85 ª Recolha de Entrevista

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BI: General D, como é conhecido no seio da Música Popular ainda hoje, nasceu na ainda Lourenço Marques, hoje Maputo, Moçambique, no ano de 1971.

General D foi o nome com que se apresentou e fez representar no seio da cultura popular e nomeadamente no rap, entre o fim dos anos 80 e início/meados dos anos de 1990, que marcam também a chegada do rap em Portugal à gravação e edição fonográfica.

Sérgio (Matsinhe), o nome escolhido entre uma lista de outros nomes pelos pais, por imposição externa em tempos de políticas repressivas exercidas entre as populações nativas das ex-colónias, sucumbiu com a chegada de General D e a força da sua actuação no contexto particular da cultura hip-hop e no contexto alargado da música que era feita em Portugal naqueles anos.

Nesta recolha de entrevista maior, da qual se disponibiliza uma parte online sendo a restante utilizada futuramente para publicação escrita, explica os vários espaços geográficos (incluindo aquele de onde é oriundo) por onde passou até se fixar no Barreiro, da primeira ligação às palavras e posteriormente à escrita que apreendeu através dos discos que ouvia incentivado por aquilo que o irmão mais velho e a mãe escutavam, especificando aqueles que se reservam ainda hoje na sua memória, como: Maria Bethânia, Chico Buarque, Bonga e UHF, de algumas lembranças que retém de um modus operandi dentro de um movimento cultural e musical que se estava a formar em Portugal e da sua chegada à indústria de gravação e edição fonográfica, de temas expostos nas suas letras que ainda hoje o inquietam sendo o racismo, ainda hoje, um dos temas dos quais mais fala e sob o qual mais atenção é dispendida no seu discurso, seja o institucional como aquele que, também fruto disso, é praticado no dia-a-dia, de uma estrutura que valorize e dignifique a cultura hip-hop e a prática musical do rap em Portugal congregando indivíduos de várias esferas neste domínio: rappers/mc's com perspectivas diferentes, roadies, engenheiros de som, investigadores desta manifestação, etc e foi nesse sentido que resolveu reunir uma série de pessoas para criar uma Associação/Casa do Hip-Hop neste seu regresso ao fim de uma década e meia a Portugal, etc.

General D mostrou-se interessado pelas manifestações culturais expressivas do seu habitat e levou-as de modo natural para o rap, tornou-se um activo defensor dos direitos das minorias, chegando mesmo a ser candidato a deputado ao Parlamento Europeu pelo Movimento Política XXI e Porta-Voz da Associação SOS Racismo, organizou no ano de 1990 o primeiro festival rap em Portugal, em Almada (na Incrível Almadense) e foi o primeiro rapper em Portugal a assinar um contrato discográfico, na altura com a EMI-Valentim de Carvalho. Em 1994 foi editado o EP PortuKKKal É Um Erro, que incluí três temas e que contou com a participação do grupo coral cabo-verdiano Finka Pé, deu alguns concertos em Inglaterra e passou com frequência em rádios locais fortemente dinamizadoras do hip-hop, registou alguns espectáculos de relevo no nosso país, nomeadamente no Festival Imperial, na cerimónia de entrega dos Prémios do jornal Blitz e na Festa do Avante. Em 1995, foi editado o seu álbum de estreia intitulado Pé Na Tchôn, Karapinha Na Céu, gravado por General D & Os Karapinhas e produzido por Jonathan Miller, e onde participaram vários músicos convidados, como Marta Dias, Sam ou Boss AC, entre outros.
Participou em "Timor Livre", resultado da gravação de um espectáculo no Centro Cultural de Belém de solidariedade para com o povo de Timor, onde participaram vários músicos e compositores, como Delfins, Rui Veloso ou Luís Represas, e em que General D interpreta dois temas. Após dois anos de concertos dentro e fora de Portugal, General D ainda editou, em 1997, Kanimambo, que contou com a produção de Joe Fossard.

No ano de 2014, a 28 de Junho, integrado no Festival Lisboa Mistura no Largo do Intendente deu um espectáculo que encheu e que marcou o seu regresso aos palcos. Precisamente o ano em que se assinala a comemoração dos 40 anos da Revolução de Abril de 1974 e que simultaneamente assinala os 20 anos decorridos da sua primeira edição discográfica.

© 2014 General D à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo
Som, Pesquisa, Texto: Soraia Simões
Fotografias: Maria Joana Figueiredo

Recolha efectuada no LARGO Residências

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