59ª Recolha de Entrevista

 

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BI: Manuel Rocha nasceu na cidade de Coimbra no ano de 1962, onde acabou por frequentar aulas de violino, instrumento cuja aprendizagem aprofundaria posteriormente - em 1982 - quando se fixa por seis anos em Moscovo para a sua formação em Professor de Violino e Músico de Orquestra.

É integrante, e uma das forças motrizes, do grupo Brigada Victor Jara e do GEFAC e foi um participante activo no Movimento Alfa em torno das Campanhas de Alfabetização no ano de 1975.

Quando regressou da URSS passou a dar aulas de violino no Conservatório de Música de Coimbra, no qual é hoje Director. Manuel Rocha trabalhou ainda como músico e compositor em bandas sonoras para teatro, cinema e televisão, foi Autor de um Documentário no âmbito etnográfico seriado para a RTP e colaborou em gravações com intérpretes como, entre outros, Adriano Correia de Oliveira, Mísia e Carlos do Carmo ou autores distintos como Fausto ou Manuel Freire.

Nesta recolha de entrevista é crítico em relação ao modo como a música popular tem sido 'tratada' - no meio social, cultural, mas também académico - e elucida algumas das suas experiências e opiniões em torno de questões valorativas de algumas das práticas musicais (com os instrumentos e conhecimentos empíricos ou vivências que os acompanham) no âmbito da ''música tradicional'' mas igualmente excessivamente desenquadradas do seu habitat/meio em que crescem e se desenvolvem, bem como relativamente a uma ideia de um hipotético e irreal ''universo de autenticidade'' em que se baseia algum do estudo académico, mas reflecte, entre outras coisas ao longo da conversa, ainda sobre algumas assumpções inculcadas no meio intelectual que várias vezes impõe no seio ''da ruralidade'' metodologias ou formas de raciocínio e comunicação que não são as suas, nem tão pouco alvo das suas preocupações ou motivos de discussão.

A proximidade entre o universo da música popular e a ''erudição'', os discursos que grosso modo nelas se patenteiam e as separam, as tentativas de aproximação da academia e a legitimação fornecida pelo contacto e vivência, a música funcional (de trabalho, de embalar, religiosa, de festa) e o retirar de algumas das suas funções quando é levada para os palcos, etc.

Manuel Rocha mantém o exercício crítico e atento sobre as questões que nortearam o registo desta conversa e assume, ao longo da mesma, a actividade cívico, sindical e política como uma parte imprescindível no seu percurso musical, quer como músico e autor, quer como formador.

© 2013 Manuel Rocha à conversa com Soraia Simões, Reflexões e Perspectivas no campo

Som, Pesquisa, Edição, Texto: Soraia Simões

Fotografia: António Freire

Recolha efectuada em Conservatório de Música de Coimbra