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agradecimentos

Fixar o (in) visível. Fim de um ciclo e início de outro. Agradecimentos, por Soraia Simões

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Fixar o (in) visível. Fim de um ciclo e início de outro. Agradecimentos, por Soraia Simões

Bom dia!

Depois da avalanche de mensagens com felicitações desde as vésperas do vinte cinco de Abril* no meu Facebook e site, ainda não tinha conseguido vir aqui agradecer.
Aproveito agora para o fazer, desta forma que coube igualmente no corpo da tese, e para informar que será publicada em livro no fim deste ano com a chancela da Editora Caleidoscópio, com quem já tinha publicado em 2017 o audiolivro com entrevistas (RAPublicar).

Os primeiros agradecimentos são dirigidos às pessoas que tornaram esta investigação possível. Sem elas o envolvimento e o entusiasmo que atravessaram este processo não seriam possíveis.

Um agradecimento especial às Dana-Dane, X-Sista, Sweetalk dos grupos Divine e Djamal, porque o estreitar dos laços e a interacção com elas se mantiveram para lá das entrevistas gravadas permitindo que despertasse para um capítulo novo deste campo cultural, capítulo esse ainda não abordado sobre estas duas primeiras décadas de afirmação do domínio nas cultura e sociedade portuguesas do último quartel do século XX.

Um obrigada ao José Falcão, companheiro de muitas lutas, com o qual fui desenvolvendo um conjunto de debates e iniciativas ao longo deste tempo fundamentais para estruturar o olhar sobre a temática do RAP, satélite dos outros temas que a partir dele foram convergindo no desenrolar desta pesquisa, e ao professor Fernando Rosas por se ter disponibilizado a participar numa dessas iniciativas.

Um obrigada ao Edgar Pêra, ao António Contador, ao Emanuel Lemos Ferreira, ao Jazzy J, ao Biggy, ao Makkas e aos grupos Djamal e Líderes da Nova Mensagem por me terem cedido os seus cine-diários e as suas gravações em vídeo caseiras. A uns por me terem facilitado espólios fotográficos, fílmicos e recortes de imprensa que de outro modo dificilmente conseguiria, a outros por me terem confiado correspondência trocada e contratos que assinaram, o que possibilitou uma aproximação mais profunda aquele contexto particular. A todos um muito obrigada pela confiança.

Aos Ricardo Castro e Artur Patrício um obrigada pelas conversas nos intervalos dos encontros organizados, porque me foram motivando, à Ana Bezelga pela amizade e o incentivo para prosseguir nestes caminhos pela academia, ao José Fernandes por me ter acompanhado em muitos momentos com a sua câmera fotográfica durante o trabalho de campo, o que faz com que hoje tenha um arquivo difícil de imaginar de sons, imagens, entrevistas grandes e dados inéditos.

O meu reconhecimento ainda para rappers, produtores, radialistas e cineastas que entrevistei e com quem conversei ao longo de seis anos, que não sendo aqui evocados também contribuíram para o desenvolvimento deste longo processo que aqui culmina com esta leitura e este escrito.

Dedico este trabalho em primeiro lugar ao meu irmão Paulo, um amante de hip-hop e de basquetebol, ademais onde foi durante um período de tempo um desportista notável sagrando-se campeão nacional. Porque sem as suas generosas partilhas empíricas entre Coimbra, Lisboa e Cabo Verde seria hoje, certamente, uma pessoa menos rica e talvez não tivesse despertado para a importância deste campo cultural. Em segundo lugar aos meus sobrinhos Jerson e Laura por me terem ensinado o significado da palavra sodade, por ter sempre na cidade da Praia (Cabo Verde) a minha segunda, ou terceira, casa apesar de estar tantas vezes ausente. Por me terem motivado e ajudado a compreender melhor este ofício e esta paixão: de ser investigadora no campo musical e cultural, percebendo as ânsias e angústias que muitas das vezes se vedam assumindo outras faces nos universos que abordo. Em terceiro, mas não menos importante, a todos e a todas os/as entrevistados/as, motores de arranque e consolidação, que foram, do RAP na sociedade e na cultura portuguesas dos anos oitenta e noventa do século XX.

Há uns anos, num outro contexto, um entrevistado falava-me da importância, tão negligenciada, de nos ouvirmos: «Os estudos que têm a música como ponto de partida e/ou de chegada, na pauta, no disco, na sociedade de um dado período, só têm importância a partir do momento em que há um ouvido humano para escutar essas músicas». É também nisso que ao fim destes anos continuo a acreditar.

«Fala-se de cor/fala-se de dinheiro/ Mas há algo passivamente aceite pelo mundo inteiro/Há séculos que se vive nesta obscuridão/ de limitar a Mulher com a dor da opressão/Chega de abuso/temos direito/ é hora de tratar a mulher com respeito...Revolução Agora!, Djamal (1997 BMG)»



*defendida em 24 de Abril de 2019, dissertação aprovada com dezassete valores.

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