Entrevistei o Zé Pedro apenas uma vez (Punked: 2009, RDB), falei muitas mais. Sempre muito simpático, cordial e com muitas memórias e histórias (não só do rock) para partilhar. Deve haver muito pouca gente com memórias menos boas para lembrar dos tempos que com ele privou nas suas vidas profissionais e/ou pessoais. A última vez que o encontrei, ao lado da fadista Celeste Rodrigues, no Cinema São Jorge (ambos convidados para assistir ao filme do neto, o realizador Diogo Varela Silva, nosso amigo comum, dedicado à avó). O mesmo sorriso e a mesma interacção.

O legado que deixas no universo cultural nacional, não só no domínio musical, ou do rock'n'roll em particular, que iniciou com o célebre anúncio que colocaste pós interrail de 1977 num jornal português, à procura de «baterista e vocalista» para «formar uma banda punk», esse primeiro passo para a concretização de algo semelhante ao que tinhas visto nessa viagem, acendeu e materializou o sonho, o que manteve a longa afirmação e resistência de Xutos&Pontapés na indústria cultural e junto de públicos de vários estratos sociais e gerações, e acerca disso que é tanto em 38 anos re/escrever-se-ão muitas páginas na história contemporânea portuguesa dos séculos XX e XXI. Porque o grupo que fundaste é uma das partes mais importantes da história da cultura popular e da sociedade portuguesa do pós revolução. Deixo deste modo que também é afectivo o meu testemunho, com a alusão ao artigo referenciado, que pode ser aqui recordado e à tua extrema disponibilidade e interesse com aquilo que te envolveu: o meio musical e cultural e as suas gentes.

Até sempre ZP!

Soraia

 

fotografia de Alexandre Nobre

fotografia de Alexandre Nobre

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