1ª Recolha de Entrevista

 

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BI: Júlio Pereira é um músico, compositor e produtor português que conta já com cerca de quatro décadas de actividade na Música Popular feita em Portugal.

Nesta recolha de entrevista, de que se disponibiliza no acervo online uma parte servindo a restante (a par de um conjunto de outros dados recolhidos de entrevistas a outros músicos-autores) como material para o debate que seria realizado em Fevereiro de 2013 no Museu da Música com o tema: ''Músico Profissional que Futuro?'', e teve como intervenientes Fernando Girão, Carlos Barretto e Tozé Brito (todos gravados em entrevistas individuais para este projecto), Júlio Pereira revela algumas das fragilidades, e o seu descontentamento perante elas, da situação vulnerável em que se encontra a actividade musical em Portugal nos últimos anos, do papel relevante que poderá assumir a sua mais recente loja de discos Ouvir Devagar, mas também do sentimento algo redutor que guarda em si pela associação frequente, por parte da recepção musical, da sua actividade, como instrumentista de vários cordofones como nos demonstra o seu legado fonográfico, exclusivamente ao cavaquinho.

Júlio Pereira aprendeu bandolim aos sete anos de idade com o seu pai. Integrou grupos no universo do  rock , como Xarhanga e Petrus Castrus com quem gravaria quatro fonogramas.

Colaboraria, como instrumentista e arranjador, nos anos de 1975 e 1976 com Paulo de Carvalho nos fonogramas M.P.C.C. e Não De Costas Mas de Frente, A Música em Que Vivemos. A partir dos seus vinte anos e até aos trinta colaborou, quer em concertos como em estúdio na gravação de fonogramas, com  vários músicos,  destacando-se a sua colaboração com José Afonso  a partir do ano de 19 79, com o qual tocaria em vários sítios fora de Portugal e co-produzindo os seus últimos registos discográficos.

À semelhança de muitos dos músicos da sua geração, ainda nesta década trabalharia como músico em alguns grupos de Teatro com encenadores como: Augusto Boal, Águeda Sena e João Perry .Grava os seus primeiros Álbuns de autor: Bota-Fora, Fernandinho vai ó vinho, Lisboémia e Mãos de Fada.

Em 1981 seria lançado  Cavaquinho, um trabalho instrumental que o afirmou no seio da cultura e música populares em Portugal, abrindo-lhe novas portas e distinções. 

A sua ligação à produção discográfica intensificou-se a partir dos anos de 1980. A partir de 1983 e até 2003 gravaria regularmente. Desta fase fazem parte: Braguesa 1983, Nortada 1983, Cadoi 1984, Os sete instrumentos 1986, Miradouro 1987 Janelas Verdes 1990, O meu Bandolim 1991, Acústico 1994, Lau Eskutara 1995 (gravado no País Basco com Kepa Junkera), Rituais 2000 (que serviu de base à coreografia com o mesmo nome de Rui Lopes Graça e os bailarinos da Companhia Nacional de Bailado), e Faz-de-conta 2003 (o primeiro CD Multimédia para crianças).

Realizou vários concertos no Mundo, produziu, orquestrou e participou como multi-instrumentista em vários discos de outros autores e colaborou paralelamente com vários intérpretes da música entre os quais: Kepa Junkera, Pete Seeger, Mestisay e The Chieftains - com os quais grava o CD Santiago que ganha o Grammy Award, 1995.

Da sua colaboração no filme Fados de Carlos Saura, com Chico Buarque e Carlos do Carmo. resulta a sua produção do tema "Fado Tropical".

É com o Bandolim que em 2008 gravaria o CD Geografias, o qual integraria um concerto com o mesmo nome, levando-o a actuar dentro e fora de Portugal.

O ano de 2010 marcaria o lançamento de Graffiti , fonograma de canções que contou com a participação de cantoras de vários países entre as quais: Dulce Pontes, Maria João, Sara Tavares, Olga Cerpa (Espanha), Nancy Vieira (Cabo-verde) e Luanda Cozetti (Brasil).

Nota: No ano de 2013, um ano depois de ter realizado esta entrevista,  o músico regressaria ao seu primeiro trabalho fonográfico a solo, Cavaquinho, e gravaria o CD Cavaquinho.pt., como ponto de partida para uma nova etapa dedicada a este instrumento constituindo para tal a Associação Museu Cavaquinho com o objectivo de promover a história e a prática deste instrumento.

2012 Júlio Pereira à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Pesquisa, Texto: Soraia Simões

Som, Fotografia: Nuno Santos

Recolha efectuada na antiga casa-estúdio do músico