A dificuldade política em solucionar problemas da cultura reside no desconhecimento desses problemas. Ou melhor, reside numa apreensão divisória de cultura. Onde o elemento balizador tem sido, na maioria, direccionado por um pseudo-axioma: quem decide como «é do meio» tem autonomia para sentenciar o meio.

Ora, como nos têm mostrado os diferentes governos, além de se julgar parte «do meio a que se pertence», tem sido essa visão divisória de cultura, que não percebendo nem, por conseguinte, aplicando políticas interessantes a todas as partes do meio perpetua esta imagem generalista de que as partes que integram o meio são actividades não consideradas necessárias à subsistência comum, nem tampouco ao desenvolvimento sócio-económico do país.

Para fazer política cultural não bastará «ser-se do meio», em alguns casos é até dispensável, mas é uma grande ajuda se se abdicar de alguns chavões que têm asfixiado esta área política nos últimos 20 anos.

Publicado originalmente no Blogue L´obéissance est morte