, nas diferenças entre a criação no centro/capital e nos espaços afastados desse centro/cidade. ou do que um músico com anos de experiência ainda pode procurar na actividade que desempenha.

© 2012 Quiné Teles à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Som, Pesquisa, Texto: Soraia Simões

Recolha efectuada em LARGO Residências

 

 

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Composições e Autorias para Fado

Composições e Autorias para Fado

 A primeira Sessão ocorreu no dia 25 de Agosto (domingo) pelas 18h e os intervenientes foram o músico, compositor e autor Daniel Gouveia e o músico e compositor Paulo de Carvalho, a apresentação e moderação esteve como habitualmente  a cargo de Soraia Simões.
 

Falou-se nesta primeira Sessão de composições e Autorias no Fado. A Guitarra esteve presente, com Filipe Lucas que tocou alguns dos temas do disco Mátria de Paulo de Carvalho, que também tocara na gravação deste fonograma em 1999, enquanto Paulo de Carvalho explicou algumas das suas composições neste disco.


Também a guitarra de Coimbra, na voz dos seus mais reconhecidos construtores, tocadores e estudiosos marca presença  nestas sessões em Lisboa. No espaço A Muralha, em Alfama, e no Museu da Música nos anos de 2013 e 2014 respectivamente.



Breve Sinopse dos  Intervenientes:



Daniel Gouveia nasceu em Lisboa, é um músico, editor, compositor com reconhecidas publicações no âmbito da música popular, nomeadamente no fado, como entre outros:

« Arcanjos e Bons Demónios » (Hugin Editores, Lisboa Nov. 1996; 2.ª ed. Jun. 2002) - livro adoptado na cadeira de Cultura Portuguesa e Brasileira, para estudo da guerra colonial portuguesa de 1961-75, e usado na cadeira de Tradução Português-Espanhol, da Universidade de Santiago do Chile. Reeditado por DG Edições, Linda-a-Velha, Set. 2011, integrado na colecção «Fim do Império», em 3.ª ed. prefaciada, aumentada, acompanhada de um CD contendo 198 fotografias do autor, legendadas com excertos do texto, «A Prenda» (Hugin Editores, Lisboa, Dez. 2000), in Contos Eróticos de Natal, obra colectiva onde participaram, entre outros, José Jorge Letria, Jorge Guimarães, Luísa Monteiro e Miguel Roza (sobrinho de Fernando Pessoa), «O Fado – Origens e evolução», in Brotéria, vol. 168, Maio/Junho 2009. Artigo, «Ao Fado tudo se canta?» (DG Edições, Linda-a-Velha, Mai. 2010). Ensaio musicológico encomendado pelo Museu do Fado no âmbito da candidatura do Fado a Património da Humanidade. 364 págs, acompanhado de 3 CDs com 190 exemplos musicais, «Poetas Populares do Fado Tradicional »(Imprensa Nacional – Casa da Moeda), em co-autoria com Francisco Mendes ou No prelo. Antologia dos poetas populares de Fado Tradicional até 1970, encomendado pelo Museu do Fado no âmbito da candidatura do Fado a Património da Humanidade. Faz conjunto com Poetas Eruditos do Fado, de Vasco Graça Moura, também no prelo. 



Paulo de Carvalho nasceu em Lisboa é um músico e compositor que conta já com 50 anos de percurso na música, autor das mais belas músicas para fados populares bem conhecidos entre nós como: '' O Homem das Castanhas'', ''Lisboa Menina e Moça'', ''Os Putos'', ''O Cacilheiro'' ou fonogramas como ''Desculpem Qualquer Coisinha'' (de 1985), ''Fados Meus'' (de 1996) ou ''Cores do Fado'' (de 2004). 
 

João Braga (intérprete, fado, autor)

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João Braga (intérprete, fado, autor)

68ª Recolha de Entrevista

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BI: João de Oliveira e Costa Braga nasceu no ano de 1945 em Lisboa.

Nesta recolha fala da sua estreia a cantar aos nove anos, como solista do coro do Colégio de São João de Brito, de quando começou a cantar em casas de fado amador, do seu lançamento como intérprete profissional, com o primeiro disco, É Tão Bom Cantar o Fado, a que se juntam, no mesmo ano três EP (Tive um Barco, Sete Esperanças, Sete Dias e Jardim Abandonado), e um LP (A Minha Cor), da parceria e amizade com Luís Villas-Boas, que viria a tornar-se seu produtor e parceiro na organização do I Festival Internacional de Jazz de Cascais, realizado em 1971, da revista Musicalíssimo, de que foi editor até 1974, do exílio em Madrid aquando da emissão de um mandato de captura no seu nome, do Restaurante com Fados O Montinho, em Montechoro, mas também de algumas expressões características do universo do fado - de como vê os processos pelos quais passou e presenciou nele, etc.

João Braga viu lançado no ano de 1990 o seu primeiro CD, Terra de Fados, êxito de mais de trinta mil cópias, incluiu poemas inéditos de Manuel Alegre, que marcou a primeira vez que escreveu por sua vontade/com esse fim para um cantor. Seguiram-se Cantigas de Mar e Mágoa (1991), Em Nome do Fado (1994), Fado Fado (1997), Dez Anos Depois (2001), Fados Capitais (2002), Cem Anos de Fado - vol. 1 (1999) e vol. 2 (2001), e Cantar ao Fado (2000), onde reúne poemas de Fernando Pessoa, Alexandre O'Neill, Miguel Torga, David Mourão-Ferreira, Manuel Alegre, entre outros.

Musicalíssimo, em que foi fundador, e & Elas e Sucesso, O Independente, Diário de Notícias, Euronotícias e A Capital, O Século Ilustrado e d' O Volante, foram publicações de que fez parte ora como redactor ora como cronista. 
Em 2006 publicou o livro «Ai Este Meu Coração». Foi distinguido, entre outros, com a Medalha de Mérito Cultural do Município de Lisboa (1990), Prémio Neves de Sousa da Casa da Imprensa (1995), Medalha de Mérito da Cruz Vermelha Portuguesa (1996), Prémio de Carreira da Casa da Imprensa (1999) e com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique (30 de Janeiro de 2006).

João Braga não interpretou só repertório de fado, ao longo destes anos, mas um repertório diversificado, que inclui música francesa, brasileira e anglo-saxónica.

© 2013 João Braga à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Recolha efectuada em casa de João Braga

Som, Pesquisa, Texto: Soraia Simões

Fotografia de aúdio: Ana Braga

Fotografia de capa: Patrícia Machado no âmbito do Ciclo «Conversas
à volta da Guitarra Portuguesa» sob o tema 'O Fado e as Outras Músicas Populares, Relações de Proximidade e Distância' com Rão Kyao e João Braga
 

No seu legado fonográfico constam entre outros:
É Tão Bom Cantar o Fado (Ep, Aquila, 1967)
Tive um Barco (EP, Aquila, 1967)
Sete Esperanças, Sete dias (EP, Aquila, 1967)
Jardim Abandonado (EP, Aquila, 1967)
A Minha Cor (LP, Aquila, 1967)
Recado a Lisboa (EP, Philips, 1968)
João Braga Fados (LP, Philips 1969)
Praia Perdida (EP, Philips, 1969)
Rua da Sombra Larga (EP, Philips, 1970)
Que Povo É Este, Que Povo? (LP, Philips, 1970)
João Braga Canta António Calém (LP, Philips, 1971)
El FAdo (LP, 1972)
Amor de Raiz (Single, Philips, 1972)
Canção Futura (LP, Orfeu, 1977)
Miserere (LP, Orfeu, 1978)
Arraial (LP, Valentim de Carvalho, 1980)
Na Paz do Teu Amor (LP, Sasseti, 1982)
Do João Braga Para a Amália (Lp, Sasseti, 1984)
Portugal/Mensagem, de Pessoa (LP, Sasseti, 1985)
O Pão e a Alma (LP, Silopor, 1987)
Terra de Fados (CD, Edisom, 1990)
Cantigas de Mar e Mágoa (CD, Edisom, 1991)
Em Nome do Fado (CD, Strauss, 1994)
Fado Fado (CD, BMG 1997)
Dez Anos Depois (CD, BNC, 2001)
Fados Capitais (CD, A Capital, 2002)
Cem Anos de Fado vol. 1 (CD, Farol, 1999,
Cem Anos de Fado vol. 2 (CD, Farol, 2001

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Milton Gulli (Philharmonic Weed, Cool Hipnoise, Cacique' 97)

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Milton Gulli (Philharmonic Weed, Cool Hipnoise, Cacique' 97)

15ª Recolha de Entrevista

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Quota MS_00018 Europeana Sounds

BI: Milton Gulli nasceu em Lisboa no ano de 1978. É um autor, músico, compositor e produtor português filho de moçambicanos, que reside actualmente em Moçambique (Maputo).

Criou e integrou os Philharmonic Weed, foi vocalista convidado do grupo Cool Hipnoise, que diz ter sido a sua "universidade na música", trabalhou com vários rappers portugueses e é uma das forças motriz do grupo Cacique' 97. Criou, além disso, com um grupo de intervenientes na música, uma espécie de Colectivo Artístico/Associação Cultural ligado aos grupos musicais lisboetas, com o nome Grasspoppers. O Colectivo produziu, fez reportagens, pequenos filmes que acompanhavam os músicos com os quais trabalhavam e propôs-se a compor e gravar numa semana um álbum de 'dub' com algumas das músicas mais conhecidas, e conseguiu-o.

Nesta recolha de entrevista reflexiona sobre a diferença entre o público moçambicano e o português - o apreço ou reconhecimento do público de Moçambique, contrariamente ao português, para com os músicos não lhes é incutido por mediações como a rádio ou os media - os interesses dos órgãos de comunicação e difusão, a recepção musical com os seus consumidores, a persistência do músico perante variáveis que nem sempre lhe são favoráveis, a tentativa de reencontrar as raízes e outros círculos de interacção com a sua música, etc.

© 2013 Milton Gulli à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Som, Pesquisa, Texto: Soraia Simões

Fotografia: Hugo Valverde no âmbito do Ciclo «África Move» de Mural Sonoro integrado no Festival Escrita na Paisagem em Évora no ano de 2012

Nota de autora:

O tema ‘Kodé’, do fonograma Karam de Kimi Djabaté (ver 14ª recolha), foi composto por Milton Gulli e gravado pelos Cacique´97, incluindo-se depois a kora do músico Brahima Galissa e a voz e balafon de Kimi Djabaté.
Além do disco Karam de Kimi Djabaté, o tema acabou por figurar no disco de Cacique´97.

Milton explica à parte desta recolha que: o tema foi composto por mim para o primeiro disco de Cacique´97. Na altura eu tinha escrito uma letra que pedi a um amigo guineense para traduzir. Mas, quando chamámos o Kimi para cantar, a letra não encaixava no tema. O Kimi acabou, então, por sugerir outra letra, que acabou por ficar.

Entretanto, eu peguei na letra do Kimi e traduzi algumas frases para 'chuabo' (língua da zona de Quelimane), com a preciosa ajuda da minha avó, e é essa parte que eu canto no tema.

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