Aurélio Malva (Brigada Victor Jara)

Aurélio Malva (Brigada Victor Jara)

46ª Recolha de Entrevista

Quota MS_00059 Europeana Sounds

BI: Aurélio Malva nasceu no ano de 1953.

Licenciado em Economia pela Universidade Técnica de Lisboa e Docente, foi um dos principais responsáveis pelo Grupo rock Manifesto nos anos 80 e um dos integrantes mais (re) conhecidos da Brigada Victor Jara.

Músico, Compositor e Autor de diversos temas no contexto da música popular 'de cariz tradicional', é também, além da voz, um tocador (também professor, especialmente de Gaita-de-Fole em Ançã, onde presentemente vive) como: Gaita de Foles , Bandolim ou Cavaquinho.

Nesta recolha de entrevista refere, entre outras ideias, sobre alguma da militância assumida pelas Brigadas num determinado tempo e espaços no país, das suas referências musicais (de José Afonso a José Mário Branco), da importância de Sérgio Mestre (que tocara com Adriano Correia de Oliveira ou Zeca Afonso) na Brigada Victor Jara, do campo de intervenção musical e de recolha da Brigada Victor Jara (no folclore português de um modo globalizante; do Minho, Trás-os-Montes ou Beira-Beixa a todas as ilhas dos Açores),de ‘música modal’, ‘tonal’, ‘cromática’, de ‘chulas’, da importância de Michel Giacometti ('as últimas grandes recolhas foram feitas por Giacometti. Desengane-se quem acha que não. O que falta agora, neste contexto, é isto: entendê-las ou interpretá-las', refere o músico no fim desta gravação), de Raízes e Utopias.

Os temas presentes nesta recolha de entrevista coloca-os em duas áreas: Raízes ('Oh Bento Airoso', 'Moda da Zamburra' e 'Arruada') e Utopias ('Caminhos' e 'Chula da Liberdade').

© 2013 Aurélio Malva à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Som, Pesquisa, Texto: Soraia Simões

recolha efectuada no Parque do Mondego em Coimbra
fotos de Susana Almeida

João Pratas (músico, tocador: gaita de foles, cavaquinho, viola, adufe)

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João Pratas (músico, tocador: gaita de foles, cavaquinho, viola, adufe)

45ª Recolha de Entrevista e de instrumentos musicais

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BI: João Pratas é um músico, que toca diversos instrumentos (cordofones, aerofones, membranofones), nascido na cidade de Coimbra, actualmente a residir em Aveiro.

Desde a infância que manteve um contacto muito presente com alguns desses instrumentos, especialmente através de algumas festas religiosas que iam acontecendo em Fala e São Martinho do Bispo (áreas periféricas da cidade de Coimbra onde viveu até se mudar para Aveiro), mas é sobretudo no ano em que termina a sua licenciatura em Educação Visual que o gosto e prática mais frequente desses instrumentos se intensifica. Hoje, faz parte dos grupos Roncos&Curiscos e Sabão Macaco.
Nesta recolha de entrevista, efectuada na área onde viveu durante a aprendizagem/crescimento destas práticas musicais, explica um pouco do seu gosto e ingresso no universo da música popular de 'matriz tradicional', das suas referências iniciais, dos tocadores com que cresceu e do que estes lhe ensinaram, da evolução e interesse manifestado, por mais pessoas/músicos, relativamente a alguns dos instrumentos evocados na conversa, das principais diferenças (no que concerne, especialmente, ao ensino e divulgação do ensino da gaita-de-fole, mas não só) entre o circuito de tocadores na Galiza e em Portugal, etc.
Nesta recolha, o músico executa um tema (sem nome) com viola acústica e dois temas com flauta de cana: 'Verde Gaio Ti Roque' ( um Verde Gaio do Ti Roque porque o aprendeu com Ti Roque, gaiteiro de Torres Vedras) e 'Corridinho Pastor' (um 'corridinho popular', mas também presente nas recolhas de Michel Giacometti. O nome é o de uma versão que ouviu, do mesmo 'corridinho', pelo grupo Mare Nostrum.

nota de autora: Nesta conversa João Pratas alude aos “Zés-pereiras”, que são conjuntos instrumentais de importância notável no nosso país, sobretudo devido à sonoridade dos instrumentos de percussão. Bastante populares no Minho, embora também existam noutras regiões portuguesas. Normalmente fazem parte das romarias, cortejos, festas e procissões. Estes conjuntos instrumentais podem ser constituídos por: gaita-de-foles, caixa e bombo e têm diversas vezes um grande número de tocadores.

 

2012 João Pratas à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Nota: No ano de 2013 João Pratas passou a ser parte integrante do grupo mirandês Galandum Galundaina.

Som, Pesquisa, Edição, Texto: Soraia Simões

Fotografia: Sandra Rodrigues

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Kula (percussionista, formador, construtor)

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Kula (percussionista, formador, construtor)

47ª Recolha de Entrevista e de instrumentos musicais

 

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BI: Fortunato Silva, mais conhecido por Kula (nome que escolheu aos 18, após uma experiência comunitária, que implicava um rebaptismo da identidade), nasceu em Cabo Verde, mas veio cedo para Portugal e nunca chegou a conhecer (voltar) efectivamente o país de onde é oriundo. É um músico, facilitador, formador e construtor de 43 anos.
Viajou muito em busca da ‘sua paixão', de um caminho que lhe apontasse uma espécie de ''raíz ancestra'' (diz) e não tanto geográfica/'de onde veio’. Esteve na Alemanha, Holanda (Amesterdão) e viveu em Tábua (perto de Coimbra), mas foi em Amesterdão que se cruzou com ‘o instrumento que lhe mudou a vida’: o djembé.

Nesta recolha diz, entre outras coisas, que é ‘em África que começa toda a experiência humana’, ao longo dos anos Kula foi fundador e integrante do primeiro ensemble de percussão tradicional africana em Portugal, viveu em várias comunidades que procuravam uma alternativa à vivência e caminhos que a sociedade vigente ia apontando e reflexiona sobre essas experiências ( 'a música foi roubada às pessoas pela indústria de consumo’ diz), mas questiona ainda alguns dos modos de abordagem social, humana, artística e pedagógica da actualidade, etc.

Hoje constrói, na sua oficina-estúdio em Colares (Sintra) onde vive, muitos dos instrumentos que toca (korás, mbiras, dununs, djembés, etc), tocou ao longo dos últimos vinte e cinco anos com variadíssimos músicos de África Continental, etc.

 

© 2013 Kula à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Som, Pesquisa, Texto: Soraia Simões
Recolha efectuada em Colares na casa de Kula
Fotos de Mara Lisboa

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‘El Sistema’ de Orquestras Juvenis de Venezuela, por Francesco Valente

‘El Sistema’ de Orquestras Juvenis de Venezuela, por Francesco Valente

por Francesco Valente [1]

A literatura do ‘multiculturalismo’ sobre a educação geral e em particular musical é muito rica, e é muitas vezes centrada na questão do ensino da música numa perspectiva ‘multicultural’ e de integração, sendo caracterizada pela implementação da música ocidental, e sobre a necessidade de estudar vários tipos de música. Um dos acontecimentos do século XX, do ponto de vista social, económico e cultural mais significativos na Venezuela, foi a criação e o desenvolvimento de El Sistema de Orquestras Infantis e Juvenis (“El Sistema”), cujo mentor foi José António Abreu. Um instrumento revolucionário para combater a pobreza, onde a música é utilizada como instrumento de coesão dos distintos grupos sociais, promovendo as classes mais pobres: dos quase 300.000 músicos integrantes a maioria são de bairros pobres, que frequentemente tocam instrumentos doados, emprestados, normalmente entre os participantes temos crianças e jovens, alguns com problemas ou handicap. Na metade de 2007 o pais estava contando com 135 orquestras e 75 coros integrados no Sistema, que contava com mais de mil colaboradores para assegurar seu funcionamento e sua coordenação.

‘El Sistema’ além da instrução musical específica, que utiliza métodos inovadores, desenvolve seminários sobre a construção e reparação de instrumentos musicais, e outras actividades variadas com meninos a partir dos dois anos de idade. ‘El Sistema’ começou por volta de 1975, e seu fundador foi, ironia da sorte um doutorado em economia petroleira. Foi adoptado depois pelo governo de Chavez como seu “novo programa social do governo bolivariano”, com um certo oportunismo político por querer adoptar e identificar-se num dos programas mais originais e de êxito que foi ensaiado no pais para combater a pobreza. No entanto, para a surpresa de muitos, para o orgulho da região, e para o deslumbramento de personagens como Cláudio Abbado, Plácido Domingo, Ratlle o Daniel Barenboim, Venezuela oferece ao mundo hoje um exemplo de como se pode reduzir a pobreza por meio da arte.

‘El Sistema’ leva já 33 anos produzindo bons músicos e exportando um modelo de gestão cultural: para o grande público, a personagem mais famosa é Gustavo Dudamel, Director Musical da Orquestra Sinfónica Juvenil Simón Bolívar de Venezuela, que com 27 anos de idade, conta com um curriculum invejável, tendo ja dirigido varias orquestras pelo mundo fora. Mas parte da explicação do sucesso deste projecto se deve ao seu fundador Jose Antonio Abreu, que alem de ser musico, é economista: sua obra atravessou nove legislaturas, entre golpes de estados e crises do petróleo, e se espalhou pelo mundo fora atravessando continentes, e representando um modelo de ensino e de abordagem pedagógica.

Um exemplo disto é a Orquestra Geração, que representa este programa inovador aqui em Portugal, gratuito para as crianças, e que foi concebido principalmente com base no próprio modelo das Orquestras Sinfónicas Infantis e Juvenis de Venezuela. Contando na coordenação pedagógica e artística com dois músicos venezuelanos aqui residentes e ainda o apoio de vários formadores do ‘El Sistema’, que se têm deslocado a Portugal por ocasião dos estágios de Verão da Orquestra, o projecto enquadra cerca de 80 professores, na sua maioria jovens músicos recém formados (a quem é ministrada formação na metodologia do sistema) e que aqui encontraram a sua primeira oportunidade de trabalho. A Orquestra Geração já conta no seu currículo com várias apresentações públicas em Lisboa e arredores.

Para quem queira saber mais aconselho os seguintes vídeos:

[1] para citar este artigo: *Valente, Francesco «El sistema de orquestras juvenis de Venezuela», Plataforma Mural Sonoro em 17 de Novembro de 2012 https://www.muralsonoro.com/recepcao.

*Músico e investigador em etnomusicologia

Fotografia de capa: autoria de Gustavo Dudamel, tirada numa favela de Caracas.

Pandeireta com soalhas

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Pandeireta com soalhas

 (fotos de Soraia Simões, colecção Museu da Música)

(fotos de Soraia Simões, colecção Museu da Música)

A Pandeireta é um instrumento musical (que permanece desde os tempos romanos) de percussão semelhante ao pandeiro brasileiro mas menor. Usado em músicas tradicionais de vários países europeus como, entre outros, Espanha, Rússia ou Portugal.

No seu formato mais conhecido a pandeireta é constituída por um aro circular (geralmente de madeira) cujo centro é coberto por uma camada de pele. É constituído ainda por um conjunto de soalhas metálicas, agregadas aos pares.

As pandeiretas aparecem em vários formatos e formas apresentando entre si várias diferenças de:

Formas – Os aros podem ser circulares, semi-circulares, rectangulares, triangulares e até geometricamente irregulares.
Materiais – Os materiais dos aros podem variar entre madeira e plástico e a camada que cobre o aro pode ser de pele ou de plástico.
Tamanho – podem ter desde diâmetros de 13cm até 28cm e algumas chegam a atingir 30-40cm de diâmetro, sendo essas chamadas pandeiros.
Soalhas – podem incluir desde 2 até 12 pares de soalhas.

 

Vídeo em baixo e explicação de Jonás Gimeno

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Rão Kyao (Músico, autor, compositor)

Rão Kyao (Músico, autor, compositor)

42ª Recolha de Entrevista

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BI: João Maria Centeno Gorjão Ramos Jorge, conhecido por Rão Kyao, nasceu em Lisboa no ano de 1947.
É um músico, flautista e saxofonista, fortemente inspirado pela música feita no Oriente (Índia, África, China) e a que é feita em Portugal. Tem estabelecido ao longo dos anos as relações, que se tendem a dissapar, entre a “tradição musical portuguesa” e o Oriente.

Editou, até hoje, cerca de 18 fonogramas, onde se contam alguns expressivos como: "Malpertuis" (1976), "Bambu" (1977), "Goa" (1979), "Ritual" (1982) ou "Macau O Amanhecer" (1984).

Embora tenha estado em círculos que se começavam a formar em Portugal (como o jazz), o seu fascínio pela música oriental, capaz de o levar a fixar-se em Bombaim durante alguns meses, sempre estiveram presentes na sua abordagem à música.

Na década de 80, quando os seus discos conquistavam galardões de ouro e platina - com "Fado Bailado" (1983), onde juntamente com António Chaínho, revisitava alguns dos mais célebres temas da canção urbana de Lisboa à luz do saxofone, propondo pela primeira vez uma nova dimensão para o fado, ou com "Estrada da Luz" (1984) e "Oásis" (1986), álbuns onde voltou à flauta de bambu para mostrar as afinidades entre a ‘música tradicional portuguesa’ e a ‘música indiana’ - vai até ao Brasil, onde gravou o álbum "Danças de Rua" (1987), fortemente inspirado na riqueza rítmica da música feita no nordeste brasileiro.

Mas, em "Viagens na Minha Terra" (1989) ou em "Viva o Fado" (1996), voltou à intenção de cruzar a música portuguesa com as suas origens e em "Delírios Ibéricos" (1992) o fortalecimento da experiência ibérica para a música que criava.

Nos anos noventa, editou também "Águas Livres" (1994) e "Navegantes" (1998. A ligação por si potenciada entre a música feita entre Portugal e o Oriente (sobretudo Macau), mas em"Junção" (1999), acompanhado pela Orquestra Chinesa de Macau, volta a estar presente.

É em "Junção" que se encontra o tema da autoria de Rão Kyao interpretado durante a cerimónia que celebrou a passagem do território de Macau para a República Popular da China.

Em "Fado Virado a Nascente" (2001), acompanhado pela fadista Deolinda Bernardo e pela cantora Teresa Salgueiro, no tema "Deus Também Gosta de Fado", o músico propõe de novo uma outra abordagem.

Nesta recolha de entrevista, entre outros aspectos, Rão Kyao reflexiona sobre as principais motivações que encontra para aquilo que faz, sobre as suas ligações à música árabe ou indiana e chinesa, sobre a superficialidade que sente, no contexto musical operado em Portugal, no que respeita ao retorno de algumas noções como: ‘uma tradição’/origem ou um ‘som português’, sobre a relevância do sentir a música que cria e nela se rever antes desta chegar ao público, do seu mais recente fonograma ('Coisas que a Gente Sente', editado em 2012), mas também sobre algumas das fragilidades da indústria musical e do ‘seu espaço’, (que pensa já ter conseguido) no contexto da música popular que é feita em Portugal e, até, noutras partes do mundo (dos já referidos), que lhe têm servido de inspiração para a criação.

© 2012 Rão Kyao à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo
Som sem edição, Pesquisa, Texto: Soraia Simões

Fotografia de capa de Patrícia Machado durante o debate organizado por Mural Sonoro e Moderado por Soraia Simões ''O Fado e as outras Músicas Populares, Relações de Proximidade e distância'' do Ciclo: Conversa à volta da Guitarra Portuguesa, que contou com João Braga e Rão Kyao

Recolha efectuada em LARGO Residências com paisagem sonora incluída (sem edição) 

Nuno Pereira (construtor e tocador de flautas várias, ocarinas, korás, berimbaus, adufes)

Nuno Pereira (construtor e tocador de flautas várias, ocarinas, korás, berimbaus, adufes)

43ª Recolha de Entrevista e Som de Instrumentos

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BI: Nuno Pereira é um músico, autor, construtor (flautas diversas) e tocador de diversos instrumentos (flautas várias, ocarina, korá, berimbau, adufe, etc), nascido em Lisboa no ano de 1978.

Filho de pais nortenhos desde cedo manteve um contacto (directo - com os pais - ou indirecto - através de contactos com outros músicos, de outras proveniências culturais e geográficas, que ouvia e via na rua onde também começou por tocar muito jovem) e se sentiu atraído pelo folclore e instrumentos tradicionais, não só portugueses como de outras partes do mundo (Peru, India, China, Brasil, Equador, Senegal ou Colombia).
Nesta recolha encontram-se sons recolhidos de alguns dos instrumentos que trouxe para tocar em tempo real, como ocarina, flauta de bambu ou korá.

Nos últimos anos tem, com um conjunto de outros músicos, usado a música como meio de consciencialização, de tentativa para o encontro do indivíduo com o seu ser/o seu bem-estar e crescimento espiritual, pessoal e interpessoal, ou mesmo de uma forma profilática aliviando ou prevenindo, através da junção de sons, melodias, ritmos e harmonias, o sofrimento de outrém.

Acredita na música como um veículo eficaz para operar a mudança interior, que despoletará a exterior/comportamental, no ser humano e usa-a também e fundamentalmente com esse propósito. Quando o questiono se se revê no que é feito musicalmente na actualidade não hesita em dizer: "não".

A educação e evolução humana pela música, a música e as emoções, os instrumentos e as suas sonoridades, o uso de materias não animais na concepção dos instrumentos que cria devido à opção vegetariana, a tentativa de definição de ritual ou 'drum circle', etc.

© 2012 Nuno Pereira à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Pesquisa, Texto, Edição: Soraia Simões
Captação de Instrumentos: Nuno Santos e Soraia Simões

Cavaquinho em regiões de Portugal e Cavaquinho em Cabo Verde

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Cavaquinho em regiões de Portugal e Cavaquinho em Cabo Verde

 Cavaquinhos de  Raul Simões

Cavaquinhos de Raul Simões

Afinações, cordas e palhetas

Notas extra:

O cavaquinho de origem portuguesa é o integrante  mais agudo da família das violas europeias compostas de tampos achatados.

Essa família (muito criada e transmitida em Espanha), foi levada para o norte de Portugal por executantes oriundos de Biscaia (hoje País Basco) e foi na região do Rio Minho (em Braga) que o cavaquinho emergiu, sendo comummente chamado de braguinha.

Em Portugal, há outros nomes dados a este instrumento, como: machimbo, machim, machete ou marchete, braguinho e cavaco.

O povo do Minho, com suas danças e canções tradicionais, foi o meio que tornou por cá o cavaquinho  popular.

Com o passar dos anos o cavaquinho foi sendo levado para outras regiões de Portugal, dentro e fora do continente.

Em Lisboa, o cavaquinho  passou a ser usado em conjunto com bandolins, violas e guitarras, nas chamadas tunas. O instrumento rudimentar dos camponeses, em que o braço e a caixa eram uma só peça (escala rasa), ganhou um melhoramento que ampliou a sua projecção sonora.

O espelho (ou escala), uma madeira de maior densidade situada sobre o braço e que avança por cima da caixa até a proximidade da boca. Tudo aponta para que tenha sido igualmente em Lisboa que a palheta passou a ser usada. Até então, no Minho, o cavaquinho  era tocado num rasgo, com os dedos polegar e indicador da mão direita.

Como todo instrumento popular, o cavaquinho congrega afinações várias sendo  a mais conhecida Ré-Sol-Si-Ré. Em Portugal ainda encontramos:

•Ré-Sol-Si-Mi – usada em Coimbra

•Sol-Ré-Mi-Lá – chamada afinação para “malhão e vira na moda velha”

•Sol-Dó-Mi-Lá – afinação usada na região de Barcelos

•Ré-Lá-Si-Mi – considerada por muitos como a mais versátil harmonicamente

São usadas também afinações em que a corda mais aguda é a quarta e não a primeira.

No Brasil, por norma a afinação, é Ré-Sol-Si-Ré , mas existem executantes que usam a  Ré-Sol-Si-Mi.

A afinação em quintas como no bandolim, Sol-Ré-Lá-Mi, modifica acentuadamente o timbre do instrumento, mas tem um resultado em acompanhamento que funciona bem no samba.

As cordas que um dia foram de tripa, hoje são de aço e as palhetas que antes usavam casco de tartaruga, hoje são feitas de variados compostos plásticos.

Notas: Foto de capa e restantes de Cavaquinhos construídos por Raul Simões (1891-1981) em Coimbra.

Demonstrações de dois dos mais reconhecidos músicos e  tocadores de cordofones vários: Amadeu Magalhães  e Pedro Caldeira Cabral (''Minho'') numa apresentação na cidade de Coimbra. Também na cidade de Coimbra o construtor Fernando Meireles gravado para o Arquivo Mural Sonoro e um dos intervenientes, com Óscar Cardoso, numa das Sessões do Ciclo Conversas em Volta da Guitarra Portuguesa  com o Tema: Guitarras de Coimbra e de Lisboa. Sua construção, técnicas e difusão, se tem dedicado à feitura de cavaquinhos, foi até o primeiro instrumento que fez como construtor enquanto vivia numa República na cidade de Coimbra, explicando na recolha de entrevista efectuada para o Arquivo Mural Sonoro o porquê de ter decidido começar por este instrumento.

No vídeo abaixo o músico e construtor cabo-verdiano, Luís Baptista, na sua oficina no Mindelo (São Vicente)

 Raul Simões e o neto Fernando em 1955

Raul Simões e o neto Fernando em 1955

 pormenor de cavaquinho construído por Raul Simões

pormenor de cavaquinho construído por Raul Simões

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Tiago Francisquinho (didgeridoo)

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Tiago Francisquinho (didgeridoo)

2ª Recolha de depoimento sobre a prática do didgeridoo e captação de som

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Quota MS_00026 Europeana Sounds

BI: Tiago Francisquinho nasceu em Tomar no ano de 1986. É um músico, tocador de instrumentos variados como guitarra, piano, trombone, mas curiosamente o instrumento pelo qual começou e ao qual dedicou grande parte da sua vida do ponto de vista do estudo, pesquisa e compreensão da sua história, técnicas e construção foi o didgeridoo.

Nesta recolha explica algumas das características deste instrumento no contexto europeu e o modo como se ligou a ele e a sua expansão, que tem crescido não só do ponto de vista da sua construção como o número de interessados e novos tocadores.

Trata-se de uma recolha essencialmente descritiva, na qual se pretendeu captar o som do instrumento, assim como a ligação primeira do indivíduo à música em Portugal através deste instrumento musical.

© 2012 Tiago Francisquinho à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo
Som sem edição, Texto: Soraia Simões
Fotografias: Helena Silva
Recolha efectuada em Lisboa ao ar livre

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Patrick Borges (produtor, dinamizador cabo-verdiano)

Patrick Borges (produtor, dinamizador cabo-verdiano)

40ª Recolha de Entrevista

Quota MS_00055 Europeana Sounds

BI: Patrick Borges nasceu em Angola em 1980.
Filho de pais cabo-verdianos, radicou-se em Cabo Verde e daí tem mantido contactos com outros lados do mundo promovendo o intercâmbio/relacionamento entre autores, músicos e outros agentes culturais, nomeadamente no Brasil, Angola ou Portugal, que tem trazido até Cabo Verde e vice-versa.
 
Tem nas produtoras que ajudou a fundar: 3B Produções (em Cabo Verde) e Taking Over (Produtora de reggae em Portugal) as suas mais recentes plataformas de mostra e dinamização do trabalho que tem desenvolvido.
 
Nesta recolha de entrevista fala de algumas das dificuldades e aspirações no seio da produção e difusão de iniciativas culturais e artísticas nos territórios em que se move, do que sente faltar ainda a Cabo Verde para o crescimento do interesse dos seus agentes e dinamizadores pela troca de contactos e experiências culturais entre vários autores de contextos geográficos alheios ao seu (e que com o seu convivam e enriqueçam comumente), das suas aspirações no plano profissional, no papel de Mario Lúcio no Plano Cultural cabo-verdiano e em espaços que pensa comprometerem-se e valorizarem a actividade musical (em várias das suas frentes) no país onde reside actualmente, como o caso do Banco de Cultura  criado em Cabo Verde, etc.
 
© 2012 Patrick Borges à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo
Som sem edição, Pesquisa: Soraia Simões
Fotografia:  José Félix
Recolha efectuada no Museu da Música, Lisboa

'Cachupa Psicadélica' (músico, compositor)

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'Cachupa Psicadélica' (músico, compositor)

49ª Recolha de Entrevista

 

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Quota MS_0009 Europeana Sounds

 

BI: Lula's* é um músico e compositor mindelense que vive actualmente na Amadora.

Esteve durante algum tempo a viver nas Caldas da Rainha, onde estudou design multimédia, e foi aí que se cruzou com outros autores que o aproximariam ainda mais da música, que já compunha em Cabo Verde.

Nesta recolha, entre outros pontos/abordagens, reflecte sobre a sociedade cabo-verdiana em que cresceu, do 'novo homem cabo-verdiano' (longe da sociedade machista, com problemas de alcoolismo, com que conviveu na infância), que procura tornar-se a cada dia que passa e que reproduz na música que vai criando, acerca das suas referências, sobre a relevância ou não de cantar na língua cabo-verdiana (o crioulo), nos grupos musicais onde transitou, etc.

© 2013 Lula´s à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Edição, Pesquisa, Texto, Som sem edição: Soraia Simões
Recolha efectuada em LARGO Residências
fotografias:  Daniel Abrantes

* Nota: Em 2014 o músico adoptou o nome de Cachupa Psicadélica para o seu projecto e tem-se apresentado sob esta designação. 

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Ruca Rebordão (músico: percussionista, formador)

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Ruca Rebordão (músico: percussionista, formador)

21ª Recolha de Entrevista

 

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Quota MS_0008 Europeana Sounds

 

BI: Ruca Rebordão é um músico, produtor, formador nascido em Angola no ano de 1962.

Emigrou para o Brasil em 1974, na década de 80 veio para Portugal, passou algum tempo por Austrália, e regressou a Portugal, onde actualmente vive (especificamente no Alentejo).

O seu fascínio e contacto inicial com instrumentos de percussão (os tambores) acontecia em Angola e desenvolver-se-ia na sua ida para o Brasil, na escola de Samba Imperatriz Leopoldinense do Rio de Janeiro.

Estudou na Academia Amadores de Música de Lisboa e Universidade de Sydney, no Departamento de Música do Mundo.

No percurso musical - músicos com quem tem tocado, estabelecido parcerias, coabitado em projectos semelhantes - contam-se, entre outros, Rão Kyao,Teresa Salgueiro, Couple Coffee, Madredeus, Sadao Watanabe, Toquinho, Alejandro Sans, Paulo de Carvalho, Ivan Lins, Paulo Bragança, Rosana, Martinho da Vila, Fafá de Belém, J.P. Simões, Tommy Campbell, Steve Thornton, Mike Ryan, Jane Butler, Sérgio Godinho, Vitorino, Filipa Pais, Lúcia Moniz, Janita Salomé, George Witty, Moonspell ou Mafalda Sacchetti.

O seu caminho conta ainda com mais de 90 discos em que participou e com uma quantidade de distintos espectáculos pelo mundo, como, em exemplo (e sem ordem cronológica): uma tour no Japão com Sadao Watanabe em 2003, o South Africa Tour, com Sadao Watanabe (incluindo a participação no North Sea Jazz, Festival na Cidade do Cabo no ano de 2004), uma tournée em várias cidades de Itália, também em 2004, durante 15 dias, a celebração do Buddhist Temple (em Outubro de 2002) em Nara num concerto com Sadao Watanabe, concertos na televisão japonesa (NHK) e Tokyo FM em Julho e Agosto de 2002, a abertura da World Soccer Championship no Japão em Maio de 2002, uma tour pela Europa em Novembro de 2001, uma tour pela Ásia, com Sadao Watanabe, passando no mês de Outubro de 2001 por Taiwan, Hong Kong, Singapura, Malásia, a participação no Jazz and World Music Festival, em Outubro de 2000, o Japan Summer Tour em Julho também do ano 2000, o Blue Note Tokyo (4 concertos em Junho de 2000), o Kirin the Club Festival emTokyo no mês de Junho do ano de 1999, o Concerto Especial de Natal com Sadao Watanabe na NHK TV em 1998 (Tokyo), etc.

Sem esquecer que, em Portugal, Ruca conta com o seu trabalho/participação musical em ocasiões diversas como: Cerimónia de Abertura da RDP Africa, Cerimónia de Eunice Muñoz, Festival Direitos Humanos das Nações Unidas, Participação no CD Red Hot Lisboa, EXPO 98, Concerto com General D, concerto de A Fúria Açúcar (de 1992 a 2005 integrou o grupo) no Centro Cultural de Belém, Festival da cidade de Évora, etc.

Percussionista de Madredeus e banda Cósmica – de 2008 a 2010 – (com 3 fonogramas gravados e um DVD no Teatro Ibérico), em "La Serena" com Teresa Salgueiro Lusitânia Ensemble, nos concertos em Portugal, de 2006, com Paulo de Carvalho e Ivan Lins, com Rão Kyao desde 2003 (que lhe permitiu a presença em concertos por diversos locais, até agora, como Itália, Brasil, Angola, Marrocos, França, Espanha, Portugal e Cabo Verde), integrante da banda de Paulo de Carvalho desde 2005, na tournée com Martinho da Vila no ano de 2000 (em São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro), convidado de Moonspell no Coliseu em Lisboa (2000) ou participação em Tocarufar de/com Rui Junior, é já um Mural considerável de espaços geográficos, esferas musicais e intervenientes no âmbito com que Ruca Rebordão se tem cruzado. Nesta recolha de entrevista fala de alguns deles, mas expressa também a escassez de apoios estatais ou comprometimento com a música popular (com ligação à diáspora e de um modo geral) no ensino e no espaço público, do seu crescente interesse pelas percussões (que podia estar uma vida inteira a descobrir e tocar como reforça nesta conversa), das referências que as passagens por vários locais - com várias gentes e especificidades musicais distintas - lhe trouxeram, do estar em Portugal com olhos no/para o mundo e, entre outras ideias patenteadas na recolha, da importância do atentar as raízes transmitindo-as aos mais (e menos) jovens através da sua recriação.

© 2012 Ruca Rebordão à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Edição, Pesquisa, Texto, Som sem edição: Soraia Simões

Fotografia de recolha: Soraia Simões

Recolha efectuada em Lisboa

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Tozé Brito (músico, produtor e autor, Sociedade Portuguesa de Autores)

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Tozé Brito (músico, produtor e autor, Sociedade Portuguesa de Autores)

41ª Recolha de Entrevista

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Quota MS_00025 Europeana Sounds

BI: António José Correia de Brito, ou Tozé Brito como é conhecido no meio musical, nasceu em 1951 na cidade do Porto.
Teve o primeiro contacto com o ensino musical aos oito anos de idade, mas desde muito cedo que o seu interesse se direccionou para o pop-rock, universo musical que explorou de modo autodidacta.
Aos 15 anos constituiu, com alguns amigos, o seu primeiro grupo musical, designado Grupo 4. Pouco tempo depois esteve na fundação dos Pop Five Music Incorporated, grupo para o qual compôs a sua primeira canção e com o qual editou o primeiro fonograma.
Em 1969 foi convidado por José Cid a integrar o grupo Quarteto 1111. Paralelamente ao Quarteto, formou em 1972 também com José Cid, contando ainda com Moniz Pereira e Mike Sergeant, os Green Windows.
Entre 1972 e 74 residiu em Inglaterra, onde estudou Psicologia e manteve alguma actividade musical. De regresso a Portugal reintegrou os dois grupos anteriores, que acabariam por terminar dois anos mais tarde. Foi nesta data que criou os Gemini, com Mike Sergeant e já em colaboração com a editora Polygram.
O ano de 1979 marcou o final deste grupo e início da sua actividade como profissional da indústria musical, entrando para o departamento de A&R da editora Polygram. Em 1990 foi convidado a dirigir a BMG Ariola em Portugal, posição que deixou oito anos depois. No ano seguinte criou a MAR, empresa de A&R e produção em parceria com a EMI. Foi também convidado para Presidente do Conselho de Administração da Universal Portuguesa.

A par da sua actividade como músico e A&R/Editor compôs música para várias funções, desde teatro de revista, comédias musicais, cinema e televisão, Foram também da sua autoria vários textos interpretados em programas humorísticos de Herman José.

Ao longo de um percurso com cerca de 45 anos de actividade (40 mais próximos da indústria e das suas dinâmicas), as suas canções foram interpretadas por inúmeros cantores e grupos nacionais entre eles: Doce («fenómeno de vendas» acerca do qual se falará na próxima sessão debate que coordenarei no Museu Nacional da Música), Adelaide Ferreira, Lúcia Moniz, Marta Plantier, Paulo de Carvalho, José Cid, Quarteto 1111, Carlos do Carmo, Simone de Oliveira, Victor Espadinha, entre muitos outros.
Actualmente é assessor da Administração da SPA (Sociedade Portuguesa de Autores).

Tozé Brito é um dos profissionais da indústria musical em Portugal mais (re) conhecidos do público e nesta recolha de entrevista, além do seu percurso musical – dentro mas também (por curto período) fora de Portugal (especialmente enquanto cursou Picologia em Inglaterra e tocava, fundamentalmente, em circuitos de Bares ou pequenas salas) – reflecte sobre algumas ideias e dinâmicas ‘atiradas’ para a conversa, como: as características para se ser A&R, o mundo autoral, a lei da cópia privada, o papel da internet e tecnologia nos dias de hoje (prós e contras), os media e os formatos televisivos com a música como pano de fundo débeis que geram audiências, etc.

© 2012 Tozé Brito à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Edição, Pesquisa, Texto: Soraia Simões
Som e Fotografia de Recolha: Nuno Santos

Recolha efectuada na Sociedade Portuguesa de Autores.

 

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Mónica Roncon (Práticas coreográficas ciganas e repertórios)

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Mónica Roncon (Práticas coreográficas ciganas e repertórios)

34ª Recolha de Entrevista

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BI: Mónica Roncon nasceu em 1969 em Lisboa. É uma coreógrafa, bailarina e investigadora portuguesa filha de mãe espanhola e pai português.

Interessou-se desde cedo pelo mundo da dança. Iniciou com o ballet clássico espanhol e o flamenco, e no caso da dança e da música ciganas através de uma bailarina húngara (filha de franceses judeus e de húngaros de origem ciganas) com quem começou a dançar este tipo de dança. Sempre viajou bastante procurando aperfeiçoar as suas aprendizagens junto dessas culturas e a sua técnica. Em Paris acabou por ficar 3 anos com o bailarino de uma tribo Vlach da Ucrânia. Esteve ainda na Roménia e Turquia (a viver em casa da família do Csangalo, um dos músicas mais respeitados da Transilvânia). Das viagens que tem feito reserva a importância do intercâmbio com as populações locais, a colaboração com os Ciganos de Ouro, o grupo de música cigana portuguesa que saiu fora da sua comunidade e trouxe a música cigana portuguesa para o grande público, etc.

O estudo do flamenco foi a alavanca para a descoberta de uma outra realidade musical e coreográfica, cujo ponto de partida é o ritmo, numa caminhada em que a interpretação marca, em última análise, uma diferença entre o cigano e o não cigano.

Nesta recolha descreve ainda o pouco conhecimento acerca destas práticas, que ainda sente, em Portugal, de algumas das particularidades das danças, do facto de as 'manifestações comunitárias' que acompanham este tipo de danças poderem ser pontos essenciais para se conhecerem estas etnias em Portugal além da sua centelha mais imediata (ou seja, de um modo enriquecedor: através das suas características culturais e de performance, entre outras), dos repertórios que se ligam a estas práticas coreográficas, de algumas ligações ou semelhanças com as danças tradicionais portuguesas e, entre outras coisas, das várias expressões culturais e artísticas em contexto de diáspora poderem ser uma resposta para a actual crise na área cultural e social em Portugal.

2012 Mónica Roncon à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Som sem edição, Pesquisa, Texto: Soraia Simões

Recolha efectuada em  LARGO Residências em Lisboa

fotografia de Marta Dias

 

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Marta Portugal Dias (Bailarina. Práticas Romenas Ciganas e Repertórios)

Marta Portugal Dias (Bailarina. Práticas Romenas Ciganas e Repertórios)

33ª Recolha de Entrevista

 

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BI: Marta Portugal Dias nasceu em 1981 em Lisboa. É uma bailarina, coreógrafa e pesquisadora de danças romenas ciganas.

Licenciada em Dança (Criação e Interpretação) pela Escola Superior de Dança de Lisboa no ano de 2010, iniciou a os seus estudos como autodidata dez anos antes.

Interessada pela dança do Médio Oriente, viajou por vários países, como a Turquia e Marrocos.

Na Roménia, actuou no Festival Tábor Cygánifolklór. Aprendeu romeno e viajou várias vezes para a Roménia. Estudou Roman Havasi (dança cigana turca) em Istambul, com Reyhan Tuzus, e Dança Cigana russa, com Pétia Lourtchenko, em Lisboa e Paris.

Nesta recolha fala do início da sua aprendizagem em dança cigana, em diversos festivais e junto de várias comunidades ciganas da Roménia, da experiência que foi viver na casa da família de um dos membros da famosa banda romena Taraf de Haidouks, das diferenças coreográficas, instrumentais e de repertórios nas variadas comunidades ciganas que conheceu e de qual dessas comunidades, com que conviveu na Roménia, está em maior número em Portugal (nomeadamente na cidade de Lisboa), da importância de uma maior abertura programática no Festival Todos (Caminhada de Culturas), que ocorre sobretudo em Lisboa (entre as zonas do Intendente e Poço dos Negros), na falta de incentivos para a difusão de práticas coreográficas e performativas regulares com este cariz em palcos, ou no Conservatório de Dança ou Escola Superior de Dança, fundamentalmente por ainda serem, por cá, uma novidade, de alguns dos workshops que dá e de algumas características comportamentais da comunidade cigana ligada à música e às artes performativas e de espectáculo, e da comunidade portuguesa no geral, etc.

© 2012 Marta Portugal Dias à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Edição, Pesquisa, Texto, Som sem edição: Soraia Simões

Fotografia: Mónica Roncon
 

 

Braima Galissá (Korá)

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Braima Galissá (Korá)

44ª Recolha de Entrevista e instrumentos: korá e voz

 

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Quota MS_0006 Europeana Sounds

BI: José Braima Galissá nasceu em 1964 em Gabú (Leste da Guiné-Bissau, capital do antigo império de Gabú de onde é oriundo o próprio nome). É músico e tocador de korá.

Foi compositor do Ballet Nacional da Guiné-Bissau, responsável Instrumental do mini Ballet Nacional e professor de Korá na Escola Nacional de Música José Carlos Schwarz durante 11 anos. Já participou em actividades culturais em vários países.

Fez três viagens a Portugal, mas fixou-se numa altura em que eclodia a Guerra Civil (1998), sobretudo pelos projectos culturais para os quais passou a ser solicitado.

Filho de um tocador de Korá nascido na Guiné-Bissau, no seio de uma família mandinga (uma das etnias do país). O seu nome advém de uma família de "djidius" que tocam Korá (além dos Galissa há os Djabaté, Kouyaté, os Sissokhos e outros apelidos).

Em 1999 trabalhou com o Teatro São João do Porto e no ano em que Coimbra foi a capital da cultura, foi contratado pela a companhia de teatro Teatrão.

Realizou concertos com o músico português Gil Nave, participou em programas de rádio e televisão (Antena 2, RTP Internacional, Rádio Renascença, RTA - Rádio Televisão de Angola, no programa Kandando - e RDP África, entre outros), participou em concertos realizados por iniciativa da EXPO98, e Porto 2001, e em trabalhos discográficos de João Afonso, Amélia Muge, Herménio Meno, na colectânea "Mon na mon", Blasted Mechanism, Chac, Sara Tavares entre tantos outros.
Galissá  é mentor do grupo Bela Nafa (que significa 'Benefício Comum').

Nesta recolha de entrevista, além da captação de voz e korá de Galissá, o músico alude à sua infância e ao facto de ter aprendido o instrumento Korá com 5 anos de idade pela mão do seu pai na sua região natal (Gabú), de ter, em meados de 1979, iniciado o seu percurso musical (primeiramente com os pioneiros "Abel Djassi"), de ter acesso à escola e com eles participar em acampamentos da juventude na Guiné e pelo mundo fora, dos eventos realizados em intercâmbios culturais com jovens de Cabo-Verde, Senegal, Guiné-Conacri, Portugal e outros países europeus, da sua ida para Bissau onde começou a estudar música, da sua participação no FITEI  e na antiga FIL (em 1998 e 1999 respectivamente), da relevância da cultura mandiga (e outras) pelo mundo e particularmente na Europa, dos projectos de teatro onde colaborou, de conferências que tem dado a alunos na área de especialização em Etnomusicologia, mas também, entre outras ideias patenteadas na conversa, de alguns dos concertos que tem  feito pelo país e de cursos em que se envolveu com alunos da Escola Superior de Educação de Lisboa e da Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa sobre 'música e literatura africana' ou 'cultura guineense'.

© 2012 Braima Galissá à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Edição, Pesquisa, Texto: Soraia SImões
Captação de instrumentos (voz e korá): Nuno Santos

Fotografias: Augusto Fernandes

 

recolhas efectuadas em Residência Artística do Intendente (LARGO Residências)

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Júlio Pereira (músico, compositor, produtor)

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Júlio Pereira (músico, compositor, produtor)

1ª Recolha de Entrevista

 

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BI: Júlio Pereira é um músico, compositor e produtor português que conta já com cerca de quatro décadas de actividade na Música Popular feita em Portugal.

Nesta recolha de entrevista, de que se disponibiliza no acervo online uma parte servindo a restante (a par de um conjunto de outros dados recolhidos de entrevistas a outros músicos-autores) como material para o debate que seria realizado em Fevereiro de 2013 no Museu da Música com o tema: ''Músico Profissional que Futuro?'', e teve como intervenientes Fernando Girão, Carlos Barretto e Tozé Brito (todos gravados em entrevistas individuais para este projecto), Júlio Pereira revela algumas das fragilidades, e o seu descontentamento perante elas, da situação vulnerável em que se encontra a actividade musical em Portugal nos últimos anos, do papel relevante que poderá assumir a sua mais recente loja de discos Ouvir Devagar, mas também do sentimento algo redutor que guarda em si pela associação frequente, por parte da recepção musical, da sua actividade, como instrumentista de vários cordofones como nos demonstra o seu legado fonográfico, exclusivamente ao cavaquinho.

Júlio Pereira aprendeu bandolim aos sete anos de idade com o seu pai. Integrou grupos no universo do  rock , como Xarhanga e Petrus Castrus com quem gravaria quatro fonogramas.

Colaboraria, como instrumentista e arranjador, nos anos de 1975 e 1976 com Paulo de Carvalho nos fonogramas M.P.C.C. e Não De Costas Mas de Frente, A Música em Que Vivemos. A partir dos seus vinte anos e até aos trinta colaborou, quer em concertos como em estúdio na gravação de fonogramas, com  vários músicos,  destacando-se a sua colaboração com José Afonso  a partir do ano de 19 79, com o qual tocaria em vários sítios fora de Portugal e co-produzindo os seus últimos registos discográficos.

À semelhança de muitos dos músicos da sua geração, ainda nesta década trabalharia como músico em alguns grupos de Teatro com encenadores como: Augusto Boal, Águeda Sena e João Perry .Grava os seus primeiros Álbuns de autor: Bota-Fora, Fernandinho vai ó vinho, Lisboémia e Mãos de Fada.

Em 1981 seria lançado  Cavaquinho, um trabalho instrumental que o afirmou no seio da cultura e música populares em Portugal, abrindo-lhe novas portas e distinções. 

A sua ligação à produção discográfica intensificou-se a partir dos anos de 1980. A partir de 1983 e até 2003 gravaria regularmente. Desta fase fazem parte: Braguesa 1983, Nortada 1983, Cadoi 1984, Os sete instrumentos 1986, Miradouro 1987 Janelas Verdes 1990, O meu Bandolim 1991, Acústico 1994, Lau Eskutara 1995 (gravado no País Basco com Kepa Junkera), Rituais 2000 (que serviu de base à coreografia com o mesmo nome de Rui Lopes Graça e os bailarinos da Companhia Nacional de Bailado), e Faz-de-conta 2003 (o primeiro CD Multimédia para crianças).

Realizou vários concertos no Mundo, produziu, orquestrou e participou como multi-instrumentista em vários discos de outros autores e colaborou paralelamente com vários intérpretes da música entre os quais: Kepa Junkera, Pete Seeger, Mestisay e The Chieftains - com os quais grava o CD Santiago que ganha o Grammy Award, 1995.

Da sua colaboração no filme Fados de Carlos Saura, com Chico Buarque e Carlos do Carmo. resulta a sua produção do tema "Fado Tropical".

É com o Bandolim que em 2008 gravaria o CD Geografias, o qual integraria um concerto com o mesmo nome, levando-o a actuar dentro e fora de Portugal.

O ano de 2010 marcaria o lançamento de Graffiti , fonograma de canções que contou com a participação de cantoras de vários países entre as quais: Dulce Pontes, Maria João, Sara Tavares, Olga Cerpa (Espanha), Nancy Vieira (Cabo-verde) e Luanda Cozetti (Brasil).

Nota: No ano de 2013, um ano depois de ter realizado esta entrevista,  o músico regressaria ao seu primeiro trabalho fonográfico a solo, Cavaquinho, e gravaria o CD Cavaquinho.pt., como ponto de partida para uma nova etapa dedicada a este instrumento constituindo para tal a Associação Museu Cavaquinho com o objectivo de promover a história e a prática deste instrumento.

2012 Júlio Pereira à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Pesquisa, Texto: Soraia Simões

Som, Fotografia: Nuno Santos

Recolha efectuada na antiga casa-estúdio do músico

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Paulo de Carvalho (músico, autor, intérprete)

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Paulo de Carvalho (músico, autor, intérprete)

29ª Recolha de Entrevista

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Quota MS_00024 Europeana Sounds

BI: Manuel Paulo de Carvalho da Costa nasceu há 65 anos na cidade de Lisboa.

Conhecido por Paulo de carvalho, é um músico, compositor e autor português, que conta já com 50 anos de actividade.

No decorrer deste ano meti-me num trabalho de pesquisa sobre o seu percurso. O  objectivo foi o de escrever um livro que partindo da génese do meu trabalho no Mural Sonoro originasse uma abordagem original sobre o seu percurso musical.
A pesquisa/levantamento de factos notáveis precisos no seu percurso, como as conversas regulares gravadas com ele, foram justificando, acrescentando e até mundificando algumas ideias ou noções inculcadas tantas vezes por esses dados que a pesquisa me ia dando (por Arquivos antigos, edições de revistas, fanzines e suplementos de épocas várias, gravações de programas de rádio, etc) e que nem sempre (fui-me apercebendo) correspondiam ao que me me ia contando dos processos vividos. E nem sempre coincidiam com o que outros autores (músicos, técnicos, compositores), que com ele trabalharam, me iam também contando sobre esses factos - uns mais conhecidos e divulgados, outros menos - que lhes ia apresentando.

Ao fim dos primeiros cinco meses tinha já um conjunto significativo de conversas variadas a atentar sobre uma indústria particular, que no seu desenvolvimento acompanhou tempos históricos, espaços e conjecturas especiais, algumas das fragilidades de mercado, alguns dos poderes reforçados por um meio que nem sempre favoreceu a actividade musical em Portugal, alguma dinâmica intrínseca a interesses institucionais e privados no meio fonográfico, de produção e de marketing, etc

Passado Presente- Uma Viagem ao Universo de Paulo de Carvalho foi o nome que dei a este livro, que não pretendeu ser uma Biografia clássica, mas um livro de cariz etnográfico, reflexivo e de carácter etnomusicológico sobre a vida musical de um autor português, que atravessou algumas das linguagens musicais mais expressivas do século passado em Portugal e permanece no presente, que viveu alguns períodos emergentes que alguns esqueceram e outros nem nunca (pelas mediações escassas) chegaram a saber, algumas concepções de época, algum virar de costas às concepções de época.

Nesta recolha de entrevista, feita depois do finalizar deste trabalho/livro no espaço onde o lançamento irá ser feito, são expostas algumas das directrizes que suportaram muitas das nossas conversas gravadas para o efeito entre Fevereiro e Junho deste ano.

O livro, com estas e mais reflexões no âmbito, sai a 18 de Outubro de 2012 no Museu da Música, pelas 18h30. Contará, além de Paulo de Carvalho, com a presença de Fernando Abrantes (músico, engenheiro de som e formador) que apresentará/introduzirá o lançamento.

© 2012 Paulo de Carvalho à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Recolha efectuada no Museu da Música

Edição, Pesquisa, Texto: Soraia Simões

Som: Pedro Magalhães

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Benjamim Taubkin (Músico, compositor brasileiro)

Benjamim Taubkin (Músico, compositor brasileiro)

35ª Recolha de Entrevista

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Quota MS_00053 Europeana Sounds

BI: Benjamim Rafael Taubkin, conhecido ('apenas') por Benjamin Taubkin nasceu em 1956 em São Paulo.

É um músico, autor, produtor e compositor brasileiro com uma capacidade em se multiplicar assinalável. Seja na editora Núcleo Contemporâneo (com um catálogo composto de mais de 30 Cd lançados), na Orquestra Popular de Câmara, como curador de festivais de música, como activista da música independente (mentor da ABMI – Associação Brasileira da Música Independente).

Entre 1975 e 1977 realizou projectos como “Música no Parque”, concertos no Bosque do Morumbi e no Jardim da Luz, em São Paulo, além de “Música nos Museus” e “Sessão Coruja”. E em “viagem musical” (livro) reforça os vários universos por onde passou/passa.

O pianista surgiria em 1979, tocou com diversos grupos e músicos como Banda Savana, Rafael Rabelo, Moacir Santos, Arismar do Espírito Santo, Marluí Miranda, Zizi Possi, Paulo Moura, Madup Mudgal, Orquestra Sinfónica de Recife, Mónica Salmaso, Elza Soares e Ivaldo Bertazzo, entre outros, e participou em Festivais de Jazz e música brasileira na Europa e nos EUA.

A música brasileira e o seu diálogo com outras culturas continua a ser o campo de actividade deste pianista, arranjador, compositor e produtor.

O seu primeiro disco autoral, A Terra e o Espaço Aberto, lançado em 1997, foi um dos eleitos para os Prémios “Sharp” e “Movimento”. Ainda em 1997, iniciou uma série de formações com as quais lançou diversos CD, como a Orquestra Popular de Câmara, Moderna Tradição; Cantos do Nosso Chão, Trio + 1, e o América Contemporânea – que reúne músicos e repertório de países da América do Sul.

Além da parceria com o Soukast, com o percussionista radicado em Londres, Adriano Adewale; com o grupo Bongar de Pernambuco; com músicos marroquinos; e com a bailarina de dança contemporânea, Morena Nascimento, que foi integrante da Companhia Pina Bausch.

Como concertista solo, Benjamim Taubkin lançou no Brasil e nos EUA, o CD A Pequena Loja da Rua 57, gravado na casa de pianos Fazioli, em Nova Iorque e tem-se apresentando no Brasil e em várias partes do mundo. Em 2009, realizou residência artística na Áustria e em 2011, na Coreia. Em novembro passado, foi o solista convidado da temporada da Jazz Sinfónica do Brasil.

Benjamim é, como já referido, autor do livro “Viver de Música” a convite da Editora BEI (2001) e programador do Mercado Cultural da Bahia desde 2001.

Acaba de lançar The Vortex Sessions, gravado em Londres com o percussionista brasileiro Adriano Adewale, na tradicional casa de jazz Vortex Jazz Club. E lançará em breve um disco com músicos marroquinos e com o duo de percussão Soukast..

Nesta recolha, Taubkin reflecte sobre o seu percurso musical, primeiro como produtor, depois como autor, compositor e como pianista (aos 18 ano, atenta sobre algumas das fragilidades na indústria, na debilidade da maioria dos media, no facto de caber ao criativo ou agente cultural a aproximação da sua realidade ao público ("os mídia não estão nem aí para a criação. Eles não estão entendendo a aventura da criação..Eles não entendem isso.." reflecte), a ineficácia em assentar-se o discurso em ideias como: 'alta e baixa culturahieraquias musicais ou socio-culturais, na relevância dada ao 'artista' em sociedade contráudgal, Orquestra Sinfónica de Recife, Mónica Salmaso, Elza Soares e Ivaldo Bertazzo, entre outros, e participou em Festivais de Jazz e música brasileira na Europa e nos EUA.

A música brasileira e o seu diálogo com outras culturas continua a ser o campo de actividade deste pianista, arranjador, compositor e produtor.

O seu primeiro disco autoral, A Terra e o Espaço Aberto, lançado em 1997, foi um dos eleitos para os Prémios “Sharp” e “Movimento”. Ainda em 1997, iniciou uma série de formações com as quais lançou diversos CD, como a Orquestra Popular de Câmara, Moderna Tradição; Cantos do Nosso Chão, Trio + 1, e o América Contemporânea – que reúne músicos e repertório de países da América do Sul.

Além da parceria com o Soukast, com o percussionista radicado em Londres, Adriano Adewale; com o grupo Bongar de Pernambuco; com músicos marroquinos; e com a bailarina de dança contemporânea, Morena Nascimento, que foi integrante da Companhia Pina Bausch.

Como concertista solo, Benjamim Taubkin lançou no Brasil e nos EUA, o CD A Pequena Loja da Rua 57, gravado na casa de pianos Fazioli, em Nova Iorque e tem-se apresentando no Brasil e em várias partes do mundo. Em 2009, realizou residência artística na Áustria e em 2011, na Coreia. Em novembro passado, foi o solista convidado da temporada da Jazz Sinfónica do Brasil.

Benjamim é, como já referido, autor do livro “Viver de Música” a convite da Editora BEI (2001) e programador do Mercado Cultural da Bahia desde 2001.

Acaba de lançar The Vortex Sessions, gravado em Londres com o percussionista brasileiro Adriano Adewale, na tradicional casa de jazz Vortex Jazz Club. E lançará em breve um disco com músicos marroquinos e com o duo de percussão Soukast..

Nesta recolha, Taubkin reflecte sobre o seu percurso musical, primeiro como produtor, depois como autor, compositor e como pianista (aos 18 ano, atenta sobre algumas das fragilidades na indústria, na debilidade da maioria dos media, no facto de caber ao criativo ou agente cultural a aproximação da sua realidade ao público ("os mídia não estão nem aí para a criação. Eles não estão entendendo a aventura da criação..Eles não entendem isso.." reflecte), a ineficácia em assentar-se o discurso em ideias como: 'alta e baixa cultura', hieraquias musicais ou socio-culturais, na relevância dada ao 'artista' em sociedade contria à que reflecte no Seu 'Viver de Música' em que entrevista pessoas que estão vivendo da actividade musical mas nas áreas mais diversas e para as quais se sentem úteis e capacitadas (como a pedagogia, a produção, a comosição para alguns instrumentos, etc).

© 2012 Benjamim Taubkin à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Som sem edição, Pesquisa, Texto: Soraia Simões

recolha efectuada na passagem de Benjamim Taubkin por Lisboa
foto de Marta Reis (Soraia e Benjamim), foto de Anita Kalikies (Benjamin no piano)

Dino D'Santiago (intérprete, autor)

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Dino D'Santiago (intérprete, autor)

31ª Recolha de Entrevista

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Quota MS_00023 Europeana Sounds

BI: Claudino de Jesus Borges Pereira conhecido por Dino d’Santiago (nome que adoptou em alusão à ilha cabo-verdiana de onde são oriundos os seus pais e em homenagem aos seus avós) para se representar no seio musical, nasceu no ano de 1982 na Quarteira (Algarve). É um músico e autor, que vive à data em que esta recolha é efectuada na cidade do Porto.


A sua ligação à música confunde-se com a sua incursão nela como uma actividade regular no seu quotidiano (relembra que começou bem novo, aos 7 anos e ainda na Quarteira, a cantar no âmbito religioso), no universo alargado de alguma da música popular que se faz no país de onde é oriunda a sua ‘família base’ (Cabo Verde) dentro de domínios (as mornas, coladeras, funanás) e práticas mais reconhecidos (do batuque, do violon, etc) e o universo musical que o espaço social ou religioso (igreja) que frequentava lhe proporcionou: como o gospel  e posteriormente, já como intérprete em busca de uma profissionalização,  o funk e o rap, que o vão atraindo e aproximando de várias formas de expressão sonoro-musical e de outros autores, que nessas expressões encontram a força para a sua criação. O seu primeiro fonograma, 'Eu e os Meus', é lançado em 2008 .

 

Nesta recolha de entrevista, Dino reflexiona um pouco sobre o seu percurso, as suas viagens, as proximidades que, com o passar do seu tempo na actividade, sente entre as suas raízes e o resto de parte do mundo por onde tem viajado, nas proximidades entre a ‘música tradicional’ feita em Portugal durante décadas (com os instrumentos no contexto da música popular, os seus cantores e autores, poetas, etc) e a feita em Cabo Verde ou Angola, na facilidade de concepção e adaptação do músico e compositor português a outros universos musicais e a outras realidades socio-espaciais e culturais, na importância dos públicos distintos (do público do interior ao público da metrópole), do papel fundamental das rádios locais, dos pequenos circuitos de espectáculo, mas também no papel da televisão ou das rádios de maior alcance (com todos os seus prós e contras), dos grupos musicais que integra (de Jaguar Band e Expensive Soul a Nu Soul Family ou Dino Soulmotion - o seu primeiro grupo), do seu trabalho individual, do seu novo disco ('Distinu d’um Criolo') e de outros criativos (músicos– rappers, compositores, arranjadores) com os quais tem trabalhado, como Virgul (ex integrante no grupo Da Weasel, com quem inicia Nu Soul Family), Jorge Fernando, Paulo Flores, Valete ou Sam The Kid, entre outros. Mas, incide também sobre a relação do músico com públicos distintos ao longo do país, das diversas significâncias em cantar em línguas distintas (como o crioulo, o português ou o inglês), da revolução que urge e que lhe parece cíclica (de tempos a tempos –‘cada 50 anos’ afirma em jeito de especulativo) no campo musical, e que parte dos seus intervenientes/fazedores e não do meio/mercado, que leva grande parte dos autores, mesmo no seio de algum descomprometimento do mercado para esse facto, a redescobrirem as ‘identidades’ dos seus espaços geográficos ou habitats para se representarem e sentirem representados no panorama musical, etc.

© 2012 Dino d'Santiago à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Edição, Som, Texto: Soraia Simões

Fotografia de recolha de entrevista: Augusto Fernandes

Nota: No ano passado  Dino D'Santiago  contou-me satisfeito que além de ter disco novo tinha assinado pela reconhecida Editora Lusafrica 

Em Março de 2014 Dino seria distinguido em Cabo Verde na Gala Cabo Verde Music Awards com dois prémios nas categorias de Melhor Batuku/Kola Sanjon, com a canção "Ka Bu Tchora", do disco "Eva", e de Melhor Álbum Acústico, "Eva".

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