A história do Museu da Música é também a história de inúmeras personalidades que o acompanharam ao longo dos anos, reunindo as colecções, procurando um espaço adequado para as acondicionar, estudando-as, sempre com o objectivo de as tornar visíveis.

1911

Em concreto, a génese do museu remonta a 1911 quando o musicólogo Michel’angelo Lambertini consegue fazer-se nomear pelo governo para iniciar a recolha de instrumentos musicais, partituras e peças de iconografia musical dispersos em edíficios públicos e religiosos.

O objectivo era a criação de um museu, projecto a que Lambertini se dedica com todo o entusiasmo. Contudo, rapidamente o musicólogo se depara com a falta de vontade da classe governante, o que o leva a re-equacionar o projecto do museu, procurando a ajuda de particulares. Recorre então a António Carvalho Monteiro, também coleccionador, para que adquirisse a colecção Keil, em perigo de sair para o estrangeiro. Vende-lhe a sua própria colecção e propõe-lhe avançarem com o projecto em conjunto. Carvalho Monteiro aceita e cede um espaço para acomodação dos espécimes organológicos num edifício da Rua do Alecrim, onde se reúnem o conjunto das colecções Lambertini, Alfredo Keil e Carvalho Monteiro. A recolha continuaria até à morte de ambos, em 1920, altura em que a colecção perfaz um número superior a 500 espécimes. De fora ficaria a colecção Lamas (leiloada pelos herdeiros, em 1916), da qual algumas peças terão possivelmente sido adquiridas.

1931

Com as mortes de Carvalho Monteiro e de Lambertini, o projecto de criação do museu instrumental fica adiado. Como consequência, o acervo reunido na Rua do Alecrim permanece em completo abandono até que, em 1931, Tomás Borba, conservador do então Museu e Biblioteca do Conservatório Nacional, o redescobre. É Borba quem fica encarregue de proceder à aquisição, aos herdeiros de Carvalho Monteiro, do espólio que restava, sendo este posteriormente transferido para o Conservatório Nacional. Mais tarde, também os instrumentos que haviam pertencido ao rei D. Luís, e que se encontravam no Palácio da Ajuda, se juntam às colecções, bem como algumas peças vendidas durante o período de abandono na Rua do Alecrim, adquiridas em leilões pelo Conservatório Nacional.

1946

A partir de 1946, com a reabertura do Conservatório após obras de melhoramento, o museu é inaugurado oficialmente, conhecendo um período de desenvolvimento da vertente museológica e da preocupação com o acesso por parte do público.

1971

No princípio da década de 70, o espaço ocupado pelo museu torna-se necessário, em virtude da criação de três novas escolas no Conservatório – Dança, Cinema e Educação pela Arte. Tendo em vista a possibilidade de possuir um espaço próprio, as 658 peças, que então constituíam a colecção, são transferidas, em 1971, para o Palácio Pimenta no Campo Grande. Ali permanecem até 1975, em condições precárias. Nesse ano, por decisão de João de Freitas Branco, então Secretário de Estado da Cultura, e da Escola de Música do Conservatório, são novamente transferidas, desta vez para a Biblioteca Nacional, onde o musicólogo Santiago Kastner dá início à inventariação dos espécimes.

1980

Durante este período, comissões criadas para a instalação do museu discutem qual o melhor local para acolher condignamente o acervo musical que continua a aumentar sob a gestão do Departamento de Musicologia do IPPC dirigido por Humberto D’Ávila. Vários edifícios são apontados como hipótese: os Palácios Cabral e Ratton, em Lisboa; o Centro Cultural de Belém; o Palácio de Queluz ou o Convento de São Bento da Vitória no Porto. Por várias razões nenhuma destas hipóteses foi avante.

1991

Em 1991, por decisão da Secretaria de Estado da Cultura, e correspondendo à vontade da direcção da Biblioteca Nacional, alegando falta de espaço, as colecções são empacotadas e transferidas mais uma vez, desta feita para o Palácio Nacional de Mafra, onde permanecem até à abertura do museu no Alto dos Moinhos.

1993

Com a assinatura, a 1 de Outubro de 1993, Dia Mundial da Música, de um protocolo, ao abrigo da lei do mecenato, entre o Instituto Português de Museus (actual Instituto dos Museus e da Conservação) e o Metropolitano de Lisboa, estão finalmente reunidas as condições para a realização do sonho de Lambertini. Uma vez disponibilizado o espaço na estação de metro do Alto dos Moinhos, o Museu da Música é inaugurado a 26 de Julho de 1994.

O Museu da Música possui um centro de documentação especializado em organologia, história e teoria da música, onde é possível encontrar obras de referência para o estudo da música.

Uma visita ao centro de documentação possibilitará um contacto com informação sobre instrumentos de música do mundo inteiro (a sua construção, história, representação em obras de arte – iconografia musical), músicos, história da música, entre outros assuntos. Encontra-se orientado para a música erudita, no entanto, também é possível encontrar algumas referências a música popular, fado, música contemporânea, jazz.

Podem ser consultadas perto de 3000 obras, desde teses, facsimiles de tratados e de métodos instrumentais, catálogos de museus de instrumentos e de exposições; vários números de periódicos tão importantes como a Arte Musical, Early Music, Le Monde la Musique, Ritmo ou World of Music; alguns trabalhos sobre os instrumentos das colecções do museu e, os construtores de instrumentos de música.

As publicações do centro de documentação estão a ser registadas informaticamente, pelo que em data a anunciar será possível pesquisar online via Bibliobase.

 

Imagem de Capa de um Rádio Radiola Superheterodyne AR‐812 patente na Colecção do Museu da Música