Karlon Krioulo (Rapper, MC, Produtor)

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Karlon Krioulo (Rapper, MC, Produtor)

112ª Recolha de Entrevista
Quota MS_00095


BI: Carlos Furtado Gomes, ou Karlon Krioulo – nome de baptismo no RAP e «cultura hip-hop», nasceu em 1979. Integrante do grupo Nigga Poison formado em 1994, por si e Praga, afrodescendentes, de uma família cabo-verdiana, criados no bairro Pedreira dos Húngaros.
Escreve em crioulo desde que começou a gravar RAP em Portugal. A formação no curso de Artes e Ofícios do Espetáculo (Chapitô), permitiu que apreendesse um conjunto de ferramentas que hoje aplica na sua actividade como a gestão de recursos disponíveis para a produção da sua música, como demonstra nesta conversa.


Karlon iniciou-se na adolescência nesta prática inscrevendo o seu nome como rapper e MC no ano em que sai RAPública (1994, Sony Music, 1ª colectânea de RAP editada em Portugal por uma multinacional), no entanto o seu primeiro registo fonográfico surge mais tarde. Isto deveu-se, à semelhança de outros actores/actrizes deste «movimento», às dificuldades que muitos/as dos que o fizeram crescer em Portugal tinham, sob o ponto de vista financeiro, em entrar num estúdio para gravar. No tempo em que o estúdio ainda não estava para estas comunidades (de um modo transversal)  no computador e as máquinas eram bastante dispendiosas. 
Foi no bairro, em freestyle, cyphers, que começou a chamar à atenção de outros/as rappers. Em 1997 participou com Nigga Poison na mixtape de Dj Kronik (editada em fita cassete), editaram posteriormente o primeiro EP, uma edição de autor (es), (Podia Ser Mi, Kreduson, 2001). Em 1998 entram no filme documental Outros Bairros (Filmes Tejo, da autoria de Kiluanje Liberdade, Inês Gonçalves e Vasco Pimentel), ano em que gravam três telediscos para a Expo 98 com a realizadora Teresa Villaverde. 


De 1998 em diante Karlon foi procurando criar a sua música: produzindo-a e promovendo-a,  à semelhança de vários rappers, MCs e produtores da sua geração, de um modo independente.

Em 2001 criou a sua produtora Kreduson Produson.

O grupo Nigga Poison foi marcando o seu nome e tornando-se uma fonte referencial entre pares. Entra em Ritmo & Poesia de Xeg, Poesia Urbana de Valete e Adamastor, entre outros. Colaboram também em Inoxidavel 2 (2004, de DJ Kronik). Lançam Resistentes (2006, Very Deep/Som Livre), trabalho discográfico que lhes vale uma nomeação nos Globos de Ouro na categoria de «banda revelação».
Tocaram em Paris, Luxemburgo, Nice, Bruxelas e Andorra, bem como em vários espaços de norte a sul de Portugal. 
Participaram com os temas «Yes Man» e «Onde é que tu Estás» na banda sonora do filme A esperança está onde menos se espera do realizador Joaquim Leitão e na compilação Hip Hop Fnac com Dj Bomberjack na faixa «Nigga». 
Em 2011, sob a etiqueta da Optimus Discos, lançam Simplicidadi


Desde 2012 que Karlon tem afirmado o seu percurso a solo. Em 2012 lança Nha momento e em 2013 a mixtape Paranoia. Com o selo da Kreduson Produson saem também Meskalina em 2015 e em 2016 Passaporti.

Esta conversa faz parte de um conjunto de outras entrevistas semi-dirigidas realizadas no âmbito do trabalho de investigação que desenvolvo presentemente e que tem como foco o  impacto social e cultural do RAP feito em Portugal durante este período histórico, trabalho este que inicia na segunda metade da década de 80 e termina na de 90. 
Apesar de semi-dirigidas estas conversas são realizadas num cl
ima de descontracção e com o cruzamento de outro tipo de fontes: orais e escritas que marcaram esse período. Neste pedaço disponibilizado on-line Karlon explica como viveu o primeiro período da sua afirmação no RAP, o significado de usar o crioulo na sua lírica, as vantagens do autodidactismo e produção independente (longe do modelo tradicional da indústria de gravação de discos), procurando ao mesmo tempo, quando questionado, interpretar prós e contras da dependência do modelo convencional aplicado pela indústria cultural nos primeiros anos – manifestada por uma boa parte da primeira geração de rappers em Portugal –, a descontinuidade histórica existente  quanto ao papel e problemáticas levantadas pelas primeiras mulheres a fazer RAP em Portugal, as experiências de vivência num bairro e os significados da afirmação cultural/identitária no seio da Música Popular feita em Portugal vindo de um outro território (cultural, sonoro e geográfico) ou como presencia e lê a reintrodução de expressões como nigga e gangsta, fora do contexto histórico de afirmação ou reivindicação de direitos em que as mesmas surgem, nos dias de hoje.
Mais em RAPublicar. A micro-história que fez história numa Lisboa adiada (SIMÕES:2017)*

© 2017 Karlon Krioulo à conversa com Soraia Simões, Perspectivas e Reflexões no campo

Pesquisa, Som, Entrevista, Texto, Edição: Soraia Simões

Fotografias Karlon: Crossfox e Vasco Viana (2017, fotógrafo em Altas Cidades de Ossadas, de João Salaviza, curta-metragem que tem Karlon como actor principal); Recolha de entrevista realizada na casa de Karlon


*Editora Caleidoscópio, audiolivro contém:

SUMÁRIO

Nota da autora
Introdução
Memória, sociedade, história oral e cultura popular

Cavaquismo, imigração e extrema-direita
RAP, territórios, discursos e influências
Anos 90, as mulheres no RAP

História oral – transcrita
Francisco Rebelo (mentor e integrante do grupo Cool Hipnoise, baixista nos grupos Black Company, Ithaka ou Mind da Gap, entre outros)
Hernâni Miguel (produtor RAPublica)
Biggy
Zj /Zuka (Divine)

História oral – áudio
Chullage
General D
Makkas (Black Company)
Janelo da Costa (Kussondulola)
Double V (Family)
Maimuna Jalles (General D&Os Karapinhas)
Marta Dias (General D&Os Karapinhas)
José Falcão (SOS Racismo)
Lince (New Tribe)
M (New Tribe)
Jaws T e MC Nilton (Líderes da Nova Mensagem)
José Mariño (radialista – autor programas Novo RAP Jovem, Repto)
X-Sista, Jumping (Djamal)
Sweetalk (Djamal)
NBC (Filhos de 1 Deus Menor)
João Gomes (Cool Hipnoise e General D&Os Karapinhas)
Tutin di Giralda (General D&Os Karapinhas)
Djone Santos (General D&Os Karapinhas)
Ithaka
Jazzy J (Zona Dread)
Tiago Faden (produtor executivo RAPublica)
Nomen (writer – Artista urbano)
Edgar Pêra (cineasta – videoclipes Black Company: “Abreu” e Djamal)
Ace (Mind da Gap)

Fontes e Bibliografia
Créditos

NOTAS

Ataque Verbal (1996, Rádio Energia), autores: KJB (Black Company), Pacman (Da Weasel). O programa de rádio teve residência no Johnny Guitar onde havia sessões de microfone aberto. Passaram vários rappers e colectivos de RAP de uma geração sucedânea aos autores nesse palco, como Nigga Poison, TWA, Sam The Kid, entre outros.

cypher: designação atribuída a um grupo de b-boys e b-girls que actuam nessa “cultura de círculo”, especialmente na rua.

freestyle: improviso.

MC: Mestre de Cerimónias.

RAP: assumo ao longo dos trabalhos que tenho publicado acerca deste domínio a designação RAP em maiúsculas e não em minúsculas e itálico. Isto porque se pretende demonstrar o domínio num plano central das mudanças de comportamentos e linguagens verificadas num determinado contexto histórico, e não num plano secundário ou complementar. Ou seja, onde as medidas e mudanças que se verificaram socialmente não diminuam ou tornem secundária a dimensão social ou o papel ideológico, como habitualmente sucede, desta prática cultural e artística, a partir da qual esta investigação tem procurado demonstrar que elas acontecem durante este primeiro período em Portugal.

Vídeo referido durante a entrevista: 1998 - Pedreira dos Húngaros, Karlon&Barrozo

audiolivro, à venda nas livrarias habituais       

audiolivro, à venda nas livrarias habituais 

 

 

 

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O RAP é uma Arma?, 25 de Setembro, Tapada das Mercês, Sintra

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O RAP é uma Arma?, 25 de Setembro, Tapada das Mercês, Sintra

Dia 25 de Setembro (segunda-feira) Soraia Simões estará a convite do Bloco de Esquerda - Sintra na Tapada das Mercês a falar um pouco do seu trabalho de investigação e do audiolivro RAPublicar. A micro-história que fez história numa Lisboa adiada 1986 - 1996 (Editora Caleidoscópio) procurando responder a esta questão  no âmbito desta oficina. A sessão contará ainda com o rapper, deste concelho, CADI.
Se andarem por Sintra, apareçam.

O audiolivro estará à venda no local.

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"História e Memória: cultura hip-hop na cidade de Maputo", 14 de Setembro, Fortaleza de Maputo

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"História e Memória: cultura hip-hop na cidade de Maputo", 14 de Setembro, Fortaleza de Maputo

A Associação Mural Sonoro associa-se ao seminário História e Memória: cultura hip-hop na cidade de Maputo, a realizar-se no dia 14 de Setembro (próxima quinta-feira), das 15h às 17h, na Fortaleza de Maputo.  

O  principal objectivo deste seminário consiste em reunir académicos, artistas e profissionais de meios de comunicação  a debater e reflectir sobre história e memória no universo do «hip hop» produzido nos últimos anos na cidade de Maputo, por via de uma abordagem  transdiciplinar sobre a temática nos diferentes campos do saber.

A Bloco 4 Foundation, conta com a parceria da Associação Mural Sonoro, na promoção deste seminário.

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Congresso Internacional de História Local: Conceito, práticas e desafios na contemporaneidade, Centro Cultural de Cascais, 28 e 29 de Setembro

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Congresso Internacional de História Local: Conceito, práticas e desafios na contemporaneidade, Centro Cultural de Cascais, 28 e 29 de Setembro

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Centro Cultural de Cascais, 

Avenida Rei Humberto II de Itália, S/N
2750-800

EN

International Congress | 28 and 29 September 2017 | Cascais Cultural Center

1st International Congress on Local History:

Concept, practices and challenges in contemporaneity

28 and 29 September 2017 – Cascais Cultural Center

 

Since mid-nineteenth century, local history has aroused the interest of historians and researchers who study the past of a particular region or community with the purpose of restoring their collective and individual memories. At the scientific level, this reality is manifested in the multiplication of master and doctoral thesis on themes related to local history, fostering innovative knowledge and giving birth to a new wave of historians interested in working on such topics.

The 1st International Congress on Local History proposes to create a space of interdisciplinary sharing and reflection, valuing the importance of local history in contemporary historiography, through a critical approach to the concept and opening a debate around research methodologies and practices. Contributing to problematize several issues inherent to a theoretical-methodological consideration, in the contemporary period, this initiative intends to promote an effort for the confluence of visions and solutions that hopefully will help to overcome everyone’s difficulties.

Proposals for communication on local history in the contemporaneity can be conceived around the following thematic axes, without excluding others correlated:

  • Theory and methodology of local history;
  • The role of local cultural associations;
  • The importance of local history in high school and University curricula;
  • What does this subject means and represents;
  • Themes and works involving the history of a region (18th-20th centuries);
  • Municipalities and Wars.

 

PT

I Congresso Internacional de História Local: Conceito, práticas e desafios na contemporaneidade

A história local, desde meados do século XIX, tem despertado o interesse de investigadores e curiosos que estudam o passado de uma determinada região ou comunidade com o propósito de lhes restituir a memória colectiva e individual. A nível científico, essa realidade verifica-se na multiplicação de dissertações de mestrado e teses de doutoramento sobre temáticas relacionadas com a história local, potenciando um manancial de conhecimento científico inovador e uma nova vaga de historiadores interessados em trabalhar temas de diversas zonas dos seus países.

O I Congresso Internacional de História Local propõe criar um espaço de partilha e reflexão interdisciplinar, valorizando a sua importância na historiografia contemporânea para um mais profundo entendimento da História, através de uma abordagem crítica do conceito e abrindo um debate em torno das metodologias e práticas de investigação. Contribuindo para a problematização de várias questões inerentes a uma ponderação teórico-metodológica, no período contemporâneo, pretende-se efectuar um esforço para a confluência de visões e de soluções que ajudem a superar as dificuldades de todos.

Programme

Day 1 – 28 de Setembro de 2017

Registration of participants – 8h30 às 9h00

Opening session – 9h00 às 9h15

Conference – 9h15 às 9h45

Chair: João Miguel Henriques (Câmara Municipal de Cascais e IHC)

“História Local. Percurso e desafios na contemporaneidade” (Margarida Sobral Neto – Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)

Panel 1 – “Local History: Theory and Practice (s)” – 09h45 às 11h15

Chair: Alice Cunha (IHC-FCSH-UNL)

  • Sarottama Majumdar (University of Calcutta – Jadavpur University) – “The production of local history through comparing disparate texts”
  • Aaron McArthur (Arkansas Tech University) – “Civic Engagement and the Noble Pioneers”
  • Serkan Kelesoglu (University of Ankara) / Ismail Güven (University of Ankara) – “Contribution of local history in social studies teacher training programs”
  • Kanta Chatterjee (Basirhat College – Índia) – “In Lieu of “History” (‘Itihas’): Many Titles of Regional and Local Histories of Bengal 1860-1950”
  • Arjab Roy (The English and Foreign Languages University – Hyderabad, Índia) – “The Role of Local Histories in Bengal during 1970s: Countering New Histories and Moderating Kolkata”
  • Vikram Bhardwaj (Centre of Historical Studies – Jawaharlal Nehru University) – “Interface between Oral Narrative and local History: A Case Study of Shimla Hills”

Coffee-Break – 11h15 às 11h30

Panel 2 – “The I Republic in the local spaces” – 11h30 às 12h45

Chair: Diogo Ferreira (IHC-FCSH-UNL)

  • Jorge Ricardo Pinto (ISCET e UTAD) – “A memória de um lugar desaparecido do Porto republicano do princípio do século XX”
  • Soraia M. Marques Carvalho (FLUL) – “A República em Sacavém. O movimento político na vida da localidade nos primeiros anos”
  • João Lázaro (CIES-IUL) – “O Republicanismo na Póvoa de Santa Iria na Alvorada do 5 de Outubro de 1910. Uma história local”
  • Luís Carvalho (FCSH-UNL) – “Carlos Rates na história de Setúbal: sindicalismo e imprensa na Iª República”
  • Isabel Melo (Universidade Complutense de Madrid e LASA) – “Orfanato Municipal Presidente Sidónio Pais em Setúbal”

Lunch – 12h45 às 13h30

Panel 3 – “Methodological Challenges” – 13h30 às 15h00

Chair: Ivo Veiga (IHC-FCSH-UNL)

  • João Paulo Avelãs Nunes (DHEEAA/FLUC e CEIS20/UC) / Pedro Carvalho (DHEEAA/FLUC e CEIS20/UC) / Ana Isabel Ribeiro (DHEEAA/FLUC e CEIS20/UC) / António Rochette Cordeiro (DGT/FLUC e CEIS20/UC) / Luís Alcoforado (FPCEUC e CEIS20/UC) – “História local, interdisciplinaridade e rentabilização social do conhecimento”
  • Diogo Ferreira (IHC-FCSH-UNL) – “História Local: Reflexões em torno do seu percurso, importância e potencialidades”
  • Marco Oliveira Borges (Centro de História e Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa) – “Historiografia marítima de Cascais (1873-1974): metodologias, divulgação histórica e legado cultural”
  • Patrícia de Almeida (CEIS20-UC) – “Biblioteca Escolar e História Local: as relações (im)previstas”
  • Ana Mendes (FLUL) – “O Património dos Condes de Azevedo: usos e funcionalidades na contemporaneidade”
  • Inês Castaño (IHC-FCSH-UNL) / Maria Inês Queiroz (IHC-FCSH-UNL) – “L3-Lisboa Laboratório Comum de Aprendizagem: Uma experiência colaborativa de investigação/aprendizagem em História Local”

Coffee-Break – 15h00 às 15h15

Panel 4 – “The Wars and their regional impacts” – 15h15 às 16h30

Chair: Pedro Leal (FLUL)

  • Eunice Relvas (IHC-FCSH-UNL) – “Governação Municipal de Lisboa na Grande Guerra (1914-1918): Problemas e Soluções”
  • José Pedro Reis (FLUP) – “O impacto da Iª Guerra Mundial no futuro concelho da Trofa”
  • Fátima Afonso (C.M. do Seixal) – “O jornal A Voz d’Amora (1916-1919) e o concelho do Seixal durante a Grande Guerra”
  • Mariana Castro (IHC-FCSH-UNL) – “O Contrabando em Elvas no Pós I Guerra Mundial (1919-1922): nas malhas da ilegalidade”
  • Simeone Del Prete (University of Rome «Tor Vergata») – “The “triangle of death”: postwar violence in Emilia-Romagna (1945-1948)”

Conference – 16h30 às 17h00

Chair: Teresa Nunes (IHC e FLUL)

“História Local – um pretexto de para falar de História” (Professora Doutora Maria da Conceição Meireles Pereira – Faculdade de Letras da Universidade do Porto)

 Day 2 – 29 de Setembro de 2017

Conference – 9h00 às 9h30

Chair: António Paulo Duarte (IHC e IDN)

“História da Maçonaria numa perpectiva local: fontes e métodos” (António Ventura – Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)

Panel 4 – “Spaces, Memory and Patrimony” – 9h30 às 11h00

Chair: Inês José (IHC-FCSH-UNL)

  • Maria João Pereira Coutinho (IHA-FCSH-UNL) / Inês Gato de Pinho (Civil Engineering Research and Innovation for Sustainability – IST-UL) – “Planta da vila de Setúbal em 1793: Das portas e postigos do edificado religioso e civil”
  • Souradip Bhattacharyya (National University of Singapore) – “«We want equal rights to public space!»: The role of local cultural associations of the migrant communities in asserting their belonging to Serampore”
  • Alexia Shellard (Universidade Federal do Rio de Janeiro) – “Bororos e a história do Mato Grosso”
  • Timóteo Cavaco (IHC-FCSH-UNL) – “A Análise de redes aplicada às famílias nas Igrejas Batistas de Viseu e de Tondela (1930-1945)”
  • João Santos (IHC-FCSH-UNL) – “Memória Operária e História Local – O caso da região (pós) industrial de Setúbal”
  • Luísa Seixas (IHC-FCSH-UNL) / Filipe Silva (IHC-FCSH-UNL) – “Memória das Avenidas. História em comunidade – enquadramento e desafios”

Coffee-Break – 11h00 às 11h15

Panel 6 – “Identities in Local History” – 11h15 às 12h30

Chair: João Pedro Santos (IHC-FCSH-UNL)

  • Nulita Andrade (IHC-FCSH-UNL) – “Visconde da Ribeira Brava na Assembleia Nacional Constituinte: o político nas redes que teceu com seus pares (1882-1884)”
  • Frederico De Sousa Ribeiro Benvinda (FLUL) – “A vereação de Zófimo Consiglieri Pedroso na Câmara Municipal de Lisboa (1886-1889): Propostas e modificações locais”
  • Cristóvão Mata (FLUC) – “A Casa de Aveiro: entre o estudo do regime senhorial e a história local”
  • Pedro Pires (FLUL e IDN) – “General Alberto Ilharco e a sua visão da cidade do Porto no ataque à Monarquia do Norte em 1919”
  • Maria Mota Almeida (IHC-FCSH-UNL e ESHTE) – “Diz-me como ages, dir-te-ei quem és’: João Couto e a génese do Museu-Biblioteca Condes de Castro de Guimarães-Cascais.”

Lunch – 12h30 às 13h15

Panel 7 – “Musical practices in local contexts” – 13h15 às 14h45

Chair: Soraia Simões (IHC-FCSH-UNL)

  • João Pedro Costa (Universidade de Évora) – “Os espaços públicos de sociabilidade musical na Évora Oitocentista: Passeio Público, Rossio de São Braz e Praça do Geraldo”
  • Rita Faleiro (CESEM-FCSH-UNL) – “A presença musical no Algarve oitocentista: o tavirense Tomás de Aquino Abreu e a sua actividade musical sacra da segunda metade do século XVIII.”
  • Bruno Madureira (IHC-FCSH-UNL e Conservatório d’Artes de Loures) – “O movimento filarmónico no concelho de Oeiras – tradição, declínio e revitalização”
  • Luís Henriques (CESEM-Universidade de Évora) – “A ideia de local e global na história musical açoriana: O caso da cidade da Horta na segunda metade do século XIX”
  • Daniela Alves (CIIIC-ISCET) / Hélder Barbosa (CIIIC-ISCET) / Jorge Ricardo Pinto (ISCET e UTAD) – “Percursos e Lugares da violoncelista Guilhermina Suggia, entre o Porto e a Maia, na primeira metade do século XX”
  • Luís M. Santos (CESEM-FCSH-UNL) – “O movimento orquestral na província durante a I República”

Coffee-Break – 14h45 às 15h00

Panel 8 – “Local economic and social challenges in national panoramas”– 15h00 às 16h30

Chair: Ana Paula Pires (IHC-FCSH-UNL)

  • Mariana Silva (ISCTE-IUL, FCSH-NOVA e CRIA) – “A Cidade do Trabalho: Contributo para uma genealogia dos contextos discursivos da identidade local em S. João da Madeira”
  • Vanessa Pereira (IHC-FCSH-UNL) – “Elementos para a história local de sítios mineiros: a penetração do capital estrangeiro e a construção da Mina de São Domingos”
  • Rúben Lopes (FCSH-UNL) – “Um «concelho de feição corporativa»: a implementação e o funcionamento dos organismos corporativos no concelho do Seixal (1933-1974)”
  • Leonardo Aboim Pires (IHC-FCSH-UNL) – “Dimensões da mudança socioeconómica no mundo rural português: Vinhais, 1950-1974”
  • Pedro Leal (FLUL) – “«Nem tudo é burguesia, nem tudo é riqueza e luz nesta terra»: a mobilização popular e o conflito social no concelho de Cascais após o 25 de Abril de 1974.”
  • Júlio Ernesto Souza de Oliveira (UFBA e Institut d’Études Politiques de Rennes) – “«Fogo e bala contra os posseiros»: Grilagem e luta pela terra no médio São Francisco (1971-1984)”

Closing Session – 16h30 às 17h00

Chair: Teresa Nunes (IHC_e FLUL)

“Histoire, histoire locale, histoire économique: de la monographie territoriale à la considération des jeux d’échelle. De quoi «l’histoire locale» peut-elle être le nom aujourd’hui?” (Alexandre Fernandez – Université Bordeaux Montaigne)

Organizing Committee

Ana Paula Pires (IHC-FCSH/UNL e Universidade de Stanford)

Diogo Ferreira (IHC-FCSH/UNL)

Inês José (IHC-FCSH/UNL)

João Pedro Santos (FCSH/UNL)

Mariana Castro (IHC – FCSH/UNL)

Pedro Leal (FLUL)

Teresa Nunes (FLUL e IHC – FCSH/UNL)

Scientific Committee

Albérico Afonso da Costa Alho (ESE/IPS e IHC – FCSH/NOVA)

Ana Paula Pires (IHC – FCSH/NOVA e Universidade de Stanford)

António José Queiroz (CEFi-UCP e CEPESE)

António Ventura (FLUL)

Fernando Rosas (IHC-FCSH/NOVA)

João Miguel Henriques (CMC e IHC-FCSH/NOVA)

Jorge Fernandes Alves (FLUP)

Luís Espinha da Silveira (IHC-FCSH/NOVA)

Maria Conceição Meireles (FLUP)

Maria João Raminhos Duarte (Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes e IHC – FCSH/NOVA)

Margarida Sobral Neto (FLUC)

Norberto Ferreira da Cunha (Museu Bernardino Machado e Universidade do Minho)

Paula Godinho (IHC-FCSH/NOVA)

Paulo Miguel Rodrigues (Universidade da Madeira)

Sérgio Rezendes (Universidade dos Açores e IHC – FCSH/NOVA)

Teresa Nunes (FLUL e IHC – FCSH/NOVA)

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Mais informação em: https://congresslocalhistory2017.wordpress.com/about/

 

 

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Entrevistas cedidas por Soraia Simões acerca de RAPublicar (1986-1996), notas e recensões ao audiolivro

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Entrevistas cedidas por Soraia Simões acerca de RAPublicar (1986-1996), notas e recensões ao audiolivro

 

FONTES
ENTREVISTAS CEDIDAS PELA AUTORA ACERCA DA OBRA, NOTAS E RECENSÕES AO AUDIOLIVRO:

(no prelo) Recensão audiolivro RAPublicar. A micro-história que fez história numa Lisboa adiada: 1986 - 1996, por Ana Estevens, investigadora IGOT, Le Monde Diplomatique, Outubro, 2017.

(no prelo) Recensão audiolivro RAPublicar. A micro-história que fez história numa Lisboa adiada: 1986 - 1996, por Joana Bárbara, Doutoranda Materialidades da Literatura, Universidade de Coimbra, Setembro de 2017.

 

Página2, RTP2, 9 de Setembro, 2017.
Germano Campos Entrevista, RDP Internacional 24 de Julho, 2017.
Brandos Costumes, 12 de Julho, 2017.
Oub'lá, Antena 3, 11 de Julho, 2017.
É a Vida Alvim - Canal Q, 30 de Junho de 2017.
Escritores Online, 30 de Junho de 2017.
Um audiolivro da História do RAP português, Schifter.pt, 30 de Junho de 2017.
RAPublicar, FCSH NOVA, 27 de Junho de 2016.
A dor do silêncio e a força das vozes, Nuno Pacheco, Público edição impressa e digital, 22 de Junho de 2017.
Manhãs da 3 - Antena 3 da RTP, 6 de Junho de 2017.
Prova Oral - Antena 3 da RTP, 13 de Junho de 2017.
O início do rap português num livro apresentado em Lisboa que é também para ouvir, Lusa, DN, Observador, P3 Público, 6/06/2017.
Caravelas - Núcleo de Estudos de História da Música Luso-Brasileira (CESEM), Edição Março-Abril de 2017.
Entrevista objectivos e resultados alcançados com projecto RAPortugal 1986-1999, 01/04/2017.
VOX Media da Universidade de Coimbra - Centro de Literatura Portuguesa - CPLP, acerca de RAPublicar. A micro-história que fez história numa Lisboa adiada: 1986 - 1996, 28/03/2017.
Os primeiros passos do rap em Portugal, in Revista Fórum Estudante, edição de Dezembro de 2016.

Links úteis: 

https://www.rtp.pt/play/p3037/pagina-2

http://media.rtp.pt/antena3/ler/soraia-simoes/

https://www.rtp.pt/play/p260/e293418/prova-oral

https://www.youtube.com/watch?v=hsSWnRLXcAE

http://www.brandoscostumes.pt/

http://observador.pt/2017/06/06/o-inicio-do-rap-portugues-num-livro-apresentado-em-lisboa-que-e-tambem-para-ouvir/

https://www.publico.pt/2017/06/22/sociedade/noticia/a-dor-do-silencio-e-a-forca-das-vozes-1776344

https://www.rtp.pt/play/p1240/e299849/germano-campos-entrevista

http://infocul.pt/cultura/soraia-simoes-lanca-rapublicar/

 

 

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A subalternização existente em grupos historicamente subalternizados, bloco de notas, breve consideração, Soraia Simões

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A subalternização existente em grupos historicamente subalternizados, bloco de notas, breve consideração, Soraia Simões

Bloco de Notas

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Da subalternização existente em grupos historicamente subalternizados contam-se (também)

  • 1) as primeiras vozes femininas no RAP feito em Portugal que em cerca de 20 das 35 entrevistas realizadas não são referidas pela comunidade onde emergiram, deduzindo-se que aparentemente não são escutadas e/ou referenciais, i.e, são-no mas não é assumido publicamente.

 

  • 2) de que forma a produção de conhecimentos no campo da música popular, em domínios musicais e culturais diversos, é produzida em massa dentro de dinâmicas internas de auto-promoção, a maioria balizada por «fãs» e «melómanos» em sites e revistas sem massa crítica efectiva (musicológica, historiográfica, sociológica não tendenciosa e não biográfica) que crescem em consonância com a proporção gigante da sua virilidade (não sendo ela um exclusivo do ser masculino neste campo, mas antes de um pensar e comportar masculinizado, gancho de aceitação).

 

  • 3) de que modo ler, pensar e expor diferente um período pode desembocar num estado de subalternização dentro de um discurso hegemónico masculino? Perguntando de que modo os/as jovens da minha geração negociaram determinados comportamentos e criaram estratégias para burlar modos de pensar, e de se comportar, que não fossem ao encontro do que propõe a hierarquia (cultural, social) com os seus discursos hegemónicos.

 

  • 4) Hoje uma amiga que está a fazer o seu Doutoramento na Suíça, negra, afecta ao estudo das identidades, desigualdades, homofobia(s) dentro de grupos racializados contava-me que foi convidada ontem para falar no lançamento de um novo livro sobre os Black Panthers. Trabalho e sessão em momento algum conseguiram evocar o nome de uma mulher que fez parte do movimento. E foram várias. Isto foi ontem, 5 de Setembro de 2017.

 

  • 5) Como criar afinal espaços através dos quais sujeitos subalternizados/as podem falar por si mesmos/as mas de forma horizontal contribuindo para a intersecção de estratégias de combate e enriquecimento estável das sociedades contemporâneas?
Nota extra: É já esta sexta-feira (8 de Setembro), nas bancas com a edição portuguesa do Le Monde Diplomatique*, que pode ser lido o meu artigo «1990-1997, percursos da invisibilidade. As mulheres no RAP: afirmação e resistência», área Cultura desta publicação*.

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Universo de lantejoulas. Transformismo como resposta: afirmação e resistência, breve nota por Soraia Simões

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Universo de lantejoulas. Transformismo como resposta: afirmação e resistência, breve nota por Soraia Simões

 Thomas Polly actua há 2 anos, 6 dias por semana, como transformista no Cabaret Michou (Montmartre, em Paris). 
O transformismo é hoje uma prática artística em decadência que, segundo ele, mesmo entre o seu «público mais entusiasta» (a comunidade gay) perdeu interesse. Actividade que foi de militância, afirmação e resistência da comunidade gay e transexual desde os anos 60 (procurar Coccinelle, primeira travesti e transexual em Paris que actuava no Madame Arthur, em frente ao Cabaret Michou).

Nos últimos meses fomos falando da sua música e do que se estava a passar em Paris, de como determinados comportamentos e acções se repetem ao longo da história recente.

 O desenvolvimento acelerado do transformismo em Lisboa, tal como em Paris, deu-se no início da década de 80 tendo coincidido com o crescimento de políticas neoliberais e das extremas-direitas na Europa.

 Thomas estudou teoria musical e canto, compõe, mas como manda a tradição deste antigo cabaret parisiense recria outras intérpretes. No seu caso especialmente a actriz e intérprete americana Liza Minelli de quem é fã. Transforma-se e canta com a sua voz, não em playback como grande parte dos transformistas. Já editou um CD em nome próprio (A Contre Coeur), mas apercebeu-se desde que assumiu a sua homossexualidade, aos 13 anos, no decorrer de uma aula numa escola secundária em Amiens (a uma hora de Paris) da dificuldade que essa pública revelação lhe foi trazendo no mundo do espectáculo.

 Com 20 anos criou uma personagem: «Eva», antes disso tinha trabalhado «como mulher» numa pré-primária nesta pequena localidade. Conta-me várias vezes que é difícil, muito difícil, socialmente. É difícil ser-se muitas coisas à procura de si, do melhor lugar para se ser mais próximo de si: transformista, actor, homem, mulher. Os meios ditos socializados e socializadores não se dão com ausências de definições ou de identificações exactas. Por outro lado, é um problema saber que o meio do qual se consegue sustentar, o do transformismo, está em franco declínio.

 Na década de 60, ao contrário do espaço Madame Arthur, Michou, proprietário do Cabaret com o seu nome, nunca ergueu a «transexualidade como uma bandeira». O interesse estaria na «transformação artística plena do homem em mulher». Quando se sai do Cabaret sai-se homem. Encarna-se a personagem durante o espectáculo, despe-se a personagem e sai-se homem. Ora, isto tornou-se para muitos um «jogo traiçoeiro», perverso, o Thomas sai umas vezes mulher, «Eva».

 Há dias no âmbito do Socialismo 2017, quando falava de uma série de organizações não governamentais que se oficializaram durante a primeira metade da década de 90 em Lisboa (Abraço, SOS Racismo) tendo como missões: a prevenção para a redução do vírus da SIDA, dirigida a todos/as que se encontravam em risco de novas infecções ou a promoção de reflexões que denunciassem e intervissem no terreno tendo em vista sociedades que respeitassem direitos sem discriminações, respectivamente, lembrei-me (e aos presentes) em diversos momentos da relevância de leituras e de questionamentos novos na Lisboa dos anos 80 e 90 que hoje continuam à procura de respostas. Muito por obra de uma contínua desresponsabilização de alguns meios sociais e políticos que conseguiram a sua legitimação junto das comunidades (dos seus discursos, das suas agendas) com o corpo e modus vivendi dessas comunidades.

 Há menos de um ano Thomas Polly soube que estava infectado com o vírus da SIDA. É seropositivo, portanto. Com a medicação actual logicamente houve uma considerável redução («indetectável» em 3 meses). Ele assume-o, como as restantes facetas deste seu percurso, várias vezes como uma truta que rema contra-corrente, reduto de resistência. Existirá algo mais enfermo em 2017 que sentir que ficaram tantas coisas pelas quais andámos a lutar ainda por cumprir? Isso é com certeza mais dramático que quaisquer Síndromes das imunodeficiências adquiridas, que afinal todos/as cremos despistar.

 Estas linhas pessoais precedem um artigo que sairá no fim do ano numa publicação em França onde desenvolvo o tema que dá título a esta partilha.

1) Thomas Polly

2) Eva: jantámos há uma semana em minha casa, foi opção do Thomas fotografar-se ao pé da tela grafitada do Mural Sonoro.

thomas2.jpg

Thomas Polly

Eva       Vídeo de Christine Rougemont, Inauguração de Promenade Coccinelle, em Maio deste ano  

Eva

 

 

 

Vídeo de Christine Rougemont, Inauguração de Promenade Coccinelle, em Maio deste ano

 

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Fórum Socialismo 2017, 26 de Agosto, Escola Secundária Camões, Lisboa, 14.30, Soraia Simões

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Fórum Socialismo 2017, 26 de Agosto, Escola Secundária Camões, Lisboa, 14.30, Soraia Simões

O Bloco de Esquerda realizou nos  dias 25, 26 e 27 de Agosto, em Lisboa, na Escola Secundária de Camões, localizada na Praça José Fontana, a 11ª edição do Fórum Socialismo 2017 – Debates para a Alternativa, Soraia Simões foi uma das oradoras convidadas, dia 26, fazendo uma comunicação com o título: «Abram Espaço que elas estão a chegar, as mulheres no RAP: afirmação e resistência (1990 -1997)».

Programa Fórum Socialismo 2017, aqui

Folha acerca da comunicação:

Diz-se frequentemente que está na natureza das camadas juvenis ser-se revolucionário.
Considero que não existe uma natureza na comunidade jovem, nem em qualquer outra comunidade ou grupo etário. Existe um contexto cultural, social e familiar.
Existe uma história e um contexto histórico, marcados por variáveis económicas, políticas, ideológicas que em determinados momentos colocam as pessoas no limite da sua existência Individual e da sua experiência colectiva. É aí, por norma, que as mudanças surgem ou as transformações sociais, mesmo que sejam pequenas, acontecem. Quando confrontadas com essas limitações ou com algumas contingências.
Um dos aspectos mais notados do mundo pós-moderno é a ausência da memória, ou melhor, de uma memória representada ou que se represente per si como modo de fazer história, individual ou colectiva. A secundarização da memória (pre) dispõe, em determinados campos, uma vontade ou uma imposição frequentes ao longo do tempo de um conjunto de memórias
construídas ou imaginadas que não se questionam no mundo contemporâneo. Sem contemplar outros detentores dessas vivências ou, simplesmente, sem procurar entender o porquê do seu esvaecimento ou da selecção que dela é feita neste tempo.

As cerca de 18 horas de entrevistas semi-dirigidas que hoje servem a minha investigação académica, recentemente publicadas num audiolivro, com a chancela da Editora Caleidoscópio - RAPublicar. A micro-história que fez história numa Lisboa adiada (1986 - 1996) -, tiveram como principal missão devolver essa memória pouco interpretada, demasiadas vezes sistematizada, e as questões que ela levantou, primeiro na cidade de Lisboa e depois um pouco por todo o país, de um modo claro ao panorama da sociedade e da cultura populares da segunda metade do século XX, numa linguagem apreensível para todos (as).

Este trabalho deu mote à comunicação feita no âmbito do Fórum Socialismo 2017, com o título «Abram Espaço que elas estão a chegar, as mulheres no RAP: afirmação e resistência (1990 -1997)».

Nesta fala procurei demostrar como a temática do RAP apresentou  pouco depois das suas primeiras aparições, uma grande heterogeneidade de tipologias musicais e de recursos musicais que se afirmou com a criação dos seus próprios estilos diferenciados neste domínio, ao mesmo tempo que prevaleceu, nestes anos e acerca destes primeiros anos, a narrativa, em torno do RAP, como um campo de produção cultural marcado especialmente por populações jovens e de género maioritariamente masculino. Mesmo existindo mulheres que participaram desde o seu começo como MCs ou flygirls - nos concertos ou outro tipo de eventos locais realizados durante esta fase -, e sendo o período em que pela primeira vez, de um modo explícito, temas como a igualdade de género e o sexismo ganhavam aqui território: primeiro a partir da presença do grupo Djamal no panorama discográfico nacional e depois pela actuação do grupo Divine que voltaria a dar destaque a este assunto.

Soraia Simões
Investigadora Instituto de História Contemporânea da FCSH NOVA, Autora Mural Sonoro e RAPublicar. A micro-história que fez história numa Lisboa adiada: 1986 - 1996 (2017, Editora Caleidoscópio), Prémio Megafone Sociedade Portuguesa de Autores'14.

fotografia de Paulete Matos (esquerda.net) Esquerda para a direita: Paulo Sousa, Ana Sofia Fernandes, Soraia Simões

fotografia de Paulete Matos (esquerda.net)

Esquerda para a direita: Paulo Sousa, Ana Sofia Fernandes, Soraia Simões

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 Seminário público da BLOCO 4 FOUDANTION,  intitulado “OS MUROS ESTÃO MUDOS? (RE) PENSANDO O DIREITO À CIDADE NA LENTE DO ARTIVISMO”, com parceria do MURAL SONORO

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Seminário público da BLOCO 4 FOUDANTION,  intitulado “OS MUROS ESTÃO MUDOS? (RE) PENSANDO O DIREITO À CIDADE NA LENTE DO ARTIVISMO”, com parceria do MURAL SONORO

 

Acontecerá na cidade de Maputo, Moçambique, na U.E.M (Campus Universitário Principal Av. Julius Nyerere, nr. 3453 Maputo, Moçambique) no próximo dia 30 de Agosto, pelas 14.30, o Seminário público da Bloco 4 Foundation, intitulado “OS MUROS ESTÃO MUDOS? (RE) PENSANDO O DIREITO À CIDADE NA LENTE DO ARTIVISMO”. O Seminário conta com parceria do Mural Sonoro e da Rádio AfroLis e terá como oradores Shot B ( Rapper e Grafiteiro) e Tirso Sitoe (Director executivo da BLOCO 4 FOUNDATION e investigador).
A moderação será feita por Baltazar Muianga ( Departamento de Sociologia da UEM).

Resumo
Nos últimos anos, na cidade de Maputo, encontramos grupos que atuam em diferentes frentes ou formas de artivismo que se pautam pela ideia de ocupação temporária dos muros ou paredes no espaço público urbano. Suas atividades, algumas vezes, centram-se na necessidade de dar valor de uso a estes espaços, mesmo quando deparados com fricções institucionais ou de indivíduos que operam na centralidade do poder político e concebem o “grafitte” como sendo cultura “marginal”, pelo facto de estar voltada à denúncia de vulnerabilidade social e que atenta contra a ordem ideológico-político instituída. Dentro deste contexto, pretende-se, com o presente seminário, tomar um ponto de partida para (re) pensarmos o direito à cidade através do grafitte. Este exercício implica na verdade, compreender o modo como a trajetória artística, a temática dos murais, os lugares onde são projetados, e o tipo de técnica usada, constroem no imaginário urbano e social dos indivíduos, formas de existenciais da própria cidade.
Tirso Sitoe

 

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RAPoder em supremacia é inviável, breve nota, por Soraia Simões

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RAPoder em supremacia é inviável, breve nota, por Soraia Simões

RAPoder em supremacia é inviável, por Soraia Simões

Existem momentos na vida onde a questão de saber se se pode pensar diferentemente do que se pensa, e perceber diferentemente do que se vê, é indispensável para continuar a olhar ou a reflectir | Michel Foucault (História da Sexualidade II. O uso dos Prazeres, 1994)

 Se qualquer um (a) fizer uma pesquisa num motor de busca on-line (a principal ferramenta das comunidades jovens), numa enciclopédia (reduto de curiosos, coleccionadores, biógrafos ou amantes do género) ou em repositórios científicos que demonstram a profusão ensaística e de publicações académicas neste âmbito, utilizando as seguintes palavras-chave: «rap», «cultura hip-hop», «hip hop celebridades», «protagonistas hip-hop», «protagonistas rap», «rappers emergentes», «êxitos RAP e Hip-Hop», «RAP nos EUA», «RAP no UK», terá uma dificuldade enorme em encontrar nomes no feminino. Eles são quase inexistentes, não aparecem sequer nas primeiras listagens. Se a mesma pesquisa for realizada acrescentando à busca «Brasil» ou «Portugal» o mesmo sucede.

 Quando realizava o meu trabalho de campo, recentemente publicado em áudio (no audiolivro) com o título RAPublicar. A micro-história que fez história numa Lisboa adiada (1986 -1996)* - nas entrevistas que dirigi e fazem parte do mesmo -, procurei no (s) omisso (s) indagar porquês, na secundarização que fui sentindo acerca da dimensão e papel das mulheres neste quadro histórico perceber, igualmente, a razão desta descontinuidade histórica, que faz com que para muitos (as) a experiência de fazer RAP ou ser parte integrante de uma «cultura» (o 'hip-hop'), assim entendida pelos seus sujeitos, no feminino inicie na Capicua. No século XXI. Quando, afinal, já reunira registos vários de mulheres como 'MC', rappers, flygirls em escolas secundárias com eles, no Cais do Sodré com eles, em viagens de comboio com eles, em encontros no Trópico Disco (espaço de sociabilização, festas, concertos durante a década de 90) com eles, no Bairro Alto com eles. Registos que se acumulam (fotográficos e em vídeo) durante o início da década de 90. Tendo dois dos grupos, inteiramente femininos, gravado em estúdio (Divine em discos de Black Company, Djamal, em registo próprio, «Abram Espaço» de 1997).

 Feita há sete anos uma pesquisa anterior, ouvido e reouvido, em variadíssimos casos, todos os repertórios que enformaram este período em Portugal percebi claramente que o darwinismo social, o racismo, a dominação, a exclusão social foram temáticas que mereceram a atenção (não de toda mas) de grante parte da minha geração e elas foram (re) tratadas por sujeitos de ambos os sexos nesta prática.

 Porque é que às primeiras mulheres a fazer RAP [1] em Portugal, na sua maioria descendentes de imigrantes africanos, cujos repertórios versavam sobre tópicos semelhantes, mas também sobre sexismo, violência doméstica, diminuição da sua presença num território marcado pela masculinidade e objectificação da mulher foi-lhes vedado reconhecimento público de importância semelhante nesse pioneirismo? O que não se responde tem, em casos particulares como este, mais força que aquilo que se diz. Ouvindo a história oral desta obra, através da transmissão das memórias de X-Sista, Jumping e Sweetalk (Djamal) e lendo as de ZJ-Zuka (Divine) esse desconforto é tão presente quanto a vontade de falar, fruto de um sentir de reconhecimento por alguém (eu) da sua geração, mulher, com vontade de dialogar, perceber, registar e enquadrar essas memórias num campo de percepção (e acção/intervenção) maior.

 Quando há meia dúzia de anos comecei a gravar/entrevistar rappers, junto a outros protagonistas da Música Popular do século XX, focando assuntos transversais a toda a música que foi produzida em Portugal em determinado tempo no Mural Sonoro, recuperei a observação do sociólogo Pierre Bourdieu, a sua enfatização a respeito das concepções “invisíveis” que chegam a nós, seres sociais. Que nos levam à formação de «esquemas de pensamentos impensados», i.e. quando acreditamos ter a liberdade de pensar alguma coisa, sem levar em conta que esse «pensamento livre» está marcado por preconceitos, interesses e opiniões de alheios. Ora uma relação desigual de poder suporta uma aceitação dos grupos dominados, não sendo necessariamente uma aceitação consciente e ponderada, mas especialmente de submissão pré-reflexiva.
Afinal, foi assim para muitas mulheres da minha geração (40/41 anos): quando Lauryn Hill aflorava em «Doop Wop» a coisificação de que se é alvo sendo-se mulher num meio cultural de homens, de violência doméstica, de relacionamentos abusivos (1998) grande parte da minha geração de mulheres enaltecia a presença de Kanye West em "What You Do to Me" de Infamous Syndicate um ano depois (1999), foi assim quando Dina Di (a primeira brasileira, oriunda de Campinas, a ter sucesso no RAP) cujo percurso começara em 1989 (tendo só em 2003 atingido um reconhecimento maior com o CD A Noiva de Chuck) ou quando Karol Conka (que com 16 anos ganhara um 'concurso de RAP' na sua escola) incidia sobre a sociedade tradicional brasileira grande parte da minha geração de mulheres enaltecia a presença de Gabriel O Pensador e a sua forte influência neste panorama cultural em Portugal, foi assim quando M.I.A, inglesa, filha de um activista político, que viveu no Sri Lanka e depois da guerra civil volta para a cidade onde nasceu, Londres, com a familia sendo recebida aí como refugiada fez «Born free» ou «Borders» - onde falou sobre refugiados e empoderamento feminino -, e grande parte da minha geração de mulheres vaticinava o tão aguardado regresso de Public Enemy. Há que, tratando de feridas sociais, trata-las todas em igual medida. É uma questão de proporção, de tempo de actividade? Não é. De insipiência sonora e musical, no caso português, porque estavam a começar? Tinham-na todos (as). O espaço que Djamal, o grupo inteiramente feminino, reivindicou não foi aberto: foi descoberto. É tempo de falarmos sobre isso.

 Desenvolverei este tema no dia 26 de Agosto no âmbito do Forum Socialismo 2017 (comunicação com o título «Abram Espaço que elas estão a chegar, as mulheres no RAP: afirmação e resistência (1990 -1997») e num artigo que sai na edição de Setembro do Le Monde Diplomatique[2] 

Conto com presenças e leituras. Até breve.

[1] RAP; assumo ao longo dos trabalhos que tenho publicado acerca deste domínio a designação RAP em maiúsculas e não em minúsculas e itálico. Isto porque se pretende demonstrar o domínio num plano central das mudanças de comportamentos e linguagens verificadas num determinado contexto histórico, e não num plano secundário ou complementar. Ou seja, onde as medidas e mudanças que se verificaram socialmente não diminuam ou tornem secundária a dimensão social ou o papel ideológico, como habitualmente sucede, desta prática cultural e artística, a partir da qual esta investigação tem procurado demonstrar que elas acontecem durante este primeiro período em Portugal.

[2]  1990 - 1997: Percursos da invisibilidade. As mulheres no RAP: afirmação e resistência, Le Monde Diplomatique, publicação a 8 de Setembro, 2017.

Editora Caleidoscópio, 2017.

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«Como se Fora Seu Filho»,  organização: Associação José Afonso, em Grândola, 29 de Julho de 2017

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«Como se Fora Seu Filho», organização: Associação José Afonso, em Grândola, 29 de Julho de 2017

A convite da Associação José Afonso, Soraia Simões estará em Grândola no colóquio - concerto denominado «Como se Fora seu Filho», fará uma comunicação de cerca de 20 minutos à qual deu o seguinte título: «MusicAtenta e RAP - ´Tudo depende da bala e da pontaria´: do exílio às ruas (1961 - 1994)».

O debate decorrerá Pelas 17.30 na Biblioteca Municipal subordinado ao tema «Como é que da Política se chega à Música e da Música à Consciência?». Além de Soraia Simões, da  mesa de debate farão ainda parte os investigadores João Madeira e João Vasconcelos e Sousa.

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“Diálogos Transatlânticos: a trajetória de músicos cubanos na guerra civil de Angola (1975-1979)”, por Amanda Palomo Alves

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“Diálogos Transatlânticos: a trajetória de músicos cubanos na guerra civil de Angola (1975-1979)”, por Amanda Palomo Alves

por Amanda Palomo Alves*

Apresentação de Comunicação proferida durante o “I Seminário Áfricas” ocorrido na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), em 23 de maio de 2017.  

Diálogos Transatlânticos: a trajetória de músicos cubanos na guerra civil de Angola (1975-1979)”

 

Posso dizer que a construção deste breve texto, intitulado “Diálogos Transatlânticos: a trajetória de músicos cubanos na guerra civil de Angola (1975-1979)”, nasceu de algumas inquietações surgidas durante a realização de meu Doutorado no Programa de Pós Graduação em História da Universidade Federal Fluminense, onde defendi, em 2015, a tese“Angolano segue em frente: um panorama do cenário musical urbano de Angola entre as décadas de 1940 e 1970”, sob a orientação do Prof. Marcelo Bittencourt.

 

Confesso, porém, que dediquei poucas linhas, fixadas em breves notas de rodapé, para falar da presença de músicos cubanos na guerra civil de Angola.  Contudo, já conseguia vislumbrar a importância e a validade do tema, capaz de lançar novos olhares para a história recente de Angola.

 

Assim, minha abordagem tem início em 1975, ano em que o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) proclama, unilateralmente, a independência de Angola. Porém, como sabemos, aquela data marcaria, também, o início de uma guerra civil travada entre os principais movimentos de libertação angolanos, a saber: o já mencionado MPLA, FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola) e UNITA (União Nacional pela Independência Total de Angola).

 

No momento em que se deu o conflito, os três movimentos de libertação perceberam que as alianças instituídas poderiam determinar os caminhos do confronto que se estabelecia e, gradativamente, o MPLA foi estreitando seus laços com os países do bloco socialista e, especialmente, com Cuba. Assim, na época da guerra, a presença de cubanos foi extremamente significativa em Angola. Nas palavras do intérprete e compositor angolano, Ruy Mingas, “nenhum outro povo esteve conosco tanto, e tão marcadamente, quanto os cubanos”[1]. Além de Cuba ter auxiliado no treinamento das forças guerrilheiras do MPLA, estiveram em Angola, médicos, construtores e professores cubanos. Nesta direção, vale assinalar a fundamental participação dos cubanos na criação do Ministério de Educação e Cultura de Angola, e na orientação dada aos conteúdos presentes em programas educacionais.

 

Entretanto, o grande desafio, lançado por mim, refere-se à significativa presença de músicos cubanos em Angola, principalmente, entre os anos de 1975 e 1979. Esses músicos, aliados ao movimento chamado “Nova Trova Cubana”[2], estiveram presentes num contexto bastante específico da história angolana, compondo e interpretando canções associadas a importantes acontecimentos sociais e políticos ocorridos no país. Entre esses músicos estavam, Silvio Rodriguez, Pablo Milanés, Noel Nicolau, Vicente Feliú, Lázaro Garcia e, ainda, músicos dos conjuntos “Los Cañas” e “Los Papines”.

 

Em uma carta destinada ao presidente do Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica (ICAIC), o compositor e intérprete Silvio Rodriguez descreve:

 

 

[...] quiero que me des la oportunidad de irme a Angola... Creo que en este sentido puedo ser útil en la elaboración de textos y, por supuesto, en música y canciones. Te informo que haré todo lo posible por esta decisión. El camino está escogido con serenidad y sin romanticismo.

 

 

Silvio Rodriguez, Habana, 15 de diciembre de 1975

Silvio Rodriguez, Habana, 15 de diciembre de 1975

 

 

Naquela ocasião, Silvio Rodriguez, e vários outros músicos, particularmente aliados ao movimento da Nova Trova, realizaram uma série de turnês por países estrategicamente escolhidos pelo governo cubano e, entre eles, Angola. Logo abaixo, podemos visualizar alguns desses momentos:

O músico Silvio Rodriguez em Angola (1976). Imagens disponíveis em Silvio: que levante la mano la guitarra, de Víctor Casaus e Luis Rogelio Nogueras, 1993 .  

O músico Silvio Rodriguez em Angola (1976). Imagens disponíveis em Silvio: que levante la mano la guitarra, de Víctor Casaus e Luis Rogelio Nogueras, 1993 .

 

Angola, dezembro de 1976. Na foto, vemos os músicos Silvio Rodriguez, Noel Nicola, Pablo Milanés e os músicos do conjunto “Los Papines”. Foto: Vicente Feliú. Disponível em: http://anecdotariodelatrova.blogspot.com.br. Acesso em outubro de 2016.

Angola, dezembro de 1976. Na foto, vemos os músicos Silvio Rodriguez, Noel Nicola, Pablo Milanés e os músicos do conjunto “Los Papines”. Foto: Vicente Feliú. Disponível em: http://anecdotariodelatrova.blogspot.com.br. Acesso em outubro de 2016.

No período em que esteve em Angola, Silvio Rodriguez compôs uma série de canções. Poderia citar: “Pioneros" (1976), "La Gaviota” (1976) e "Canción para Mi soldado" (1976). Outros músicos cubanos também incluíram em seu repertório temas associados a Angola. É o caso de Pablo Milanés, músico associado à “Nova Trova” que grava, em 1978, a canção “Havemos de voltar”, baseada num poema de Agostinho Neto. Citaria, ainda, o músico Carlos Puebla que, em 1977, compõe e grava a canção “Algo sobre Angola”.

Para além dessas importantes questões apresentadas, pretendo investigar, ainda, a relação desses artistas cubanos com os músicos angolanos, especialmente, entre os anos de 1975 e 1979. Sobre o tema, aliás, vale citar o artigo do crítico musical e pesquisador Jomo Fortunato. Num artigo intitulado “No fervor da canção política”, Fortunato nos fala da trajetória do compositor e intérprete angolano Mário Silva (ex-integrante do Agrupamento Kissanguela), e sua relação com os músicos cubanos acima mencionados, Silvio Rodriguez e Pablo Milanés:

 

“É possível detectar pontos de contato com a estética de Pablo Milanés e Sílvio Rodriguez (...) dois compositores que influenciaram a trova angolana, têm a capacidade de sintetizar o intimismo e os temas universais, com a mobilização e a consciência social e política. Importantes elementos de aferição e análise que encontramos na intencionalidade da música de Mário Silva”[4].

 

Outro importante nome a destacar é o da intérprete angolana Belita Palma (nome artístico de Isabel Salomé Benedito de Palma Teixeira), uma das integrantes do emblemático conjunto “N’gola Ritmos” que gravou, nos anos 1970, a canção “Fidel de Castro”. Destacaria, ainda, a canção “Angola-Cuba” interpretada pelo “Conjunto Musical das Forças Armadas de Angola” (FAPLA-POVO).

Nesta direção (e com base nas questões apresentadas), entendo que minha análise preliminar sinaliza para uma importante reflexão em torno do encontro e da circulação de músicos cubanos e angolanos, e das condições de produção e consumo daquelas composições em Angola na segunda metade do século XX. Ou seja, estamos tratando de dois países distantes geograficamente (separados pelo Atlântico), mas, fortemente unidos ideologicamente, politicamente e culturalmente.

 

Em outras palavras, sugiro a ideia de pensarmos em fluxo, emmobilidade, mas, acima de tudo, apontamos para uma reflexão e entendimento daquilo que se encontra no trânsito, por onde se movimentam bens culturais, discursos, símbolos e pessoas, afinal, estamos falando, também, sobre cultura e sobre regiões onde as culturas se encontram e, sobretudo, dos produtos desse encontro[5].

Neste caso, as fronteiras – entendidas como espaços de confluência de correntes culturais – não mobilizam, muito pelo contrário, são atravessadas. A ideia de “diálogos transatlânticos” é uma proposta de posicionamento com relação ao contexto que estamos trabalhando, afinal, a nossa pesquisa envolve aproximações e, mormente, a reflexão e o entendimento daquilo que se encontra no trânsito, por onde se movimentam bens culturais, discursos, símbolos e pessoas. Mais do que isto: como a canção pode ser, simultaneamente, um objeto de circulação, um espaço para a reflexão sobre o movimento e um produto das trajetórias pessoais dos autores?

As perguntas são várias, mas, reconheço a importância e a necessidade de discussões em torno de metodologias que possam me auxiliar na caminhada, mas, com relação à canção, já é possível assinalar a importância de estar atenta ao seu caráter polissêmico. Em outras palavras, privilegiar uma discussão em torno da relatividade de cada obra, ou seja, de tentar estabelecer mediações entre o nível estético e as instâncias políticas, econômicas e sociais. Em poucas palavras, a articulação entre texto e contexto se mostra indispensável, afinal, “canção alguma é uma ilha voltada para dentro de si”[6], pelo contrário, toda canção é dotada de características próprias e acaba assumindo, inevitavelmente, a singularidade e as características próprias de se autor e de seu tempo.

Enfim, as reflexões, as questões e as dúvidas compartilhadas com vocês estão muito longe de se esgotarem, pelo contrário, as considero um “ponta pé” inicial de um projeto que se pretende maior. De todo modo, já posso afirmar que o enfoque está no movimento: no movimento de pessoas, de ideias, de informações, referente a diferentes sociedades, e seus fluxos e refluxos de múl­tiplas naturezas. Obrigada!

 [1]Entrevista concedida a Amanda Palomo Alves, em Luanda, no dia 04 de novembro de 2013. 

[2]A “Nova Trova Cubana” foi um movimento musical emergente no final dos anos 1960, responsável pela renovação da canção popular em Cuba, ao combinar inovações estéticas e engajamento político. Em nosso país, as músicas dos cancioneiros da “Nova Trova” se tornaram conhecidas através de gravações de Chico Buarque e Milton Nascimento. Eu destacaria “Pequena Serenata Diurna”, de Silvio Rodriguez, gravada por Chico Buarque, “Yolanda”, de Pablo Milanés, gravada por Milton Nascimento e “Canción por la unidad latinoamericana”, de Pablo Milanés, gravada por Chico Buarque e Milton Nascimento. VILLAÇA, Mariana Martins. La política cultural cubana y el movimiento de la Nueva Trova. In: Actas del IV Congreso de la Rama Latinoamericana de la Asociación Internacional para el Estudio de la Música Popular (IASPM-LA).México, 2002, pp. 01-09.

[3] Carta de Silvio Rodriguez disponível em: http://ntd.la/silvio-rodriguez-tenia-una-ak-47. Acesso em setembro de 2016.

[4]FORTUNATO, Jomo. “No fervor da canção política”. In: Jornal de Angola, 18 de janeiro de 2010. Matéria disponível em:http://jornaldeangola.sapo.ao/cultura/no_fervor_da_cancao_politica. Acesso em outubro de 2016.

[5]Cf. HANNERZ, Ulf. “Fluxo, fronteiras, híbridos”. In: Mana 3 (1), 1997, p. 18.

[6]PARANHOS, Adalberto. A música popular e a dança dos sentidos: distintas faces do mesmo.  In: ArtCulturaRevista do Instituto de História da Universidade Federal de Uberlândia – Dossiê História e Música, nº. 9. Uberlândia, MG: EDUFU jul./dez. 2004, p. 26.

Amanda Palomo Alves* Doutora em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Integrante da Associação Mural Sonoro

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Bandas e música para sopros: (Re)pensar histórias locais e casos de sucesso - Colóquio. Call For Papers (até 22 de Julho de 2017)

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Bandas e música para sopros: (Re)pensar histórias locais e casos de sucesso - Colóquio. Call For Papers (até 22 de Julho de 2017)

Está aberta a seguinte Call For Papers.

Bandas e música para sopros: (Re)pensar histórias locais e casos de sucesso


Instituto de História Contemporânea
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas | Universidade Nova de Lisboa
10 e 11 de Outubro de 2017

Comissão Científica: André Granjo (INETMD e FLUC), Luís Cardoso (compositor, Escola de Artes da Bairrada), Maria do Rosário Pestana (INETMD-UA), Paulo Estudante (CECH-FLUC), Pedro Marquês de Sousa (CESEM-FCSH/NOVA), Rui Vieira Nery (INETMD-FCSH/NOVA, FCG) e Suzel Reily (UNICAMP)

Comissão Organizadora: Bruno Madureira (FLUC e IHC-FCSH/NOVA), Diogo Vivas (CEIS20-UC), Soraia Simões (IHC-FCSH/NOVA e Mural Sonoro)

Submissão de propostas de comunicação até 22 de Julho de 2017.

 

As bandas de música estão disseminadas em Portugal desde o século XIX e, desde então, a sua actividade tem sido uma das principais práticas musicais no país, pese embora os obstáculos de natureza diversa, sobretudo entre as décadas de 1950 e 1970.

Após a Revolução Democrática a actividade das bandas refloresceu e beneficiou de múltiplas mutações, quer ao nível da disponibilidade de recursos humanos, quer do ponto de vista da solidez financeira, da aposta na formação musical dos músicos, nas novas tipologias de reportório ou nos novos espaços performativos. Não podemos descurar, igualmente, a aposta feita em regentes com formação superior na área da música, a disseminação de conservatórios, academias e escolas profissionais de música ou a evolução do modelo organogógico, mediante o acrescento de diversos instrumentos musicais.

O propósito do colóquio Bandas e música para sopros: (Re)pensar histórias locais e casos de sucesso é reunir investigadores de distintas áreas do saber, criar sinergias, cruzar ideias, reflectir e estimular o debate sobre este campo académico, particularmente relevante da cultura portuguesa, que tem vindo a ganhar visibilidade na última década. Pretende-se fomentar e divulgar a prática musical para sopros (as bandas em particular), partilhar informação e disseminar resultados de investigação, promover a inclusão desta temática no âmbito das investigações académicas e discutir questões e desafios para o futuro desenvolvimento das bandas de música. Além de serem o motivo da fundação de inúmeras colectividades locais ‒ muitas delas constituídas no século XIX ‒ uma parte significativa dos instrumentistas de sopro mais conceituados iniciou a carreira musical precisamente em bandas de música, alguns dos quais continuam a dar o seu contributo, sobretudo como maestros.

Inscrito numa perspectiva de estudo transdisciplinar, este encontro está particularmente vocacionado para as áreas científicas da Antropologia Cultural, Arquivística, Estudos Artísticos, Etnomusicologia, História Contemporânea, Musicologia, Performance Musical e Sociologia. Assim, tendo a música para sopros e as bandas de música como enfoque temático, aceitam-se comunicações enquadradas nas seguintes linhas temáticas:

- Correntes interpretativas e composição de reportório musical para conjuntos de sopro;
- Pedagogia do instrumento e da Direcção Musical;
- Arquivos de bandas civis e militares;
- Aprendizagem musical nas escolas de música das bandas;
- Crítica musical;
- Desenvolvimento do modelo organológico;
- Papel social das bandas;
- Histórias locais de bandas;
- Biografias de personalidades relevantes ligadas a bandas de música.

 

CALL FOR PAPERS:
A Comissão Organizadora convida todos os investigadores interessados a apresentar propostas de comunicação ao Encontro que decorrerá na FCSH-UNL, em Lisboa, nos dias 10 e 11 de Outubro de 2017. As propostas de comunicação deverão ser remetidas para o seguinte endereço de correio electrónico [bandasemusicaparasopros@gmail.com], com a indicação do título da comunicação, palavras-chave (até 4 palavras), resumo (entre 250 e 300 palavras) e nota biográfica (máximo de 150 palavras).

O evento encontra-se estruturado segundo conferências temáticas proferidas por conferencistas convidados (Rui Vieira Nery, António Vitorino d´Almeida, entre outros), em torno das quais se articularam as diferentes propostas de comunicação.

A selecção das propostas será orientada com o propósito de garantir o máximo de qualidade e diversidade temática (os temas apresentados não são exclusivos, aceitando-se propostas no âmbito de toda a música para conjuntos de sopro).

 

Divulgação das decisões da Comissão Científica sobre as propostas até 22 de Setembro 2017.

Cada comunicação terá a duração máxima de 20 minutos.

As línguas oficiais do Encontro são o português, o inglês e o castelhano.

As comunicações apresentadas serão posteriormente publicadas num volume colectivo.

Este evento inclui um Momento Musical protagonizado por um ensemble de instrumentos de sopro da Banda de Música da Força Aérea Portuguesa.

Mais informações aqui»»»

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RAPublicar. A micro-história que fez história numa Lisboa adiada: 1986 - 1996 (Soraia Simões, sinopse, Editora Caleidoscópio)

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RAPublicar. A micro-história que fez história numa Lisboa adiada: 1986 - 1996 (Soraia Simões, sinopse, Editora Caleidoscópio)



A partir de dia 25 de junho de 2017 nas livrarias. Género: Audiolivro.

Trata-se de um audiolivro com cerca de 18 horas de recolhas de entrevistas dirigidas pela autora e investigadora entre 2012 e 2016 que procura cruzar as principais linhas de discussão neste campo e em torno de disciplinas como a história contemporânea e os estudos de música e cultura populares nestes anos (1986 - 1996) com o discurso e partilha de memórias e testemunhos de alguns dos seus principais sujeitos da história. 
Soraia Simões refere acerca deste trabalho "ao usar a oralidade de um modo claro: os dados da minha análise com as experiências vividas pelos protagonistas procurei duas coisas. Em primeiro lugar uma leitura renovada sobre a história da cultura e sociedade portuguesas nestes anos tendo a expressão do RAP como vector principal, por outro lado demonstrar como algumas das principais alíneas temáticas no campo das ciências sociais foram levantadas, no campo da música e cultura populares, nestes anos por, não todos mas, alguns destes actores e actrizes e estão hoje a ser escrutinadas e à procura de respostas. 
Achei que eles e elas podiam/deviam fazer parte dessa discussão, especialmente porque as levantaram num período em que as mesmas, por várias razões, que as conversas (a oralidade) explanam foram sendo adiadas. 

Editar o que foi grande parte do meu trabalho de campo num audiolivro que é também um caderno de notas mesmo sob o ponto de vista do grafismo, homenageando assim o poeta/dizedor/rapper e MC destes anos e as dezenas de cadernos sebenta que me cederam durante estes anos de pesquisa (o qual transcrito serve a minha tese no âmbito académico) foi o modo como achei ser possível devolver essa memória, e a importância do que está inscrito nela, à sociedade e à cultura popular da segunda metade do século XX. 
Permitindo que os mesmos contem, através das questões que lhes são colocadas, essa perspectiva histórica e a sua relevância num quadro social em profunda transformação" | Editora Caleidoscópio.

 

#rapublicar #late20century #raportugal#portuguesehiphop #popularmusicstudies#contemporanyhistory

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RAPublicar de Soraia Simoes, lançamento em Lisboa e no Porto

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RAPublicar de Soraia Simoes, lançamento em Lisboa e no Porto

O audiolivro RAPublicar. A micro-história que fez história numa Lisboa adiada: 1986 - 1996 de Soraia Simões, editado sob a chancela da Editora Caleidoscópio, teve lançamento no passado dia 6 de Junho em Lisboa pelas 21.00, na Livraria Ler Devagar. Com a autora, Otávio Raposo (Investigador, ISCTE), Djone Santos (músico integrante do grupo Karapinhas que acompanhou o rapper General D ao vivo e em estúdio, autor), Jorge Ferreira (Editora Caleidoscópio). No Porto, a apresentação da obra está marcada para dia 16 de Junho, 21.30, na Gato Vadio. Com a autora, Ace (Mind da Gap) e Jorge Ferreira (Editora Caleidoscópio).

 

audiolivro RAPublicar de Soraia Simoes

Lançamento em Lisboa - Livraria Ler Devagar

 

 

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Apresentação compilação de Debate RAPublicar, apresentação compilação e showcase, 29 de Abril de 2017

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Apresentação compilação de Debate RAPublicar, apresentação compilação e showcase, 29 de Abril de 2017

Debate RAPublicar, apresentação compilação e showcase

Apresentação da compilação musical RAPortugal 2016-2017, auditório Conservatório de Música de Coimbra MESA REDONDA ''RAPublicar: passado e presente: territórios, interacção, ruptura e diversidade liricista''. Moderação: Fausto da Silva (Rádio Universidade de Coimbra).

Com Soraia Simões (Mural Sonoro, IHC/FCSH, autora RAPublicar. A micro-história que fez história numa Lisboa adiada: 1986-1996, Editora Caleidoscópio, publicado brevemente, coordenadora do projecto RAPortugal 1986-1999), Nuno Miguel Neves (Universidade de Coimbra), Jorge Furtado/Jazzy J (ex Zona Dread, RAPública, SONY, 1994), MC Ruze (Rapper/MC de Coimbra), MkNocivo (Rapper/MC de Bragança).

mesa redonda conservatório de coimbra projecto RAPortugal

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Se a Memória Não me Falha - História Oral, Metodologias e Boas Práticas, Festival FOrA, Org. CHAM (FCSH NOVA)

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Se a Memória Não me Falha - História Oral, Metodologias e Boas Práticas, Festival FOrA, Org. CHAM (FCSH NOVA)

Com a presença de Soraia Simoes. O encontro Se a memória não me falha... é organizado em parceria pelo CHAM, Faculdade de Ciencias Sociais e Humanas NOVA Lisboa, Universidade dos Açores, e pela Associação Teia D'Impulsos. Encontra-se enquadrado na terceira edição do FOrA – Festival da Oralidade do Algarve, mostra de património cultural imaterial do Algarve que decorrerá em Portimão e Alvor, Lagos entre os dias 10 a 14 de Maio.

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