A investigadora Soraia Simões é a autora de um novo documentário, A Guitarra de Coimbra, que está a ser produzido para a RTP, com transmissão agendada para a grelha de 2019 da RTP2.

O desafio do documentário é contar a história deste património imaterial da Coimbra popular, “nas vozes de intérpretes homens e de intérpretes mulheres, construtores, estudiosos, documentos inéditos e espaços, desde o berço até à contemporaneidade, da tradição à modernidade”, explica Soraia Simões.

Popularizada por Carlos Paredes, a guitarra de Coimbra distingue-se da versão lisboeta por ter uma tessitura mais grave e um timbre distinto, devido às diferenças na sua construção, bem como na execução. A afinação nominal, ainda hoje usada, mantém características das cítaras do Renascimento.

O documentário será realizado por José Ricardo Pinto, estando Pedro Porto Fonseca responsável pela direcção de som.

 

Imagem: Carlos Paredes representado na Estação Aeroporto do metro de Lisboa (Crédito: IngolfBLN – Wikimedia Commons)

Fonte: Instituto de História Contemporânea, FCSH NOVA Lisboa

 

«(...) Dar dignidade e valorizar a guitarra de Coimbra, não só pela sua importância a um nível transnacional como local (na cidade de Coimbra), na medida em que a abordagem ao instrumento começa logo com uma questão acerca das suas origens ou radicações geográficas.

Até há muito pouco tempo houve um discurso dominante em torno da guitarra de Coimbra que circunscrevia a sua história e os caminhos que traçou a comunidades de prática fixadas na cidade de Coimbra, sobretudo nos meios académico e futrica, em alguns campos esse discurso ainda prevalece, como em alguns liceus que replicam a cultura académica de matriz conimbricense e alguns estudantes da Universidade do Porto (formações reprodutivas no interior do Orfeão Universitário).

A guitarra de morfologia moderna, semelhante  à de Paredes, não teve radicação em formações musicais frequentes nas aldeias do município de Coimbra nem nos municípios dos arredores.  Em sites e blogues pela internet encontramos a guitarra do fado (guitarra tipo Lisboa) em concelhos como Lousã e Miranda do Corvo onde há forte tradição do que alguns dos estudiosos deste intrumento designam como fados cantados e dançados.

Já a guitarra de Coimbra de morfologia tradicional teve grande radicação em grupos musicais de performers activos em Coimbra, povoados concelhios e municípios vizinhos como Montemor-o-Velho.

Pela evolução constante do instrumento, porque hoje em dia a guitarra de Coimbra é tocada em mais de 70% de situações no âmbito do Fado na cidade de Lisboa e ensinada como instrumento de suporte nas escolas embarcamos nesta viagem com os seus principais dinamizadores, tocadores e estudiosos. Sem esquecer, nem poderia, uma parte da história de alguns familiares ligados à construção deste instrumento. 

Sejam bem-vindos nesta viagem aos caminhos percorridos pela Guitarra de Coimbra». 

 

Soraia Simões

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