Fazer a Banda passar*

 

Existem neste país centenas, não sei se milhares, de Bandas Filarmónicas. 

Esta é uma consideração de teor meramente pessoal e afectivo.

Tenho vários familiares numa das Bandas Filarmónicas deste país, e elas são um  espaço que me encanta. É dos espaços de integração colectiva cultural mais emocionantes a que tenho assistido. As Bandas são espaços em que se aprende música a sério desde muito jovem.  Uma das imagens que reservo com mais nitidez na minha memória é a do espírito de entre-ajuda entre todos, quando vão para fora carregam os instrumentos juntos, é muito interclassista - desde operários manuais a doutorados -, inter-racial, na Banda há de toda a gente. O mais pequeno com oito anos e o mais velho setenta e oito.

Pagamos entre dois euros e cinco euros para se ser sócio por mês. A Banda dá vida aos locais, entendo-o como um espaço de cultura que não anula nem é concorrencial aos conservatórios e à aprendizagem de música profissional, que também é urgente que seja financiada ao abrigo dos impostos que nós pagamos.  Quanto a mim, são espaços de uma grande beleza e de uma grande vida em determinadas regiões e ainda há muitas espalhadas pelo país.

Ao contrário do que as pessoas preconceituosamente possam pensar não existem só para tocar os típicos repertórios das marchas militares ou em contextos religiosos.

Normalmente, salvo pontuais excepções, são dirigidos em situações de voluntariado o que lhes imprime, de igual modo, um espírito de solidariedade no incentivo à prática musical e artística que hoje se tem, dado a actual conjectura, perdido.

* Raquel Varela é Historiadora, Investigadora do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa