As Sessões de debates e colóquios Mural Sonoro no Museu da Música tiveram como principal objectivo procurar caracterizar as várias práticas musicais operadas em Portugal, que se fixaram por tempos ou permanentemente na capital do país tendo aí notoriedade, sendo acolhidas ou repelidas em determinados tempos, incitando a capital a uma (re) descoberta delas nos locais, as dinâmicas do ensino ou aprendizagem dos instrumentos construídos em Portugal e que são usados nessas práticas, desde o momento em que se detectam aspectos de carácter regional ou local nessas práticas adaptadas à música que era produzida em cidades centrais e zonas limítrofes, até ao presente, tendo como ponto de partida e chegada as comunidades de prática.

Foi meu objectivo observar e tentar perceber o funcionamento dessas comunidades de prática ao longo de vários períodos. Recorrendo às distintas formas ligadas ao ensino/aprendizagem (convencional e não convencional) dessas práticas musicais, construção de instrumentos e uso desses instrumentos.

A recolha de entrevista bem como, no caso de ausência de registos fonográficos ou de gravação nos espólios particulares, a recolha musical é/são utilizada (s) de um modo complementar ao trabalho de pesquisa bibliográfica e consequente produção de uma nova leitura e abordagem. Dentro de um estudo que tem usado uma abordagem metodológica num padrão exploratório, interpretativo, etnográfico e descritivo (através da transcrição fiel de entrevistas e conversas decorrentes dos encontros, debates e Sessões realizados no Museu da Música.

A análise de dados (recolhas musicais, interpretação de registos fonográficos com ajuda dos entrevistados, corpus das entrevistas, conversas, debates ou sessões de esclarecimento) foi realizada numa perspectiva indutiva, onde a abordagem dos conteúdos foi feita por temas. Temas que são problemas ou assuntos predominantes nessas recolhas de entrevistas, independentemente da prática em questão. E outros que são específicos das práticas individuais ou autóctones.

Quanto aos resultados, existe um indicador que aponta a existência de modelos de ensino/aprendizagem das práticas musicais num contexto migratório, dos instrumentos e das tradições orais recuperadas e outras que se implementaram a partir daí, que têm permitido a transmissão de saberes culturais e técnicos, onde as comunidades de prática assumem um pilar fundamental para o crescimento, valorização e estruturação dessas práticas culturais e musicais.

A um ano de Colóquios e Debates juntou-se, em Junho de 2014, o Ciclo «Conversa ao Correr das Músicas» onde protagonistas da Música Popular, muitos deles gravados neste arquivo, tocam e conversam comigo e com o auditório, acerca de parte do seu percurso musical e das histórias contidas na elaboração de algumas das suas melodias, harmonias, gravações, criações, etc.

Acontece, desde Junho de 2014, mensalmente durante cerca de uma hora e meia e com um novo convidado. É um registo numa linguagem diferente no Arquivo e Documentação, e das sessões de debates ou colóquios também realizados neste trabalho, que se junta ao registo da entrevista etnográfica feita a esse músico/autor/compositor e que aproxima inequivocamente o público da obra dos autores e os mesmos do público. 

Este ciclo abre-se em 2015 a um conjunto de novos espaços, resultado das suas parcerias, como sejam o Festival BONS SONS.



Identificações referentes à imagem
© 2013, 27 de Abril, Sessões Arquivo Mural Sonoro no Museu da Música fotografia: Augusto Fernandes (Assoc.Mural Sonoro), durante Debate com o tema: «Instrumentos Tradicionais em Portugal sua Construção e Difusão».

Intervenientes desta Sessão: Mário Correia (Centro de Música Tradicional Sons da TerraFESTIVAL INTERCELTICO DE SENDIM, Mundo da Canção), Kula (Músico, Construtor de Korás, tambores vários, mbiras, etc), João Sousa/ RED CLAY (Construção de Instrumentos em Barro)
Autoria, Apresentação e Condução: Soraia Simões (Mural Sonoro). Portal: http://www.muralsonoro.com/iniciativas

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