28ª Recolha de Entrevista

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BI: Flávio Almada é um rapper, dizedor, autor, activista cabo-verdiano  de 28 anos. Vive há 10 anos no Bairro Cova da Moura.

Nasceu em São Domingos, Santiago, Cabo Verde, em 1982. É licenciado em Tradução e Escrita Criativa pela Escola de Comunicação, Arquitectura, Artes e Tecnologias da Informação (Lisboa) em 2013 e mestrando em Estudos Urbanos na FCSH/ISCTE. Há catorze anos que reside em Portugal e durante esses anos trabalhou em projectos ligados ao Desenvolvimento artístico e cultural, Cidadania e Educação Cultural, Economia solidária, Inclusão Digital, Coesão e Inclusão através da Arte, Desenvolvimento Comunitário em várias localidades da Área Metropolitana de Lisboa. É Mc’s (Rapper), activista político e membro da Direção  e colaborador da Associação Cultural Moinho da Juventude. 

Todos o conhecem por LBC Soldjah e o seu primeiro contacto com a cultura hip-hop dá-se através da poesia, ''da força das palavras incutida na mensagem que se quer transmitir''. Nos primeiros nomes, do rap e cultura hip-hop, em que se lembra de ter tido a primeira noção dessa ''força'' e de rever-se nesta manifestação cultural, contam-se, entre outros, Public Enemy, Gabriel O Pensador, General D ou O'Shea Jackson (conhecido por Ice Cube).

Nesta recolha de conversa lembra que começou, aos 14 anos, a escrever em inglês, mas cedo se apercebeu da necessidade de escrever na sua língua originária: o crioulo de Cabo Verde - não cedendo, segundo ele, ''a esta colonialização cultural'', que podia inclusivé contribuir para o ''desaparecimento'' de uma língua materna pelo seu desuso no quotidiano, com tudo o que isso implicaria: o abandono da sua cultura expressiva, o povo, a sua história - recorda que começou a rappar mais tarde, mesmo tendo sido incentivado por outros para fazê-lo desde cedo, e reflecte sobretudo sobre os contrastes sociais (entre o espaço onde vive a paredes-meias com outros onde o nível de vida é notoriamente superior), na integridade que tem faltado a alguma da sua comunidade, no facto de sentir que o cantar em crioulo não impossibilitará que pessoas que não entendem a língua não percebam a sua mensagem, devido à intenção, dada especialmente pelo ritmo ou lado instrumental do género e, entre outras coisas patenteadas nesta recolha, da importância em partilhar ao resto da população um pouco da sua cultura e vivência diária, da qual não se dissociam aspectos como: a política, a situação económica, o capitalismo desenfreado, o machismo, etc e termina esta conversa com um improviso que atenta algumas das suas percepções e inquietações.

© 2012 LBC Soldjah à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Som sem edição, pesquisa, texto: Soraia Simões

Fotografia: António Alves

Recolha efectuada em casa de LBC no Bairro Cova da Moura