67ª Recolha de Entrevista

 

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BI: João Eduardo Salomé Vieira, ou Janita Salomé - como ficou conhecido no meio musical - nasceu na vila do Redondo no ano de 1947.

É um intérprete reconhecido pertencente a uma família de outros músicos reconhecidos na Música Popular que foi feita em Portugal nos últimos 40 anos. Começou a cantar com 9 anos, incentivado pela família - especialmente pelo pai, também cantor (tarefa que acumulava com a actividade de ourives) tendo depois dos 16 anos integrado algumas orquestras (assim se chamavam ao conjunto de músicos - com instrumentos diversos, como em exemplo: contrabaixo ou piano que o formavam, todos da família de Janita: tios maternos e os irmãos mais velhos), mas foi aos 18 anos que Janita salomé saiu do Alentejo para Lisboa (onde trabalhou primeiramente como funcionário judicial).

Nesta recolha de entrevista explica alguns dos motivos/motivações que fizeram, até hoje, parte do seu percurso na música, do que mudou, de algumas considerações que dizem respeito ao fado, à 'Canção de Coimbra', às 'músicas tradicionais' e às manifestações de tradição oral, mas também das principais diferenças de comportamento dos músicos que já contam com alguns anos de caminhada, das fragilidades patentes nos círculos de difusão, indústria fonográfica e de promoção (O disco do projecto Vozes do Sul, dirigido por Janita Salomé, com a intenção de celebrar o 'cante alentejano', foi editado em 2000. No disco participaram: Os Ceifeiros de Pias, As Camponesas de Castro Verde, Grupo da Casa do Povo de Serpa, Cantadores do Redondo, Filipa Pais, Bárbara Lagido e Catarina, Marta, Patrícia, Janita e Vitorino por parte da família Salomé. O disco estava pronto desde 1998 mas só saiu em 2000 porque não foi fácil arranjar editora. A edição foi da Capella, uma etiqueta ligada à empresa Audiopro. O disco Vozes do Sul foi distinguido com o Prémio José Afonso) para a música em Portugal, etc.
Nos discos que marcam o seu percurso estão entre outros:

Melro (1980); LP; Orfeu

Lavrar em teu peito (1985); LP; EMI

Lua Extravagante (1991); LP; EMI

Raiano (1994); CD; Farol Música

Tão pouco e Tanto (2003); CD; Capella
Cantar ao sol (1983); LP; EMI

Olho de fogo (1987); LP;Transmédia

A cantar à Lua (1991); LP; Edisom

Vozes do sul (2001); CD; Capella

Utopia ( 2004); CD; EMI

Janita tem também colaborado com uma quantidade considerável de outros autores e intérpretes. Dessas colaborações, destacam-se: a sua participação no disco Canções de Embalar organizado por Nuno Rodrigues, onde interpreta o tema "Matita" de parceria com Sara Tavares.

O disco Tão Pouco e Tanto, com cinco temas inéditos e seis regravações, foi editado em Maio de 2003. Nele participaram José Peixoto, Mário Delgado, Pedro Jóia e Dulce Pontes, no tema "Senhora do Almortão" (apesar do feito, só em Março de 2004 surgiu a apresentação de Tão Pouco e Tanto no Grande Auditório do CCB), nos 30 anos da Revolução dos Cravos, surge "Utopia", registo dos dois concertos de Vitorino e Janita Salomé, realizados no CCB, em 1998, onde em homenagem a Zeca Afonso, interpretaram canções do compositor. O álbum A Cantar à Lua, que implicou uma recolha de Canções de Coimbra dos anos 20 e 30, foi editado em 1991, tendo nele participado António Brojo e António Portugal e de que fala com apreço nesta recolha, foi também um dos participantes no disco Canções proibidas: o Cancioneiro do Niassa, com as canções de campo da guerra colonial, onde pontificaram também outros interpretes como Rui Veloso, Paulo de Carvalho e Carlos do Carmo, entre outros.

© 2013 Janita Salomé à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no Campo

Edição, Pesquisa, Som, Texto: Soraia Simões

Fotografia de recolha de entrevista: Augusto Fernandes

Fotografia de capa: Helena Silva no âmbito das Sessões de debate do Mural Sonoro no Museu da Música com o título: «Cante alentejano: o discurso sobre o território e as identidades», que pode ouvir aqui