Bloco de Notas

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Da subalternização existente em grupos historicamente subalternizados contam-se (também)

  • 1) as primeiras vozes femininas no RAP feito em Portugal que em cerca de 20 das 35 entrevistas realizadas não são referidas pela comunidade onde emergiram, deduzindo-se que aparentemente não são escutadas e/ou referenciais, i.e, são-no mas não é assumido publicamente.

 

  • 2) de que forma a produção de conhecimentos no campo da música popular, em domínios musicais e culturais diversos, é produzida em massa dentro de dinâmicas internas de auto-promoção, a maioria balizada por «fãs» e «melómanos» em sites e revistas sem massa crítica efectiva (musicológica, historiográfica, sociológica não tendenciosa e não biográfica) que crescem em consonância com a proporção gigante da sua virilidade (não sendo ela um exclusivo do ser masculino neste campo, mas antes de um pensar e comportar masculinizado, gancho de aceitação).

 

  • 3) de que modo ler, pensar e expor diferente um período pode desembocar num estado de subalternização dentro de um discurso hegemónico masculino? Perguntando de que modo os/as jovens da minha geração negociaram determinados comportamentos e criaram estratégias para burlar modos de pensar, e de se comportar, que não fossem ao encontro do que propõe a hierarquia (cultural, social) com os seus discursos hegemónicos.

 

  • 4) Hoje uma amiga que está a fazer o seu Doutoramento na Suíça, negra, afecta ao estudo das identidades, desigualdades, homofobia(s) dentro de grupos racializados contava-me que foi convidada ontem para falar no lançamento de um novo livro sobre os Black Panthers. Trabalho e sessão em momento algum conseguiram evocar o nome de uma mulher que fez parte do movimento. E foram várias. Isto foi ontem, 5 de Setembro de 2017.

 

  • 5) Como criar afinal espaços através dos quais sujeitos subalternizados/as podem falar por si mesmos/as mas de forma horizontal contribuindo para a intersecção de estratégias de combate e enriquecimento estável das sociedades contemporâneas?
Nota extra: É já esta sexta-feira (8 de Setembro), nas bancas com a edição portuguesa do Le Monde Diplomatique*, que pode ser lido o meu artigo «1990-1997, percursos da invisibilidade. As mulheres no RAP: afirmação e resistência», área Cultura desta publicação*.

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