Entre o ano de 2011  e 2012 desenvolvi um trabalho, que resultaria em livro, editado em Outubro de 2012 sobre o percurso musical de Paulo de Carvalho. Chamou-se 'Passado Presente, Uma Viagem ao Universo de Paulo de Carvalho'. Expõe o músico dentro de um esquema complexo onde  o papel da indústria fonográfica, da gravação, da relação com a política, o público, os meios de difusão e a sociedade são parte desse esquema, enformando o objecto de trabalho. Um músico em várias épocas, que ora é aceite ora rejeitado nesse esquema.

O livro, que partiu de um ciclo de conversas de quase um ano, permitiu-me, confesso, mundificar uma série de noções inculcadas, via sociedade portuguesa, que reunia a seu respeito. A respeito do músico e autor. Mas, também a respeito do Homem e cidadão. A seguir ao livro vieram muito mais conversas, é certo. E vieram misturando, hoje, o papel de observadora de há dois anos com o de pessoa próxima, que por vezes tem de se distanciar da ligação afectiva/de amizade que foi construindo depois da obra publicada, quando para quem me procura o assunto é: Paulo de Carvalho além da música, sobretudo na sua visão da e na sociedade e política actual. Nem sempre estivemos de acordo, é um facto. Não somos consensuais. Não tenho nenhum  amigo ou colega que o seja. Inevitavelmente. Causar-me-ia estranheza tais consentimentos numa sociedade que se deve querer (eu quero) livre. Embora muitos não se sintam, como sabemos.

Resolvi extrair do livro que encontrará e poderá adquirir, se quiser explorar a publicação de modo integral, entre outros espaços (plataformas online inclusivé) nas livrarias do comércio tradicional, alguns excertos, quem sabe para dar resposta a um conjunto grandioso de questões que me têm sido colocadas nestes dois últimos anos, sendo a mais recorrente: porque é que o escreveste? As partes que seleccionei do livro não responderão explicitamente ao motivo pelo qual o fiz, mas mostram um pouco deste processo longo, que à semelhança de outros trabalhos que faço, tem no interlocutor o sujeito sobre o qual o objecto que abordo se desenvolve. São conversas. Para mim, continuam a ser os dados mais valorosos do processo etnográfico: conseguir ouvir e ter a capacidade de intuir sem deixar de questionar, além da pesquisa documental,  a memória viva e descritiva do interveniente da história: ''o protagonista''.

O livro não é composto por capítulos, mas reflexões dele que se levantaram em conversas comigo e foram o mote para o desenrolar de cada assunto nelas implícito. As suas intervenções, como as que extraí para este texto, encontram-se a itálico. Tal como os excertos das letras das canções  que compôs nuns casos e escreveu noutros, muitas deu voz. Tendo interpretado todas, com composições e letras de outros autores, que também são referenciados, e do seu caminho musical e profissional fizeram ou fazem parte.

Não pretendeu ser um livro de cariz académico, mas um livro que partindo das premissas basilares da investigação dentro do campo dos Estudos de Música Popular, numa linguagem acessível a todos, aproximasse os públicos, fundamentalmente, deste músico, autor e compositor com 50 anos de percurso na música e  ilustrasse as características do campo em que se envolveu nestes últimos anos e celebrasse, ao mesmo tempo, através deste testemunho a sua vivência e inscrição na vida cultural portuguesa tornando-o um objecto, por si mesmo, também de interesse na sociedade portuguesa.

 

O silêncio é uma forma de censura (Paulo de Carvalho)

Trago um fado no meu canto

Canto a noite até ser dia

Do meu povo trago pranto

No meu canto a Mouraria

Tenho saudades de mim

Do meu amor, mais amado

Eu canto um país sem fim

O mar, a terra, o meu fado

Meu fado, meu fado, meu fado, meu fado (...)

(Paulo de Carvalho: compositor, Mariza: interpretação)



 

A conversão da indústria cultural em sistema não é resultado de uma qualquer conspiração de uma minoria interessada. O fenómeno é produto de uma série de agenciamentos colectivos, em parte planeados, em parte derivados das circunstâncias. Através de tudo isso, os seres humanos procuram lidar com as suas aspirações, temores e problemas, enquanto outros disso se valem com o objectivo de exploração económica” (CF. Stuart. E. Captains of Consciousness, 1976)

 

Aos poderes instituídos interessou muitas vezes criar rivalidades. As canções não eram escutadas como muitas vezes não são, pela sua importância enquanto canção, mas pelo nome de quem as cantava.

A partir de Abril de 1974, pelos caminhos político-sociais que escolhi, fui bastante silenciado na música que fiz.

Volvidas cerca de quatro décadas de um pedaço de história assinalada pelo aparecimento de dois grupos ou mesmo correntes - um marcado pelos FRTPC  (Festivais RTP da Canção) e o carimbado, à época, pela televisão e imprensa, de nacional-cançonetismo  e o outro, pelo que Paulo de Carvalho designa de filhos do Zeca onde estavam naturalmente nomes como Manuel Freire, Francisco Fanhais, José Mário Branco, Fausto Bordalo Dias, Adriano Correia de Oliveira, entre alguns mais - é como se ao versar sobre uma história de empenhamento literário, social e musical, que marcou o, ainda hoje referido como, período de 'intervenção' ou 'canção protesto' ambos os grupos tenham para nós a importância ou relevância, ainda que vindos de domínios musicais distintos, que alguns quiseram desunir e rivalizar.

Para muitos, especialmente os que não viveram esta história em tempo e espaço certos, assumem a título exemplificativo, no capítulo da canção comprometida com uma realidade social dominante de um tempo, tanta notoriedade temas como 'Tourada', interpretado por Fernando Tordo, com letra de José Carlos Ary dos Santos e orquestração de Joaquim Luís Gomes ou 'E Depois do Adeus', com letra de José Niza, composição e orquestração de José Calvário, como um 'Grândola Vila Morena' (José Afonso) ou ' Mudam-se os tempos, Mudam-se as vontades' (adaptação do escrito de Luís Vaz de Camões, com arranjos de Jean Sommer e popularizado por José Mário Branco).

Após a gravação e edição dos fonogramas: ‘Eu, Paulo de Carvalho’, em 1972,  ‘Paulo de Carvalho’ em 1974, e face às mudanças estruturais na indústria fonográfica, desencadeadas pela revolução de 25 de Abril de 1974, e ao crescimento da utilização da música popular como veículo ideológico, Paulo dedicar-se-ia à composição e autoria de letras constituindo, nesse quadro, também o seu repertório, no qual músicos que emergiam, como Júlio Pereira , consigo colaborariam. Veja-se, escutando, o caso dos fonogramas M.P.C.C. e Não de Costas Mas de Frente, A Música em que Vivemos em que contou com os arranjos de Júlio Pereira.

Além das suas capacidades interpretativas, o período que se seguiu ao 25 de Abril, marcou de modo evidente a sua afirmação como compositor.

No ano de 1976, em que Paulo de Carvalho concorre pela primeira vez aos FRTPC como compositor com as canções ‘Onde é Que tu Moras?’, que ficaria em sétimo lugar, e ‘Do Minho ao Algarve’, que não sairia apurada, mas que por vontade de Carlos do Carmo e em colaboração com Fernando Tordo e José Carlos Ary dos Santos seria reestilizada com uma nova letra, dando origem a ‘Lisboa Menina e Moça’, que por sua vez seria incluída no álbum Uma Canção para a Europa (que congregou todas as canções do festival) e constituiria um dos maiores êxitos de Carlos do Carmo junto do público, além de assinalar o princípio da colaboração de Carlos do Carmo com Paulo de Carvalho, Fernando Tordo e J.C. Ary dos Santos e de onde resultariam outras músicas notáveis do seu percurso artístico, como ‘O Homem das Castanhas’, ‘O Cacilheiro’ (1976) e ‘Os Putos’ (...).


 

Na música a minha coerência é mudar (Paulo de Carvalho)

Tu que dormes a noite na calçada de relento

Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento

Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento

És meu irmão amigo

És meu irmão

(Composição: Fernando Tordo, Letra: José Carlos Ary dos Santos)

 

Do Rockinho Mandado (canção feita já na segunda formação dos Sheiks), ao refrão paz, pão, povo e liberdade.Todos sempre unidos no caminho da verdade (que popularizou, de 1974 até hoje, como hino do então Partido Popular Democrata), vai uma transformação, que acompanha os respectivos tempos e cenários em que ambos os temas se fazem e cantam.

Partindo de ambos os temas e suas letras, curiosamente, essa mudança ao com ele conversar passa a tomar sobre si (para mim) uma troca confrangedoramente física, de um tempo e espaço peculiares, e pouco moral.

'Rockinho Mandado', que é uma análise não só a alguma da crítica musical como às categorizações de estilo e/ou de géneros inventadas nesse âmago, fazem entender e subentender melhor alguma da coerência discursiva que, salvo pontuais excepções implícitas por vezes nas suas declarações, controla os seus discursos em grande parte do  percurso. De igual modo se percebe como apareceu e  divulgou esta canção. O seu descortinar não sendo uma surpresa, delimita outros poderes que o (e à maioria dos músicos) circundam desde sempre.

São coisas que nos rodeiam. O ‘tiroliro’ é da música popular portuguesa, o ‘oh yeah’ é uma coisa muito estrangeira, mas que nós apreendemos e utilizamos. No fundo é um pouco o chamar a atenção. Nós temos cá um tipo de música, que, enfim, podia ser o 'rap', mas é o ‘bailinho mandado’ do Algarve.

Mas, claro que é uma crítica aos pseudo críticos. Aqueles que criticam a música que os músicos fazem, e que se soubessem a faziam.

Já dá trabalho fazê-la, que criticá-la sem a fazer ou perceber como ela se faz, seria um trabalho que jamais me interessaria ter.

Muita da crítica que se fez e faz, no seio da música popular, teve e continua a ter tudo menos música lá. Por vezes eram verdadeiras crónicas de costumes.

O ‘Rockinho Mandado’ foi feito para os Sheiks da segunda fornada. Numa altura em que nos voltamos a reunir para fazermos alguns programas de televisão. Numa fase em que o Fernando Lopes (cineasta) era Director do segundo canal e fizemos um programa com a colaboração do Artur Semedo, enquanto guionista também, chamado 'Sheiks com Cobertura'.

No mesmo Programa, que nem sei se entretanto terá sido apagado na memória da RTP, apresentado pelo Júlio Isidro, conseguimos agrupar uma série de músicos como José Mário Branco, Adriano Correia de Oliveira, José Afonso, Sérgio Godinho. Foi num episódio a que chamámos ‘canção de protesto’.

Ao todo, os programas foram doze, portanto imagina a quantidade de músicos e cantores que não estiveram lá. 

Mas, é ao tecer algumas considerações sobre o hino feito em 1974, que se clarifica um pouco melhor a ideia, pessoal e evolutiva, de que ainda que haja esta mudança aparentemente abrupta aos olhos de uns tantos,  ela não deixa de o volver a uma certa rectidão de pensamento que lhe apreendi desde o nosso primeiro encontro.

Ainda hoje as pessoas distraidamente me dizem: Eh pá você, quando fez o hino do PSD. Eu ando há anos a corrigir isto!

Em 1974 fiz o hino do PPD, que dizia no refrão algo em que ainda hoje acredito. Aliás, eu nunca mudei! O partido é que mudou. Até de nome (...).



 

O ‘E Depois do Adeus’, se não há o 25 de Abril, não tinha importância nenhuma (Paulo de Carvalho)

Meu amor dormindo

Meu sonho acordado

Teu ventre parindo

Um cravo encarnado.

Onde é que tu moras

Meu lençol de espanto

Por quem é que choras

Quando eu te canto.

(Joaquim Pessoa, Thilo Krassman, Paulo de Carvalho)

 

Di-lo referindo minutos depois que “E depois do Adeus” é uma boa canção. Mas, na sua ideia, atenta especialmente o modo como o tema foi catalisado na ambiência de um cenário de empenhamento ‘político musical’, que quiçá terá aproveitado e destacado esta canção como uma das vozes que ‘pôs fim’ a uma espécie de agonia terminal de ditadura paternalista.

 

Possivelmente, se o radialista João Paulo Diniz não tem passado a canção na rádio ela não assumiria o valor que ainda hoje lhe atribuímos. Muito provavelmente lembrar-nos-íamos do tema e não o associaríamos simbolicamente a uma revolução.

 

Eu estava completamente a leste da importância que iria ser dada à canção como senha para o 25 de Abril. Lembro-me de chegarem a minha casa, perto da uma da tarde a dizer que estava a acontecer qualquer coisa e viemos imediatamente para a rua.

O certo é que, apesar das canções, com composições e orquestrações significativas que já havia cantado foi certamente com ‘E Depois do Adeus’ que chegou a um maior número de pessoas.

Se bem que Paulo o pudesse ter ganho há mais tempo. Logo na sua estreia como solista com o tema ‘Corre Nina’ (música de José Carlos Moura Portugal Sobral) com que Pedro Osório, como compositor e orquestrador, concorreu pela primeira vez. Naquele que era, e foi durante algum tempo, segundo Luís Andrade (ex director da RTP) “O único acontecimento musical que era dado a conhecer a grande número dos portugueses”.

“Eu concorri ao festival e resolvi convidar o Paulo. Achei que seria uma ideia interessante, porque  tinha aí a oportunidade de se dar a conhecer como cantor”, referiu Pedro Osório uns três anos antes de falecer.

Mas, para Paulo os créditos das grandes músicas nesta fase são outros e não se coíbe de os referir: o tema ‘Tourada’ e até antes a ‘Canção de Madrugar’, são cantigas, neste cenário de Festivais, que adquirem uma outra importância, e que foram um marco na nossa história e época em questão. Ou até a ‘Desfolhada’. Já viste o que era, naquele contexto, uma cantiga que dizia ‘quem faz um filho fá-lo por gosto?’ Eu acho que eles nem percebiam muito bem o poder daquela letra e o que aquilo iria dar. No que se viria a transformar.

A ‘Tourada’ marca um tempo, pois conseguiu ganhar o festival com os votos dos jurados de todo o país. Contra tudo e todos. E com um pequeno grande pormenor: o Fernando Tordo concorria sem a força de uma editora por trás e estávamos em 1973.

Os selos ou etiquetas já existiam em Portugal a apoiar/suportar a discografia dos músicos desde o século passado. Sendo basilares para a promoção dos cantores e compositores. Especialmente desde 1968, foram mais notadas nesse suporte, etiquetas como as da Rádio Triunfo, da empresa Arnaldo trindade - editora Orfeu, Movieplay ou Zip Zip - distribuida inclusivamente pela Movieplay . E Fernando Tordo acabaria por concorrer sem essa ajuda.

Curiosamente, em 1975, já depois desta incursão - em 1973 - no FRTPC Fernando Tordo integraria a Toma Lá Disco,  que Paulo também  lembrará numa das conversas, e que se poderá verificar  no livro no ''capítulo'' com o nome ‘A importância da cooperativa Toma Lá Disco’, mais à frente desta narrativa.

O Zé Carlos Ary dos Santos foi o grande responsável pela maioria das canções mesmo marcantes que ficaram para a história.

Houve, de facto, uma grande contradição nas fórmulas que o FRTPC tentou arranjar para escolher as canções.

Em 1975, os autores votaram nas suas próprias cantigas. Nas dos próprios autores. Que revelou, imagina, uma grande democracia pela parte de quem participou!

Em 1976, escolheu-se outra forma: havia um intérprete para todas as cantigas.

O músico refere-se ao festival que ficaria marcado pela narração e comentários do músico António Victorino de Almeida, na contextualização das práticas musicais e interpretações, e no qual Carlos do Carmo cantava todas as canções ao longo do evento incluindo, as já descritas, ‘Onde é Que tu Moras?’ cuja música era de Paulo de Carvalho, o poema de Joaquim Pessoa e a orquestração de Thilo Krassman, e que se classificaria em sétimo lugar, nesse evento de 1976.

Nesse ano, a canção que atribuiria o primeiro lugar a Carlos do Carmo no FRTPC - ‘Uma Flor de Verde Pinho’ - seria escrita por Manuel Alegre (letra), com música de José Niza (...).

 

O Rock Rendez Vous fez as vezes do Festival do yé yé do meu tempo (Paulo de Carvalho)

 

Lá vai no Mar da Palha o Cacilheiro,

comboio de Lisboa sobre a água:

Cacilhas e Seixal, Montijo mais Barreiro

Pouco Tejo, pouco Tejo e muita mágoa

Na Ponte passam carros e turistas

iguais a todos que há no mundo inteiro,

mas, embora mais caras, a Ponte não tem vistas

como as dos peitoris do Cacilheiro.Leva namorados, marujos,

soldados e trabalhadores, e parte dum cais, que cheira a jornais,

morangos e flores.

(Ary dos Santos, Paulo de Carvalho)

 

O bairro de Alvalade sempre foi um bairro dividido socialmente pela Avenida de Roma.

Se o antropólogo e filósofo francês Edgar Nahoum (mais conhecido por Edgar Morin), pensava a cidade como a primeira organização social análoga ao cérebro - "policêntrica, feita de inter-comunicações, complexa" - o investigador Rafael D’ Aversa, dizia que a capacidade da música para exprimir emoções, residia no facto de algumas das suas características partilharem semelhanças com algumas das características das emoções.

Indo até às origens de Paulo de Carvalho é como se nas suas afirmações coubessem ambas as reflexões.

O bairro onde vivi era dividido socialmente pela avenida de Roma. Na parte de cima estavam chefes de serviços e na de baixo aqueles que trabalhavam.

No fundo, a parte de baixo diferenciava-se pelas questões económico-sociais.

Na parte do Campo Grande, onde eu também estava, encontravam-se pessoas mais desfavorecidas. Ciganos, etc. Mas, nós – os mais miúdos – não ligávamos  nenhuma a isso e juntavamo-nos aí.

Cerca do ano de 1976 o músico, numa gravação de entrevista feita para a RTP no seu bairro, mencionava algo parecido com o facto de a canção poder educar as pessoas. Especialmente se disser coisas que façam com que o público as veja mais claras, dizia ele. Afirmação condizente com alguma da sua forma de a ver, passadas quase cinco décadas.

O Paulo do ano de 2012, refere que a cantiga pode ser sempre uma arma. A cantiga pode falar tanto de amor como da sociedade e ser uma canção de protesto.

Se revisitarmos, e convido o leitor nesse exercício ou pesquisa, os temas 'Uma Cantiga de Amor' de 1977 e 'Recado para o Chico' (Buarque de Hollanda), que representou uma resposta à canção 'Tanto Mar', do fonograma Antologia, 40 Anos, conseguirá depreender as suas palavras (...)

Fonte: SIMÕES Soraia, «Passado Presente, Uma Viagem ao Universo de Paulo de Carvalho» (excertos), Chiado Editora, 18 de Outubro de 2012

Fotografia de capa de Museu da Música no Lançamento a 18 de Outubro de 2012