95ª Recolha de Entrevista

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BI: José Manuel Neto nasceu em Lisboa no ano de 1972. É um dos mais conceituados e solicitados guitarristas da sua geração no domínio do Fado.

Conta nesta conversa, da qual se disponibiliza como é hábito uma parte no nosso acervo online, que começou a tocar guitarra portuguesa com apenas 15 anos, a acompanhar o repertório da mãe, a fadista Deolinda Maria. Hoje é dos guitarristas que mais se destaca no acompanhamento de fadistas, em espectáculos e gravações de discos.

Neste registo José Manuel Neto explica em que medida as suas referências, primeiro José Inácio e  Carvalhinho, posteriormente José Nunes, Jaime Santos e José Fontes Rocha foram determinantes no seu processo de aprendizagem e no desenvolvimento do seu estilo próprio, de algumas particularidades que o seu percurso na década de 1990, ao profissionalizar-se, assume quando passa a lidar com o estúdio de gravação, com outros músicos, de outros domínios musicais com quem também colabora, da maturação que o seu caminho como intérprete foi sofrendo positivamente devido a esse ambiente, assim como da importância que atribui à construção das guitarras que usa, em espectáculos maiores ou em estúdio de gravação, mencionando alguns construtores, como o que agora é o seu construtor, Óscar Cardoso (também gravado em entrevista para este Arquivo e Documentação), etc. 

O intérprete fez parte dos elencos de Casas de Fado como a Viela, o Sr. Vinho, a Taverna do Embuçado ou o Faia, expressando também a relevância que esse caminhar próximo daquilo que são os espaços característicos do universo do fado seriam importantes no seu percurso.

Apesar de reclamar até si o seu crescimento de um modo totalmente autodidacta, e uma passagem por uma Banda Filarmónica nos primeiros tempos, José Manuel Neto integra hoje uma geração de instrumentistas no Fado com uma formação musical vasta e isso deve-se também ao facto de ter tocado com o mais variado leque de músicos, dentro e fora do Fado.

No ano de 1992, José Manuel Neto gravou o seu primeiro fonograma, «Tears of Lisbon» (Lágrimas de Lisboa), gravado por Huelgas Ensemble e o maestro Paul Van Nevel, com os fadistas Beatriz da Conceição e António Rocha, que lhe abriria caminho para gravar com um considerável número de fadistas, como: Argentina Santos (“Argentina Santos”, 2003), António Zambujo (“O Mesmo Fado”, 2002; “Outro Sentido”, 2007), Camané (“Esta coisa da Alma”, 2000; “Pelo Dia Dentro”, 2001; “Como sempre Como Dantes”, 2003, com edição em CD e DVD; “Sempre de Mim”, 2008); Carlos do Carmo (“Ao vivo no Coliseu dos Recreios: 40 anos de Carreira”, 2004; “Fado Maestro”, 2008, ''Fado é Amor'' 2014), Ana Moura (“Aconteceu”, 2004), Pedro Moutinho (“Encontro”, 2006 e “Um Copo de Sol”, 2009), entre outros.

Do número crescente de digressões tanto em território nacional como internacional, o guitarrista tem passado por diversos espectáculos ao lado de fadistas como Carlos do Carmo, Camané, Ana Moura, Aldina Duarte, Cristina Branco, Mariza ou Mísia. 

No ano de 2009 apresentou no Cinema São Jorge um espectáculo de título “O Som da Saudade”, onde interpretou melodias que compôs ao longo dos anos.

Em 2004 a Casa da Imprensa entregou-lhe o “Prémio Francisco Carvalhinho”, atribuído ao melhor instrumentista, durante o espectáculo da Grande Noite do Fado desse ano, e no ano de 2008 a Fundação Amália Rodrigues distinguiu-o com o “Prémio Melhor Instrumentista”, reconhecendo-o como um dos nomes de referência na interpretação da Guitarra Portuguesa na actualidade.

© 2014 José Manuel Neto à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Som, Edição, Pesquisa, Texto: Soraia Simões

Fotografias com José Manuel Neto: Maria Joana Figueiredo

Fotografias guitarra de José Manuel Neto em oficina de Óscar Cardoso: Soraia Simões

Recolha realizada no Museu do Fado