14ª Recolha de Entrevista

 

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BI: Kimi Djabaté nasceu na aldeia de Tabato, Guiné-Bissau, em 1975. É um músico que reside desde 1995 em Lisboa.

Desde os 3 anos que toca, muitas vezes porque os pais o incitavam a isso, chegou a tocar para a Corte (um Rei) e em casamentos de ‘realeza’ e desde a adolescência que fez viagens, acompanhado sobretudo de músicos mais velhos, sempre a tocar.

A sua primeira gravação musical aconteceu na Guiné em 1989, com ‘Balafon de Tabato’(em alusão à aldeia onde nasceu) e do qual também o seu pai fez parte.

Toca e constrói os intrumentos vários que toca (balafons, koras, tamas, etc) desde que se conhece. “Um bom tocador tem de saber construir o seu instrumento”, reflecte.

Oriundo de uma família ligada à música, onde teve a possibilidade de desde cedo receber formação na área da ‘música tradicional mandinga’, foi evoluindo como músico junto de outros com quem acabou por colaborar, caso de músicos como Mory Kanté, Waldemar Bastos, Netos de Gumbé, entre outros.

Sempre cantou na sua língua originária e em conversa comigo diz: “a integração do migrante cabe ao próprio migrante”, sem se anular a si mesmo.

Em 2005, lançou o seu primeiro álbum a solo, ‘Teriké’ e em 2009 ‘Karam’.

Nesta recolha reflecte sobre a sua forte ligação com a herança da ‘música tradicional griot’, que teve o seu berço na região ocidental de África, a ‘música tradicional Mandinga’, com que cresceu, e potenciou o seu interesse por outras práticas coreográficas (como a dança local 'gumbé') e musicais (como o 'afrobeat', a 'morna' ou os 'jazz' e 'blues'), os instrumentos, os músicos com que se tem rodeado, as dificuldades de aceitação do seu primeiro fonograma em Portugal, o circuito musical em que opera em Portugal e os países onde já tocou - Senegal, Mali, Costa do Marfim, França, etc - o aspecto biográfico de um disco como ‘Karam’, as vantagens e dificuldades em chegar a um público cantando no seu dialecto e, entre outros assuntos, a vontade de regressar à Guiné-Bissau podendo ajudar na evolução cultural e económica do país (e aldeia) que o viu nascer.

© 2012 Kimi Djabaté à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

nota: paisagem sonora incluída

curiosidade: O tema ‘Kodé’, do fonograma Karam, foi composto por Milton Gulli e gravado pelos Cacique´97, depois incluiu-se a kora do Brahima Galissa e a voz e balafon do Kimi Djabaté. Além do disco Karam de Kimi Djabaté, o tema acabou por figurar no disco de Cacique´97.

 

Recolha efectuada na zona do Chiado (em Lisboa)

Som, Pesquisa, Texto: Soraia Simões

Fotografia: Alexandre Simões (Flapi)

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