81ª Recolha de Entrevista

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BI: Pedro Mestre é um músico de 30 anos nascido na aldeia Sete e residente em Castro Verde, que tem o seu percurso precocemente ligado ao instrumento através do qual, desde os 12 anos, se tornou um dos principais divulgadores de alguns dos cantos e cancioneiros do Alentejo no geral e do Baixo-Alentejo em particular: a viola campaniça.

Começou a tocar mais regularmente a partir dos 12 anos de idade, mas foi, como conta nesta recolha de conversa da qual disponibilizo uma parte online, através de um programa de rádio local da autoria de José Francisco Colaço Guerreiro (interveniente, com Janita Salomé, na Sessão-Colóquio do Mural Sonoro que aconteceu no mês de Março no Museu da Música, em Lisboa, com o tema: «Cante Alentejano: a adapatação na Música Popular, o discurso sobre as identidades e o território») o qual escutava, com a sua família, com a frequência com que era emitido que despertou para o património cultural e musical da sua região e, posteriormente, pediu à mãe para aprender a tocar. Francisco António e Manuel Bento foram os seus mestres.

Na conversa fala, entre outros aspectos, da evolução do seu percurso localmente e fora do local em que se começou a desenvolver como músico, da riqueza abrangente de algumas expressões culturais e musicais do Alentejo e de algumas das suas características sociais e culturais (os despiques, o cantar nas rodas, nos balhos, as modas, os coros polifónicos masculinos e os, menos frequentes, mistos, o cante alentejano e o uso da viola campaniça a acompanhar alguns corais, etc), dos repertórios diferenciados, da utilização do instrumento noutros domínios musicais e do acompanhar do seu ressurgimento, a partir dos 8 anos idade, e de todo o novo interesse que ele passou a assumir para um maior leque de jovens tocadores em Castro Verde, onde a presença de uma comunidade de prática deste instrumento é já constante, e para a sociedade portuguesa de um modo geral.

Algumas das técnicas de execução da viola campaniça também as refere em conversa, no texto acerca da viola campaniça na área «Organologia» do Portal Mural Sonoro poderá conhecer melhor as características anatómicas, históricas, musicais deste instrumento, saliento contudo também aqui o facto deste cordofone possuir uma cintura muito pronunciada, ser composto por cinco ordens de cordas e de para alguns indivíduos a sua designação ser « viola de Beja» ou « viola típica do Alentejo» e ser tocado apenas com o polegar em movimento de vaivém («dedilhado»).

© 2014 Pedro Mestre à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Som, Pesquisa, Texto: Soraia Simões
Recolha efectuada em Renovar a Mouraria
Fotografia de entrevista: Joana Rocha
Fotografias de viola e Pedro Mestre: Soraia Simões

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