60ª Recolha de Entrevista

 

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BI: Susana Maria Alfonso de Aguiar, ou Mísia - nome que adoptou para se apresentar e representar no meio musical - nasceu no Porto no ano de 1955.
Com 18 anos foi viver para Barcelona. Viveu em Madrid e regressou a Portugal, Lisboa nomeadamente, no ano de 1990, altura em que grava o seu primeiro registo fonográfico no universo do fado: 'Mísia'.

Nesta recolha de entrevista Mísia reflecte sobre a sua relação com o fado e da relevância da relação com a sua mãe e avó para a intensificação da mesma, explica as suas preferências iniciais no género, que permanecem hoje, como Amália, Maria Teresa de Noronha, Beatriz da Conceição e António dos Santos (influenciada pelas audições e apreço da avó no caso deste último) ou poetas como, entre outros, David Mourão-Ferreira e Pedro Homem de Melo, de alguns dos seus fonogramas (incluindo o mais recente, que está a ser preparado), mas debruça-se ainda sobre questões particulares do seu percurso como a necessidade de 'pertença', a relação nem sempre pacífica com a indústria fonográfica e o universo do fado, pelos poetas que escolheu para cantar, pela sua imagem, pelas observações que transmitia nos media, etc.

Com um percurso que soma 22 anos de actividade, foi em Espanha que a intérprete iniciou o seu trabalho no meio artístico, primeiro como bailarina e depois cantora.

Grande parte dos trabalhos discográficos meritórios de reconhecimento público foram produzidos por si, sem uma compreensão ou aceitação, quando apresentados, no meio de edição fonográfica, como foi o caso do fonograma 'Drama Box', que data de 2005, cuja apresentação num concerto no Teatro D. Maria II, em 2005, recebeu do Governo português, a "Comenda da Ordem de Mérito", um reconhecimento nacional a juntar a numerosos prémios e ofertas estatais de outros países.

Ao longo deste tempo a intérprete reuniu um público cada vez mais vasto e firmou uma carreira internacional de assinalar em países como Espanha, Japão, França, Argentina, Inglaterra. Carreira essa que em Portugal nunca se mostrou consensual para quem a escutava no universo em que sempre gostou de cantar.

As suas actuações em Portugal não têm acompanhado em número as que tem efectuado em palcos reconhecidos do mundo inteiro, nem nunca, até à data deste registo, deu, a convite de agentes culturais da cidade, um espectáculo na cidade onde nasceu - o Porto. Mísia foi com Amália Rodrigues a única (depois de Amália) fadista a fazer parte da programação do Teatro Olympia em Paris (atendendo a que outros intérpretes que lá cantaram não o fizeram na sequência de um convite do espaço, mas por opção dos seus agentes ou dos próprios alugando o espaço para o efeito). Foi por fazer parte dos palcos de todo o mundo e da forte ligação ao mercado francês, coincidente com o surgimento da expressão ''world music'', criada pelos meios de comunicação social e pela indústria musical, que muitos lhe atribuem ao longo destes anos esse rótulo. Expressão sobre a qual também reflecte nesta conversa.

O repertório de Mísia, apresentado em discos e espectáculos ao vivo, caracteriza-se pela procura de integrar poemas de letras mais profundas que interpreta, bem como incursões noutro tipo de temas, caso dos tangos que integra num dos seus discos, na sua apresentação no Teatro São Carlos de Lisboa, em Julho de 2007, na interpretação do espectáculo "Maria de Buenos Aires". O seu disco de 2003 - 'Canto', onde a fadista dá voz a poemas de Vasco Graça Moura e Pedro Tamen sobre temas de Carlos Paredes, é igualmente um exemplo disso.

Com um já vasto legado fonográfico é comum encontrarmos nele poemas de José Saramago, António Lobo Antunes, Fernando Pessoa, Agustina Bessa Luís ou Natália Correia, ou letras de autores mais ligados à música popular portuguesa como Sérgio Godinho, Carlos Tê, Jorge Palma ou João Monge.

© 2013 Mísia à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo
Recolha efectuada em LARGO Residências

Som, Pesquisa, Texto: Soraia Simões

Fotografia de recolha de entrevista: Alípio Padilha

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