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Seminário Internacional Práticas de Arquivo em Artes Performativas - 16, 17 e 18 de novembro de 2017, TAGV (Coimbra) e TNSJ (Porto)

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Seminário Internacional Práticas de Arquivo em Artes Performativas - 16, 17 e 18 de novembro de 2017, TAGV (Coimbra) e TNSJ (Porto)

Seminário Internacional
PRÁTICAS DE ARQUIVO EM ARTES PERFORMATIVAS

ARCHIVE PRACTICES IN PERFORMING ARTS
Data: 16, 17 e 18 de novembro de 2017

organização: CEIS20/Universidade de Coimbra, Instituto de História da Arte - FCSH NOVA I
Locais:

TAGV - Teatro Académico Gil Vicente (Coimbra), 16 de Novembro

Teatro Nacional de São João | Centro de Documentação MSBV, Porto (17 e 18 de Novembro)

 

Dia 16 de Novembro (pelas 14.30, TAGV - Teatro Académico Gil Vicente (Coimbra), Soraia Simões (Instituto de História Contemporânea/FCSH NOVA, Mural Sonoro) participará no simpósio com a comunicação: «1955-1999. Um Arquivo para todos/as! Novos lugares: reproduções de memórias e história das músicas populares num écran», que incide nos últimos sete anos de trabalho desenvolvido no portal Mural Sonoro.

Resumo

As contribuições da história oral e dos testemunhos individuais no campo da música e da cultura populares ao longo da segunda metade do século XX, no relevo que elas permitem dar às «memórias subterrâneas», especialmente em contextos de transformação social, em momentos de conflito ou em períodos de intensa contestação política são, na partilha da diversidade intrínseca das experiências vividas, de grande riqueza para os Estudos Culturais no geral e para os Estudos de História da Música Popular em particular.
De um modo menos claro, por vezes silencioso, esquecido, o que é dito «de novo» ou enquadrado, conduzido e cruzado num campo ou com uma perspectiva «novos/as» para o interlocutor pode questionar e mesmo alterar uma hipotética «coerência narrativa» imposta por uma memória oficial colectiva --- pelas indústrias de publicação de conteúdos e as balizações das suas linhas editoriais ---, ou mesmo pelos próprios actores «formatados» pelos anos de interacção com essas indústrias (mass-media).
O modo como as práticas musicais de matriz urbana no contexto local se alimentaram da experiência internacional por via dos discos, do cinema, da rádio, da televisão, ao mesmo tempo que por modelos de aprendizagem formal (conservatórios nacionais, conservatórios regionais, bandas filarmónicas) e menos formais (na rua) entre 1955 e 1999 permite traçar uma linha de narrativas coincidentes acerca da emergência de algumas destas comunidades artísticas, pese embora as características individuais de cada grupo. Ora é aqui que analisar essas memórias e percursos cruzando com a própria história da indústria musical portuguesa (e mundial) se impõe levando-nos a uma busca exigente por uma actualização da história da música popular e das questões da sua performatividade e representação públicas. Ao mesmo tempo, ao convocar junto dos seus actores a exposição oral de vivências, e colocar em evidência o cruzamento e a interpretação das mesmas, preenche o ensejo por um excercício de liberdade e de cidadania permanente: onde a paisagem social, sonora, musical e científica dos nossos tempos forme um novo campo da nossa cultura, uma cultura partilhada onde o primeiro (e último) objectivo será garantir o seu acesso ao grande público nesta era digital.

Palavras-chave: arquivo digital sonoro, usos da memória, história oral, práticas musicais em contexto local e transnacional na segunda metade do século XX.

Apresentação:

Este Seminário pretende avaliar e pensar as práticas de arquivo em artes performativas, considerando simultaneamente: 

(1) os diversos contextos e ocorrências disciplinares (Teatro, Dança, Performance, Música); 

(2) as resistências e as possibilidades de constituição do arquivo na conjuntura tecnológica e mediatizada da atualidade; 

(3) as dinâmicas que se estabelecem entre o arquivo documentado/documentável e as práticas contemporâneas de criação e corporização da memória (embodied memory).  

Será dada especial atenção às diversas tecnologias de inscrição (Derrida) que determinam a constituição do arquivo, analisando as metodologias e práticas de arquivo que nas últimas décadas vêm sendo aplicadas em diversas iniciativas documentais, tanto nacionais como internacionais. Neste sentido, além de incluir palestras propondo uma reflexão mais transversal sobre as questões teóricas e conceptuais colocadas pela dinâmica entre o arquivo e o reportório (Diana Taylor), o seminário contempla a apresentação, descrição e análise de casos concretos, dando conta das possibilidades e das limitações na constituição de um arquivo em artes performativas. As tecnologias e as práticas de arquivo são também responsáveis pela estrutura e pela própria produção dos factos e dos acontecimentos arquivados, nomeadamente âmbito da contingência reconhecida às artes performativas.

O evento decorrerá no Teatro Académico de Gil Vicente (dia 16 de novembro) e no TNSJ/Mosteiro São Bento da Vitória (17 e 18 de novembro). Cada um dos dias abre com uma conferência plenária, seguindo-se a apresentação, análise e debate de casos nacionais e internacionais. Está prevista a realização de dois workshops, respetivamente sobre “Documentação e Indexação em Artes Performativas” e “Software e Gestão de Arquivos Digitais”. Numa segunda fase será publicada uma monografia com uma seleção de textos apresentados, documentando o debate e inscrevendo-o a seu modo no espaço público, junto da comunidade de criadores, investigadores, agentes e instituições do meio artístico. A complementaridade entre as diversas ações propostas com este seminário é especialmente importante num país marcado por dificuldades na relação (material e imaterial) com o arquivo e a documentação, em certo sentido relacionáveis com o “país da não inscrição” a que se referiu o filósofo José Gil.

 

Mais detalhes (programa em actualização) aqui

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CLOSE UP (punks not dead)/instalação

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CLOSE UP (punks not dead)/instalação

CLOSE UP - PUNKS NOT DEAD (1977 - 2017)
NEVERMIND de Paulo Moreira aka Boris Fortuna (Faculdade de Belas Artes, Univ do Porto)
20 de Novembro a 10 de Dezembro de 2017, Átrio principal da FCSH NOVA
Organização: Instituto de História Contemporânea
Curadoria: Soraia Simões (IHC - FCSH NOVA, Mural Sonoro)
Entidades parceiras: FCSH, IHC, Mural Sonoro

 

Acerca da exposição

No ano em que se comemoram os 40 anos decorridos do, designado pelos seus principais protagonistas como, «movimento Punk», a exposição/Instalação CLOSE UP – PUNKS NOT DEAD apresenta um conjunto de desenhos instalados, na sua maioria de grandes dimensões, onde se apontam como territórios de exploração os fenómenos associados ao consumo, à acumulação e ao excesso, numa era em que se cria e actua a partir de «uma visão positiva de caos e complexidade» (Bourriaud).

A alusão ao «Punk» enquanto fenómeno cultural e político inspira uma reflexão sobre as heranças deste movimento, a sua influência no âmbito social e estético. Da ideia de “DIY” (do it yourself), como fenómeno criativo, bem como da ideia de caos, excesso e consumo; características da contemporaneidade, actualmente eivada pelos prodígios da globalização, mas que na sua emergência (década de 1970) se enredava pela acção e postura contra determinado establishment e o emergir de uma nova modernidade.

E esse rastilho que desencadeou a pólvora deste e outros movimentos na cultura popular do século XX, da música ao cinema, da moda às artes plásticas terá morrido?

«Configurada segundo novos modelos de comunicação e relacionamento, as facilidades de viagem e os movimentos migratórios em massa: factores universalistas que colocam a criação artÍstica a partir de um estado de percepção  globalizado, e consequentemente permitem a afirmação de novos paradigmas no «modo de fazer» e «de entender a arte» reafirmam-nos que não. Numa paisagem saturada de sinais, ao artista plástico é dada a possibilidade de criar por novas vias, novos formatos, territórios que exploram os vinculos existentes entre o texto e a imagem, o tempo e o espaço. O artista transcodifica e transpõe a informação de um formato para outro, errante na história e na geografia, a partir do caos quotidiano, através da dobragem e reprodução, ou duplicação.

No seu conjunto, a instalação apresenta-se como peça única em forma de muro, elemento arquitectónico determinante de uma visão dúplice de planos, à lembrança os discos de vinil: das suas capas em particular. A forma do trabalho expressa um curso, uma errância, e não um espaço-tempo fixo. A narrativa segue num percurso circular sem início nem fim. Por outro lado, a ideia de muroconstitui-se por si só, como espécie de «altar memorabilia» onde, de forma aparentemente aleatória, automática, lembrando os cut-up de Burroughs, se organizam os diversos elementos e desenhos. Do mesmo modo, as correspondências quanto aos materiais utilizados, fotocópias, papel de fotocópia, fita adesiva, cartão, bolsas de plástico, vinil autocolante, entre outros,  bem como o próprio processo de construção, idealizam as vivências do quotidiano e os processos de acumulação, a elas associados, num tempo marcado pela globalidade relacional, as ligações em rede, os ideais de consumo, enfim, os rituais sociais da modernidade actual», refere Paulo Moreira acerca da instalação.

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Boris Fortuna (autor da exposição), Soraia Simões, Curadora do projecto

Links úteis sobre o artista:

www.paulomoreirapintor.blogspot.com

www.sindicatodocredo.blogspot.com

 

Parcerias: Mural Sonoro, Instituto de História Contemporânea, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa.  

NOTA: Folha de sala e outras surpresas durante a exibição

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Bandas e música para sopros: (Re)pensar histórias locais e casos de sucesso - Colóquio, 10 e 11 de Outubro

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Bandas e música para sopros: (Re)pensar histórias locais e casos de sucesso - Colóquio, 10 e 11 de Outubro

Colóquio: Bandas e Música para Sopros: (Re)Pensar Histórias Locais e Casos de Sucesso

IHC | FCSH-NOVA | 10 de Outubro (Auditório 1, torre B, piso 1, FCSH),
11 de Outubro (Sala Multiusos , edifício ID)

Colóquio Bandas e Música para Sopros (Re)Pensar Histórias Locais e Casos de Sucesso.jpg

Colóquio: Bandas e Música para Sopros: (Re)Pensar Histórias Locais e Casos de Sucesso

 



O colóquio Bandas e música para sopros: (Re)pensar histórias locais e casos de sucesso teve como propósito reunir investigadores/as de distintas áreas do saber, criar sinergias, cruzar ideias, reflectir e estimular o debate sobre este campo académico, particularmente relevante da cultura portuguesa, que tem vindo a ganhar visibilidade na última década. Pretende-se fomentar e divulgar a prática musical para sopros (as bandas em particular), partilhar informação e disseminar resultados de investigação, promover a inclusão desta temática no âmbito das investigações académicas e discutir questões e desafios para o futuro desenvolvimento das bandas de música. Além de serem o motivo da fundação de inúmeras colectividades locais ‒ muitas delas constituídas no século XIX ‒ uma parte significativa dos instrumentistas de sopro mais conceituados iniciou a carreira musical precisamente em bandas de música, alguns dos quais continuam a dar o seu contributo, sobretudo como maestros.

Apoio Antena 2

As comunicações apresentadas nestes dois dias (10 e 11 de Outubro) serão publicadas num livro em 2018/9. Agradecemos a tod@s que participaram nestes dois dias bastante enriquecedores.
Comissão organizadora:
Bruno Madureira
Diogo Vivas
Soraia Simões
Instituto de História ContemporâneaMural SonoroCEIS20

fotografias de Carlos Moreira

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Congresso Internacional de História Local: Conceito, práticas e desafios na contemporaneidade, Centro Cultural de Cascais, 28 e 29 de Setembro

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Congresso Internacional de História Local: Conceito, práticas e desafios na contemporaneidade, Centro Cultural de Cascais, 28 e 29 de Setembro

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Centro Cultural de Cascais, 

Avenida Rei Humberto II de Itália, S/N
2750-800

EN

International Congress | 28 and 29 September 2017 | Cascais Cultural Center

1st International Congress on Local History:

Concept, practices and challenges in contemporaneity

28 and 29 September 2017 – Cascais Cultural Center

 

Since mid-nineteenth century, local history has aroused the interest of historians and researchers who study the past of a particular region or community with the purpose of restoring their collective and individual memories. At the scientific level, this reality is manifested in the multiplication of master and doctoral thesis on themes related to local history, fostering innovative knowledge and giving birth to a new wave of historians interested in working on such topics.

The 1st International Congress on Local History proposes to create a space of interdisciplinary sharing and reflection, valuing the importance of local history in contemporary historiography, through a critical approach to the concept and opening a debate around research methodologies and practices. Contributing to problematize several issues inherent to a theoretical-methodological consideration, in the contemporary period, this initiative intends to promote an effort for the confluence of visions and solutions that hopefully will help to overcome everyone’s difficulties.

Proposals for communication on local history in the contemporaneity can be conceived around the following thematic axes, without excluding others correlated:

  • Theory and methodology of local history;
  • The role of local cultural associations;
  • The importance of local history in high school and University curricula;
  • What does this subject means and represents;
  • Themes and works involving the history of a region (18th-20th centuries);
  • Municipalities and Wars.

 

PT

I Congresso Internacional de História Local: Conceito, práticas e desafios na contemporaneidade

A história local, desde meados do século XIX, tem despertado o interesse de investigadores e curiosos que estudam o passado de uma determinada região ou comunidade com o propósito de lhes restituir a memória colectiva e individual. A nível científico, essa realidade verifica-se na multiplicação de dissertações de mestrado e teses de doutoramento sobre temáticas relacionadas com a história local, potenciando um manancial de conhecimento científico inovador e uma nova vaga de historiadores interessados em trabalhar temas de diversas zonas dos seus países.

O I Congresso Internacional de História Local propõe criar um espaço de partilha e reflexão interdisciplinar, valorizando a sua importância na historiografia contemporânea para um mais profundo entendimento da História, através de uma abordagem crítica do conceito e abrindo um debate em torno das metodologias e práticas de investigação. Contribuindo para a problematização de várias questões inerentes a uma ponderação teórico-metodológica, no período contemporâneo, pretende-se efectuar um esforço para a confluência de visões e de soluções que ajudem a superar as dificuldades de todos.

Programme

Day 1 – 28 de Setembro de 2017

Registration of participants – 8h30 às 9h00

Opening session – 9h00 às 9h15

Conference – 9h15 às 9h45

Chair: João Miguel Henriques (Câmara Municipal de Cascais e IHC)

“História Local. Percurso e desafios na contemporaneidade” (Margarida Sobral Neto – Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)

Panel 1 – “Local History: Theory and Practice (s)” – 09h45 às 11h15

Chair: Alice Cunha (IHC-FCSH-UNL)

  • Sarottama Majumdar (University of Calcutta – Jadavpur University) – “The production of local history through comparing disparate texts”
  • Aaron McArthur (Arkansas Tech University) – “Civic Engagement and the Noble Pioneers”
  • Serkan Kelesoglu (University of Ankara) / Ismail Güven (University of Ankara) – “Contribution of local history in social studies teacher training programs”
  • Kanta Chatterjee (Basirhat College – Índia) – “In Lieu of “History” (‘Itihas’): Many Titles of Regional and Local Histories of Bengal 1860-1950”
  • Arjab Roy (The English and Foreign Languages University – Hyderabad, Índia) – “The Role of Local Histories in Bengal during 1970s: Countering New Histories and Moderating Kolkata”
  • Vikram Bhardwaj (Centre of Historical Studies – Jawaharlal Nehru University) – “Interface between Oral Narrative and local History: A Case Study of Shimla Hills”

Coffee-Break – 11h15 às 11h30

Panel 2 – “The I Republic in the local spaces” – 11h30 às 12h45

Chair: Diogo Ferreira (IHC-FCSH-UNL)

  • Jorge Ricardo Pinto (ISCET e UTAD) – “A memória de um lugar desaparecido do Porto republicano do princípio do século XX”
  • Soraia M. Marques Carvalho (FLUL) – “A República em Sacavém. O movimento político na vida da localidade nos primeiros anos”
  • João Lázaro (CIES-IUL) – “O Republicanismo na Póvoa de Santa Iria na Alvorada do 5 de Outubro de 1910. Uma história local”
  • Luís Carvalho (FCSH-UNL) – “Carlos Rates na história de Setúbal: sindicalismo e imprensa na Iª República”
  • Isabel Melo (Universidade Complutense de Madrid e LASA) – “Orfanato Municipal Presidente Sidónio Pais em Setúbal”

Lunch – 12h45 às 13h30

Panel 3 – “Methodological Challenges” – 13h30 às 15h00

Chair: Ivo Veiga (IHC-FCSH-UNL)

  • João Paulo Avelãs Nunes (DHEEAA/FLUC e CEIS20/UC) / Pedro Carvalho (DHEEAA/FLUC e CEIS20/UC) / Ana Isabel Ribeiro (DHEEAA/FLUC e CEIS20/UC) / António Rochette Cordeiro (DGT/FLUC e CEIS20/UC) / Luís Alcoforado (FPCEUC e CEIS20/UC) – “História local, interdisciplinaridade e rentabilização social do conhecimento”
  • Diogo Ferreira (IHC-FCSH-UNL) – “História Local: Reflexões em torno do seu percurso, importância e potencialidades”
  • Marco Oliveira Borges (Centro de História e Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa) – “Historiografia marítima de Cascais (1873-1974): metodologias, divulgação histórica e legado cultural”
  • Patrícia de Almeida (CEIS20-UC) – “Biblioteca Escolar e História Local: as relações (im)previstas”
  • Ana Mendes (FLUL) – “O Património dos Condes de Azevedo: usos e funcionalidades na contemporaneidade”
  • Inês Castaño (IHC-FCSH-UNL) / Maria Inês Queiroz (IHC-FCSH-UNL) – “L3-Lisboa Laboratório Comum de Aprendizagem: Uma experiência colaborativa de investigação/aprendizagem em História Local”

Coffee-Break – 15h00 às 15h15

Panel 4 – “The Wars and their regional impacts” – 15h15 às 16h30

Chair: Pedro Leal (FLUL)

  • Eunice Relvas (IHC-FCSH-UNL) – “Governação Municipal de Lisboa na Grande Guerra (1914-1918): Problemas e Soluções”
  • José Pedro Reis (FLUP) – “O impacto da Iª Guerra Mundial no futuro concelho da Trofa”
  • Fátima Afonso (C.M. do Seixal) – “O jornal A Voz d’Amora (1916-1919) e o concelho do Seixal durante a Grande Guerra”
  • Mariana Castro (IHC-FCSH-UNL) – “O Contrabando em Elvas no Pós I Guerra Mundial (1919-1922): nas malhas da ilegalidade”
  • Simeone Del Prete (University of Rome «Tor Vergata») – “The “triangle of death”: postwar violence in Emilia-Romagna (1945-1948)”

Conference – 16h30 às 17h00

Chair: Teresa Nunes (IHC e FLUL)

“História Local – um pretexto de para falar de História” (Professora Doutora Maria da Conceição Meireles Pereira – Faculdade de Letras da Universidade do Porto)

 Day 2 – 29 de Setembro de 2017

Conference – 9h00 às 9h30

Chair: António Paulo Duarte (IHC e IDN)

“História da Maçonaria numa perpectiva local: fontes e métodos” (António Ventura – Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)

Panel 4 – “Spaces, Memory and Patrimony” – 9h30 às 11h00

Chair: Inês José (IHC-FCSH-UNL)

  • Maria João Pereira Coutinho (IHA-FCSH-UNL) / Inês Gato de Pinho (Civil Engineering Research and Innovation for Sustainability – IST-UL) – “Planta da vila de Setúbal em 1793: Das portas e postigos do edificado religioso e civil”
  • Souradip Bhattacharyya (National University of Singapore) – “«We want equal rights to public space!»: The role of local cultural associations of the migrant communities in asserting their belonging to Serampore”
  • Alexia Shellard (Universidade Federal do Rio de Janeiro) – “Bororos e a história do Mato Grosso”
  • Timóteo Cavaco (IHC-FCSH-UNL) – “A Análise de redes aplicada às famílias nas Igrejas Batistas de Viseu e de Tondela (1930-1945)”
  • João Santos (IHC-FCSH-UNL) – “Memória Operária e História Local – O caso da região (pós) industrial de Setúbal”
  • Luísa Seixas (IHC-FCSH-UNL) / Filipe Silva (IHC-FCSH-UNL) – “Memória das Avenidas. História em comunidade – enquadramento e desafios”

Coffee-Break – 11h00 às 11h15

Panel 6 – “Identities in Local History” – 11h15 às 12h30

Chair: João Pedro Santos (IHC-FCSH-UNL)

  • Nulita Andrade (IHC-FCSH-UNL) – “Visconde da Ribeira Brava na Assembleia Nacional Constituinte: o político nas redes que teceu com seus pares (1882-1884)”
  • Frederico De Sousa Ribeiro Benvinda (FLUL) – “A vereação de Zófimo Consiglieri Pedroso na Câmara Municipal de Lisboa (1886-1889): Propostas e modificações locais”
  • Cristóvão Mata (FLUC) – “A Casa de Aveiro: entre o estudo do regime senhorial e a história local”
  • Pedro Pires (FLUL e IDN) – “General Alberto Ilharco e a sua visão da cidade do Porto no ataque à Monarquia do Norte em 1919”
  • Maria Mota Almeida (IHC-FCSH-UNL e ESHTE) – “Diz-me como ages, dir-te-ei quem és’: João Couto e a génese do Museu-Biblioteca Condes de Castro de Guimarães-Cascais.”

Lunch – 12h30 às 13h15

Panel 7 – “Musical practices in local contexts” – 13h15 às 14h45

Chair: Soraia Simões (IHC-FCSH-UNL)

  • João Pedro Costa (Universidade de Évora) – “Os espaços públicos de sociabilidade musical na Évora Oitocentista: Passeio Público, Rossio de São Braz e Praça do Geraldo”
  • Rita Faleiro (CESEM-FCSH-UNL) – “A presença musical no Algarve oitocentista: o tavirense Tomás de Aquino Abreu e a sua actividade musical sacra da segunda metade do século XVIII.”
  • Bruno Madureira (IHC-FCSH-UNL e Conservatório d’Artes de Loures) – “O movimento filarmónico no concelho de Oeiras – tradição, declínio e revitalização”
  • Luís Henriques (CESEM-Universidade de Évora) – “A ideia de local e global na história musical açoriana: O caso da cidade da Horta na segunda metade do século XIX”
  • Daniela Alves (CIIIC-ISCET) / Hélder Barbosa (CIIIC-ISCET) / Jorge Ricardo Pinto (ISCET e UTAD) – “Percursos e Lugares da violoncelista Guilhermina Suggia, entre o Porto e a Maia, na primeira metade do século XX”
  • Luís M. Santos (CESEM-FCSH-UNL) – “O movimento orquestral na província durante a I República”

Coffee-Break – 14h45 às 15h00

Panel 8 – “Local economic and social challenges in national panoramas”– 15h00 às 16h30

Chair: Ana Paula Pires (IHC-FCSH-UNL)

  • Mariana Silva (ISCTE-IUL, FCSH-NOVA e CRIA) – “A Cidade do Trabalho: Contributo para uma genealogia dos contextos discursivos da identidade local em S. João da Madeira”
  • Vanessa Pereira (IHC-FCSH-UNL) – “Elementos para a história local de sítios mineiros: a penetração do capital estrangeiro e a construção da Mina de São Domingos”
  • Rúben Lopes (FCSH-UNL) – “Um «concelho de feição corporativa»: a implementação e o funcionamento dos organismos corporativos no concelho do Seixal (1933-1974)”
  • Leonardo Aboim Pires (IHC-FCSH-UNL) – “Dimensões da mudança socioeconómica no mundo rural português: Vinhais, 1950-1974”
  • Pedro Leal (FLUL) – “«Nem tudo é burguesia, nem tudo é riqueza e luz nesta terra»: a mobilização popular e o conflito social no concelho de Cascais após o 25 de Abril de 1974.”
  • Júlio Ernesto Souza de Oliveira (UFBA e Institut d’Études Politiques de Rennes) – “«Fogo e bala contra os posseiros»: Grilagem e luta pela terra no médio São Francisco (1971-1984)”

Closing Session – 16h30 às 17h00

Chair: Teresa Nunes (IHC_e FLUL)

“Histoire, histoire locale, histoire économique: de la monographie territoriale à la considération des jeux d’échelle. De quoi «l’histoire locale» peut-elle être le nom aujourd’hui?” (Alexandre Fernandez – Université Bordeaux Montaigne)

Organizing Committee

Ana Paula Pires (IHC-FCSH/UNL e Universidade de Stanford)

Diogo Ferreira (IHC-FCSH/UNL)

Inês José (IHC-FCSH/UNL)

João Pedro Santos (FCSH/UNL)

Mariana Castro (IHC – FCSH/UNL)

Pedro Leal (FLUL)

Teresa Nunes (FLUL e IHC – FCSH/UNL)

Scientific Committee

Albérico Afonso da Costa Alho (ESE/IPS e IHC – FCSH/NOVA)

Ana Paula Pires (IHC – FCSH/NOVA e Universidade de Stanford)

António José Queiroz (CEFi-UCP e CEPESE)

António Ventura (FLUL)

Fernando Rosas (IHC-FCSH/NOVA)

João Miguel Henriques (CMC e IHC-FCSH/NOVA)

Jorge Fernandes Alves (FLUP)

Luís Espinha da Silveira (IHC-FCSH/NOVA)

Maria Conceição Meireles (FLUP)

Maria João Raminhos Duarte (Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes e IHC – FCSH/NOVA)

Margarida Sobral Neto (FLUC)

Norberto Ferreira da Cunha (Museu Bernardino Machado e Universidade do Minho)

Paula Godinho (IHC-FCSH/NOVA)

Paulo Miguel Rodrigues (Universidade da Madeira)

Sérgio Rezendes (Universidade dos Açores e IHC – FCSH/NOVA)

Teresa Nunes (FLUL e IHC – FCSH/NOVA)

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Mais informação em: https://congresslocalhistory2017.wordpress.com/about/

 

 

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«Como se Fora Seu Filho»,  organização: Associação José Afonso, em Grândola, 29 de Julho de 2017

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«Como se Fora Seu Filho», organização: Associação José Afonso, em Grândola, 29 de Julho de 2017

A convite da Associação José Afonso, Soraia Simões estará em Grândola no colóquio - concerto denominado «Como se Fora seu Filho», fará uma comunicação de cerca de 20 minutos à qual deu o seguinte título: «MusicAtenta e RAP - ´Tudo depende da bala e da pontaria´: do exílio às ruas (1961 - 1994)».

O debate decorrerá Pelas 17.30 na Biblioteca Municipal subordinado ao tema «Como é que da Política se chega à Música e da Música à Consciência?». Além de Soraia Simões, da  mesa de debate farão ainda parte os investigadores João Madeira e João Vasconcelos e Sousa.

O concerto acontecerá pelas 22.00 no Jardim 1º de Maio com João Afonso e  Banda.
 

 cartaz de Associação José Afonso (AJA)

cartaz de Associação José Afonso (AJA)

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Se a Memória Não me Falha - História Oral, Metodologias e Boas Práticas, Festival FOrA, Org. CHAM (FCSH NOVA)

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Se a Memória Não me Falha - História Oral, Metodologias e Boas Práticas, Festival FOrA, Org. CHAM (FCSH NOVA)

Com a presença de Soraia Simoes. O encontro Se a memória não me falha... é organizado em parceria pelo CHAM, Faculdade de Ciencias Sociais e Humanas NOVA Lisboa, Universidade dos Açores, e pela Associação Teia D'Impulsos. Encontra-se enquadrado na terceira edição do FOrA – Festival da Oralidade do Algarve, mostra de património cultural imaterial do Algarve que decorrerá em Portimão e Alvor, Lagos entre os dias 10 a 14 de Maio.

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CINEMA É LIBERDADE (3 filmes de Rui Simões em destaque) MULTIUSOS 3 - 6 e 22 de Abril, 4 de Maio, 17.00 - Entrada Livre

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CINEMA É LIBERDADE (3 filmes de Rui Simões em destaque) MULTIUSOS 3 - 6 e 22 de Abril, 4 de Maio, 17.00 - Entrada Livre

Mais detalhes acerca das sessões:

6 de Abril de 2017 - Deus, Pátria, Autoridade, aqui »»»

20 de Abril de 2017 - Bom Povo Português, aqui »»»

4 de Maio de 2017 - Guerra ou Paz, aqui »»»

 

Cinema é Liberdade, 1ª Sessão »»» áudio aqui 

Apresentação do filme de Alice Samara (IHC - FCSH NOVA)
Organização do Ciclo: Soraia Simões (IHC - FCSH NOVA, Mural Sonoro)
Autor/Realizador: Rui Simões...
Ano: 1975
Local da projecção: Sala multiusos 3, Edifício ID, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - FCSH NOVA
Horário: 17.00 - 20:00
Data: 6 de Abril de 2017

Síntese: Neste excerto de conversa gravado a seguir à projecção do filme, Rui Simões fala com os presentes sobre o momento em que o filme é realizado, como foi chegar à conversa com alguns dos protagonistas do filme, os desejos, as esperanças que se viveram e a sua lente e leitura sobre este documento histórico. O autor fala do seu percurso inicial como realizador e deste que foi o seu primeiro filme realizado (tinha então 30 anos). Houve uma apresentação e enquadramento iniciais de cerca de 15 minutos por Alice Samara, investigadora do Instituto de História Contemporânea e Docente.
Neste excerto com Rui Simões, ouvem-se, além da sua exposição, intervenções e questões a Rui Simões efectuadas, pela ordem da intervenção, por Alice Samara, João V. Sousa, Soraia Simões, Pedro Santa Rita, José Zaluar e Pedro Serra.
Gravação (sem edição de som) e síntese: Soraia Simões
Nota: ouvir com auscultadores.

cinema é liberdade

 

Acerca da iniciativa:

Ciclo de três sessões que coloca em destaque 3 dos filmes do cineasta Rui Simões (REAL FICÇÃO – RF) e o traz até à FCSH NOVA para nos falar um pouco mais destas obras fundamentais da história contemporânea, que contam com protagonistas mais e menos conhecidos, da sociedade, da cultura, do combate e resistência às censura e ditadura durante o período colonial, que narram memórias de desertores, de faltosos, de aspirações, colectivismos e rupturas nos campos culturais: musicais, literários, em gestação antes do 25 de Abril e vividos com (mais e menos) fulgor durante o PREC, entre outros.

PROGRAMA:

 

Entrada livre

6 de Abril

Deus, Pátria Autoridade (1975)

apresentação de Alice Samara  (IHC, FCSH NOVA) + conversa com o realizador

Multiusos 3, 17.00, lotação: 50 pessoas

Sinopse RF: A partir do célebre discurso de Salazar feito em 1936, o filme procura de forma didática mostrar os alicerces do regime fascista durante os 48 anos da sua existência até ao 25 de Abril de 1974.

20 de Abril

Bom Povo Português (1980)

apresentação de Tiago Baptista (IHC, FCSH NOVA, Cinemateca) + conversa com o realizador

Multiusos 3, 17.00, lotação: 50 pessoas

Sinopse RF: O filme procura traçar a História entre o 25 de Abril de 1974 e 25 de Novembro de 1975, tal como ela foi sentida pela equipa que, ao longo deste processo, foi ao mesmo tempo espectador, actor, participante, mas que, sobretudo, se encontrava totalmente comprometida com o processo revolucionário em curso.

4 de Maio

Guerra ou Paz (2012)

apresentação minha + conversa com o realizador

Multiusos 3, 17.00, lotação: 50 pessoas

Sinopse RF: Entre 1961 e 1974, 100.000 jovens portugueses partiram para a guerra nas ex-colónias. No mesmo período, outros 100.000, saíram de Portugal para não fazer essa mesma guerra. Em relação aos que fizeram a guerra já muito foi dito, escrito, filmado. Em relação aos outros, não existe nada, é uma espécie de assunto tabu na nossa sociedade. Que papel tiveram esses homens que “fugiram à guerra” na construção do país que somos hoje? Que percursos fizeram? De que forma resistiram?

Neste filme de Rui Simões excertos do filme O Salto e o testemunho do músico e compositor Luís Cilia, autor da banda sonora, entre outros: emigrantes, desertores e refratários, marcam presença. Recupero aqui, com esta (espero) boa nova, as temáticas do filme O Salto (1) que relembro neste pequeno trecho relativo ao projecto da RTP, da autoria de Luís Marinho e Rosário Lira, “Extrema-Esquerda porque não fizemos a revolução?” assim como a conversa que mantive com Luís Cilia em 2013 na sua casa, para o acervo do Mural Sonoro, que cruza e fixa memória e história oral (2), recolha de entrevista marcada especialmente pela vida cultural e discográfica que assinalou o seu período de exílio em Paris (Soraia Simões)


 

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Ciclo ''Conversa ao Correr das Músicas'' 6ª CONVIDADA — VIVIANE

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Ciclo ''Conversa ao Correr das Músicas'' 6ª CONVIDADA — VIVIANE

A  sessão de gravação ao vivo do Ciclo "Conversa ao Correr das Músicas" teve como convidada Viviane Parra. A mediação da conversa musicada esteve, como habitualmente, a cargo da investigadora Soraia Simões. 

6ª Sessão/Gravação 

21 de Maio de 2015
convidada: Viviane 
acompanha de Tó Viegas
coordenação, condução: Soraia Simões
Fotografias: Alexandre Nobre
Imagem vídeo: Marta Reis 
Som: Soraia Simões 
Parceria: Associação Mural Sonoro, Museu da Música 

6ª Sessão/Gravação 
convidada: Viviane 
acompanha de Tó Viegas
coordenação, condução: Soraia Simões
Fotografias: Helena Silva
Imagem vídeo: Marta Reis 
Som: Soraia Simões 
Parceria: Associação Mural Sonoro, Museu da Música



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6 de Junho, «LER História»/Feira do Livro de Lisboa:  «A Música Popular em Portugal no contexto das Campanhas de Dinamização Cultural e no PREC»

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6 de Junho, «LER História»/Feira do Livro de Lisboa: «A Música Popular em Portugal no contexto das Campanhas de Dinamização Cultural e no PREC»

LISBOA
FEIRA DO LIVRO
APRESENTAÇÃO E DEBATE
6 de Junho de 2015
19h00

Uma iniciativa que decorreu na Feira do Livro de Lisboa
 
Foi apresentado o nº67 da revista Ler História dedicado ao tema das transformações culturais no pós 25 de Abril.
 
A apresentação da revista esteve a cargo da Professora Fátima de Sá (uma das editoras da revista LER História) e do Investigador Frédéric Vidal (editor da revista LER História, Investigador CRIA/ISCTE) e foi seguida por um debate sobre o tema "Música e Revolução. A Música Popular em Portugal no contexto das Campanhas de Dinamização Cultural e no PREC" com os intervenientes Carlos Guerreiro (Gaiteiros de Lisboa) e Manuel Rocha (Brigada Victor Jara, Direcção do Conservatório de Música de Coimbra) e a coordenação e organização de Soraia Simões (Investigadora IHC FCSH, Autora Mural Sonoro), Manuel Rocha (Músico, Professor, Director Conservatório de Música de Coimbra), Carlos Guerreiro (Músico, Professor, Gaiteiros de Lisboa)

Som: Cláudia Henriques
Edição: Soraia Simões
Fotografias: Alexandre Nobre

© 2015 Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Revista «Ler História», Letra Livre, Feira do Livro de Lisboa'15, Associação Mural Sonoro, Projecto Memórias da Revolução/IHC - FCSH («Os Sons da Revolução»)
no-re-use, free access

 

Mais informações no site do IHC - FCSH, aqui
*A segunda sessão deste ciclo realizar-se-á depois do dia 15 de Setembro, em data específica a anunciar durante esse mês e contará com José Mário Branco no painel.

A partir do mês de Junho (retomando em Setembro). As sessões, com vários intervenientes e músicos convidados, ocorrerão na Feira do livro de Lisboa, livraria Ler Devagar, FCSH, etc.
 

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CICLO: CONVERSA AO CORRER DAS MÚSICAS. 5º CONVIDADO — EDUARDO PANIAGUA

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CICLO: CONVERSA AO CORRER DAS MÚSICAS. 5º CONVIDADO — EDUARDO PANIAGUA

 

Excerto 5ª Sessão «Conversa ao Correr das Músicas» com Eduardo Paniagua

(1) No ''Conversa ao Correr das Músicas'', noite de 12 de Março no Museu da Música, em que estive com o músico e investigador Eduardo Paniagua, demonstrou-se que as dicotomias patenteadas ao longo dos tempos entre «baixa cultura» e «alta cultura», ''música popular contemporânea'' e ''música clássica antiga'' são sobretudo criadas no âmbito cultural para sustentar teses e/ou definições sociológicas, tecnológicas, económicas, normativas e negativas.

Já Middleton afirmava que nenhuma das teses que as colocavam em contraste eram sustentáveis, mas apenas pontos de vista de quem as vinculava. O que é isto, afinal, de uma Música que «faz parte da cultura de elites» e outra que «faz parte da cultura do povo», sendo a música dotada de uma maior compreensão quando abordada num campo cultural mais alargado, onde toda ela faz parte de uma indústria de produção e recepção?

Por outro lado, a 'complexidade' que a historiografia musical descreveu durante anos a respeito da música de tradição clássica, antiga ou erudita, a sua lógica e uso frequente de modulações, poucas repetições, a sua divisão em pequenas unidades, como períodos, movimentos ou fraseados, também pode ser encontrada em repertório dito popular no seio de tipologias musicais como o 'jazz' ou até a 'bossa nova'.
E se olharmos para este instrumento musical de nome «saltério», que Paniagua tocou na noite de 12 de Março, ele não tem características semelhantes a outros instrumentos de corda beliscada ou pulsada tocados na cultura popular?

 

(1)  Soraia Simões, Investigadora (IHC/FCSH),  Associação Mural Sonoro (Presidente de Direcção)

(3) José Félix (Comunicação Museu da Música), prospecto relativo à sessão

(4) Fotografias de Helena Silva na sessão ocorrida no Museu da Música

Pesquisa, Som, Texto: Soraia Simões
Fotografias: Helena Silva



8.JPG

 

(4)

  (3)

(3)

 

(2) «Eduardo Paniagua é um dos músicos mais consolidados no contexto da música antiga e medieval. 
Oriundo de uma família de grande tradição musical, é irmão de Gregorio Paniagua e Luis Paniagua, este último construtor de instrumentos para a própria família, mas também um reputado luthier dos melhores músicos de repertório similar, como por exemplo Jordi Savall.

Organização: Associação de Amigos do Museu da Música e Associação Mural Sonoro.
€7,5
+ RESERVAS E INFO: 217710990


EDUARDO PANIAGUA nasceu em 1952 e vive em Madrid. Combina a carreira de arquitecto com a de especialista em música da Espanha medieval. 
Prémio Intérprete de Música Clássica 2009 da Academia de Música de Espanha, foi também nomeado para os prémios UFI (União Fonográfica Independente), Música Clássica em 2010, 2011 e 2012. 
Começou a gravar álbuns com apenas 16 anos. Dos 20 que gravou até 1982 com o Atrium Musicae, destacam-se "La Folia", "La Spagna", "Música da Grécia Antigua." 
É membro fundador dos grupos Cálamus e Hoquetus e especializou-se em música árabe-andaluz. 
Em 1994 criou os grupos Música Antigua e Ibn Baya, para o trabalho sobre as Cantigas de Afonso X e a Música Andaluza, respectivamente. 
Em paralelo fundou e dirige a editora Pneuma, com um total de 140 CDs editados, dos quais mais de 90 são do seu grupo musical: cantigas, trovadores, cancioneiros e música renascentista e pré barroca. 
Entre 1995 e 1999 trabalhou para a Sony Classical, coleção Hispânica.

Actualmente é o Presidente da Fundação de Música Antiga.

Pelo seu trabalho em favor da convivência de culturas recebeu, em outubro de 2004, a Medalha das quatro sinagogas sefarditas de Jerusalém. Pela divulgação destas músicas inéditas vem recebendo excelentes críticas e prémios internacionais, tendo sido nomeado em 1997, 2000 e 2004, como Melhor Artista de Música Clássica nos Prémios da Academia de Música.

Realizou 7 exposições sobre instrumentos musicais, como por exemplo "Bisabuelos de una Orquesta" e "Instrumentos de la Edad Media".
Publicou livros como "Música Europea del siglo XV para el Órgano de papel de Leonardo da Vinci", "Los Cuatro Elementos y la Sociedad Red, Música", "Rumi e Ibn Arabí, La ciencia del Amor", "Ibn Gabirol, caballero de la palabra", etc.

Actualmente, Eduardo Paniagua desenvolve, com o grupo Música Antigua, o projecto de gravação das Cantigas de Alfonso X. 
O grupo Música Antigua, liderado pelo músico, é composto por especialistas na música medieval espanhola. Integra cantores e instrumentistas espanhóis e convidados estrangeiros que se debruçam sobre projetos musicais e discográficos de três culturas que coexistem em Espanha: judaica, muçulmana e cristã. 

Os seus trabalhos sobre a música andaluza e hispano-judaica tiveram excelentes críticas internacionais e o apoio da Agência Espanhola de Cooperação Internacional, pela sua qualidade e pela recuperação do património musical hispano medieval. 
O trabalho que desenvolve com instrumentos cópia dos da época é essencial para a realização dos projetos musicais de concertos e gravações».

(2) Museu da Música, mais detalhes aqui

(3) José Félix (Comunicação Museu da Música), prospecto relativo à sessão

(4) Fotografias de Helena Silva na sessão ocorrida no Museu da Música 

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CICLO: CONVERSA AO CORRER DAS MÚSICAS. 4º CONVIDADO — FRED MARTINS

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CICLO: CONVERSA AO CORRER DAS MÚSICAS. 4º CONVIDADO — FRED MARTINS

INFO MUSEU DA MÚSICA

Quinta-feira, 22 de Janeiro, às 21:30

  • Estação do Metropolitano Alto dos Moinhos - Rua João de Freitas Branco, 1500-359 Lisboa

O Ciclo «Conversa ao Correr das Músicas» da Associação Mural Sonoro em parceria com o Museu da Música regressou ao Museu na noite de dia 22 de Janeiro com um novo convidado, o músico e compositor brasileiro Fred Martins.

 

Fred Martins nasceu no Rio de Janeiro, mas vive actualmente em Santiago de Compostela. O seu trabalho foi grandemente influenciado pela música popular brasileira, o samba e a bossa nova. Transcreveu, para os conhecidos Songbooks de Almir Chediak, partituras de compositores como Chico Buarque, Noel Rosa, Tom Jobim, Caetano Veloso e Gilberto Gil. 
Compôs para nomes como Renato Braz, Ney Matogrosso, Maria Rita e Zélia Duncan.
Prepara-se para lançar o seu próximo álbum a solo, que reflecte os seus 20 anos de carreira e que apresentou de igual modo ao longo desta conversa.

Mais uma vez, além das canções interpretadas, falou-se, atravessando o percurso do convidado, dos temas, versões e noções musicais que se escondem por trás de alguma da obra musical.



A mediação da conversa musicada esteve como habitualmente a cargo da investigadora Soraia Simões. 

O Ciclo "Conversas ao Correr das Músicas" originará uma colecção de vídeos documentais realizados pela Associação Mural Sonoro.

Poster da Sessão da Autoria de José Félix

Ciclo «Conversa ao Correr das Músicas» 4ª Sessão. Gravação: 22/01/2015
Parceria Associação Mural Sonoro/Museu da Música
Condução: Soraia Simões 
Convidado: Fred Martins
Imagem: Carlos Gomes 
Cameras: Carlos Gomes e Marta Reis



Foto 15 copy.jpg

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Ciclo: Conversa ao Correr das Músicas. 3ª Convidada — Luanda Cozetti

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Ciclo: Conversa ao Correr das Músicas. 3ª Convidada — Luanda Cozetti

O Ciclo ''Conversa ao Correr das Músicas'’, da Associação Mural Sonoro em parceria com o Museu da Música, teve como convidada na Sessão da noite de 14 de Novembro a brasileira Luanda Cozetti, acompanhada do baixista Norton Daiello , que com ela forma o grupo Couple Coffee


A mediação da conversa musicada esteve como habitualmente a cargo da investigadora Soraia Simões. Mais uma vez, além das canções interpretadas na voz e no baixo, falou-se, atravessando o percurso da convidada, além dos temas, versões e noções musicais que se escondem por trás de alguma da obra musical, em que medida a convivência com a situação de exílio dos pais foi determinante na escolha de algum do seu repertório musical e na sua perspectiva como indivíduo e como música.
O Ciclo "Conversas ao Correr das Músicas" originará uma colecção de vídeos documentais realizados pela Associação Mural Sonoro


Ouça aqui um excerto da primeira sessão, com o músico e compositor brasileiro Ivan Lins:

Assim como a recolha de entrevista realizada à intérprete para o Arquivo e Documentação Mural Sonoro.

Produção: Associação Mural Sonoro

Parceria: Museu da Música

Pesquisa, Apresentação, Condução: Soraia Simões

Fotografias: Helena Silva

Cameras: Marta Reis, Carlos Gomes



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Ciclo: Conversa ao Correr das Músicas. 2º convidado — Paulo de Carvalho

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Ciclo: Conversa ao Correr das Músicas. 2º convidado — Paulo de Carvalho

Lembramos-lhe que o Ciclo mensal de nome ''Conversa ao Correr das Músicas'’ da  Associação Mural Sonoro se realizou  na noite de 9 de Outubro de 2014 no Museu da Música.


Recordamos-lhe ainda que a abrir mais um ciclo deste projecto no Museu da Música, na noite de 8 de Julho, esteve o músico e compositor brasileiro Ivan Lins. Como poderá verificar aqui.


Esta segunda sessão integrar-se-ia nas comemorações da Semana da Música levada a cabo por este Museu.

A Associação Mural Sonoro convidou desta vez Paulo de Carvalho, que acompanhado do pianista cubano Victor Zamora,  falou e tocou  temas da sua já vasta obra fonográfica que o revelaram não só como intérprete como, especialmente a partir dos anos de 1980, autor e compositor de canções em domínios variados da Música Popular. Algumas resultantes das suas parcerias com José Carlos Ary dos Santos,  Joaquim Pessoa, entre tantos outros e celebrizadas também nas vozes de outros intérpretes como Carlos do Carmo. A mediação da conversa musicada esteve como habitualmente a cargo da investigadora Soraia Simões. Mais uma vez além das canções interpretadas na voz e no piano, falou-se, atravessando o percurso do convidado, dos temas e noções musicais que se escondem por trás de alguns dos seus repertórios.

  Victor Zamora (piano), Paulo de Carvalho (voz), Soraia Simões (autoria, condução)

Victor Zamora (piano), Paulo de Carvalho (voz), Soraia Simões (autoria, condução)

  Victor Zamora (piano), Paulo de Carvalho (voz), Soraia Simões (autoria, condução)

Victor Zamora (piano), Paulo de Carvalho (voz), Soraia Simões (autoria, condução)

  Victor Zamora (piano), Paulo de Carvalho (voz)

Victor Zamora (piano), Paulo de Carvalho (voz)

 Victor Zamora (piano), Paulo de Carvalho (voz)

Victor Zamora (piano), Paulo de Carvalho (voz)


Além do Projecto de Arquivo e Documentação Mural Sonoro, o primeiro e único livro (2012 Chiado Editora. Passado — Presente. Uma Viagem ao Universo de Paulo de Carvalho) acerca do percurso musical de Paulo de Carvalho é da autoria de Soraia Simões. Este novo Ciclo originará uma Colecção de Vídeos documentais realizados pela Associação Mural Sonoro.

Alertamos para o facto de o auditório do Museu da Música ter uma capacidade limitada, pelo que para garantir o seu lugar sentado nas próximas sessões terá de o fazer antecipadamente através do número fixo do Museu.
 

Para mais informações consulte o Facebook do Museu da Música e respectivo Portal. Assim como os correspondentes ao Projecto Mural Sonoro.

Fotografias da Sessão: Helena Silva

Poster de programação mensal do Museu da Música: José Félix

 

Sessão de Julho do Ciclo Conversa ao Correr das Músicas da Associação Mural Sonoro no Museu da Música. Convidado: Ivan Lins

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Ciclo: Conversas ao Correr das Músicas. 1º Convidado — Ivan Lins

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Ciclo: Conversas ao Correr das Músicas. 1º Convidado — Ivan Lins

Com a criação da Associação Mural Sonoro, em Fevereiro de 2014, o Projecto tem agora como missão alargar o seu método-base a outras leituras, com outras linguagens, em prol do mesmo enfoque que está na sua origem: a reunião de conteúdos com o propósito da fundamentação do seu já considerável acervo documental e sonoro.

Se os debates que ocorrem no Museu da Música desde 2013 com músicos, compositores, construtores de instrumentos gravados no arquivo Mural Sonoro procuram, através da discussão em torno de um Tema mensal, caracterizar as várias práticas musicais operadas em Portugal, que se fixaram por tempos ou permanentemente na capital do país tendo aí notoriedade, sendo acolhidas ou repelidas em determinados tempos, incitando a capital a uma (re) descoberta delas nos locais, explicitar as dinâmicas do ensino ou aprendizagem dos instrumentos construídos em Portugal e que são usados nessas práticas, desde o momento em que se detectam aspectos de carácter regional ou local nessas práticas adaptadas à música que era produzida em cidades centrais e zonas limítrofes, até ao presente, tendo como ponto de partida e chegada as comunidades de prática, os processos de produção e de recepção musical, o novo Ciclo concentra-se no percurso de um músico, autor, compositor e intérprete já gravado no Arquivo e no seu repertório, técnicas de execução e experiência musical, o Ciclo «Conversa ao Correr das Músicas» procura misturar a música e o discurso oral num só.
 

 Ivan Lins, Museu da Música

Ivan Lins, Museu da Música


A cada mês Soraia Simões apresentará um Músico/Autor diferente com um já significativo legado no âmbito da Música Popular em domínios musicais diversos de matriz urbana onde o «jazz», o «rap», o «fado» e outras formas musicais de cariz tradicional no âmbito da cultura popular e de campos como os da autoria, interpretação e composição estarão presentes na voz e expressão (musical e verbal/discursiva) de alguns dos seus principais autores nos últimos anos.

O Convidado que abriu este novo ciclo foi Ivan Lins. O Músico/Autor tocou e explicou  simultaneamente aquilo que tem feito no âmbito da Música Popular nas últimas décadas e algumas das histórias contidas nas músicas que marcaram o seu percurso e o processo levado a cabo em algumas das suas composições.

 

Nestas Sessões não existe um palco permitindo aos espectadores estarem mais próximos desta conversa cantada ou música falada, como o entender.

 

 Ivan Lins com Soraia Simões

Ivan Lins com Soraia Simões

O Início deste ciclo aconteceu a 8 de Julho de 2014 com o músico e compositor Ivan Lins e a sessão foi registada para arquivo e dará origem a uma Colecção de Vídeos de carácter documental a sair no fim do Ciclo, realizados pela Associação Mural Sonoro.
 

 Ivan Lins

Ivan Lins


Ivan Lins é um dos grandes nomes da Música Popular no mundo. Gravado em entrevista para o arquivo Mural Sonoro (escutar 65° recolha de entrevista) e membro da Associação Mural Sonoro o músico e compositor brasileiro é um dos mais internacionais e reconhecidos autores dos sec. XX e XXI. Vencedor de vários Grammys e prémios internacionais. A Sociedade Portuguesa de Autores atribuir-lhe-ia em 2013 o Prémio de 'mérito e excelência' para melhor músico e autor internacional.
Pianista e compositor de Elis Regina. Gravado nos EUA por Quincy Jones ou Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan entre outros. Novo ciclo da Associação Mural Sonoro mais uma vez em colaboração com o Museu da Música. 

 Museu da Música

Museu da Música

Ficha Técnica

Produção: Associação Mural Sonoro

Autoria, Moderação: Soraia Simões

Convidado: Ivan Lins

Fotografias: Helena Silva

Vídeo: Marta Reis

Parceiro: Museu da Música

Registo IGAC, 2014 em parceria com Museu da Música

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«Música e Política» Sessão 31 de Maio Museu da Música

«Música e Política» Sessão 31 de Maio Museu da Música

«A música nunca inventa a política é a política que inventa a música» disse José Mário Branco há mais de um ano em entrevista para o arquivo Mural Sonoro. « (...) é por isso que sou profundamente contra o label  música de intervenção (...) é redutor (...) eu não fui para a rua criar o movimento social, ele é que me chamou (...) cantei aquelas músicas porque era o que estava a sentir (...) sabes a ideia que me dá? É que a liberdade só existe quando é conquistada (...)». Não obstante, as ligações entre alguns indivíduos, de domínios distintos da Música Popular, quer com as políticas culturais praticadas como com o discurso dominante para quem a censura e a falta de liberdade na criação pouco existiram também foram notados. Como poderá escutar aqui, na recolha de entrevista realizada a João Braga, onde encontra algumas alusões suas sobre as músicas que passavam na rádio nos anos de 1960 e 1970,  como a respeito da intervenção da PIDE em sua casa no contexto de um episódio que marcou o início dos Festivais de Jazz em Cascais na década de 70, nos quais o actual fadista foi um dos organizadores.

Por outro lado, os centros e as margens impostos pela indústria cultural no geral e fonográfica em particular e pelos próprios músicos levaram alguns indivíduos a criar as suas dinâmicas de gravação, produção, promoção e ligação aos públicos de um modo por vezes distante dos processos tradicionais[1], mesmo antes da chegada da internet. O Associativismo, as organizações culturais de ideologias político-sociais diversas marcaram presença. Nos processos operados distantes dos modelos tradicionais, a produção musical e cultural em Portugal fez-se acompanhar de fortes movimentos sociais e políticos que apoiavam a gravação e edição discográfica (os discos de edição de autor ou pré-financiados  pelos colectivos de emigração politizados em França, como acontecera com os primeiros fonogramas gravados por José Mário Branco ou Luís Cilia, e que pode atentar melhor em parte das suas conversas gravadas para o Arquivo e disponíveis neste Portal).

O aparecimento da internet fez com que  a música feita na sociedade portuguesa não dependente das habituais estruturas organizacionais e institucionais se formasse de outras formas, permitindo uma maior contribuição para criar na sociedade valores éticos e políticos distantes dos impostos pelo Estado e que delimitavam o poder de contestação dos cidadãos[2] .

A música que se reclamava de «comprometida com uma realidade social» ultrapassou os centros académicos e encontrou-se com as camadas populares desde o século XX. Em vários domínios musicais, e com indivíduos de várias esferas da sociedade portuguesa[3] .

Seja por via de ideias expostas nas letras mais codificadas, seja pelo recurso a uma poética-metafórica («nos períodos de maior tensão socio-política você encontra as maiores canções de amor» diz Ivan Lins[4] ) seja pelo uso que as estruturas quer sociais como institucionais fazem das músicas menos óbvias em períodos marcantes, como pudemos verificar com o uso dado a «E Depois do Adeus» de José Niza (letra) e José Calvário (música) celebrizada na voz do músico Paulo de Carvalho e que serviria na Rádio ao radialista João Paulo Diniz para anunciar uma Revolução a 25 de Abril de 1974, não esquecendo as  posições tomadas sobre algumas questões prementes, como a guerra colonial (Luís Cilia seria o primeiro a denunciá-la num disco da sua autoria [5] ) ou o Estado Novo. 

Nesta Sessão que ocorrerá a 31 de Maio no Museu da Música, pelas 18h, e contará com a presença de Manuel Rocha e Ruben de Carvalho falaremos de algumas das mensagens contidas não só nas músicas como nos discursos colectivos e individuais, das mudanças significativas operadas nos campos da programação cultural e produção nos últimos 40 anos.

Com o objectivo de  ampliar o foco da Sessão analisar-se-ão também algumas das músicas, composições e arranjos que serviram de canal  para a compreensão das letras.

Contrapondo a opinião de alguns dos autores que registei em conversa para o Arquivo e já fizeram parte de algumas sessões de entrada livre no ano de 2013 às de outros também registados, e em campos de acção diferenciados,  propõe-se com mais uma Sessão Mural Sonoro abordar a ampla dimensão em que se insere esta temática no âmbito da sociedade portuguesa.

Soraia Simões 

texto de apresentação de Sessão com breves considerações a aprofundar na sessão de entrada livre. Hora e local do Evento detalhes e informação Portal Museu da Música

[1]  recolha de entrevista com José Mário Branco online com o número 53, do minuto 7 ao minuto 40 do áudio disponibilizado na área «Arquivo Mural Sonoro» neste Portal

[2] escutar recolha de entrevista a Nuno Santos (sociólogo) e rapper (com o nome artístico: Chullage) para arquivo, disponível em arquivo online e «Música Popular e Cultura, breves considerações»

[3] ver noutros domínios musicais onde a referência não é tão óbvia para a maioria da sociedade portuguesa, como o fado, em: «A Lírica do Fado antes da Censura. Antologia de poesia para Fado (1857-1926)», Lima, Paulo (selecção e estudo) ou «Fados para a República»,  Nery, Rui Vieira, Imprensa Nacional Casa da Moeda, 2012 

[4] recolha de entrevista realizada para Arquivo Mural Sonoro em Setembro de 2013, online com o número 65

[5] Luís Cilia foi o primeiro cantor que no exílio denunciou a guerra colonial e a falta de liberdade em Portugal. A sua actividade constante, a partir de 1964, tanto discográfica como no que diz respeito à realização de recitais, fê-lo profissionalizar-se em 1967. Durante vários anos dedicou-se ao estudo de harmonia e composição. Recolha de entrevista realizada em Agosto de 2013. Disponível em arquivo online uma parte da conversa a partir de Setembro de 2013, assinalada com o número 64 para facilitar pesquisa online

Primeira Parte, de três, da  Sessão de 31 de Maio



Música Popular e Cultura

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Música Popular e Cultura

Partindo da ideia «A música Comprometida com uma realidade social», abordada por José Mário Branco no decorrer de uma conversa registada  para este trabalho, juntou-se um ciclo de três debates  com agentes distintos para discutir respectivamente os temas: «Músico Profissional que Futuro?» (Fernando Girão, Tozé Brito, Carlos Barretto, Fevereiro de 2013), «Música e Sociedade» (José Mário Branco, Sebastião Antunes, Maio de 2013), «Música e Política» ( Ruben de Carvalho, Manuel Rocha, 24 de Maio de 2014) e uma palestra sob o título (em jeito de pergunta retórica) «Estará a Música Popular sempre comprometida com uma realidade social?».

Destas sessões de entrada livre registadas para o Arquivo, que justificaremos no fim do ciclo confinado a esta directriz de base, salientam-se para já as seguintes questões e noções levantadas:

A tentativa de explicar os discursos contidos em domínios musicais no âmbito da cultura popular, a forma como estes se organizam à luz de determinados  valores que enformam as suas práticas, se representam nas suas músicas e textos, abrem por si mesmo espaço para a discussão acerca da cultura em geral e da prática musical em concreto na sociedade portuguesa.

As relações quer de poder como de proximidade e distância impressas pelos grupos sociais no seio da Música Popular[0] revelam indícios sobre os valores a negociar e os elementos contrastantes com a ordem social. Como acontece, de um modo explícito, com as designadas «músicas de protesto» ou com o «rap» ou de um modo implícito com músicas onde o recurso à metáfora em períodos socialmente, economicamente e politicamente fracturantes é intenso.

 «Uma canção de amor pode ser uma canção de protesto (…)  a luta que faço é uma luta por amor ao meu povo, porque eu quero ver os meus amigos bem, os meus filhos a crescer num mundo melhor (…) na melhoria, na melhoria», diz o rapper Chullage[1].

 

Paulo de Carvalho celebrizou o tema que seria usado por João Paulo Diniz na rádio no momento em que a ‘’Revolução de Abril’’ acontecia «E depois do Adeus», com música de José Calvário e letra de José Niza, tema com o qual o intérprete ganharia no ano de 1974 o Festival RTP da Canção, apesar de para este músico, longe de imaginar «no uso que iria ser dado a esta cantiga», o «cantor da revolução ser José Afonso, eu se estou na história é por acaso», assevera numa das nossas longas conversas no decorrer do trabalho publicado a 18 de Outubro de 2012 [2], ainda que para si «Uma canção de amor pode ser de protesto». Tanto o seu trabalho de compositor como as interpretações a que ficou ligado acabam por clarificá-lo em, a título exemplificativo, «Com uma Arma e uma Flor», «Quando um Homem Quiser» que interpretou ou «Recado para o Chico» de 1977 que representa uma resposta sua à canção «Tanto Mar» de Chico Buarque de Hollanda escrita em homenagem à ‘’Revolução dos Cravos’’.

«A música nunca inventou a política, é a política que inventa a música» diz José Mário Branco[3]. Mas, estiveram as perspectivas «neoliberais», os discursos dominantes, os agentes de promoção e difusão da música que foi sendo feita em Portugal, especialmente na viragem da década de 1980 para a de 1990, receptivos para a apreensão de um discurso diferente, uma música que se distanciava de uma retórica monolítica, ou de uma música atenta e crítica ao panorama social? «Quando eu estive na Polygram e na BMG, na função de A&R, eu tinha de ter música que vendia senão fechava a companhia (…) mas naqueles anos 80 o facto de ter discos que vendiam davam-me obrigação moral de gravar outros que eu sabia que apesar de bons músicos não venderiam tanto comparativamente com outros que vendiam muitíssimo bem (…) eu sabendo que o António Pinho Vargas era o músico brilhante que era vendia muito pouco, mas tinha obrigação de o gravar», diz-me Tozé Brito[4]. O facto de ter alguns nomes nessa companhia discográfica que vendiam permitia que outros que não eram tão conhecidos pudessem ser lançados reflecte o seu comentário, mas será que esse papel agregador, assumido pela indústria fonográfica, das «minorias» que à partida não iam vender terá sido claro para outros autores? José Mário Branco, que teria os primeiros discos de autor apoiados em pré-venda pelos movimentos associativos de emigrantes em França refere-se ao facto de «quando mostrei o ‘Ser Solidário’[5] ao Tozé Brito ele disse-me que já lá tinha um Sérgio Godinho» o que deixa antever um outro aspecto: o de que com a velocidade que a música foi sendo gravada («porque tinhas de ter um produto sempre novo no dia seguinte» diz Paulo de Carvalho a respeito do papel da indústria fonográfica no seu percurso primeiro como intérprete e depois como intérprete e compositor)  e difundida nos anos de 1980 muita coisa terá ficado pelo caminho.  

As relações de contacto e afastamento, do contornar a indústria cultural num processo delimitador frequente que tem na sua essência a fixação primeira de interesses económicos e posteriormente culturais é também uma relação com os públicos e as sociedades[6]. Se o «modo pelo qual uma sociedade ensina a sua música é um factor de grande importância para o entendimento daquela música» (NETTL,1992: 3), o modo pelo qual a música explica a sua sociedade é de grande importância para o entendimento daquela sociedade.

As abordagens e estudos da música como cultura cingem-se a uma  não separação da música e sociedade. 

No universo académico e de investigação, se por um lado longe parecerá que está o tempo em que no contexto das músicas de cariz tradicional, entre países com ligações à Europa e ao resto do mundo o conceito de mudança representou uma ameaça para a Etnomusicologia, onde se imaginava que o papel da música não ocidental era estático e o papel do investigador era preservá-lo sem questionar as mudanças socais, atitude que negligenciou uma série de comportamentos e mudanças nas músicas de todo o mundo (na primeira metade do século XX, para vários investigadores antes dos anos de 1950,  na sua maioria oriundos de uma cultura que colocava a música erudita num patamar distante e superior olhava-se com desconfiança tanto para as suas origens como para as músicas cujos contextos de transmissão e mudança eram recentes, devido não só à presença das rádios e editoras discográficas como das próprias mudanças culturais e extensão de metrópoles pluriculturais [7]), por outro lado a partir da segunda metade dos anos de 1980 que cresceu o número de teses e abordagens sobre práticas culturais em contexto urbano oriundas de outros pontos geográficos. As redefinições do papel da cidade e da sua ligação a novas culturas passou a fazer parte dos currículos académicos a uma crescente velocidade, tal qual a mutabilidade dessas culturas e do contexto novo que as recebe, com políticas para a promoção da interculturalidade que têm sido tão aplaudidas como severamente criticadas.

No universo de disciplinas ou áreas de estudo como a sociologia, antropologia social, estudos sobre música popular em contexto migratório aspectos como «gentrificação urbana», «políticas interculturais», «relações de paridade no universo da ‘lusofonia’» e o próprio conceito de «lusofonia» têm gerado o mais diverso tipo de argumentos e controvérsias  assim como um leque variado de opiniões desiguais entre intervenientes da música, incluindo a actividade cultural relacionada com algumas práticas tradicionais de países diversos espalhados por cidades um pouco por todo o mundo, e o discurso veiculado pelos meios de comunicação convencionais de massas [8].

A abordagem dos acontecimentos políticos, culturais e de indústria considerados relevantes, das suas práticas e repertórios musicais num determinado período e espaço geográfico e dos seus agentes têm sido os assuntos abordados no decorrer destes encontros de entrada livre, que têm contado com a presença de investigadores, músicos e autores, produtores e agentes discográficos.

 

[0]«Música Popular» é um conceito alargado que congrega todos os domínios musicais num contexto urbano, de gravação, de espectáculo, com públicos. Grande parte da música que conhecemos é popular. A não ser que seja feita para não estar em cima de um palco, não passar no cinema, na rádio, nos fonogramas (EP, single, LP, CD), não ser veiculada em quaisquer plataformas a que os públicos, comunidades, sociedades diversos tenham acesso.

 

Os Popular Music Studies, para nós Estudos de Música Popular, têm maior força a partir da década de 1980, mas a Música Popular existe desde que existe gravação sonora. Embora ela também existisse e exista tanto escrita como ágrafa. Seja no «swing», «jazz», «rap», no «fado», no «pop-rock» ou qualquer outro domínio ou género. Assim, quando alguém no âmbito comunicacional exprime na ligação de uma ideia, que é comum aliás, «o 'jazz' e a música popular» ou «o fado e a música popular» não faz sentido, porque estes domínios são também populares. Todos estes domínios na verdade o são. As elites que os formam é que são tratadas pela recepção musical de modos diferentes. É o papel da recepção, não o do interveniente na música, que cria tal confusão. «A gravação sonora está para a Música Popular, em qualquer um dos domínios que conhecemos, como a partitura está para a erudita» é uma afirmação também discutível, porque a gravação sonora atravessou já os dois universos. Presentemente não faz, dita assim, sentido. Por outro lado, esta confusão que  considero propositada levar-nos-á sempre à interminável discussão de uma «alta» e «baixa» cultura e dos códigos assimilados superficialmente dessa discussão por alguma da recepção. A Música Popular, o conceito em si, passa a ser mais significativo com a gravação porque simplesmente é ela que 'multiplica' as obras, as leva às pessoas, até porque a partitura limitava quem não sabia ler música. Hoje, no campo da «música improvisada e contemporânea» são usados nos processos de aprendizagem tanto um como outro método: quer o disco, o suporte sonoro, como a pauta. Na entrevista feita ao músico e compositor Filipe Raposo (disponível em arquivo) isso fica patente. Se (ou) virmos as composições de José Luís Tinoco no âmbito de uma Música Popular e o seu discursar sobre eles, (em arquivo Mural Sonoro) atentaremos outro aspecto: ela tinha características de «música clássica»  muito embora ele não lesse música e se inspirasse incialmente nos discos de musicais americanos.

[1] Recolha de Entrevista, Julho de 2012, Arquivo Mural Sonoro, disponível online

[2] «Passado Presente. Uma Viagem ao Universo de Paulo de Carvalho», Simões, Soraia, Chiado Editora, 2012

[3] Recolha de Entrevista, Maio de 2013, Arquivo Mural Sonoro, disponível online

[4] Recolha de Entrevista, Outubro de 2012, Arquivo Mural Sonoro, disponível online

[5] Sessão de Debate «Música e Sociedade», Maio 2013, Museu da Música, disponível online, Secção ‘Iniciativas Mural Sonoro’, portal: muralsonoro.com

[6] Vargas, António Pinho, « A ausência da música portuguesa no contexto europeu: uma investigação em curso», Revista Crítica de Ciências Sociais, 2007

[7]  Edgar Morin, p.26. 24, Cultura de Massas no Seculo XX

[8] Cidade: palco de cultura e comunicação, espaço de reflexão sobre turismo, Denise da Costa Oliveira Siqueira - UERJ, Euler David de Siqueira - UFRJ

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‘Cante alentejano’: a adaptação na música popular, o discurso sobre as identidades e o território

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‘Cante alentejano’: a adaptação na música popular, o discurso sobre as identidades e o território


 

*O modo como a cultura popular foi vivida por grande parte dos trabalhadores no Alentejo no período do Estado Novo  deu origem a uma forte mobilização socio-política  desta classe social  que por sua vez foi permitindo o aparecimento de práticas culturais (musicais, políticas  e performativas) assentes no espírito de índole colectivo.

 

 

 

À ideia sistemática de que a terra não deveria ser propriedade individual mas um meio para trabalhar/cooperar colectivamente somam-se aspectos de natureza demográfica, como a emigração, e o incentivo a uma linguagem ideológica de classe interiorizada e exteriorizada pelos operários, sobretudo agrícolas, da região.

 

Os operários que pertenciam, trabalhavam e se encontravam para convívio em áreas mais interiores estavam mais ‘’protegidos’’ das influências e interesses culturais externos das classes dominantes e dos organismos onde era exercido o poder do regime vigente sob a vida laboral desses trabalhadores. Nomeadamente, os Grémios, as Casas do Povo ou a União Nacional.

 

É precisamente nesse ambiente, à primeira vista, avesso às políticas e culturas perpetuadas pelo regime, dado pelo seu crescimento especificamente interno, que o canto colectivo surge. Ele é em si uma extensão da vida em comunidade dos trabalhadores ou operários agrícolas habitantes do Alentejo, que na sua larga maioria dele não abriram mão.

 

A ideia simbólica de ‘’cultura popular’’ assim comoa constituição da ideia de ‘’classe trabalhadora’’ que, embora dependentes do desenvolvimento e das decisões atribuídos pelas estruturas sociais (o Estado, as ideologias) , se reivindicaram ao longo do seu processo de estruturações próprias e surgidas pela necessidade de afirmação de uma condição de classe social longe da classe dominante, percorreram o modo de estar e até a afirmação de discursos sobre ‘’cultura popular’’. que surgiram neste contexto social e regional com estas características. Discursos sobre identidades  e território pouco permeáveis, algumas vezes, às ideias de progresso e de trocas culturais patentes hoje nas sociedades.

 

Por outro lado, ao desenvolvimento de ferramentas tecnológicas e da própria música popular no contexto urbano alia-se o crescimento do interesse de alguns músicos profissionais, nesse contexto de indústria, por algumas das manifestações de cariz tradicional.

 

 

 

A Sessão que preparei para dia 22 de Março no Museu da Música tem presente duas realidades que nem sempre coexistiram ao longo das mudanças patenteadas nos seus processos de origem e recriação.  Por um lado, o discurso e incentivo à dinamização de práticas musicais e culturais no Alentejo, nomeadamente no Baixo Alentejo, desde o litoral até à raia (os corais polifónicos, a dinamização da viola campaniça no âmbito dos tradicionais despiques, rodas ou animação de balhos ou acompanhamento de grupos corais) identificativos da região, por outro lado a adaptação das estruturas melódicas e harmónicas do cante alentejano  na Música Popular, com o propósito principal da valorização da sua riqueza musical e sonora intrínsecas.

 

De um lado, José Colaço Guerreiro um apaixonado pelo Alentejo, de onde é natural, e que tem contribuído para o incentivo, promoção e divulgação de práticas como as referidas anteriormente, do outro lado um intérprete com anos de experiência no seio da Música Popular que tem resgatado, entre outras, algumas das características do cante introduzindo-as na música que faz e veicula num contexto de indústria: fonográfica, de espectáculo e media.

 

José Francisco Colaço Guerreiro é um apaixonado pela região de onde é oriundo e um defensor activo de algumas das suas expressões culturais e musicais, autodidacta criou os seus métodos e dinâmicas no que concerne à defesa do Património Cultural da sua região, dedicando-se sobretudo à sua divulgação junto dos meios de comunicação. Advogado de formação, do seu currículo fazem parte o "Grupo de Estudo e Defesa do Ambiente, Cultura e Arte do concelho de Castro Verde", "Castra Castrorum"- Associação de Defesa do Património de Castro Verde que criou em 1981, a constituição do Grupo Coral e Etnográfico "As Camponesas" de Castro Verde em 1984, a criação da escola do cante alentejano: Grupo Coral e Etnográfico Infantil "Os Carapinhas de Castro Verde" no ano de 1987, além de ter integrado a Comissão Executiva da Federação das Associações de Defesa do Património (FADEPA), ser responsável e apresentador do programa “Património” da Rádio Castrense desde 1989, de ter em 1990 organizado o Grupo Coral e Etnográfico "Moda Campaniça" ou em 1992  criado o Grupo das "Violas Campaniças". Foi colaborador dos jornais "Diário do Alentejo ", "Campaniço" e "Campo", mentor e coordenador do Observatório do Cante Alentejano (ainda hoje). Entre outros foi ainda  fundador e Presidente da Direcção da MODA- Associação do Cante Alentejano e é Presidente da  Assembleia Geral da MODA - Associação do Cante Alentejano.

 

Janita Salomé é um intérprete reconhecido pertencente a uma família de outros músicos reconhecidos na Música Popular que foi feita em Portugal nos últimos 40 anos. Começou a cantar com 9 anos, incentivado pela família - especialmente pelo pai, também cantor (tarefa que acumulava com a actividade de ourives) tendo depois dos 16 anos integrado algumas orquestras (assim se chamavam ao conjunto de músicos - com instrumentos diversos, como em exemplo: contrabaixo ou piano que o formavam, todos da família de Janita: tios maternos e os irmãos mais velhos), mas foi aos 18 anos que Janita salomé saiu do Alentejo para Lisboa (onde trabalhou primeiramente como funcionário judicial).

Na recolha de entrevista que me deu no ano de 2013 para a história oral do Mural Sonoro explicou alguns dos motivos/motivações que fizeram, até hoje, parte do seu percurso na música, do que mudou, de algumas considerações que dizem respeito, entre outros domínios musicais, às 'músicas tradicionais' e às manifestações de tradição oral, mas também das principais diferenças de comportamento dos músicos que já contam com alguns anos de caminhada, das fragilidades patentes nos círculos de difusão, indústria fonográfica e de promoção (O disco do projecto Vozes do Sul, dirigido por Janita Salomé, com a intenção de celebrar o 'cante alentejano', foi editado em 2000. No disco participaram: Os Camponeses de Pias, As Camponesas de Castro Verde, Grupo da Casa do Povo de Serpa, Cantadores do Redondo, Filipa Pais, Bárbara Lagido e Catarina, Marta, Patrícia, Janita e Vitorino por parte da família Salomé.

  

*Soraia Simões, Autora Mural Sonoro

 

 

 

 

Informação Museu da Música: A Sessão do mês de Março no Museu tem como tema: Cante alentejano: a adaptação na música popular, o discurso sobre as identidades e o território


Sessão de Março Mural Sonoro no Museu da Música 
Intervenientes: Janita Salomé José Francisco Colaço
Coordenação, Pesquisa, Som, Moderação da Sessão : Soraia Simões

Fotografias: Helena Silva

Mais detalhes relativos à Sessão 

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Música Popular no Contexto das Tecnologias de Produção Sonora e Musical

Música Popular no Contexto das Tecnologias de Produção Sonora e Musical

Com os Engenheiros de Som, Produtores, Formadores e músicos Fernando Abrantes e Tó Pinheiro da Silva

Esta sexta no Museu da Música pelas 16h Soraia Simões esteve à conversa com os António Pinheiro da Silva e Fernando Abrantes.


A primeira parte desta sessão de cerca de uma hora andou em torno do esclarecimento de questões como: o Midi, o seu surgimento, o que significa, para que serve esta ferramenta em conjunto com um computador com software Midi, como evoluiu da era dos gravadores multipista analógicos até à era digital com sequenciadores Audio/Midi, os problemas e as formas de funcionamento nas eras analógica e digital. 0s dois intervenientes fIzeram demonstrações da implementação de algumas das ferramentas no âmbito da música popular que por eles foi produzida em Portugal nos últimos anos. Em discos e temas específicos.


Na segunda parte da Sessão falou-se do Estúdio como outro Instrumento Musical. Houve exemplificações de António Pinheiro da Silva (utilização midi/masterização, apresentação de exemplos em pistas, apresentação de trabalho/gravação em que os processadores são/substituem os instrumentos de uma Orquestra Sinfónica) e Fernando Abrantes (implementação de novas ferramentas e instrumentos no tema ''O Cacilheiro'' de José Carlos Ary dos Santos e Paulo de Carvalho).

Demonstrações de midi, explicações do seu surgimento, de como se usa e para que serve esta ferramenta em conjunto com um computador com software midi, dos problemas de funcionamento assumidos nas eras analógica e digital, acerca do processo evolutivo da era dos gravadores multipista analógicos até à era digital com sequenciadores Audio/midi, estiveram assim na base desta sessão e registo para arquivo.



 

*As Sessões do Mural Sonoro que acontecem desde Janeiro de 2013 no Museu da Música estarão, a partir de Setembro, disponíveis na Fonoteca do Museu da Música. Excertos de algumas Sessões e pequenos textos serão publicados nesta área deste Portal.


Para estar a par dos temas e intervenientes de cada uma destas Sessões durante o presente ano pode-se consultar não só a área Iniciativas Mural Sonoro como o Portal do Museu da Música.

31 de Janeiro de 2014

Autoria, Pesquisa e Moderação de Soraia Simões

Imagem de Marta Gonçalves

Som, Montagem: de Paulo Lourenço

Fotografias da Sessão de Helena Silva