As memórias e experiências individuais e colectivas constituem uma fonte de conhecimento inesgotável e um objecto essencial de trabalho historiográfico. A História Oral, enquanto método de pesquisa transdisciplinar que exige um rigoroso trabalho de campo junto das comunidades, debate-se com desafios constantes inerentes a algo tão efémero e susceptível a controvérsia como é a memória. Por outro lado, é um campo fértil a oportunidades de captar informação e marcas de identidade que escapam ao documento escrito ou visual. História Contemporânea, Museologia, Antropologia, Arqueologia e Etnografia são apenas algumas das disciplinas que aplicam quotidianamente a História Oral como ferramenta de trabalho.

Este encontro visa abranger um amplo espectro de aplicações da História Oral e gerar a reflexão e o debate sobre alguns dos principais desafios e oportunidades que se colocam actualmente a esta metodologia de trabalho. A partilha de experiências e ideias sobre os métodos de recolha, usos e potencialidades da história oral enquanto instrumento para a reconstrução do passado e a divulgação de projectos bem sucedidos que empregam este método, desenvolvidos por instituições académicas, museus e centros e investigação em Portugal constituem as linhas de rumo deste encontro que ambiciona, igualmente, criar uma ponte entre a Academia e a comunidade, através do incentivo ao diálogo entre investigadores e técnicos superiores de museus numa troca mútua de experiências e conhecimentos.

O encontro Se a memória não me falha... é organizado em parceria pelo CHAM, Faculdade de Ciencias Sociais e Humanas NOVA Lisboa, Universidade dos Açores, e pela Associação Teia D'Impulsos. Encontra-se enquadrado na terceira edição do FOrA – Festival da Oralidade do Algarve, mostra de património cultural imaterial do Algarve que decorrerá em Portimão e Alvor, Lagos entre os dias 10 a 14 de Maio.


Comissão organizadora:

Carla Vieira (CHAM, FCSH/NOVA, UAc)Carla Alferes Pinto (CHAM, FCSH/NOVA, UAc) Cristóvão Fonseca (CHAM, FCSH/NOVA, UAc) Rui Aballe Vieira (IHC, FCSH/NOVA)

Programa



Programa

10 Maio

Museu Municipal de Portimão


10.30: Sessão de abertura

11.00: Mesa 1: Histórias no Museu e Museus de Histórias

JOSÉ GAMEIRO (Museu Municipal de Portimão)

"Devem os Museus bater à porta da nossa história?"

EMANUEL SANCHO (Museu do Traje de São Brás de Alportel)

"Projeto FMId - Fotografia, Memória e Identidade"

JOSÉ LUÍS CATALÃO (Museu do Trabalho Michael Giacometti)

"Museu do Trabalho Michel Giacometti na tradição da recolha oral"

12.30: Pausa para almoço

14.00: Mesa 2: Memória oral e historiografia: limites e potencialidades

RUI ABALLE VIEIRA (IHC-FCSH/NOVA)

"Diplomatas e Missionários, da Guerra Colonial aos nossos dias: dois projectos, uma história comum"

SUSANA MARTINS (CES; IHC-FCSH/NOVA)

"História Oral e História das Oposições ao Estado Novo: um diálogo (im)pertinente"

15.00: Mesa 3: Arquivar histórias

SORAIA SIMÕES (IHC, FCSH/NOVA; Mural Sonoro)

"Construir História pondo em evidência o cruzamento da exposição oral de vivências e a interpretação das mesmas: exercício de liberdade e de cidadania"

ALEXANDRA CERVEIRA LIMA (Arquivo de Memória do Vale do Côa):

Título a definir

NATÉRCIA COIMBRA (Centro de Documentação 25 de Abril)

"Projecto História Oral do Centro de Documentação 25 de Abril: alguns dados e reflexões"

16.30: Coffee break

17.00: Visita guiada ao museu

17.30: Debate: Arqueologia e memória: História oral enquanto ferramenta ao serviço da arqueologia

CRISTÓVÃO FONSECA (CHAM, FCSH/NOVA, UAc)

LUÍS MARTINS (Centro de Estudos de Antropologia Social, ISCTE)

21.30: Abertura Oficial do FOrA

Concerto: OrBlua

11 de Maio

Espaço Raiz

10.30: Acção de formação:

História Oral: ferramenta ocasional ou indispensável?

Questões práticas

Formador: RUI ABALLE VIEIRA

Duração: 2 horas
Oradores:
José Gameiro

Director científico do Museu Municipal de Portimão, membro da Direção da Comissão Portuguesa do Conselho Internacional dos Museus ICOM-Portugal, para o triénio 2014/2017. Foi um dos fundadores da Rede Portuguesa de Museus (2000) e da Rede de Museus do Algarve (2007). Tem exercido funções de museólogo, formador e professor nas áreas da museologia e do património industrial, sendo responsável pela coordenação e programação das exposições, projetos e atividades nacionais e europeias do Museu de Portimão.

Emanuel Sancho
Director do Museu do Trajo de São Brás de Alportel e coordenador do projecto Fotografia, Memória e Identidade, o qual cruza a investigação colaborativa com a cartografia de sentidos associados às fotografias de cada família, num exercício regular de uma arqueologia memorial que desemboca na descodificação de diversos segmentos da cultura local.

José Luís Catalão
Director do Museu do Trabalho Michel Giacometti (Setúbal), o qual tem sido considerado um exemplo de boas práticas na incorporação do património imateral nas práticas museológicas. Nos últimos anos, o Museu do Trabalho tem desenvolvido experiências no campo da História Oral, nomeadamente com a criação do Centro de Memórias.

Rui Aballe Vieira
Investigador integrado do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa (IHC, FSCH/NOVA), tem desenvolvido o seu trabalho em torno do envolvimento português na Guerra Civil de Espanha e nas relações entre o Estado Novo e a II República espanhola. Integra actualmente a equipa do Projecto Memória Oral da Diplomacia Portuguesa (Instituto Diplomático – MNE, IHC).

Susana Martins
Investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa. Doutorou-se com a tese Exilados Portugueses em Argel. A FPLNdas origens à rutura com Humberto Delgado (1960-1965). Autora de Socialistas na Oposição ao Estado Novo (Casa das Letras, 2005). Tem participado na preparação de várias exposições, de que se destacam Memória do Campo de Concentração do Tarrafal (Tarrafal, 2009), A Voz das Vítimas (Aljube, Lisboa, 2011) e a mostra permanente do Museu do Aljube - Resistência e Liberdade (aberto ao público em 25 de Abril de 2015).

Soraia Simões
Investigadora integrada do IHC, FCSH/NOVA e autora do projecto Mural Sonoro, criado em 2011 com o objectivo de estabelecer uma leitura precisa sobre a música popular realizada em Portugal e o seu impacto durante a segunda metade do século XX. O projecto conjuga a história oral e captação sonora com a pesquisa documental e tem vindo a constituir um arquivo parcialmente disponível online que reúne documentos diversos, como entrevistas em suporte digital sonoro, artigos, colóquios, sons gravados em ambientes sonoros, sons de instrumentos musicais captados em tempo real, seminários e debates, encontros sobre Música Popular.

Alexandra Cerveira Lima
Coordenadora do projecto Arquivo de Memória do Vale do Côa, um projecto intergeracional, que através da recolha de histórias de vida e de outras actividades paralelas, pretende unir toda a comunidade e valorizar o património imaterial desta região. Trata-se de um projecto promovido pela ACÔA - Associação de Amigos do Parque e Museu do Côa e apoiado pelo programa Gulbenkian de Desenvolvimento Humano Entre Gerações.

Natércia Coimbra
Directora das Colecções do Centro de Documentação 25 de Abril (Universidade de Coimbra). O CD25Abril visa recuperar, organizar e pôr à disposição da investigão científica material documental sobre a transição democrática portuguesa (o 25 de Abril de 1974, os acontecimentos preparatórios e as suas principais consequências), mas também sobre toda a segunda metade do século vinte português. Desde 1990, desenvolve um projecto de História Oral que tem vindo a recolher testemunhos e histórias de vida de alguns dos principais protagonistas da transição para a democracia.

Cristovão Fonseca
Investigador do Centro de História d'Aquém e d'Além Mar, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa, Universidade dos Açores, especialista em Arqueologia Subaquática. Integrou o projecto PIAS – Estudo, Valorização e Monitorização dos Sítios Arqueológicos Angra A, Angra B, Angra E, Angra F e Navio Angra D (Terceira) e tem desenvolvido várias campanhas de escavação arqueológica subaquática no Rio Arade.

Luís Martins
Doutor em Antropologia Social pelo ISCTE, Universidade de Lisboa, foi Consultor Científico da Exposição “Artes de Pesca: Pescadores, normas, objectos instáveis” no Museu Nacional de Etnologia (2014) e consultor científico do "Novo Programa Museológico do Museu das Pescas de Moçambique" (2015). Autor de Mares de Sesimbra – História, Memória e Gestão de uma Frente Marítima (2013).